quinta-feira, 20 de setembro de 2018

ECONOMIA - Centri unido para não ser vencido

Centro unido para não ser vencido

Não vejo o centro político já derrotado e o Brasil condenado à triste opção entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Na análise que se segue recorri ao psicólogo Daniel Kahneman, que ganhou fama ao contestar premissa básica do pensamento econômico tradicional, a de racionalidade do ser humano. Por sua contribuição à análise econômica, ganhou o Nobel de Economia em 2002.
Com implicações além dessa análise, Kahneman argumenta que o ser humano tem racionalidade limitada e ao decidir tem duas formas de pensar, os Sistemas 1 e 2. O primeiro é rápido e usa instintos, crenças e comportamentos que muitas vezes levam a opções equivocadas. Como o comportamento de manada, em que a pessoa segue um grupo sem refletir sobre o caminho a que será levada. Por exemplo, ao comprar ações sem se informar bem sobre elas, só porque muitas pessoas estão a adquiri-las. O Sistema 2 toma mais tempo, é mais analítico e racional, procura informações sobre o objeto da decisão e como esta deve incorporá-las de forma a minimizar o risco de erros.
Muitos adeptos de Bolsonaro e Haddad decidem pelo Sistema 1, sem maior reflexão sobre esses candidatos, seus vices incluídos. Após 1960, vários vices assumiram pela renúncia, morte ou pelo impeachment do titular: Jango, Sarney, Itamar e Temer. Dessa turma, só Itamar saiu com prestígio. O eleitor já refletiu sobre o que pode acontecer se o vice substituir seu candidato? Voltarei ao assunto.
Estou no PSDB há uns 30 anos, levado poe seu programa e por personalidades como Montoro, FHC, Covas e Serra. Entendo que a social-democracia é adequada ao Brasil, num formato mais liberal para a economia para que realize efetivamente seu potencial e gere tributos para uma ação social condizente com a dívida desse tipo que o País carrega. Em particular, por não ter cuidado dos escravos libertados, deixando-os ao deus-dará.
Utilizando o Sistema 2 para recolher informações, Geraldo Alckmin é um candidato fiel ao espírito da social-democracia e com perfil adequado para unir o centro. É sensato, tem história política, capacidade de granjear apoio na área – e precisamos dos políticos para sair desta encrenca em que o país se meteu –, larga experiência administrativa no governo paulista e resultados para mostrar, como nas áreas de segurança, educação, gestão das contas públicas e infraestrutura. Tentativas de rotulá-lo como ficha-suja não colaram. É de hábitos simples, muito apegado à família. Em particular, contrasta com o excandidato Lula, que ao se inscrever se revelou um proletário milionário, com patrimônio de R$ 8 milhões. O programa de Alckmin é muito adequado às necessidades do País. A versão completa é recente e está em www.geraldoalckmin.com.br. O programa tem dez áreas de atuação e é coisa para ler, guardar e... cobrar!
Como já disse, muitos dos apoiadores do capitão Bolsonaro pensam pelo Sistema 1, sem buscar informações. O apoio veio também pelo comportamento de manada. Se usassem o Sistema 2, saberiam que ele é temperamental e propenso a enfrentar com mais violência a criminalidade que se esconde em comunidades de baixa renda, pondo-as sob um risco ainda maior. Como militar, é da corporação do funcionalismo, cujo enfrentamento é indispensável para reformar o Estado e torná-lo mais eficaz a um custo menor. Não tem experiência administrativa, é avesso a entendimentos políticos, nada entende de economia e quem o indaga sobre o assunto é instado a ir a seu posto Ipiranga, o economista Paulo Guedes. Este exagera no liberalismo, despreza as dificuldades políticas e mesmo de recursos para implementar suas propostas. Não passou por estágio em Brasília. E viriam conflitos com o seu próprio chefe, nada liberal. Poderia durar pouco como ministro da Fazenda.
Haddad é pessoa de fino trato pessoal, mas como candidato do PT, ou pior, do PL, o Partido do Lula, tem este como ídolo e mentor. Como presidente, Lula começou bem, mas depois teve culpa no processo que levou o País ao bur acoem ques e encontra. Como ao acomodara corrupção no governo e não aproveitar, para também investir mais, abonança econômica que recebeu do PC chinês, quase só apostando na expansão do consumo elevando as pessoas a desprezara poupança e exacerbar o endividamento. Ena saída fez feio, escolhendo Dilma para suceder-lhe. Tida como gerentona, foi uma tremenda trapalhona. Seu desastre ainda tem seus efeitos. E o PT também aparelhou a máquina do Estado com seus quadros corporativistas, prejudicando uma reforma dele. Assim, quem vai atrás do PT está igualmente operando pelo Sistema 1.
Olhando os vices, ade Alckmin, senadora Ana Amélia, também ficha-limpa, foi por muito tempo jornalista na área de economia, é experiente no trato com o Congresso e sintonizada com o programa da chapa. Bolsonaro tem como vice o general Hamilton Mourão, em tese submisso ao capitão. Não conheço seu temperamento, mas em termos administrativos e corporativos envolve os mesmos riscos de Bolsonaro, além do risco de agir por conta própria e no meio militar.
E a vice de Fernando Haddad, Manuela d’Ávila, do Pcdob, o Partido Comunista do Brasil? Não tem experiência administrativa. Supondo que seja coerente com seus princípios, passaria a conduzir o governo com ideias de um partido ultra-minoritário – tem apenas 12 deputados federais, 1,6% do total, e um senador. Se eleita, terá sido pela chapa, como Temer. E o dano à confiança na economia, caso assumisse?
Concluo apelando ao voto pelo Sistema 2, sem crenças preconcebidas ou hoje mal concebidas. Cabe também apelar aos eleitores de Marina, Meirelles, Amoêdo e Álvaro Dias, bem como a esses candidatos, para que preguem a união em torno de Alckmin. Sem essa união, há um grande risco nesta eleição: o centro, desunido, então será vencido!
A social-democracia é adequada ao Brasil, num formato mais liberal para a economia
ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), É CONSULTOR ECONÔMICO E DE ENSINO SUPERIOR

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

ECONOMIA - Sobre acreditar em duendes

Sobre acreditar em duendes

Éapenas crueldade exigir que os mercados financeiros se debrucem sobre as complexas relações que definem as condições para o progresso de uma nação. Nesta seara não se trata de discutir propostas, senão de antecipar tendências e estar na ponta certa. O sonho de qualquer “trader” é estar vendido no dia em que o mundo acabar. Não é de sua natureza prescrever o que parece melhor. Ao fim e ao cabo, tudo se resume numa decisão de comprar ou vender. Não cabem filigranas, nuances ou modulações. “Quatro patas bom, duas patas ruim”, nas velhas palavras de George Orwell.
É neste contexto que se pode entender a recôndita paixão do mercado por Jair Bolsonaro. À medida que suas chances de vitória aumentam, exultam os operadores que acreditam que o mal maior pode ser evitado. O substrato desse otimismo é a crença de que um governo liberal terá condições de livrar o País da bagaça em que nos encontramos. A leitura do programa de governo do PSL, no entanto, é experiência desoladora. Pulemos, aqui, a dificuldade evidente do candidato de superar o atual nível de rejeição e conquistar a Presidência. O que se pode esperar de um governo Bolsonaro? O mercado se compraz em pensar que o economista Paulo Guedes, um liberal de quatro costados, garantiria escolhas que o mundo financeiro acha acertadas. Trata-se de um equívoco.
O texto é uma colagem de vários autores, com desigual domínio do raciocínio lógico e da língua portuguesa. Não faz sentido acreditar que o economista liberal será o pau da barraca que sustentará um eventual governo quando fica claro que ele não foi chamado sequer para dar coerência a um programa de governo meramente protocolar. O liberalismo, deixa-se logo claro, é uma espécie de elixir paregórico para todos os males, já que “reduz a inflação, baixa os juros, eleva a confiança e os investimentos, gera crescimento, emprego e oportunidades”. Faltou dizer que faz crescer cabelo e traz seu amor de volta.
Em que pese tamanha deferência, o programa preconiza que o Banco Central deva estar “alinhado” ao novo Ministério da Economia (como pensa o candidato), de quem, no entanto, será “formalmente independente” (como pensa seu economista). Se parece contraditório, é porque isso é só um jogo de palavras para conciliar posições diferentes. O prato principal, no entanto, é um avassalador programa de privatização, peça-chave para eliminar o déficit público já em 2019 e gerar um superávit primário em 2020.
É exercitar a própria ingenuidade criticar um programa de governo por suas propostas irrealistas. Exagerar, quando não mentir, faz parte das regras do jogo. Mas aqui o caso é outro. Trata-se de incapacidade de compreender não só o que deseja a sociedade brasileira, como também a verdadeira capacidade de mobilização de um governo que já nasceria minoritário. Pode-se argumentar que o papel dos economistas é prescrever soluções cujas condições práticas de implantação estariam a
É um equívoco pensar que Paulo Guedes garantiria escolhas que o mundo financeiro acha acertadas
cargo dos políticos. Essa visão é, mais que ingênua, rudimentar. A chance de aprovação de medidas econômicas que ignoram a correlação de forças políticas é nula.
Uma privatização selvagem é, mais que um sonho, um desvario, até porque Bolsonaro joga na direita, mas muitas vezes chuta com a esquerda. Programas maximalistas não se coadunam com candidatos com escassa capacidade de entender as sutilezas da negociação política.
O enfrentamento da crise fiscal requer o domínio das minudências das contradições brasileiras, mas Bolsonaro tem votos justamente pelo seu primarismo radical. A força do candidato será a fraqueza do presidente e de seu economista. Um programa econômico absolutista está fadado ao fracasso.

sábado, 8 de setembro de 2018

ENERGIA - Metamorfose ambulante

Metamorfose ambulante

É preciso dar continuidade ao processo de transformação que vive o setor de energia no País

Adriano Pires*, O Estado de S.Paulo
08 Setembro 2018 | 05h00
O setor de energia vive uma série de transformações que vão mudar a face do Brasil. O governo Dilma impôs ao País várias medidas que nos levaram à beira do precipício. Já o governo Temer nos deixa um legado positivo.
Dilma levou a Petrobrás a carregar uma dívida de US$ 100 bilhões. Isso equivale a 40 vezes o orçamento do novíssimo Ministério da Segurança Pública. A empresa chegou a ter a perigosa relação de 5 vezes a geração de caixa/dívida líquida. A desastrosa política de segurar os preços dos combustíveis causou perdas da ordem de US$ 40 bilhões. Isso sem contar que o governo anterior ficou seis anos sem realizar leilões de áreas de exploração, perdendo a oportunidade de aproveitar a cotação do barril do petróleo a US$ 100. A política de subsídios aos combustíveis trouxe outra consequência: a quebra do setor de etano
No setor elétrico não foi diferente. Todos se lembram da fatídica Medida Provisória (MP) 579, que praticamente quebrou a Eletrobrás e várias distribuidoras de energia. Essa “jabuticaba” criou um rombo no setor da ordem de R$ 100 bilhões, que nós, consumidores, continuamos a pagar em elevadas contas de luz.
Em resmo, a política energética do PT não poupou ninguém. O resultado foi a total instabilidade regulatória e muita insegurança jurídica, que afastaram os investidores do mercado brasileiro.
Ao assumir, o governo Temer tomou inúmeras iniciativas que resgataram a confiança dos investidores.
No período do ministro Fernando Bezerra Filho, foi dado início a mudanças que trouxeram total sucesso aos leilões de energia e de petróleo. Poderíamos destacar as modificações na Lei da Partilha, a nova política de conteúdo local, a aprovação do regime tributário do Repetro e o lançamento do programa Renovabio.
O ministro Moreira Franco assumiu em abril, e neste curto espaço de tempo consolidou o binômio estabilidade regulatória e segurança jurídica. E como fez isso? Por meio de entregas, algumas até surpreendentes, sobretudo na área de energia elétrica.
Depois de mais de 20 anos, as distribuidoras da Eletrobrás, que só geravam prejuízo e um péssimo atendimento ao consumidor, começaram a ser privatizadas. Apesar da descrença de grande parte do mercado, a Cepisa, no Piauí, e as distribuidoras do Acre, de Rondônia e Roraima atraíram investidores privados. A melhor notícia é de que a venda dessas distribuidoras trará a redução nas tarifas, ao contrário do que afirmavam os opositores ao processo de privatização.
Mas ainda falta resgatar do descalabro duas dessas empresas. A Amazonas Energia e a distribuidora de Alagoas, cujo processo de privatização está judicializado.
Nos leilões do setor elétrico, os deságios têm sido expressivos e contam com participação cada vez maior de energias renováveis. No último leilão, realizado no dia 31 de agosto, o destaque foi a expressiva participação da energia eólica, com 1,25 GW ao preço inferior a R$ 100/MWh. Ainda existe a real possibilidade de realizar outro leilão, no final deste ano, para substituir as poluidoras térmicas a óleo por modernas usinas movidas a gás natural. Isso trará redução de custos, limpeza da matriz elétrica e maior segurança energética para a Região Nordeste.
No setor de petróleo, a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) começou a vender a parte da União no óleo do pré-sal. Com isso, o fundo social passou a ser uma realidade. Uma última grande conquista seria aprovar no Senado o projeto de lei sobre a cessão onerosa. Com isso o governo, ainda neste ano, poderia realizar o megaleilão de petróleo, que tem potencial de trazer uma arrecadação para o governo da ordem de R$ 100 bilhões.
É preciso dar continuidade a este processo de transformação. Temos de avançar com mais privatizações, incentivar a produção de energia de forma descentralizada, incorporar inovações tecnológicas, buscar o fim dos subsídios e a redução de carga tributária.
Sempre tendo como meta eleger o consumidor como principal protagonista. Está na hora de completarmos a metamorfose; a borboleta tem de sair da crisálida e alçar voo.
* DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE)

terça-feira, 14 de agosto de 2018

POLÍTICA - O poder das palavras


O poder das palavras

"Jamais o poder da palavra sincera foi tão importante para o renascer do Brasil"

A decadência política brasileira é dramática. O ocaso foi rápido. Sim, houve um tempo – e não faz muito – que ir aos Parlamentos, antes de um gesto de participação cívica, representava um ato de elevação cultural; personalidades políticas de fina linhagem intelectual debatiam temas candentes com rigor técnico e visão de mundo. Poucas décadas correram e o Congresso Nacional, não raro, é pior que rasas discussões à mesa de bar. Aliás, na boemia, sempre é possível encontrar o encanto de uma bela mulher, enquanto que na política de hoje o desencanto é generalizado. Como isso aconteceu? Onde foi que nos perdemos?
Ora, um problema complexo não possui um único motivo, sendo justamente a soma de causas e concausas que gera a complexidade de uma dada situação. Em uma necessária avaliação histórica, é inegável que o regime autoritário gerou malefícios ao tecido político brasileiro. Não custa lembrar que, por ato império, os partidos foram extintos, criando-se um ornamental bipartidarismo de ocasião. Assim, por um sopro, toda aquela estrutura orgânica partidária – que vinha sendo criada a muito custo após o Estado Novo – ruiu ao sabor de arbítrios momentâneos. E, sem bons partidos, ficou impossível produzir bons políticos.
Frisa-se, ainda, que os longos anos do regime ditatorial sufocaram o dever primordial da democracia política: a participação diária, séria e engajada dos cidadãos nos assuntos da vida pública nacional. A apatia de nosso povo é palpável, embora comecem a surgir alguns soluços de engajamento direto. No todo, temos que olhar para frente. Sem remoer culpas do passado, precisamos ir adiante e construir o futuro, trabalhando com decência e coragem nas lidas do presente. O amanhã se faz agora, sendo fundamental rompermos a inércia que nada produz. Sem cortinas, esperamos muito da política, mas acabamos fazendo muito pouco pela democracia.
Leia mais de Sebastião Ventura
A doutrina estratégica do fracasso
Capitalismo democrático
O radicalismo da decência cívica
Ao lançar sua candidatura à presidência em 16 de março de 1968, Robert Francis Kennedy afirmou que iria ser candidato não para se opor a alguém, mas para “propor novas políticas”, para “defender a esperança em vez do desespero”, para “a reconciliação dos homens” e, ao final, mudar o desastre das “políticas divisivas”. Diante da gravidade daquele momento histórico, Bobby Kennedy asseverou que “estes não são tempos ordinários e esta não é uma ordinária eleição”. No cinquentenário da morte de RFK, suas palavras servem de luz para a grave realidade brasileira.
Objetivamente, não podemos mais continuar com a pobreza espiritual que governa nosso país. Os desafios do presente impõem a urgência de novos e melhores hábitos. O Brasil de bem não mais pode se calar para o governo dos maus, dos corruptos, dos desonestos e dos vendilhões da pátria. O momento exige união e trabalho conjunto. Uma grande nação não é obra do acaso, mas a soma de virtudes e ideais vencedoras firmemente comprometidas com a elevação dos bons costumes, com a cultura e educação do povo.
+ A distribuição partidária do fundo eleitoral
Todo grande democrata deve ter consigo uma firme missão interior: levar esperança às pessoas. E, quando não se fala a verdade, é impossível conquistar a confiança do povo. Chega, portanto, de tanta hipocrisia. A sociedade está cansada das mentiras de sempre, dos discursos enfadonhos e da teatralidade dos profissionais do voto. Ao final do dia, após viverem as dores da realidade, as pessoas querem chegar em casa e ter alguém para acreditar, fazendo-as confiar no ideal de uma vida melhor. No deserto da honra política, jamais o poder da palavra sincera foi tão importante para o competente renascer do Brasil.

RUBENS BARBOSA - Reunião presidencial do Brics

Reunião presidencial do Brics

OBrics, grupo integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, realizou sua 10.ª reunião de cúpula em Johannesburgo, África do Sul, no final de julho. Criado em 2006, o grupo representa 44% da população mundial, quase um quarto do território terrestre e 23% de seu PIB. São cinco países de renda média que buscam ampliar a cooperação e buscar soluções para os desafios de um mundo em profunda e rápida transformação, sem, no entanto, questionar os atuais fundamentos da ordem política e econômica global.
Na reunião, a cooperação com a África foi discutida e a escalada protecionista, que ameaça o livre-comércio e amplia os questionamentos sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC), foi condenada. Ambos os temas são de direto interesse do Brasil. A ameaça de guerra comercial ficou concentrada na disputa entre EUA e China. O entendimento entre os EUA e a Europa culminou com a suspensão de todas as medidas restritivas no intercâmbio bilateral, inclusive no tocante ao aço, ao alumínio e a automóveis. Ninguém se beneficiará dessa confrontação, nem mesmo o Brasil, sobretudo nas exportações de produtos agrícolas.
Ao final do encontro do Brics, os países-membros aprofundaram a cooperação em áreas como meio ambiente, esportes e economia digital. Foi instituído um Centro de Pesquisa em Vacinas para ampliar a capacidade conjunta da produção farmacêutica; e foi lançada parceria para explorar oportunidades no setor de aviação regional. Foi também assinado acordo para a instalação, no Brasil, de escritório do Novo Banco de Desenvolvimento. Com esta nova sede regional, em São Paulo, o banco do Brics vai financiar mais investimentos no Brasil e em toda a América Latina, em especial na área de infraestrutura.
No momento, o Brasil corretamente tem focado sua atuação no Brics de maneira pragmática e cautelosa. Tendo em conta as atuais limitações para a convergência de uma agenda mais ampla no campo da política internacional entre países tão distintos e com pesos econômicos relativos tão díspares, o governo brasileiro aproveita o agrupamento para promover atividades concretas de cooperação, como ficou evidenciado na África do Sul. Trata-se, portanto, de auferir ganhos concretos no campo econômico-financeiro (financiamento de infraestrutura, atração de investimentos) e de promoção comercial. Do ponto de vista financeiro, a criação do Novo Banco de Desenvolvimento e de arranjos financeiros representou um avanço significativo para reforçar a identidade do grupo e ampliar os instrumentos de apoio entre os países-membros.
O grupo tende a firmar-se como instância de cooperação para enfrentar problemas típicos de países de renda média (com destaque para saúde, educação, ciência, energia, tecnologia e inovação). Em 2018, deverão ser realizados mais de cem encontros ministeriais, de altos funcionários e setoriais entre os países-membros.
A partir de 2019, no início de sua segunda década de existência, surge uma possibilidade de convergência para uma nova etapa dos Brics.
Dependendo do resultado das eleições presidenciais e, espera-se, com a volta do crescimento sustentável, a disparidade relativa entre o Brasil, a China e a Índia poderá ser reduzida, e assim desenhada uma política mais ambiciosa em relação ao Brics com o objetivo de aumentar a projeção diplomática do Brasil. Considerações de natureza geopolítica deveriam também ser levadas em conta. Ser parte de um exclusivo grupo de países com grande peso econômico e político é fator de influência e prestígio diplomáticos. Hoje já existe coordenação em muitas áreas, tais como em foros multilaterais como G-20, ONU, Banco Mundial e FMI. Nos próximos anos, com a recuperação econômica do Brasil e da Rússia e o continuado avanço da China e da Índia, o Brics tenderá a ter uma crescente presença no cenário global, ampliando sua participação não só em termos econômicos, mas também político, com maior peso no encaminhamento de soluções para crises pontuais.
Para ser ouvido nos foros internacionais ou no concerto das nações, o Brics terá de atuar de maneira coordenada e uníssona. Não interessa ao Brasil endossar posições nacionais de um ou mais membros que marquem antagonismos em geral contra os EUA e países europeus. Com maior presença global, o Brasil, nos próximos anos, terá de posicionar-se em questões geopoliticamente distantes, como no caso da Síria ou do Oriente Médio. Terá de buscar consenso para o grupo também atuar com voz única nos chamados “novos temas emergentes” (terrorismo, narcotráfico, migrações e segurança cibernética), nos quais hoje há significativa discrepância entre a posição brasileira, de um lado, e a russa e a chinesa, de outro. Também não interessa ao Brasil o aumento do número de países-membros. México, Argentina, Arábia Saudita, Indonésia, Egito e Venezuela, que já manifestaram interesse em juntar-se ao grupo, poderiam, uma vez aceitos, dificultar a obtenção de consensos, sobretudo em temas relacionados à paz e à segurança internacionais – aí incluída a reforma do Conselho de Segurança.
O Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice) promoverá em São Paulo, em setembro, encontro para discutir um novo papel para o Brasil no âmbito do Brics, levando em conta que em 2019 caberá ao Brasil sediar o próximo encontro presidencial do Brics. Com o novo presidente, a cúpula poderá ser a oportunidade ideal para ensaiarmos os primeiros passos na busca de uma posição comum dos cinco países em temas internacionais sensíveis, aprofundando a atitude de cautela adotada até aqui. O fortalecimento da política e da economia internas reforçará a política externa brasileira nos próximos anos e o Brics poderá ser uma plataforma relevante para uma ação mais proativa do Brasil no cenário internacional.
A partir de 2019 surge uma possibilidade de convergência para uma nova etapa do grupo

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

TEORIA/POLÍTICA - O Estado Fraturado

‘O Estado fraturado’

Aobra de Denis Rosenfield (O Estado fraturado – Reflexões sobre a autoridade, a democracia e a violência. Rio de Janeiro: Topbooks, 2018, 273 p.) é um balanço, feito à luz da filosofia política e da sociologia, do drama vivido pelo Estado brasileiro nas últimas décadas, notadamente ao longo do ciclo lulopetista (2003-2016), que praticamente desmontou as instituições republicanas. A obra analisa este momento, abarcando as reformas que os Estados europeus sofreram ao longo do século 20, centrando a atenção na saga que a social-democracia percorreu nesse século. Em três capítulos (I – Democracia e autoridade; II – Autoridade estatal e retórica; III – O Positivismo e a política científica) e uma conclusão (A questão democrática), o autor desenvolve uma análise crítica e historiográfica que joga luz sobre os atuais momentos de perplexidade que se abatem sobre a Nação brasileira.
É deveras dramática a situação de anomia vivida pelo Estado brasileiro após o ciclo lulopetista. Tal situação é assim caracterizada pelo autor: “O resultado é evidente: a dissolução da autoridade pública e o enfraquecimento do Estado Democrático de Direito. Ou seja, em nome da democracia e dos direitos humanos, a própria democracia e os direitos humanos são pervertidos” (p. 29).
O desmantelamento institucional patrocinado por Lula e o PT produziu efeitos perversos para a economia do País. Eis a forma em que, sem meias-palavras, o autor denuncia o desmonte da economia nacional: “Do ponto de vista econômico, o País sofreu um processo de intervenção estatal progressiva na seara econômica, sobretudo a partir da segunda metade do segundo mandato do presidente Lula. O Estado foi apresentado como um Poder demiurgo capaz de qualquer realização, conquanto seus recursos fossem também apresentados como ilimitados” (p. 78). A síntese de todos os males encontra-se, segundo o professor Rosenfield, na morte do espírito público, que constituiu uma entropia fatal para as perspectivas do Brasil como nação.
A tarefa de reconstruir as instituições republicanas esfaceladas pela aventura criminosa do PT no poder foi precariamente cumprida pelo transitório governo Temer, em decorrência da presença, no seio do Estado, no atual cenário, de atores políticos comprometidos com a velha ordem de coisas. Qual é a causa remota, situada na origem do Estado moderno, que, retomada na nossa tradição republicana, deu ensejo às atuais aventuras do populismo lulopetista, que se irmanam a outras desgraças vividas atualmente por povos latinoamericanos, como o cubano, o venezuelano e o nicaraguense?
Para o professor Rosenfield, o caminho errado tomado no Brasil pelo PT e coligados decorre de uma deformação da tradição social-democrata, que já tinha acontecido em alguns países europeus ao ensejo do esforço de reconstrução no segundo pós-guerra. A velha tradição liberal (que tinha animado aos social-democratas no início do século 20 com as reformas comandadas na Alemanha por Edward Bernstein) foi sendo em parte posta de lado, dando ensejo a um estatismo que crescia sobre os direitos individuais.
De maneira semelhante, na tentativa em prol de garantir o bem-estar geral no seio do Welfare State, os nossos socialistas consideraram que o caminho deveria ser o da hipertrofia do Estado. O Estado de Bem-estar Social poderia avançar, com legitimidade, sobre a propriedade dos cidadãos mais abastados, na tentativa de criar uma nova classe média com os outrora marginalizados e pobres.
O Estado inchado tinha legitimidade, em decorrência de os governantes petistas terem sido eleitos. O castilhismo, no Rio Grande do Sul, argumentava de forma parecida. Júlio de Castilhos defendia-se da acusação de ter-se desviado do constitucionalismo adotado na Carta de 1891, com o estatismo que tornou todos os poderes públicos reféns do Executivo. Ora, os reformadores castilhistas eram legítimos pois tinham sido eleitos!
Considero, contudo, que o arrazoado do professor Rosenfield não foi completo. Faltou analisar a fonte primeira desta tentativa estatizante surgida no seio do pensamento socialdemocrata. O precursor dos doutrinários, Benjamin Constant de Rebecque (em Principes de Politique, Paris: Hachette, 1997) colocou o dedo na ferida quando atribuiu a Rousseau a torta ideia de que a soberania popular não tem limites por ter emergido da “vontade geral”. Essa é, no meu entender, a causa da deturpação do sentido do republicanismo brasileiro, como deixei exposto na minha obra Castilhismo, uma filosofia da República, 2.ª edição, apresentação de Antônio Paim, Brasília: Senado Federal, 2010.
Quando os positivistas derrubaram a monarquia, fizeram-no a partir da convicção de que o poder estabelecido não tem limites pelo fato de encarnar a “vontade geral”. A aplicação sistemática desse princípio positivista à política nacional ocorreu por obra de Getúlio Vargas, que materializou a ideia da ausência de limites para a soberania, herdada do castilhismo. O Estado getuliano tornou-se uma entidade mais forte do que a sociedade, pelo fato de ter-se ancorado na ciência aplicada mediante os Conselhos Técnicos Aplicados à Administração.
À luz do Estado tecnocrático se justificariam todas as medidas excepcionais tomadas pelos donos do poder para financiar as operações do lulopetismo, como as pedaladas fiscais. E se explica, assim, de outro lado, a desfaçatez lulista que acha que não deve prestar contas a ninguém pelo fato de ter sido eleito. A soberania é limitada e se restringe à gestão do Estado no sentido de preservar os direitos inalienáveis dos cidadãos, que continuam gozando dos seus direitos à vida, à liberdade e às posses.
COORDENADOR DO CENTRO DE PESQUISAS ESTRATÉGICAS DA UFJF, É PROFESSOR EMÉRITO DA ECEME, DOCENTE DA UNIVERSIDADE POSITIVO, LONDRINA. E-MAIL: RIVE2001@GMAIL.COM
Soberania popular sem limites é a fonte da deturpação do sentido do nosso republicanismo

sábado, 28 de julho de 2018

TRABALHADORESDALUZ - Espirais cósmicas de luz reforçando o grande despertar

Mensagem de 22 de Julho de 2018
ESPIRAIS CÓSMICAS DE LUZ REFORÇANDO O GRANDE DESPERTAR
Por Arcanjo Miguel e Conselho dos Anjos através de GOLDENLIGHT
Saudações, somos o Conselho dos Anjos, incluindo Arcanjo Miguel, e queremos falar hoje destas grandes espirais cósmicas de luz que estão penetrando a vossa atmosfera neste momento. Tudo é energia, frequência e luz; e a energia de dimensões mais elevadas envolvendo o vosso planeta está continuando a aumentar exponencialmente neste “tempo” ~ e como sempre colocamos “tempo” entre parênteses lembrando que tempo é uma ilusão e uma criação da Humanidade para a Terra tridimensional.  O tempo não existe na realidade e tudo está acontecendo em simultâneo. O tempo é uma construção da Humanidade e foi essencial até este ponto para criar uma realidade onde a mente seria capaz de compreender uma linha de tempo de acontecimentos ocorrendo nas vossas projeções holográficas. Toda a realidade é uma projeção holográfica da energia da Fonte através do vosso veículo humano.
O vosso veículo humano consiste em muitas, muitas camadas de luz, frequência e amor. Você é criado em amor pelo Criador da Fonte. O vosso veículo energético é composto de muitas camadas começando no nível mais denso, que é o vosso corpo humano na Terra.  Este corpo está mudando de estrutura, de carbono para cristalino, tal como o corpo da Mãe Terra Gaia está mudando do mesmo modo. Lembre-se que Gaia é um ser senciente, todos os planetas são seres sencientes, todo o Universo é senciente.
O Universo, e universos paralelos, Tudo O Que É, é uma projeção do Criador da Fonte. É uma projeção da Grande Mente, e você é uma emanação da Fonte. Nós (do Reino Arcangélico) somos emanações da Fonte. E nós do Conselho dos Anjos, incluindo Arcanjo Miguel, Rafael, Chamuel, Zadkiel e Gabriel viemos até vocês hoje para trazer esta mensagem de luz.
Existem muitas, muitas espirais cósmicas de luz penetrando agora a sua atmosfera na Terra. Esta luz, se a pudessem ver “de onde nós estamos” – e “onde nós estamos” é relativo, pois estamos numa frequência dimensional mais elevada no Reino Angélico – estamos mostrando uma visão do Planeta Terra, o mais belo planeta do Universo, um planeta em que muitas experiências aconteceram ao longo de éons de tempo.
O vosso planeta neste momento é banhado por uma bela frequência energética elevada de luz dourada. Estão transitando para uma sociedade dimensional mais elevada, lentamente ao longo do tempo. Todos os seres no vosso planeta começaram a despertar, e este Grande Despertar que leva à Era Dourada da Luz, está acontecendo no vosso tempo do Agora.
As frequências energéticas ao redor da vossa Terra têm aumentado exponencialmente desde o ano 2012. A energia que agora está ao vosso redor está começando a atingir um crescendo muito agudo. Esta energia é inspirada pelo amor e luz do Criador da Fonte e todos os Reinos Angélicos. Também existem muitas sociedades de dimensões elevadas compostas de muitas nações estelares, muitas delas são as vossas famílias estelares, já que muitos sobre a Terra são descendentes dessas nações estelares. Podem referir-se a eles como “sementes estelares”. Vocês vieram a este planeta neste momento para ajudar nesta Grande transição, este Grande Despertar, de uma vibração de baixa frequência para uma vibração de frequência elevada.
E, de fato, tudo agora continua a ascender… a energia ao redor da vossa Terra continua a ascender, tal como todos os seres sobre a vossa Terra. Qualquer situação que é negativa e impura está surgindo à superfície para ser limpa; isso também está a atingir um crescendo. O mundo de dualidade e polaridade começará a sumir lentamente ao longo do tempo. A luz que está rodeando o planeta irá lavar toda a impureza negativa. Os seres que anteriormente se entregaram a esta polaridade energética negativa, seres que se afastaram da luz, esses seres irão lentamente e gradualmente retornar à luz. Alguns poderão querer sair do planeta, pois poderão escolher não retornar à luz.
O vosso planeta está se harmonizando, e viemos até você hoje simplesmente para o encorajar a continuar em seu caminho, a elevar o seu nível de consciência, a focar no seu próprio crescimento espiritual pessoal.
Nós do Reino Arcangélico desejamos que saibam que os amamos muito, como olhamos por vocês com muito amor. Estamos envolvendo o vosso globo com asas de amor, com asas de luz, para torcer por vocês durante o vosso processo de ascensão e os vossos processos de atualizações. Muitos de vocês são pioneiros e irão liderar a grande onda da Humanidade para a próxima Era.
Continuem com o bom trabalho e saibam que os amamos. Enviamos o nosso amor a vocês, envolvemos a vossa Terra com o nosso amor celestial, e o Criador da Fonte assim como todos nós do Reino Arcangélico e muitos seres de dimensões elevadas e nações estelares estamos envolvendo vocês neste momento com o nosso amor. Nós vos amamos muito.
Mantenham o vosso olhar em direção à luz, mantenham os vossos corações sintonizados com o amor. Lembrem-se que tudo isso é uma grande ilusão na qual todos concordaram participar, e vocês irão sair triunfantes como planeta, unificados como um, com paz, prosperidade, abundância, alegria, harmonia e amor varrendo o vosso planeta numa onda energética.
Nós vos amamos e estamos sempre aqui para vocês.  Chamem por nós a qualquer momento.
Nós somos, o Conselho dos Anjos, Arcanjo Miguel, Arcanjo Gabriel, Arcanjo Rafael, Arcanjo Chamuel e Arcanjo Zadkiel.
Sitara – © The Golden Light Channel
Fonte:https://goldenageofgaia.com/ – Margarida Estevam e Marco Iorio Júnior – Tradutora e Editor exclusivos do Trabalhadores da Luz.
Autor Indefinido
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