quarta-feira, 23 de agosto de 2017

PSICOLOGIA - Como comprar felicidade gastando pouco 23082017


Dinheiro traz felicidade. Mas só se a gente souber o que comprar.

Não sei a sua, mas a minha rotina é cheia de tarefas chatas a serem cumpridas, sem as quais a vida não para em pé, mas que por si só não me trazem qualquer prazer. Embora a tecnologia venha nos livrando cada vez mais de inconvenientes como ir ao banco, repor despensa ou ir ao correio, há coisas que resistem, como levar o carro para revisão, ligar para a operadora de celular, mandar consertar eletrodomésticos e por aí vai. Com a escassez de horas no dia cada tarefa dessas que aparece na lista de afazeres traz a sensação de perda de tempo, de correria, falta de controle sobre a agenda.
O engenheiro de software Rob Rhinehart encontrou uma solução radical para algo que considerava aborrecido e dispendioso: preparar as refeições – e comê-las. Numa época em que ele e dois sócios tinham poucos recursos para sua startup, ele resolveu poupar tempo e dinheiro cortando na carne, quase literalmente. Desenvolveu uma espécie de shake reunindo – ao menos em teoria – todos os nutrientes, vitaminas, calorias e fibras, necessários para o organismo humano. Daí viria a nascer o Soylent, produto que se propõe a substituir a dispendiosa tarefa de comer. O interessante é que, ainda nas fases de testes, o crowdfounding feito por Rhinehart arrecadou um milhão e meio de dólares. Parece que bastante gente perde mais tempo do que gostaria com as refeições.
No mês passado foi publicado um estudo mostrando que, de fato, tarefas repetitivas não prazerosas roubam qualidade de vida. Pode não parecer nenhuma grande novidade, mas o foco da pesquisa era outro: será que gastar dinheiro para poupar tempo seria uma solução? Mais de seis mil adultos nos EUA, Canadá, Dinamarca e Holanda foram entrevistados sobre sua renda, sua satisfação com a vida e quanto dinheiro gastavam para terceirizar afazeres tediosos. Os resultados mostraram que pouca gente – só um terço – gastava os recursos financeiros para poupar os temporais, mas os índices de satisfação com a vida daqueles que assim faziam eram significativamente maiores. Não que eles sentissem que lhes sobrava tempo, mas o estresse por sua falta não lhes trazia impacto negativo. Comprar tempo não nos deixa necessariamente livres, com tempo de sobra, mas nos permite escolher onde gastá-lo. Ou pelo menos onde não gastá-lo, dando maior sensação de controle sobre a agenda. Um claro ganho de bem-estar.
Os cientistas tiveram o cuidado de controlar variáveis como renda total, e até mesmo quantidade de dinheiro gasto com mercado, verificando que os benefícios se mantinham em todas as faixas de renda e níveis de gastos com bens de consumo imediato. E para ter certeza ainda deram quarenta dólares por semana, durante duas semanas, para sessenta homens em Vancouver. Na primeira semana, metade deles deveria gastar o dinheiro comprando tempo, metade comprando coisas. Na segunda semana invertiam-se os grupos. As hipóteses foram confirmadas: quando eles recebiam ligações no final do dia para saber como estavam se sentindo, os que compraram tempo invariavelmente tinham melhor disposição do humor. Mas cuidado: terceirizar demais pode ter efeitos contrários. A pesquisa indica que quando se gasta demais com isso a qualidade de vida volta a cair.
É como no caso da gororoba criada por Rob Rhinehart. Sim, ela poupa tempo e dinheiro. Mas imagine que insuportável seria viver só a base de Soylent, sem lasanha, churrasco, arroz com ovo. A vida é assim: um pouco de trabalho às vezes é o preço do prazer.

Whillans AV, Dunn EW, Smeets P, Bekkers R, Norton MI. Buying time promotes happiness. Proc Natl Acad Sci U S A. 2017 Aug 8;114(32):8523-8527.

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Leitura mental
Quando eu havia acabado a residência em psiquiatria e estava no começo da faculdade de filosofia, o Sesc trouxe ao Brasil o psiquiatra e filósofo Mauro Maldonato. Eu sinceramente não lembro nada da palestra, mas simplesmente conhecê-lo foi fundamental para que eu visse ali a possibilidade de aliar psiquiatria, filosofia e comunicação com o público. Agora ele voltou ao país para lançar seu novo livro, Na hora da decisão – somos sujeitos conscientes ou máquinas biológicas? (Edições Sesc, 2017). Maldonato investiga o mistério da consciência humana, colocando em xeque tanto os velhos paradigmas da psicanálise como a crença cega nas neurociências, apontando para o universo que se desdobra em nossa mente sem que dele tenhamos consciência. Essa aliás, só seria convocada quando a decisão é importante demais – no restante do tempo, seria nas profundezas que nossas decisões seriam tomadas. Nos ensaios que compõe o livro, ricos em frases que mais parecem aforismos – tantas as camadas que trazem – o autor explora as implicações disso para a moral, a ética e até mesmo para a responsabilidade pena

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Gilles Lapouge 22082017 Sobre o EI estado islâmico

Gilles Lapouge

Na vulgata jihadista, a Espanha pertence não aos espanhóis, mas aos árabes.
Ainfâmia continua dando voltas no mundo. E ataca de modo imprevisto. De olhos fechados. Mutila e massacra jovens e idosos, franceses, ingleses, árabes, estudantes, poetas e rufiões, não importa. Mas esse imprevisto é uma ilusão, pois se presta a uma estratégia fria. A morte coletiva escolhe cuidadosamente seus alvos: grandes cidades, locais de festas, de repouso, de poder ou de prazer, monumentos venerados ou locais históricos.
Ninguém conhece exatamente o cérebro por trás do terror. Invisível, esse cérebro é ágil e sempre desperto. Como os micróbios, a mutação é sua especialidade. Como o câncer, ele produz metástases, muda seus planos, engendra ilusões e infortúnios, modifica seus programas.
Uma das suas últimas invenções foi substituir as ações ambiciosas, concebidas nos antros do mal e preparadas durante meses, por operações toscas, brutais e fortuitas, que nem são programadas pelo Estado Islâmico (EI). Qualquer um pode fomentar seu pequeno horror individual. Desnecessário até pedir aprovação do EI. Basta a ação ser sórdida e bem-sucedida para o EI em seguida dar sua bênção.
Há alguns meses, quando o grupo jihadista começou a perder terreno em seus redutos na Síria e no Iraque, as rádios ligadas a ele começaram a aconselhar seus correligionários a matar lançando veículos contra multidões. O resultado tem sido impressionante. Há alguns meses, enquanto os feudos do EI começam a cair, automóveis suicidas massacram multidões de pessoas felizes, como em Nice, Londres e, agora, Barcelona. E amanhã? Será em Moscou? Camarões? Cingapura?
Aprazíveis cidades do Ocidente revisam as leis de urbanismo, colocam vasos gigantes de flores nas ruas, blocos de cimento, pedras enormes em torno dos lugares onde centenas de pessoas gostam de repousar ou se divertir. Se amanhã os caminhões da morte não conseguirem mais cumprir seu trabalho, sem dúvida outro cérebro lúgubre e ao mesmo tempo iluminado inventará outra maneira de matar inocentes.
Não conseguindo penetrar nos segredos estratégicos do EI, policiais, ministros, especialistas, intelectuais e jornalistas tentam pelo menos definir as razões da guerra que a jihad declarou contra o Ocidente. Alguns invocam a religião. Outros apontam para a miséria dos subúrbios europeus. Outros para o “diabo”. Ou as humilhações do exílio. Não quero me lançar numa investigação tão arriscada. Apenas me pergunto se os massacres de Barcelona não poderiam nos indicar algumas pistas. Como, por exemplo, a da história.
Há um ano e meio, em janeiro de 2016, um vídeo difundido pelo EI mostrava jihadistas executando cinco prisioneiros. Um dos carrascos, sem tirar sua máscara, explicou por que era necessário “assassinar infiéis”: “Puniremos
a Espanha e Portugal, pois devemos recuperar Al-Andalous (nome dado à Península Ibérica sob o domínio árabe entre o século 7.º e a queda do reino de Granada, em 1492.” A referência não é nova. Algumas semanas após os atentados do 11 de Setembro nos EUA, Bin Laden já afirmava: “Não deixaremos a tragédia de Al-Andalous se repetir na Palestina.” Na “vulgata” jihadista, a Espanha pertence não aos espanhóis, mas aos árabes.
De fato, Al-Andalous foi um momento de graça na história do mundo. Os árabes trouxeram “a luz” para a escuridão da Idade Média ocidental, a civilização, as matemáticas, Aristóteles e Platão, uma certa harmonia da sociedade, a beleza da Alhambra e os jardins de Granada. Aos olhos de inúmeros árabes, essa Espanha brilha como um “paraíso perdido que acabou por sucumbir aos tiros de canhão de Isabel, que não apenas era espanhola, mas também católica.
Alguns podem afirmar que os amigos de Ripoll que prepararam e executaram o massacre de Barcelona estavam pouco preocupados com a reconquista ou com Isabel, a Católica. É possível, mas não tão certo. Não só alguns imãs falam, mas também rádios e redes sociais são hábeis em criar fantasmas e fixações para inflamar espíritos maleáveis.
A palavra Al-Andalous pode liberar uma energia devastadora.
Os cérebros que comandam o EI adaptam sua visão da história às diferentes províncias da jihad. No caso da Espanha eles falam de Granada, da reconquista. Mas quando se dirigem aos jovens franceses que vão para a Síria, evocam as Cruzadas que partiram da Europa cristã, lideradas por franceses, alemães e italianos durante dois séculos. Outras vezes os intelectuais do EI ressaltam a queda do Império Otomano e a necessidade de recriá-lo.
Assim, o EI se refere incessantemente à história. Uma história mutilada, mentirosa, simplificada, mas de enorme eficácia sobre espíritos frágeis e sem formação. Melhor dizer que o EI evoca não a história, mas a história religiosa. No Ocidente, por um bizarro preconceito, sobretudo entre pensadores de esquerda, há uma recusa em considerar que dentro do EI existe uma dimensão religiosa, consciente ou inconsciente. Considero isso um erro. E a questão religiosa no escopo da jihad merece ser tema de um outro artigo.
Jihadistas evocam domínio árabe da Península Ibérica para estimular ataques

Tempos de pós-verdade

Tempos de pós-verdade

Está em voga hoje, especialmente em tempos de Internet e de redes sociais, falar em “pós-verdade” O dicionário Oxford recentemente introduziu o verbete “pós-verdade” como um adjetivo “relacionado ou denotando circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes em moldar a opinião pública que os apelos à emoção e às crenças pessoais”.
Além de chocar os que ainda creem mais em fatos que em deformações úteis, a definição espelha uma realidade que se infiltra, nem tanto subrepticiamente, entre nós.
Aquilo que era tido apenas como uma “boutade”, uma frase espirituosa do ex-vice-presidente, o mineiro José Maria Alkmin, “o que importa não é o fato em si, mas sim a versão do fato” ganha espaço, momento e uma triste confirmação.
Diógenes, o Cínico, aquele que há 2500 anos perambulava pelas ruas de Atenas, com uma lanterna acesa em plena luz do dia “procurando um homem honesto”, sentir-se-ia superado pelo que ocorre nos “pós-tempos” de hoje. Do pós-modernismo à “pós-verdade” poucos resistem à tentação de falar, contra ou a favor de algo ou alguém, adicionando ou não algo de concreto ao discurso. É de Diógenes também a avaliação de que “dentre os animais ferozes, o que tem a mordedura mais perigosa é o delator, e dentre os animais domésticos, o adulador”.
São tempos fluidos, em que as novas possibilidades e dimensões trazidas pela internet não puderam ser, ainda, minimamente absorvidas, entendidas em sua extensão, incorporadas no corpo social de cultura e costumes.
Hoje todos podem valer-se instantaneamente de um “lugar de fala” na rede, no que parece ser um “empoderamento” inimaginável há quarenta anos. É algo certamente positivo e auspicioso mas, associado à euforia da descoberta, ao inebriamento de novos e ilimitados horizontes, gera uma cacofonia de posicionamentos rasos e muitas vezes emprestados, de notícias verídicas misturadas a boatos, da incontinente repercussão instantânea de versões se sobrepondose a fatos.
No início do tempos de Mao, na China, houve a implantação de um programa de “estímulo ao desabrochar de mil flores”. A ideia então era incentivar o surgimento das mais diversas discussões sobre qualquer linha de pensamento, de todas as teses e antíteses, visando abrir a fechada e milenar cultura chinesa às diferentes matizes de escolas internacionais de pensamento. Durou pouco e, paradoxalmente, redundou na instauração de uma única linha admissível, a do maoismo.
Não se trata de defender, nem de longe, qualquer limitação na expressão de ideias e de posicionamentos. A liberdade de expressão é valor central e inegociável do que hoje conhecemos como civilização. Mas espera-se que a balbúrdia acabe por decantar, que haja um maior amadurecimento e entendimento daquilo que nos abriu portas a avanços importantes. É alvissareiro poder usar livremente as novas ferramentas, tanto no apoio à consolidação do que nos pareça correto, como apostrofando e combatendo falhas morais.
Afinal, segundo o saudoso Millôr Fernandes, autor de tantas frases inesquecíveis: “jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Viremos a página da “pós-verdade”.
A liberdade de expressão é valor central do que conhecemos como civilização

SISTEMA ELETIVO - Diferenças (em debate 21082017)

DIFERENÇAS

Proporcional Puxadores de voto
Modelo eleitoral em vigor no País atualmente em que são somados os votos válidos no candidato e no partido ou coligação. A partir daí, é calculado o quociente eleitoral, que determina o número de vagas a que o partido ou a coligação tem direito. O quociente eleitoral é resultado da divisão do número de votos pelo número de assentos a preencher. Essa norma favorece a eleição de candidatos com baixa votação por causa dos chamados puxadores de voto, como é o caso do deputado Tiririca (PR-SP).
Distritão Mais votados
Sistema eleitoral em debate atualmente pela comissão de reforma política da Câmara. Cada Estado ou município vira um distrito eleitoral. São eleitos os candidatos mais votados em cada distrito. Recentemente, aumentou a resistência ao distritão entre os deputados, mesmo com a ideia de usá-lo como modelo de transição para o distrital misto em 2022.
Distrital misto
Lista
O eleitor vota duas vezes: uma para candidatos no distrito e outra para a lista dos partidos. Uma metade das vagas vai para os candidatos eleitos por maioria simples. A outra é preenchida conforme o quociente eleitoral pelos candidatos de lista pré-ordenada pelos partidos. O modelo seria implantado apenas a partir de 2022.
Distritão misto Novidade
Modelo eleitoral inédito que combina o voto majoritário com o voto em legenda. A ideia é que, na eleição para deputado federal e estadual, por exemplo, os eleitores continuem tendo a possibilidade de votar tanto no candidato como no partido. A novidade é que no resultado final os votos em legenda seriam distribuídos, proporcionalmente, aos candidatos daquele partido.
Lista fechada
Ordem
Pelo sistema, o eleitor vota no partido, que define previamente os candidatos que serão eleitos em ordem de prioridade. Atualmente, o eleitor vota diretamente no candidato.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ECONOMIA - A desetatização do dinheiro (parte 1) Rodrigo Kanayama Gazeta do Povo

Você já parou para pensar o que é o dinheiro? Por que confiamos em retalhos de papel ou círculos de metal? Afinal, por que usamos o dinheiro, a pecúnia?
Além de obrigação definida em lei (no Brasil, a Lei 9.069/95), o chamado curso legal, o dinheiro circula em razão da confiança que nós depositamos nele. Trata-se de um pedaço de papel ou metal que serve para realizar trocas. Ao invés de ocorrerem diretamente entre bens, o dinheiro atua como bem intermediário, capaz de definir o valor de algo.
Nada impede trocas diretas entre bens (escambo). Por exemplo, é possível – em tese – adquirir um computador novo mediante entrega de um bem equivalente (uma televisão, por exemplo). Porém, para facilitar trocas, há o dinheiro, uma espécie de bem econômico (como o são o computador e a televisão), mas é um bem extremamente líquido (de fácil troca) e passível de fracionamento (posso pagar os centavos).
Hoje, confiamos na moeda Real, de emissão do Estado (do Banco Central, especificamente). Por isso, além da obrigação legal de aceitá-la, há a confiança no seu valor. Vale ressaltar que o Real não possui lastro (assim como é o dólar). É possível, em crise econômica, que o dinheiro perca seu valor e sua confiança, o que faz com que as pessoas se utilizem de outros bens para realização de trocas.
A questão que eu quero levantar, e que será respondida no próximo post, é: e se o dinheiro fosse desestatizado? Se não houvesse emissões de dinheiro apenas pelo Estado?

ECONOMIA - A desestatização do dinheiro (parte dois gazeta do povo)

18.03.2014
Continuando a análise do dinheiro, remanesce a pergunta: e se o dinheiro fosse desestatizado? Se não fosse o Estado o seu único emissor? Essa foi a proposta de Friedrich Hayek quando apresentou a obra “A desestatização do dinheiro”. Ainda não presenciamos, concretamente, o fato narrado pelo autor. Para Hayek, a emissão do dinheiro, como a produção de qualquer bem econômico, deve enfrentar a livre concorrência, sendo criado por instituições financeiras. E somente as mais capazes, confiáveis e organizadas manter-se-iam no mercado.
Uma “moeda” que mais se aproxima do cenário da “desestatização” é a chamada Bitcoin, que teria sido criada por Satoshi Nakamoto (ele nega). O Bitcoin é moeda virtual, não sofre intervenção estatal (até agora) e não é emitida por instituição financeira e nem há participação dela na sua negociação. Como explica Celso Ming, jornalista de O Estado de S. Paulo, “Ele [o Bitcoin] vem ganhando aceitação porque permite seu uso como unidade de valor, meio de pagamento e reserva de valor (as três mais importantes funções clássicas de uma moeda), sem cobrança de taxas ou de comissões, diretamente entre pessoas eletronicamente conectadas em qualquer lugar do mundo e sem intermediação de bancos e instituições reguladoras”.
A questão – interessante, diga-se – é, sendo o Bitcoin um meio de pagamento, e por não ter fronteiras ou controle governamental, há quem preveja desequilíbrios nas políticas monetárias dos países, circulando  concomitantemente à moeda de curso legal. O Banco Central do Brasil, por exemplo, vem acompanhando o uso do Bitcoin pelos brasileiros (até o momento, o Brasil somente regulou a moeda eletrônica como meio de pagamento – pelo celular, por exemplo –, conforme a Lei 12865/2013, sem entrar no assunto Bitcoin).
O Japão, antecipando-se aos efeitos – bons ou ruins – negou o status de moeda corrente, principalmente após os problemas de furtos eletrônicos da moeda e de quebras de bolsas de Bitcoin. Embora um retrocesso à expansão da moeda, a medida é prudente. Segundo Pedro Brodbeck, jornalista da Gazeta do Povo, “[a] falta de informações sobre os principais operadores de bitcoins no mundo é um dos pontos de maior discordância entre a comunidade de investidores e especialistas sobre a moeda virtual”. [leia a matéria aqui]
Não há como saber qual será o futuro do Bitcoin e se sobrevirão outras moedas como ela. Contudo, é certo que, aos poucos, teremos o dinheiro, outrora palpável, como dados eletrônicos. E, talvez, presenciaremos o dinheiro sendo emitido e criado por instituições não estatais. Se isso é saudável à economia e aos países, só o tempo demonstrará.

ECONOMIA - A disparada do bitcoin

A disparada do bitcoin

O valor de um bitcoin, que rondava os R$ 840 há um ano, atingiu as alturas dos R$ 2.900 no último dia 17. Em meio a tantas oscilações, essa valorização de mais de 240% da mais famosa das moedas virtuais faz parte de um movimento internacional recente de aumento da demanda por esse ativo. Na sexta-feira, era negociado a R$ 2.283.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo
03 Julho 2016 | 05h00
Mas, antes de avançar sobre as explicações para esse fenômeno, convém recapitular noções de base.
Sem intermediação de bancos centrais ou instituições reguladoras, o bitcoin se propôs a carregar o DNA de dinheiro virtual. Quando você vai à banca da esquina para comprar um jornal, paga à vista e recebe o troco também em dinheiro, trata-se de uma transação rápida, sem intermediação e sem necessidade de trocar informações pessoais com o dono da banca. No universo dos meios de pagamentos eletrônicos convencionais, no entanto, as transferências e compras dependem de números de cartão de crédito, boletos, etc. Nesses casos, é necessário ao menos um intermediário e as transações identificam sempre pagador e recebedor. “O bitcoin é na internet o que a nota de 20 euros, por exemplo, é no mundo físico. Para realizar um pagamento de forma imediata, anônima e sem custos, só é preciso criar um endereço bitcoin, não importando onde a pessoa esteja”, resume Rodrigo Batista, CEO do Mercado Bitcoin.net, site brasileiro que intermedeia compras e vendas de moedas virtuais.
ão há emissor oficial que possa ser identificado, como um banco central. As moedas são criadas por uma rede descentralizada de computadores capazes de resolver problemas criptográficos. Qualquer um pode “gerar” bitcoins desde que o computador em questão tenha capacidade de processamento para isso e que a pessoa possa arcar com os custos de energia elétrica para mantê-lo trabalhando. Os que criam bitcoins são chamados “mineradores” e são remunerados por isso. A tecnologia foi desenhada de maneira a que, nos primeiros quatro anos, fossem criados 50 bitcoins a cada 10 minutos e que, a cada 4 anos, a produção caísse à metade. Agora no início de julho, deve recuar de 25 para 12,5 unidades produzidas a cada 10 minutos.
Assim, a perspectiva de mais uma redução do ritmo de oferta deve ser entendida como uma das razões da forte valorização recente do bitcoin.
O pesquisador de sistemas financeiros da Duke University Marcelo Prates avança outra explicação: o forte aumento da demanda na China. “O controle de capitais pelo governo da China destinado a evitar a saída de recursos parece estar impulsionando a busca por bitcoins, uma vez que seria maneira mais fácil de mandar dinheiro para qualquer parte do mundo”, observa. Como é baixo o volume em circulação (estimado hoje em apenas 15 milhões de unidades), qualquer movimento mais forte acaba por puxar para cima o valor da moeda.
Outro pesquisador da área, o professor da FGV Alberto Luiz Albertin prefere destacar o que chama de amadurecimento do mercado. Para ele, um sistema eletrônico de pagamentos mais descentralizado, menos burocrático e que permita o anonimato tende a ganhar aceitação. “Hoje as pessoas estão mais dispostas a operar sem intermediários, como, por exemplo, no crowfunding (financiamento coletivo pela internet)”.
No entanto, como meio de pagamento, uma das três mais importantes funções da moeda, o bitcoin pouco progrediu. Em geral, a aceitação da moeda virtual se restringe a um certo número de bares descolados, pousadas e galerias de arte.
É importante lembrar também que, pelo anonimato e a rapidez no pagamento, é bastante utilizada em transações ilegais relacionadas ao tráfico, lavagem de dinheiro, etc. E o uso do bitcoin para fins ilícitos pode crescer com a disseminação de acordos de troca de informações financeiras automáticas entre os governos dos países desenvolvidos.
Assim, como meio de pagamento de bens e serviços, não emplacou; como investimento, ainda se restringe a opção de investidores de perfil aventureiro. Mas, como forma de transferir dinheiro, tem se destacado. A tecnologia chamada blockchain, que garante o registro geral de transações de bitcoins, protegido por criptografia, foi recentemente classificada pelo presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, como uma “revolução” por possibilitar a redução de custos de transações “num nível de segurança realmente espetacular”. Ou seja, já tem peixe grande querendo aproveitar o que tem de bom nessa rede. COM LAURA MAIA

ECONOMIA - Entenda esse bicoin



Entenda esse bitcoin

O título que você leu acima envolve uma limitação. Ninguém vai entender o que seja essa moeda virtual e sua eventual importância só com um punhado de noções. Mais apropriado seria dizer: comece a entender esse tal bitcoin.

CELSO MING, O Estado de S.Paulo
16 Março 2014 | 02h06
Ele vem ganhando aceitação porque permite seu uso como unidade de valor, meio de pagamento e reserva de valor (as três mais importantes funções clássicas de uma moeda), sem cobrança de taxas ou de comissões, diretamente entre pessoas eletronicamente conectadas em qualquer lugar do mundo e sem intermediação de bancos e instituições reguladoras.
Os estragos provocados pela quebra da maior bolsa de negociação de bitcoins, a japonesa MTGox, no dia 25 de fevereiro, e o fechamento da canadense Flexcoin, no último dia 4, chamaram a atenção para os problemas de segurança e convertibilidade da novidade para outras moedas.
Tudo começou em 2009, quando um japonês sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto propôs a criação de um protocolo eletrônico que validasse transações pela internet, por meio de uma rede peer-to-peer (ponto a ponto). A partir daí, especialistas e nerds de todo o mundo passaram a contribuir para o desenvolvimento de um sistema em código aberto (open source), a Bitcoin Foundation - hoje com mais de 100 mil associados.
A proposta é que os usuários dos bitcoins repassem à rede global tempo de uso de seus poderosos computadores para registrar transações e validar os mecanismos de segurança. Em troca da resolução prolongada de equações matemáticas complexas, a chamada "mineração", os colaboradores são remunerados em bitcoins. Hoje, a cada 10 minutos, o minerador é creditado em 25 bitcoins (cerca de R$ 38 mil, veja no gráfico).
Hoje, bitcoins podem ser comprados em casas de câmbio do ramo, com dólares, euros e até com reais. Para fazer transações com bitcoins é preciso abrir uma "carteira digital" diretamente na Bitcoin Foundation, ou por meio de outros programas disponíveis na internet ou, ainda, em sites que surfam essa onda. Já há estabelecimentos que aceitam bitcoins como meio de pagamento na compra de mercadorias e serviços, a exemplo de um bar em São Paulo, uma pousada em Maresias (SP) e um albergue em Florianópolis (SC).
"Assim como a internet revolucionou as comunicações, o protocolo bitcoin vai revolucionar as transações financeiras", garante Flávio Prippas, fundador do BitInvest, mercado de compra e venda de moedas virtuais em reais. Ex-diretor de Tecnologia do JP Morgan, Prippas acredita em que o bitcoin seja o embrião de um novo sistema financeiro eletrônico global que deverá deixar para trás o Swift, padrão utilizado desde 1973.
O Banco Central (BC) do Brasil está preocupado com o potencial perturbador do bitcoin sobre o sistema monetário. Em comunicado divulgado dia 19 de fevereiro advertiu para eventuais problemas de segurança e interferências de hackers no sistema. Mas o BC não se limitou a isso. Um grupo de trabalho está encarregado de avaliar seu impacto e de propor providências destinadas a regular esse mercado (veja mais no Confira).

ECONOMIA O golope do bitcoin


O galope do bitcoin

Porém, apesar do crescente interesse, as criptomoedas ainda enfrentam desconfiança


Celso Ming, Raquel Brandão e Mariana Canhisares, especial para 'O Estado', O Estado de S.Paulo
19 Agosto 2017 | 17h00
Dá para resistir a um investimento seguro que se valorizou 342% apenas em 2017 (até esta sexta-feira)? É o quanto foi a disparada em dólares do bitcoin, a moeda criptografada. (Veja mais no Entenda.)
“Vale a pena observar esse mercado”, escreveram na última semana analistas do Goldman Sachs.

A moeda virtual cresce intensamente
Toda moeda tem três funções: é meio de pagamento, reserva de valor e unidade de valor. Como meio de pagamento, a moeda virtual é limitada porque pode pagar poucas coisas. Reserva de valor o bitcoin exerce por excelência; basta olhar sua valorização. Mas não dá para usá-lo como medida de valor. Ninguém diz, por exemplo, que um imóvel vale dez mil bitcoins.
O retorno de quem estava até agora deitado sobre bitcoins é tão impressionante que outras moedas digitais apareceram. Uma delas é a ethereum, que em 2017 se valorizou 3.584%. Há alguns meses, um grupo de participantes do mercado de bitcoin se separou da rede principal e criou a bitcoin cash, que funciona de forma paralela.
Apesar do crescente interesse, as criptomoedas ainda enfrentam desconfiança. A principal delas provém do fato de não existir instituição intermediária que convalide as transações.
O bitcoin usa o mecanismo de blockchain, espécie de livro-razão virtual que registra as transações em grande cadeia de códigos. É bem mais fácil falsificar papel-moeda do que esse sistema. As trocas são feitas diretamente de um usuário a outro, sem que os envolvidos sejam identificados.
O anonimato parece ter sido o principal fator de interesse. Dá para entender. Vários países fecham o cerco sobre operações de lavagem de dinheiro e quem se dedica a atividades ilícitas recorre ao bitcoin. Daí, a supervalorização.
O anonimato não é 100% garantido. Para o professor da Universidade de Durham Kevin Dowd, não passa de mito: “Mesmo sem nomes, é possível rastrear as trocas feitas com moeda virtual”.
Até agora não existe nenhum mecanismo oficial de controle. Há, sim, o rígido bit license, que funciona em Nova York e a legislação mais permissiva no Japão. Mas em nenhum deles há empenho dos governos. “Difícil haver controle total, pois a demanda por essas moedas sempre existirá”, observa Dowd.
Na análise do coordenador do curso de Direito Digital do Insper, Renato Opice Blum, são dois os caminhos: a completa proibição ou a integração ao sistema financeiro global. A primeira opção seria de difícil sucesso. É como qualquer mercado negro: nenhuma proibição consegue acabar com ele. Mais eficaz seria a regulação, identificando usuários e a movimentação, como acontece com as operações bancárias. O problema é que se criaria um regime monetário duplo. Difícil imaginar como um banco central poderia exercer sua política monetária nesse sistema. E, como lembra Gabriel Aleixo, do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, é ruim restringir o uso sem que sua necessidade surja mais claramente. As inovações devem ser fomentadas; não restringidas. O sucesso da internet, por exemplo, se deveu à liberdade para se desenvolver. O Banco Central do Brasil se limita a afirmar que segue observando o comportamento das moedas digitais.
ENTENDA:
» O que é isso
O processo de emissão de bitcoins exige que supercomputadores estejam conectados entre si e em rede. Ligados dia e noite, tentam decodificar complexos blocos de dados gerados em cada transação online. A cada bloco decodificado, bitcoins são gerados e a transação, validada.
Ser um “minerador” é uma das formas de obter bitcoins; mas é difícil, porque exige computadores superpotentes. Outra maneira é a criação de uma carteira virtual e uma conta em bolsa de moedas virtuais, nome dado aos sites em que são feitas as transações. Para garantir segurança, as bolsas buscam se autorregular. Exigem, por exemplo, RG e CPF. Para comprar, basta transferir da conta bancária para a carteira virtual um volume de reais. Outra maneira é aceitar pagamento de serviços em criptomoedas. O valor do bitcoin tende a ser volátil. É definido pela velha lei da oferta e da procura. Mas um fator interfere no preço: quando a moeda foi criada, em 2009, determinou-se superar o limite de 21 milhões de bitcoins. Assim, de ano em ano, cada bloco decodificado remunera menor número de bitcoins. / COM RAQUEL BRANDÃO E MARIANA CANHISARES, ESPECIAL PARA ‘O ESTADO’
Mais conteúdo sobre:
Celso Ming Bitcoin [moeda virtual]

domingo, 20 de agosto de 2017

Armas Nucleares por Celso Lafer (20/08/2017)

Armas nucleares | Celso Lafer *

- O Estado de S.Paulo
O tratado adotado em julho comunica que não é um padrão aceitável de conduta mantê-las
No mundo contemporâneo, a escala e a intensidade dos conflitos passam pelo potencial destrutivo das armas. Estas vêm adquirindo letalidade crescente por obra da aplicação militar de inovações trazidas pela contínua ampliação do conhecimento científico-tecnológico. O marco inaugural de uma inédita letalidade foi dado pelas armas atômicas.
O emprego da bomba em Hiroshima e Nagasaki evidenciou seu potencial de extermínio, impacto devastador do meio ambiente e terríveis consequências para a vida dos que sobreviveram à catástrofe.
Desta nova realidade se deram conta, desde a primeira hora, os cientistas nucleares, a recém-criada ONU e os pensadores que se debruçaram sobre a matéria, refletindo sobre o seu significado histórico. Em razão do horizonte das armas nucleares, como observou Hannah Arendt, as guerras deixaram de ser “tormentas de aço” que limpam o ar da política, como observara Ernst Jünger à luz da sua experiência como piloto na 1.ª Guerra Mundial – o que ecoa, lembro eu, a crítica de Hegel ao Projeto de Paz Perpétua de Kant. As guerras também não podem ser mais consideradas a continuação da política por outros meios, como avaliou Clausewitz ao pensá-las. Podem constituir-se em tremendas catástrofes, cujo alcance é capaz de transformar o mundo num deserto e a Terra em matéria sem vida.

A consciência dos riscos inerentes ao potencial destrutivo das armas nucleares para a humanidade traduziu-se na importância de valorizar a paz e conter a guerra por meio do que Bobbio denominou de um pacifismo ativo. Este tem entre as suas vertentes o pacifismo instrumental voltado para proscrever, eliminar e ir reduzindo a quantidade e a periculosidade das armas de destruição em massa, coarctando os meios técnicos de extermínio da condução da guerra no mundo contemporâneo.
É neste contexto do desenvolvimento progressivo do direito internacional de desarmamento que se situa a adoção, em 7 de julho passado, do texto negociado e aprovado por 122 membros da ONU de Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. O tratado mereceu decidido apoio do Brasil. Está em consonância com a Constituição, que circunscreve a atividade nuclear a fins pacíficos.
Insere-se na linha de coerência da diplomacia brasileira, pois nosso país é parte de todos os instrumentos internacionais de não proliferação nuclear e consistentemente vem manifestando preocupação com a persistência das armas nucleares para a segurança internacional. A relevância do tratado foi devidamente destacada pelo chanceler Aloysio Nunes Ferreira no artigo Rumo a um mundo sem armas nucleares, publicado na Folha de S.Paulo de 17/7/2017.
O tratado, no entanto, foi boicotado pelos nove Estados nucleares e pelos aliados dos EUA que estão sob o amparo da defesa do seu guarda-chuva nuclear – os membros da Otan, o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália. A justificativa para o boicote é a de que o tratado é incompatível com a política da dissuasão nuclear que tem sido essencial para manter a paz no mundo há mais de 70 anos.
A dissuasão nuclear diferencia-se da defesa. Baseia-se no equilíbrio do terror, proveniente do medo das armas nucleares. Pressupõe uma discutível definição comum de racionalidade e razoabilidade de conduta que seria compartilhada pelos detentores das armas nucleares. É inerentemente precária, pois o seu fundamento, como observou Raymond Aron, é o de construir a segurança internacional no ilimitado crédito, sem saque possível, do potencial de extermínio das armas nucleares. Foi a consciência dessa precariedade que estimulou o recém-elaborado tratado.
O tema dos riscos das armas nucleares continua na ordem do dia, como as discutíveis racionalidades das posturas da Coreia do Norte evidenciam e as reações dos EUA de Trump realçam.
A proscrição legal de outras armas de destruição em massa – as biológicas em 1975 e as químicas em 1997 – é antecedente do tratado de 2017, que abre inovador espaço aos aspectos humanitários relativos ao uso de armas nucleares e seu efeito sobre o meio ambiente.
A fonte material que levou ao novo tratado provém da inconformidade dos países não detentores de armas nucleares, inclusive os que detêm capacitação científico-tecnológica para fabricá-las, com o não cumprimento pelos detentores de armas nucleares, na condição de Estados-parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), da sua obrigação, contemplada no artigo VI. Este prevê a negociação de boa-fé de tratado de desarmamento geral e completo sobre estrito e eficaz controle internacional. Essa obrigação, conforme o Parecer Consultivo de 1996 da Corte Internacional de Justiça, não é só uma obrigação de conduta diplomática, mas uma obrigação de resultado voltada para levar a termo estas negociações. Sua importância se explica em razão da precariedade e dos riscos da lógica da dissuasão nuclear.
O TNP, que congrega a totalidade dos Estados não nucleares, foi prorrogado indefinidamente no pós-guerra fria em 1995 na expectativa de que as negociações de um abrangente desarmamento nuclear prosperassem. Elas continuam na estaca zero. Daí a posição dos 122 Estados que negociaram o texto do novo tratado de 2017.
São funções do Direito Internacional informar aos Estados qual é o padrão aceitável de conduta e indicar qual é a provável conduta de outros Estados. O boicote assinala que, no momento, a provável conduta dos seus defensores não é a de assegurar um mundo livre de armas nucleares. O tratado, no entanto, comunica – pela ação majoritária da comunidade internacional – que não é um padrão aceitável de conduta manter armas nucleares. É uma deslegitimação dotada de peso jurídico da continuidade da dissuasão nuclear e representa meritória contribuição para a “ideia a realizar” de livrar a humanidade do flagelo do potencial de extermínio das armas nucleares que ameaça a vida na Terra.
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* Professor emérito do Instituto de Relações Internacionais da USP, foi ministro das Relações Exteriores (1992; 2001-2002)

4 Motivos porque escrever nos torna mais saudáveis


4 Motivos porque escrever nos torna mais saudáveis

Seja com papel e caneta ou no computador, escrever sempre foi considerado um dos hobbies mais relaxantes ou estimulantes para muitas pessoas.
E não fica apenas na teoria, pois algumas pesquisas comprovam os benefícios que o ato de escrever pode trazer para a sua vida. Confira!

1. Diminui o stress


Você provavelmente não sabia, mas alguns distúrbios podem ser tratados com o simples ato de escrever! Conhecido como “grafoterapia”, entre as várias vantagens deste tipo de terapia está a diminuição do stress.
Ao ser orientado por um profissional, normalmente um grafólogo ou psicólogo, a pessoa consegue se acalmar e restabelecer um equilíbrio ao seu estado emocional apenas “transmitindo para o papel” as suas emoções.
Além do stress, a grafoterapia ainda pode ser eficaz contra a timidez excessiva, complexos de inferioridade, sensações de angústia e ansiedade, entre outros.

2. Desenvolve a criatividade e a imaginação

Inventar mundos, histórias, personagens… Quando escrevemos somos capazes de literalmente traçar destinos!
A materialização da sua imaginação em palavras é um excelente exercício para o cérebro. Para dar um boost na sua criatividade e imaginação, experimente criar um blog ou ter um diário pessoal, onde você se sinta livre para escrever tudo aquilo que sempre quis, sem censuras ou compromissos com a realidade.
Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve.
Vergílio Ferreira
Abra a sua mente e viaje!

3. Melhora a memória

De acordo com alguns psicólogos, escrever a mão ajuda a consolidar as memórias. Por isso, é aconselhável escrever ideias ou outras coisas que você deseja memorizar com mais facilidade.
Uma dica útil: tenha sempre por perto um bloquinho de notas e uma caneta na mochila ou bolsa e esteja pronto(a) para escrever a qualquer momento!

4. Aproxima os amigos

Escrever mensagens de agradecimento e motivação para os seus amigos, além de fazer com que você sinta uma satisfação enorme, também ajudará a estreitar os seus relacionamentos!
Escrever um poema, uma canção ou qualquer outra carta onde os seus sentimentos estejam presentes é suficiente para mudar o humor de qualquer pessoa, inclusive o seu!
Seja com papel e caneta ou no computador, escrever sempre foi considerado um dos hobbies mais relaxantes ou estimulantes para muitas pessoas.
E não fica apenas na teoria, pois algumas pesquisas comprovam os benefícios que o ato de escrever pode trazer para a sua vida. Confira!

7 Hábitos diários de autores famosos para os aspirantes a escritores

1. Exercitar o corpo

Para escrever boas histórias você precisará correr… literalmente! Pelo menos essa é uma condição essencial para Haruki Murakami, autor de 1Q84, Kafka à beira-mar, entre outros títulos de sucesso mundial.
Quando está no chamado "modo escrita" para um novo romance, o escritor japonês acorda diariamente às 4 da manhã para começar a sua rotina de seis horas de trabalho.
Mas, durante a tarde, Murakami se dedica ao exercício de seu corpo, correndo aproximadamente 10 quilômetros ou nadando cerca de 500 metros todos os dias!
Manter uma rotina é muito importante para o processo criativo de Murakami, que consegue atingir desta maneira estágios mentais profundos.
Outros autores também consideram o exercício físico um grande aliado durante o processo de desenvolvimento criativo.
O esporte está presente na rotina de muitos escritores. É, indubitavelmente, uma excelente forma de clarear as ideias, aquela distância que se faz necessária às vezes, para que possamos enxergar as coisas melhor.
Don DeLillo

2. Acordar cedo e escrever apenas durante a manhã

Se for possível determinar um padrão entre todos os grandes nomes da literatura mundial, a preferência por escrever durante as primeiras horas da manhã seria uma característica compartilhada por muitos!
Ernest Hemingway, por exemplo, declarou certa vez numa entrevista que o seu horário preferido para escrever é ainda antes do surgimento dos primeiros raios de sol.
Jane Austen, Victor Hugo e vários outros autores também assumiram que a primeira coisa que fazem ao acordar é “correr” para a escrita.
Ter como hábito a obrigação de fazer sempre o trabalho mais importante primeiro é essencial para a criação de uma rotina de produção menos procrastinadora e eficaz, conforme a maioria dos grandes autores.
Mas também, como tudo, sempre existe uma exceção para fugir à regra. Marcel Proust e Franz Kafka são exemplos de autores que só conseguiam produzir depois do pôr-do-sol.
Na realidade, caros amigos escritores, não importa se é de manhã, tarde, noite ou madrugada, o importante é dedicar-se religiosamente durante um período de tempo ao seu trabalho!

3. Os “Mandamentos de Henry Miller”

A exemplo de Henry Miller (autor de Trópico de Câncer, Nexus, Plexus, Sexus, entre outros títulos), uma alternativa para conseguir organizar a rotina de trabalho é estabelecer um “Mandamento”, uma lista de regras específicas que são responsáveis por reger o desenvolvimento da sua escrita.
Algumas das tarefas definidas nos “Mandamentos de Miller” são: trabalhar uma coisa de cada vez até esta estar concluída; quando você não pode criar você pode trabalhar; trabalhe de acordo com o seu programa e não conforme o seu humor; esqueça os livros que você quer escrever, e pense apenas no livro que está escrevendo; entre outras.
Definir um conjunto de obrigações e limites, em forma de lista, para seguir durante o período de desenvolvimento da escrita pode ser uma excelente ferramenta norteadora, principalmente para as pessoas que são por natureza menos organizadas.

4. Escreva muitas páginas para obter apenas uma

Nomeada para o Prêmio Pulitzer, Barbara Kingsolver, comprova que até os escritores de maior sucesso precisam escrever dezenas de páginas para obter uma que lhes agrade.
Acostumada a acordar antes do sol nascer, Barbara está sempre “cheia de palavras” na cabeça e a primeira coisa que faz logo pela manhã é transcrever tudo para o seu computador.
De acordo com a escritora, são páginas e páginas de frases desconexas ou pequenos textos soltos. Enquanto os seus filhos estão na escola, Barbara consegue reler tudo o que escreveu, editando e adaptando os trechos que mais gostou, mas também deletando grande parte do conteúdo…
Para a autora o escritor deve escrever (óbvio, não?), ou seja, mesmo quando não tiver algo concreto ou um desenvolvimento sólido sobre determinado tema, escreva as frases que lhe vierem à mente, como se fossem mini flashbacks.
Mais tarde, ao reler tudo o que escreveu, com certeza será mais fácil construir o restante da história.

5. Desligue-se do mundo virtual

Os maiores aliados da procrastinação são as redes sociais e o seu celular. Acredite.
Por isso, Nathan Englander sempre desliga o seu smartphone e se desconecta de todas as suas redes sociais durante as horas que se dedica ao trabalho.
Sabemos que a vontade de checar as novidades no Twitter ou as fotos dos seus amigos no Instagram é tentadora, mas se você quiser realmente ser um escritor de sucesso, o autocontrole, a disciplina e o compromisso com o seu trabalho devem vir em primeiro lugar!

6. Separe 20 minutos para brainstormings diários

Encha a sua cabeça com doses diárias de novas ideias! Pelo menos este é um dos segredos do jornalista e escritor norte-americano A. J. Jacobs: manter um fluxo constante de insights.
O autor aconselha que todos os jovens escritores separem alguns minutos do dia para um brainstorm antes de começar a trabalhar. Um momento de reflexão, onde a pessoa deve rever tudo o que está a sua volta e, aliado à sua criatividade e imaginação, construir um universo que será posteriormente materializado pelas suas palavras!

7. Escreva todos os dias, mesmo quando não estiver com vontade de escrever

Faça como o “rei do terror”, Stephen King que escreve diariamente mais de 2 mil palavras. Ele segue essa rotina sete dias por semana, mesmo durante as férias ou feriados... Ok, talvez você não precise ser tão "drástico", mas a mensagem importante aqui é: não deixe de exercitar constantemente a sua escrita!
Para King, assim como tudo na vida, a melhoria vem com a prática. Escrever todos os dias, de acordo com o autor, ajuda a não “enferrujar” o seu estilo de escrita.
O talento é algo maravilhoso, mas não é capaz de carregar quem desiste.
Stephen King
O hábito de Khaled Housseni é escrever e reescrever todos os dias. A cada nova reescrita, o autor adiciona novas camadas ao texto, novos nuances, novas perspectivas, novas formas e assim consegue tornar a sua história mais rica e completa.
Housseni ainda dá uma dica importante para os aspirantes a escritor: ESCREVAM! O primordial para um escritor é escrever, por mais óbvio que isso possa parecer (e é!). Housseni sugere que se escreva todos os dias, mesmo quando não estiver se sentindo o “maior dos escritores”.
Ah, e o mais importante, escreva para você mesmo! Não pense num público específico, pois nunca conseguirá agradar a todos os gostos. Reserve-se a escrever uma história que você precisa contar e que gostaria de ler.


Compartilhe com a gente quais os seus hábitos de escrita! Quais as rotinas que segue e qual o “segredo” para conseguir produzir os seus textos? Queremos saber!

sábado, 19 de agosto de 2017

Salmão, galinha e cérebro humano


Os seres humanos vêm diminuindo a taxa de conversão dos animais

Fernando Reinach *, O Estado de S.Paulo
12 Agosto 2017 | 03h00
É pouco romântico, mas carne nada mais é que soja, milho e outros vegetais transformados em músculo. Ao comer uma coxa de frango estamos comendo ração transformada em carne. 
Novas maneiras de efetuar essa transformação são a novidade. Os consumidores canadenses já podem comprar carne de um salmão transgênico. Essa modificação pode transformar o salmão em uma nova galinha. E na Califórnia você já pode degustar um hambúrguer feito pelo cérebro humano.
Os frangos são hoje as melhores máquinas de transformar ração em carne. No Brasil, as taxas de conversão são de 1,8 (1,8 quilo de ração se transforma em 1 quilo de frango). Os porcos vêm bem atrás, com uma taxa de conversão de 4, ou seja, precisam de 4 quilos de ração para produzir 1 quilo de carne. Já as vacas, coitadas, têm uma taxa de conversão por volta de 7, o que contribui para sua carne ser mais cara. É claro que a velocidade de conversão, o preço do alimento e os outros custos (gaiolas, vacinas, salários e impostos) também são importantes, mas a taxa de conversão é a principal característica biológica.
Vale lembrar que o sonho de toda mulher, e de quase todo homem, é ter uma taxa de conversão beirando o infinito: você come todo dia um monte e não aumenta de peso. As crianças aumentam rapidamente de peso pois têm uma taxa de conversão baixa. Essa taxa de conversão vai aumentando com a idade e fica praticamente infinita quando nosso peso se estabiliza. O mesmo ocorre com os animais. É por isso que os frangos são abatidos assim que sua taxa de conversão começa a aumentar, aos exatos 39 dias de idade.
Os seres humanos vêm diminuindo a taxa de conversão dos animais por meio da modificação genética. Nos frangos, entre 1960 e 2011, a seleção genética diminuiu a taxa pela metade e o frango se tornou a carne mais barata do mundo. Agora chegou a vez do salmão, meu peixe preferido.
O hormônio do crescimento melhora a taxa de conversão e aumenta a velocidade de transformação dos alimentos em massa muscular. Por isso, é usado para tratar crianças com problemas de crescimento. Foi pensando nisso que em 1989 um grupo de cientistas colocou no salmão do Atlântico (Salmon salar) um segundo gene do hormônio de crescimento. O resultado foi esse salmão modificado que cresce muito mais rápido e atinge o triplo do tamanho. É o mesmo que injetar hormônio de crescimento em uma criança normal.
Os criadores de salmão ficaram felizes. Nos tanques, o peixe chega ao ponto de abate em metade do tempo, consumindo menos alimento. Sua taxa de conversão melhorou. Animados, os cientistas criaram uma empresa para comercializar a invenção. Bastava conseguir a aprovação do governo. Mas a aprovação demorou 27 anos. Nesse meio tempo foram aprovadas a soja, o milho e o algodão transgênico. Chegaram ao mercado as vacinas e medicamentos transgênicos. E nada de aprovação do salmão.
Agora ele foi aprovado e as primeiras bateladas, produzidas no Panamá, foram vendidas no Canadá. A produção vai começar ali e nos Estados Unidos. Logo esse salmão vai chegar ao Brasil e aí, talvez, esse peixe delicioso fique mais barato, podendo concorrer com o frango. Soja transgênica transformada em peixe transgênico.
Não gostou? Não quer comer carne, mas gosta de hambúrguer? Fique feliz, existe uma solução para seu dilema. Nos últimos anos surgiram empresas especializadas em enganar nosso paladar. Elas utilizam proteína de soja e de outros vegetais misturados com gordura vegetal e heme (o composto que retém o ferro e dá a cor vermelha à carne) para produzir uma maçaroca que engana perfeitamente nossos sentidos. Tem a consistência, o cheiro, o sabor, a cor e o tato de carne moída.
E, quando essa “carne” é colocada na brasa, produz algo praticamente indistinguível de um verdadeiro hambúrguer. É a chamada carne vegetal, um nome que é quase pecado mortal. Se ela se tornar barata e for aceita pela população, não precisaremos mais de animais para transformar vegetais em carne. Seremos todos vegetarianos consumidores de hambúrguer. Esse truque já foi executado com sucesso quando foi criada a margarina, algo muito semelhante à manteiga, mas feita com produtos vegetais.
Nesse novo mundo não será a galinha e o salmão que vão transformar grãos em carne, mas sim o Homo sapiens, agora usando o cérebro e não os músculos.

Cardiologistas brasileiros estabelecem valores mais rígidos de colesterol ruim




Na prática, os exames agora vão indicar os valores de referência de acordo com o risco cardíaco dos pacientes. Para facilitar avaliação de médicos e o entendimento de pacientes sobre grupos de risco, sociedade brasileira lançou aplicativo gratuito


Júlia Marques, O Estado de S. Paulo
12 Agosto 2017 | 03h00






Exames de colesterol vão indicar quais os valores de referência de acordo com o risco cardíaco dos pacientes Foto: REUTERS/Jessica Rinaldi
As altas taxas de colesterol na população levaram a novas mudanças nos parâmetros usados pelos médicos para medir o problema. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alterou valores de referência para colesterol e triglicérides, fechando o cerco dos limites considerados ideais. 
A mudança atinge principalmente o colesterol LDL, o “ruim”. Pacientes com risco cardíaco muito alto devem ter o índice abaixo de 50 miligramas por decilitro de sangue - antes, o ideal era de 70. Com a nova diretriz, o Brasil passa a ser o país mais rígido nesse parâmetro, segundo a SBC.
As alterações foram publicadas em uma atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção de Aterosclerose. Na prática, os exames de colesterol agora vão indicar quais os valores de referência de acordo com o risco cardíaco dos pacientes. “Quando uma pessoa que enfartou via que o valor ideal (de colesterol ruim) era abaixo de 160, nem voltava ao médico. Mas, para ele, a meta tem de ser mais baixa”, afirma o presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC, André Faludi.
São enquadrados no grupo de pacientes de risco cardíaco muito alto, por exemplo, aqueles que tiveram enfarte, derrame ou amputação da perna por doença na artéria. Já no grupo de risco alto estão os diabéticos, explica Faludi. Para esses, o colesterol “ruim” deve estar abaixo de 70 miligramas por decilitro de sangue. Pessoas que não têm fatores de risco podem ter o índice de até 130 mg/dl. 
A ideia é que os médicos se atentem a esses novos valores para indicar o tratamento mais adequado aos pacientes. Os laboratórios também devem mudar os índices de referência nos exames. Segundo Faludi, alguns estabelecimentos já aplicam a nova regra. “A primeira diretriz que reduziu os níveis de colesterol LDL para 50 é a do Brasil. Mas a Sociedade de Diabetes Europeia já reduziu para 55 nos pacientes diabéticos com doença cardiovascular. Existe uma tendência. Nos Estados Unidos, para o indivíduo que já teve fator de risco, o tratamento é para reduzir o colesterol o máximo possível.”
As novas regras mudam ainda o colesterol total: antes o valor considerado desejável era abaixo de 200 mg/dl - agora é de 190 mg/dl. Para Faludi, manter os índices de colesterol “ruim” baixos é benéfico para os pacientes. “Isso reduz o risco de enfarte e derrame”, diz.
Para facilitar a avaliação de médicos sobre o grupo de risco em que se enquadram os pacientes, a SBC lançou um aplicativo gratuito. A ferramenta permite que o profissional preencha dados como idade do paciente, doenças crônicas e eventos prévios como enfarte e Acidente Vascular Cerebral (AVC) para determinar em qual grupo de risco ele está - e, assim, conferir qual o valor de colesterol considerado ideal. 
 
Hábitos. Para especialistas, o cerco maior ao colesterol deve levar a mudanças no estilo de vida dos pacientes de alto risco. “Diminuir gorduras saturadas e gorduras trans ajuda no tratamento”, diz Faludi, que ainda destaca a importância de exercícios físicos regulares. 
O documento com as novas diretrizes aponta, por exemplo, que o consumo de uma a duas porções de soja está associado a uma redução de 5% no colesterol ruim. Também incentiva a inclusão de fibras na alimentação e a decisão de banir o cigarro. 
Em casos mais graves, para chegar aos parâmetros, no entanto, os pacientes precisarão de remédios. “A medicação tem de ser usada em muitos casos, mas a primeira ação é a mudança de estilo de vida. Não é nosso objetivo que a população simplesmente tome mais remédio”, pondera o cardiologista do Hospital do Coração (HCor) Antonio Carlos Chagas. 
Para o publicitário Raphael d’Ávila Borges, de 31 anos, a medicação foi inevitável. Ele se preocupou quando viu o resultado dos exames, que apontava triglicérides em 490 mg/dl e colesterol ruim acima de 200 mg/dl . Nem o HDL - considerado o colesterol “bom” - de Borges estava adequado. 
“Fiz dieta por três a quatro meses, mas não adiantou. Então, comecei a tomar remédio e, provavelmente, vou tomar para a vida toda”, conta. O publicitário ainda tenta controlar os carboidratos e gorduras. 
Para o coordenador de marketing Davi Junior, de 37 anos, que tem colesterol alto, controlar o problema exige atenção e disciplina. “Faço exames rotineiros a cada três meses, em média”, afirma. Para diminuir a dose de medicamentos, pratica natação e modera na alimentação.
“Meu colesterol é tão alto que se só parar de comer determinados alimentos não chega ao ponto necessário. Tenho sempre de seguir esse trio (alimentação, exercício e medicamento) para dar certo.” / COLABOROU LUIZ FERNANDO TOLEDO
PARÂMETROS ALTERADOS
LDL (colesterol "ruim")
Como era - Pessoas com risco cardíaco alto devem ficar abaixo de 70 mg/DL
Como fica - Pessoas com risco cardíaco muito alto devem ficar abaixo de 50 mg/DL
Colesterol total
Como era - Desejável: abaixo de 200 mg/DL
Como fica - Desejável: abaixo de 190 mg/DL
HDL (colesterol “bom”)
Como era - Desejável: acima de 60 mg/DL
Como fica - Desejável: acima de 40 mg/DL
Exigência de jejum no exame
Como era - Necessário jejum de 12 horas
Como fica - Deixa de ser necessário jejum