domingo, 27 de outubro de 2013

dez dicas para uma boa redação

Dez dicas para uma boa redação (não só no Enem)

1 Comment
Posted on 27/10/2013 by
Dica 1. Não inicie como quem não se dá importância. Por exemplo, “Muito se tem dito sobre …” ou “Não pretendo aqui exaurir o assunto …”. Também não inicie como quem vai explicar tudo que não vai fazer, isso é desanimador e pode não sobrar espaço para o que você vai fazer – ou iria fazer! Por exemplo: “Não se trata de…”. Inicie com elementos taxativos, curiosos, capazes de em uma fisgada levar o leitor a se engajar na leitura. Por exemplo, você vai escrever sobre pesquisa a respeito de água em Marte. Tendo ou não água em Marte, comece com algo do tipo “Há água em Marte. Pode haver vida …”. É claro que, em vários casos, terá de relativizar depois.
Dica 2. Não faça frases longas. Deixe isso para o Saramago (que eu não leio). Também não abuse no tamanho dos parágrafos. Há quem faça muitos parágrafos, usando aquele estilo que permite mesmo quase que uma frase em cada parágrafo. Esse estilo não é para qualquer um. Não aconselho.
Dica 3. Escreva com o seu repertório, com o seu vocabulário. Caso ele não seja rico, paciência. Escreva com o que tem, deixe para depois ler mais e adquirir um vocabulário maior. Não tente não repetir palavras, como a professora da escola básica ensinou. Pode repetir. O segredo é não repetir de um modo que, lendo em voz alta, você sinta que incomodou. Hoje em dia, por influência do inglês, repetimos mais do que no passado. Não gosto daquele truque de substituir Marx por “o autor de O Capital”, para não repetir o nome “Marx”. É um recurso infantil.
Dica 4. Escreva de uma vez só. Bem, ao menos a versão final, deve escrever de uma vez só. As paradas mudam o estilo da escrita, os tempos dos verbos etc. Somente escritores bem treinados pegam um texto que estava na gaveta há algum tempo e reiniciam no mesmo tom e estilo.
Dica 5. Não cite autores importantes para dizer coisas que você ou qualquer um pode dizer. Para usar uma frase ou um pequeno trecho de um autor, escolha algo que é relevante, algo que é original dele. Mas não cite por citar, o trecho utilizado deve vir por necessidade do texto.  Evite aquele estilo de tese velha (mesmo que esteja escrevendo algo parecido com tese), em que o autor prima por nunca escrever, apenas ir de citação em citação, de destaque em destaque.
Dica 6. Cuidado com os vícios gramaticais. Todos nós temos e todos nós, mesmo os profissionais da escrita, adquirirem outros mais tão logo corrigiram os que incomodavam. Há autores veteranos que, sabe-se lá por qual razão, começam a escrever com um ou dois erros e vão embora com isso. Corrigidos, ficam paralisados, não sabendo como que puderam cair naquele erro. É que não era um erro, ou melhor, era sim um erro, mas algo que se tornou um vício imperceptível.
Dica 7. Não abuse de vírgulas. Há regras para tal, mas se você foi bem alfabetizado, a melhor regra é a da respiração, que lhe dá a pausa “natural”. Leia em voz alta e então corrija as vírgulas.
Dica 8. Não escreva sobre o que não sabe. Escrever sobre o que não se sabe é um dom. Mas é um dom que chateia demais! Há pessoas que deixam a pena correr, que falam de tudo, mas não falam do assunto que escolheram. Afinal, o que tinham para dizer sobre aquele assunto cabia em um bilhete. Use o Twitter ou o Facebook em caso de ter apenas ideias esparsas. Texto bom é antes de tudo texto informativo sobre o assunto proposto. Isso também vale para o texto ficcional. Descrições de ambiente, divagações e outros recursos que antes chamávamos de “encher linguiça”, mostram um escritor vazio. Quando um tema geral lhe é desconhecido, e cai sobre sua cabeça como imposição, então você pode pensar sobre ele e encontrar em seu interior o modo de abordá-lo que lhe é conhecido, familiar. Pegue por aí.
Dica 9. Não faça do esquema “introdução-desenvolvimento-conclusão” uma camisa de força. Tal esquema é pobre, é realmente para quem não tem nenhuma experiência com a leitura e a escrita. Serve para quem realmente é um iniciante. Mas, logo que possa saia disso.
Dica 10. Saiba distinguir gêneros narrativos. Um ensaio tem semelhança com um artigo, mas não é um artigo. Uma tese é uma tese. Um aforismo é um aforismo. E por aí vai. Cuidado com isso. Muitos jovens só leem textos científicos, os de sua área de estudo, e não conseguem construir uma narrativa própria para “contar algo”. Aprenda a “contar uma história”, a “contar algo”. Lembre-se que pode sim escrever na primeira pessoa, alternando com a primeira do plural quando quiser engajar o leitor. Não é necessário escrever no impessoal, mesmo que seja filosofia!
Convite: terça feira, dia 29, na Livraria Martins Fontes da Av. Paulista (metrô Brigadeiro), a partir das 19 horas, venha para o lançamento do meu A nova filosofia da educação (Manole), escrito em parceria com a filósofa Susana de Castro (UFRJ).
Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Achados e perdidos 23102013

Ir para o conteúdo
Você está em Notícias > Cultura
Roberto Damatta
Início do conteúdo

Achados e perdidos


Roberto Damatta - O Estado de S.Paulo
Às vezes, eu sinto a angústia de um menino perdido numa multidão. Vivemos hoje no Brasil um período inusitado de estabilidade política permeada pelas superimposições promovidas pelo casamento entre hierarquias aristocráticas - que em todas as sociedades (e sobretudo na escravidão, como percebeu o seu teórico mais sensível, Joaquim Nabuco) têm como base a amizade e a simpatia pessoal; e o individualismo moderno relativamente igualitário que demanda burocracia e, com ela, uma impecável, abrangente e inatingível impessoalidade.
O hibridismo resultante pode ser negativo ou positivo. Pelo que capturo, o hibridismo - ou o mulatismo ético - é sempre mal visto porque ele não cabe no modo ocidental de pensar. Provam isso as Cruzadas, a Inquisição, o Puritanismo, as Guerras Mundiais, o Holocausto e a exagerada ênfase na purificação e na eugenia - na coerência absoluta entre gente, terra, língua e costumes, típicas do eurocentrismo. A mistura corre do lado errado e tende a derrapar como um carro dirigido por jovens bêbados quando saem da balada; ou da esquerda carismática-populista, burocrática e patrimonialista no poder.
Desconfio que continuamos divididos entre tipos de dominação weberiana e suas instituições. Fazer a lei e, sobretudo, preparar a sociedade para a lei, ou simplesmente prender? Chamar a polícia (que é, salvo as honrosas exceções, intensamente ligada aos bandidos e chefes do crime paradoxalmente presos) ou resolver pela "política"? Mas como fazê-lo se os "políticos" (com as exceções de praxe) estão interessados no desequilíbrio porque a estabilidade impede e dificulta a chegada ao "poder"? Poder que significa, além da sacralização pessoal, um imoral enriquecimento pelo povo e com o povo. Ademais, somente uma minoria acredita na política representada por instituições igualitárias e niveladoras.
Para ser mais preciso ou confuso, amamos a dominação racional-legal estilo germano-romana, mas não deixamos de lado nosso apreço infinito pela dominação carismática em todas as esferas sociais, inclusive na "cultura", como revela esse disparate de censurar biografias. Temos irrestrita admiração por todos os que usaram e abusaram da liberdade individualista nesse nosso mundinho relacional quando os perdoamos e não os criticamos, o que conduz a uma confusão trágica entre o uso da liberdade e o seu abuso irresponsável. Esses mimados pela vida e exaltados pelos amigos - os nossos maluquinhos - legitimam a ambiguidade que se consolida pelo pessoalismo do herói a ser lido pelo lado do direito ou do avesso. Esse avesso que, no Brasil, é confundido com a causa dos oprimidos num esquerdismo que tem tudo a ver com uma "ética da caridade" do catolicismo balizador e historicamente oficial. Com isso, ficamos sempre - como dizia aquele general-ditador - a um passo do abismo. Andar para trás é condescendência, para a frente, suicídio.
Como gostamos de brincar com fogo, estamos sempre a um passo da legitimação da violência justificada como a voz dos oprimidos que ainda não aprenderam a se manifestar corretamente. E como fazê-lo se jamais tivemos um ensino efetivamente igualitário ou instrumental para o igualitarismo numa sociedade cunhada pelo escravismo e por uma ética de condescendência pelos amigos e conhecidos?
Pressinto uma enorme violência no nosso sistema de vida. Temo que ela venha a ocupar um território ainda mais denso e seja usada para legitimar outras violências tanto ou mais brutais do que o "quebra-quebra" hoje redefinido como "manifestações". Protestos que começam como demandas legitimas e, infiltrados, tornam-se "quebra-quebras". Qual é o lado a ser tomado se ambos são legítimos e, como é óbvio, dizem alguma coisa como tudo o que é humano?
Estou, pois, um tanto perdido e um tanto achado nessa encruzilhada entre demandas legais e prestígios pessoais. Entre patrimonialismo carismático e burocracia, os quais sustentam o "Você sabe com quem está falando?" - esse padrinho do "comigo é diferente", "cada caso é um caso", "ele é meu amigo", "você está errado mas eu continuo te amando"... E por aí vai numa sequência que o leitor pode inferir, deferir ou embargar.
Embargar, aliás, é o verbo e a figura jurídica do momento em que vivemos e dos sistemas que se constroem pela lei, mas confundindo a regra com o curso torto, podre e vaidoso da humanidade, tem as suas cláusulas de desconstrução. Com isso, condenamos com a mão direita e embargamos com a esquerda; ou criamos os heróis com a esquerda e os embargamos com a direita. Construímos pela metade. O ponto que já foi ressaltado por mim algumas vezes é o simples: se conseguirmos assumir e controlar abertamente a ambiguidade, há a esperança de controlá-la. E isso pode ser uma enorme vantagem num planeta cujo futuro é um inevitável "abrasileiramento".
Assim, entre o ser obrigado a calvinisticamente condenar, como fazem os nossos brothers americanos que todo dia atiram nos próprios pés, podemos assumir em definitivo que todos têm razão. Afinal de contas, o Brasil é um vasto programa de auditório com pitadas de missa solene e jogo de futebol.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

sobre o glútem








http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/post/question.gif















Glúten. Este é o novo vilão que deve ser banido do cardápio em nome da saúde e da boa forma. Há tempos que médicos e nutricionistas sabem que o glúten, uma substância encontrada no trigo, no centeio, na cevada e na aveia , transforma-se numa espécie de cola ao chegar no intestino e gruda nas paredes intestinais, provocando, aos poucos, saturação do aparelho digestivo, o aumento da gordura visceral (na região do abdômen), dores articulares, alergias cutâneas, enxaqueca e depressão.

O perigo se agravou devido ao consumo excessivo de pães, biscoitos, macarrão, bolos. Até alguns queijos e embutidos contêm o agora maldito glúten. Os resultados já aparecem nos consultórios de nutrólogos, alergistas e nu­tricionistas: obesidade, síndrome de resistência à insulina, deficiência de cálcio (o trigo vem sempre adicionado de açúcar), alergias, diarréias, doenças auto-imunes. O nutrólogo João Curvo diz que, para os chineses, o excesso de glúten no organismo é sinal de má higiene interna: o metabolismo emperra, favorecendo bactérias que gostam de calor e estagnação. A pediatra e nutróloga Clara Brandão, do Mi­nistério da Saúde, premiada por suas alter­nativas para a mesa brasileira, defende o que chama de nossa "soberania alimentar": mandioca, milho e arroz no lugar do trigo im­portado, que faz tanto mal. E, se abolir o glúten ajuda a emagrecer, a "dieta sem glúten" virou febre nas academias. Agora, pães de aipim e de milho, macarrão de arroz e cookies de soja são as novas "delícias" dos supermercados.

GRAÇAS AO SÚBITO DESEJO DA FILHA LOUISE DE EMAGRECER,

a família de César Hasky, dono do restaurante japonês Ten Kai, em Ipanema, descobriu as maravilhas da vida sem glúten. A mãe, Rina, ao levar a filha ao nutricionista Leonardo Haus também adotou a reeducação alimentar que consiste em evitar saturação do metabolismo provocada pelo excesso de glúten no intestino. A surpresa veio quando mãe e filha começaram facilmente a emagrecer e até César, que não estava de dieta, adotou os pães de aipim, de abóbora e de cenoura, encomendados na rede Mundo Verde ou no restaurante Celeiro:

- A barriga vai sumindo, você fica mais leve. Eu não imaginava que o glúten fizesse tanto mal. E você vive muito bem sem o trigo. Pode comer pães e bolos gostosos sem glúten de manhã ou à tarde, sem sofrimento algum - diz Rina.

O nutricionista Leonardo Haus recomenda um período de três meses de dessensibilização ao glúten, no qual não se pode comer trigo, centeio, cevada ou aveia, os quatro cereais que contêm a substância. Depois, segundo ele, é possível comer esporadicamente sem risco de danos:

- Essa é a idéia da reeducação alimentar. Você pode comer um pãozinho, mas o excesso pode alterar todo o seu metabolismo, baixar a imunidade do organismo e levar a doenças. Mas é bom lembrar que nem todo obeso tem essa intolerância alimentar.

Intestino sem glúten produz serotonina e gera alegria

A guerra contra o pão e o macarrão já começou também na escolinha de vôlei das jogadoras Sandra e Elaine, no Leblon. Atletas do ranking brasileiro de vôlei de praia, elas proíbem as alunas que querem emagrecer de comer pão depois das 17h. As atletas aprenderam com seus médicos que, no entardecer, o metabolismo vai ficando na­turalmente mais lento e a digestão daquele trigo ficará ainda mais difícil.

O pãozinho terá muito mais chances de virar gordura - e abdominal!

- Não proibimos o pão, mas, se puderem evitar, principalmente à noite, é melhor. Isso não significa que não podemos comer um macarrão depois de um treino. Pode, mas não toda hora. O excesso não é metabolizado e vira gordura - explica Sandra.

- Eu, às vezes, não resisto. Vou à padaria Rio-Lisboa e como três pães franceses quentinhos de uma vez. E com muita manteiga! Mas só de vez em quando e escondido de meu técnico. No dia a dia, evito o pão e me sinto mais leve e bem disposta. O ideal é comer sempre frutas e saladas - diz Elaine.

Se banir o pão foi secando a barriga das mulheres, a nova onda chegou instantaneamente às academias de ginástica. A academia Velox, por exemplo, oferece saladas que há muito tempo fazem parte dos lanches dos atletas. Leves, nutritivas e de baixa caloria. As redes Body Tech e Pró-Forma também seguem o exemplo. É um incontrolável efeito dominó. Se uma mulher seca abolindo o glúten, centenas de outras vão fazer o mesmo para secar também. E não faltam receitas sem glúten. A quituteira anúglúten gaúcha Paula Santos oferece dezenas no site
www.riosemgluten.com.

Um dos segredos da nova dieta é não desanimar diante de um pão de aipim com a consistência de uma pedra portuguesa. Há bons fabricantes de produtos sem glúten e outros nem tanto. Leonardo Haus indica os pães sem glúten produzidos em Santa Catarina, vendidos na rede Mundo Verde e no restaurante Fontes, em Ipanema, ou ainda os de fabricação própria do restaurante Celeiro, no Leblon. Os novos alimentos sem glúten já estão nas prateleiras dos supermercados: macarrão de arroz, cookies de soja, bolos de cenoura.

Para a clínica Eliana Correa, com pós-graduação em medicina ortomolecular, depois do período de dessensibilização, pode-se até comer glúten de vez em quando, mas, segundo ela, a pessoa se sente tão bem que passar a evitar o alimento, como ela própria e suas três filhas:

- Quem sofreu a vida inteira com enxaqueca por causa de intolerância ao glúten não vai querer mais comer o alimento porque sabe que voltará a se sentir mal. Aí vem a pergunta clássica: Mas eu vou comer o quê? Eu, por exemplo, como batata-doce no café da manhã. Iode-se comer aipim, tapioca, pães sem glúten. A variedade é imensa e os benefícios, ainda maiores. Eu, que brigava tanto com o leite e seus efeitos alérgicos, descobri que o glúten é muito pior.

Eliana faz em seus pacientes exames de sangue que detectam alergias que não causam efeito imediato, mas vão minando o metabolismo e são chamadas por isso de alergias retardadas. O sangue colhido dos pacientes é enviado para laboratórios nos Estados Unidos, que dosam intolerância a 96 alimentos. O exame custa R$ 900. No Brasil, os só há exames para 37 alimentos que causam apenas alergias imediatas (quando o paciente passa mal imediatamente).

Outra maneira de acelerar a vida sem glúten é a colonterapia. Trata-se de uma lavagem do intestino grosso, feita por um aparelho que, durante 40 a 50 minutos, faz circular de 40 a 50 litros de água no intestino, provocando uma limpeza geral. Segundo o endocrinologista homeopata José Geraldo Rosa Gonçalves, o glúten que fica grudado nas paredes intestinais, estagnando o metabolismo, baixando a imunidade e promovendo a absorção de toxinas pode sair totalmente em quatro a seis sessões de R$ 220 cada, que incluem uma oxigenação do intestino depois da limpeza. Para pessoas com constipação crônica, ele recomenda em média dez sessões, duas vezes por semana:

- Um alimento normal leva 18 horas da mastigação até ser eliminado pelo reto. O glúten leva 26 horas. O excesso vai retendo cada vez mais toxinas no organismo e promovendo a disbiose, que é a alteração da flora normal, com fermentação, retenção de líquidos. É o começo de uma série de doenças articulares, auto-imunes e até depressão.

Depois da colonterapia, o intestino volta a produzir serotonina, o neurotransmissor que garante a alegria.

- A pessoa se sente tão feliz que passa naturalmente a rejeitar o glúten como antes - diz.

GOSTOSO E IRRESISTÍVEL, O PÃO FRANCÊS QUENTINHO

Com a manteiga derretendo pode ser maldito para quem não quer engordar. Mas proibido mesmo, só para portadores da doença celíaca, uma intolerância de origem genética ao glúten que provoca distúrbios gastrintestinais, diarréias violentas e até morte. No Brasil, em estimativas imprecisas, a doença atinge um em cada 300 brasileiros. Uma delas é Ane Benati, de 39 anos, que, entre os sete irmãos, tem outros três e uma sobrinha celíacos. Ela viu suas irmãs gêmeas definharem por 20 anos em busca de um diagnóstico e, há dez anos, uma delas, Raquel Benati, quase morreu com 39 quilos para o seu 1,70m, quando enfim descobriu que era celíaca.

- Foi só tirar o glúten e minha irmã parecia que tinha tomado fermento. Engordou e ficou boa rapidamente. Pensei que ela ia morrer. Fiz logo o exame e vi que eu também era celíaca, embora não tivesse ainda sintomas graves. Porque antes de acabar com o intestino, a doença pode provocar baixa metabólica, diabetes, hipertireoidismo e até epilepsia - diz ela, que, por conta da doença, sugere pratos deliciosos sem glúten para o cardápio do restaurante Cais do Oriente, do namorado Markos Resende, no Centro.

- Ultimamente como lá uma lasanha de vegetais feita com folhas e palmitos naturais no lugar da massa e atum grelhado - diz Ane.

Hoje "curada" ao banir o glúten da dieta, Raquel é presidente da seção Rio da Associação dos Celíacos do Brasil e diz que o diagnóstico ainda é um problema:

-A medicina ainda desconhece essa doença. Estima-se hoje que no Rio haja 35 mil celíacos, mas só mil com diagnóstico. Os outros 25 mil estão passando mal pelos hospitais, nas filas das gastrites, das diarréias crônicas, das enxaquecas, das dores articulares sem cura. Eu penei 20 anos até descobrir a doença, mas o médico da Associação de Celíacos, o gastropediatra José César Junqueira, alerta que uma simples gastrite já é indicação para os exames que detectam a doença.

Excesso de glúten gera intolerância também em pessoas normais

Os exames de sangue de detectam a doença celíaca são os de antitransglutaminase e antiendomísio, mas, segundo Raquel, ainda não estão incluídos no Sistema único de Saúde (SUS), tampouco são aceitos por alguns planos de saúde. Na Europa, onde a doença celíaca tem uma incidência maior devido ao alto consumo de trigo, há uma infinidade de alimentos sem glúten, mas no Brasil os produtos sem glúten só agora começam a aparecer.

- O mercado está crescendo porque as pessoas normais também estão com intolerância devido ao excesso do consumo de trigo.

Se o glúten é proibido para os celíacos, os normais não precisam ser tão ortodoxos. É possível comer um pãozinho, duas ou três vezes por mês e não sentir mal-estar algum, segundo o nutrólogo João Curvo:

- Os leigos que se observam percebem a relação entre o excesso de trigo e o aumento do volume abdominal, excesso de gases, dores articulares, dores de cabeça e peso nos pés. Quando ocorre a saturação de glúten no intestino, a absorção dos nutrientes piora e a pessoa começa a apresentar queixas. Essa intolerância vai minando o sistema imunológico e vão surgindo as alergias cutâneas, a psoríase e as artrites. Tudo depende da quantidade do consumo.

Teresa Sá, por exemplo, mulher do estilista Tufi Duek, da Fórum, não é celíaca, mas teve um problema vascular, que, depois de muitos exames, descobriu que era intolerância ao trigo:

- Eu como massa, mas tenho consciência que depois tenho que fazer um processo de desintoxicação, sem comer glúten durante quatro ou cinco dias.

Para a pediatra e nutróloga Clara Brandão, do Ministério da Saúde, a mudança dos hábitos alimentares dos brasileiros nos últimos anos, com a troca de alimentos saudáveis e orgânicos nacionais como a mandioca, o milho e o inhame pela farinha de trigo refinada importada, porém, já começa a causar doenças também em pessoas não celíacas. Ela lembra que 80% dos brasileiros vivem nas periferias urbanas comendo pão com margarina e macarrão. Os de maior poder aquisitivo adicionam o queijo, o salame e o presunto, que, segundo ela, contêm aditivos químicos que comprometem a saúde:

- Nós temos que reforçar nossa soberania alimentar. Nós comíamos o fubá, a tapioca, o milho, muito mais nutritivos que o trigo, importado e nocivo. Temos estoques reguladores de arroz lotados, mas a merenda escolar leva trigo todos os dias. Está havendo uma saturação do metabolismo da população em geral devido a uma alimentação equivocada.

Esta tendência à intolerância alimentar e às doenças subseqüentes, segundo Clara Brandão, começam no primeiro ano de vida, quando a criança começa a comer pão, biscoito e macarrão:

- Uma criança de 7 ou 8 anos já sabe fazer sozinha o miojo, que já vem com um veneno no saquinho para o molho. Aquilo tem glutamato de soja, que altera a química cerebral e é uma substância tóxica. Fora isso, hoje ninguém mais janta, come um sanduíche. Se temos um alimento orgânico, como a mandioca, muito mais nutritivo e mais barato que o trigo, e que fixa o produtor na terra, o que estamos esperando para mudar essa situação?

O profissional de marketing Fábio Quinei, de 26 anos, já começou há um mês a banir o glúten, cortando o pão e o macarrão para ganhar mais disposição e malhar mais. Ele e Larissa Munck, ambos alunos da academia Velox, no Humaitá, trocaram o pão pela salada e pelas frutas:

-O glúten prejudica a absorção dos nutrientes e, em um mês de dieta, dá
para notar uma boa secada. Há também um corte no açúcar porque os doces contêm glúten. Isso é o pior, porque adoro doces. Mas troquei doces por frutas.

Por Márcia Cezimbra


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/ip.gifRegistado

Dr. José Roberto C. Souza
Médico Clínico-Geral
Homeopata
Fabio
Curioso
*

Karma: 0
OfflineOffline

Mensagens: 4


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/post/xx.gif
Re: Glúten
« Resposta #1 : Outubro 30, 2006, 09:22:14 »


Boas,

A alergia ao gluten tem relação com o tipo sanguíneo O, de acordo com "A Dieta do Tipo Sanguíneo", desenvolvida pelo Dr. Peter J. D. Adamo. É o tipo sanguíneo que determina certas susceptibilidade a certos alimentos e doenças.

Qual a vossa opinião a respeito deste estudo do Dr. Peter Adamo?


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/ip.gifRegistado
José Roberto
Moderador
Entendido
*****

Karma: 0
OfflineOffline

Mensagens: 71


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/post/xx.gif
Re: Glúten
« Resposta #2 : Outubro 31, 2006, 01:17:19 »


Embora minha experiencia com a dieta do tipo sanguíneo seja (ainda) limitada, a intolerância do tipo "o" ao trigo é indiscutível. Todos os meus pacientes com esse tipo sanguíneo que fizeram restrição a ele, tiveram uma considerável melhoria nas condições de saúde, com diminuição de sensibilidades alérgicas, perda de peso, diminuição de edema e da circunferência abdominal. Aliás, não apenas os do tipo "o", mas todas as pessoas deveriam experimentar suspender o trigo e alimentos com gluten durante cerca de 4 semanas e observarem como se sentem. Após esse período reintroduzir um deles por vez e observar suas reações, pois a sensibilidade ao gluten é muito mais frequente do que imaginamos.
J.Roberto


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/ip.gifRegistado

Dr. José Roberto C. Souza
Médico Clínico-Geral
Homeopata

Páginas: [1] Ir para o Topo
Imprimir 

100% Natural  |  Nutrição  |  Dieta  |  Tópico: Glúten


Parte superior do formulário
Ir para:  
Parte inferior do formulário
http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/blank.gif

Parte superior do formulário


Login com Nome de Utilizador, Password e Duração da Sessão
Parte inferior do formulário

Powered by MySQLPowered by PHP
100% Natural | Powered by SMF 1.0.7.
© 2001-2004,
Lewis Media. Todos os Direitos Reservados.
XHTML 1.0 Válido!CSS Válido!