domingo, 30 de dezembro de 2012

o espírito da rede

O Espírito da Rede



29 de dezembro de 2012 | 2h 05

DEMI GETSCHKO - O Estado de S.Paulo
A internet na versão que conhecemos, que usa o conjunto de protocolos TCP/IP, completará 30 anos em 1.º de janeiro de 2013, daqui a poucos dias. O Departamento de Defesa dos EUA (DoD) havia estabelecido janeiro de 1983 como data-limite da migração da Arpanet para o TCP/IP. E exatamente do nome desse protocolo, Transmission Control Protocol/Internet Protocol, é que derivou o nome da rede toda: internet.

A Arpanet desenvolveu-se com recursos do DoD, o que nos levaria a pensar em inspiração puramente militar. O que se esquece é que os envolvidos em sua criação, pesquisadores provenientes da melhores universidades na área de tecnologia (MIT, UCLA, SRI, UCSB, Utah), compartilhavam ideias libertárias dos anos 70, como livre cooperação, compartilhamento e autonomia. E elas se somavam a requisitos de solidez para o projeto Arpanet, como não haver pontos únicos de falha: "Nada que tenha um 'centro de controle' é suficientemente resistente em caso de problema técnico ou de ataque". Chegou-se a uma concepção de rede distribuída, sem controle central, em que a adesão era espontânea e voluntária.
Assim nasceu a internet. Sem uma "chave de desligamento" central, sem um ponto vulnerável específico e sem um "centro de controle", integrada pelas redes autônomas que aceitassem seguir seus padrões tecnológico, mas sem terem de abdicar de sua administração própria e específica.
Aliás, a forma de gerar esses padrões é outra característica marcante e disruptiva em relação ao ambiente de telecomunicações da época. Se a União Internacional das Telecomunicações definia padrões de telefonia em reuniões controladas e fechadas, a internet congregava três vezes ao ano uma comunidade aberta, disforme, sem filiação definida, interessada em discutir padrões. A difícil busca do consenso dentro da comunidade da Internet Engeneering Task Force (IETF) é que permitiria a uma proposta específica subir de nível até chegar, eventualmente, a ser ungida como padrão proposto. Os documentos que o IETF gera, significativamente, se denominam RFC, de Request for Comments, ou "pedidos para comentários"...
Outro aspecto tecnológico foi igualmente disruptivo: a rede seria baseada em "comutação de pacotes", não mais em "comutação de circuitos". Na prática isso marcava um afastamento essencial da telefonia, na qual para uma conexão se estabelecer é necessária a definição a priori de um "caminho" entre originador e destinatário: o circuito. Na internet qualquer mensagem é quebrada em pacotes que são jogados na rede e seguem pelos diversos caminhos possíveis e dinâmicos até serem reagrupados no destino final. Isso, além de aprimorar a solidez da rede, quebrava a maneira de cobrança da antiga telefonia, definida pela duração e pelo comprimento do circuito alocado à conexão.
Dez anos após o estabelecimento da internet, outra revolução surgia: a Word Wide Web (WWW), que estimulou a participação direta e ativa de todos os internautas no uso e criação de conteúdos, o que tornou acessível publicar na rede. Os repositórios de informação e de conhecimento coletivos, as redes sociais e toda a riqueza que vemos hoje, somados a uma barreira de entrada muito baixa, permitem a qualquer um, munido de uma boa ideia e de conhecimentos suficientes, propor um novo serviço na rede.
Esse rompimento com o mundo tradicional das telecomunicações foi perfeitamente percebido no Brasil. Conectamo-nos à internet em 1991 e já em 1995 foi criado o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), não para regular ou controlar a rede, mas para disseminar seus conceitos e características, recomendar boas práticas e levantar dados sobre sua evolução e penetração no País. À época discutia-se a privatização das telecomunicações e a Anatel, recém-criada como reguladora, já distinguia claramente Serviços de Valor Adicionado (SVA) de Serviços de Telecomunicações propriamente ditos. Os SVAs estavam fora de sua esfera de regulação. O mesmo estabeleceu a Lei Geral das Telecomunicações, em 1997.
A internet no Brasil nascia aberta, livre, não regulada, sem barreiras de entrada e com uma perspectiva, então ainda não suficientemente avaliada, de se tornar numa verdadeira revolução, cuja extensão nem sequer conseguimos avaliar adequadamente 30 anos após seu estabelecimento mundial. Provedores de acesso surgiram no País do dia para a noite, conteúdo em português foi rapidamente gerado e em profusão, os brasileiros aceitaram a rede instantaneamente e em poucos anos passamos a estar entre os que mais tempo dedicavam a ela.
Na infraestrutura, rede de cobre e coaxiais cederam o passo a redes ópticas, que trouxeram bandas imensas de transmissão a baixo custo. Se em 1991 o Brasil inteiro se conectava à internet por uma única linha de 64 quilobits por segundo (Kb/s), hoje esse valor seria inaceitável até para a conexão caseira de um único indivíduo à rede. A disseminação de fibra óptica em várias capitais permite modalidades de assinatura de acesso à rede com velocidades acima de 100 Mb/s por assinante, mais de mil vezes a conexão do Brasil inteiro em 1991!
Mas nem tudo são boas notícias e a rede tem sido ameaçada. O Comitê Gestor da Internet criou em 2009 um decálogo de princípios que visam a preservar os conceitos que fizeram a internet ser a ferramenta valiosa que é hoje. Um ambiente legal que protegesse a internet e os internautas era necessário: surgiu a proposta de um Marco Civil, com o qual se consolidam os princípios que nortearam sua criação e se busca proteção de direitos como livre expressão e defesa da privacidade. O Brasil, que granjeou admiração mundial pelo decálogo do CGI e por sua gestão da internet, entretanto, demora a aprovar o Marco Civil. Há nuvens no horizonte que podem indicar procelas. Esperemos que o Espírito da Rede sobrenade...
DEMI GETSCHKO É ENGENHEIRO E MEMBRO DO COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL.

domingo, 18 de novembro de 2012

sistema imunológico e alimentação


Jocelem Salgado

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Desde o momento que nascemos estamos expostos a bactérias, vírus, fungos e outras substâncias estranhas que podem agredir nosso organismo, atacando-o a qualquer momento. Entretanto, para combater esses inimigos nosso corpo está equipado, dispondo do que chamamos de sistema imunológico, ou seja, um "exército" de células específicas que estão sempre alertas e prontas para defendê-lo de agentes estranhos.
Contudo, esse sistema pode muitas vezes ficar fragilizado, debilitado, e quando isso acontece nós nos tornamos suscetíveis à todos os agentes estranhos já citados, que tendem a provocar resfriados, gripes ou outras doenças mais sérias, como infecções generalizadas e até mesmo o câncer.

Entre os fatores que podem acarretar prejuízos para o sistema imunológico destacamos o estresse físico, ambientais (por exemplo a poluição), emocionais (por exemplo a depressão) e a alimentação desequilibrada, que eu considero como sendo o mais importante.
Sistema Imunológico
A função do sistema imunológico consiste em reconhecer cada um dos tecidos, células, proteínas.... do organismo para distingui-las de uma ampla variedade de agentes patogênicos e substâncias estranhas. Neste processo, os linfócitos T, células pequenas que fazem parte dos glóbulos brancos sangüíneos (também conhecidos como leucócitos), têm grande importância.
Durante o desenvolvimento fetal, o sistema imunológico "aprende" a distinguir as substâncias próprias do organismo; com isso mantém desativados os linfócitos T que reagiram diante das mesmas. Mas quando um agente estranho, como por exemplo uma bactéria, invade nosso corpo, essas células são ativadas com o objetivo de defender nosso organismo dos possíveis prejuízos que a bactéria causará. É por isso que os linfócitos são freqüentes em áreas de inflamação crônica, pois eles estão ali para exercerem sua função imunológica. E é por isso que num exame de sangue, a taxa alterada dessas células pode indicar que algo vai mal com nosso sistema imunológico.
Uma concentração anormal, maior que o valor de referência pode indicar por exemplo infecção. Já no caso de indivíduos infectados pelo vírus da aids, a destruição da função desses linfócitos pelo vírus resulta numa deficiência imunológica e conseqüente vulnerabilidade a infecções oportunistas potencialmente fatais.
Os alimentos que mantém o sistema imunológico em dia
Um indivíduo bem nutrido, que se alimenta de frutas, verduras, legumes e grãos está muito mais bem preparado para enfrentar gripes, infecções e outras doenças do que um indivíduo mal nutrido, cujo cardápio é rico em alimentos gordurosos, processados e com excesso de açúcar. Isto porque as vitaminas e minerais que potencializam as nossas defesas orgânicas estão presentes em grande quantidade nas frutas, grãos e hortaliças em geral.

As principais vitaminas e minerais que atuam fortalecendo nosso sistema imunológico são as vitaminas A, C, E e ácido fólico e os minerais zinco e selênio. A seguir mostraremos quais são as principais funções imunológicas de cada um desses nutrientes e em quais alimentos são mais encontrados.
Vitamina A - Essa vitamina apresenta um papel muito importante na manutenção da integridade das membranas mucosas. Por isso, a sua deficiência no nosso organismo provoca uma redução do número de linfócitos T circulantes, aumentando a probabilidade de infecções bacterianas, virais ou parasitárias. Os alimentos considerados ricos nessa vitamina são: cenoura, abóbora, fígado, batata doce, damasco seco, brócolis, melão.
Vitamina C - Essa vitamina antioxidante estimula a resistência às infecções através da atividade imunológica de leucócitos. Ela aumenta a produção dessas células de defesa, que tem efeito direto sobre bactérias e vírus, elevando a resistência a infecções. Acerola, frutas cítricas (limão, laranja, lima), kiwi, caju, tomates e vegetais folhosos crus são fontes excelentes. Morangos, repolho e pimentão verde são boas fontes. Mas não se esqueça: a vitamina C é facilmente destruída pela luz e pelo calor. Um suco de laranja com acerolas, por exemplo, deve ser consumido imediatamente após preparo para que não haja grande perda da vitamina C.
Vitamina E - Essa vitamina tem a capacidade de interagir com as vitaminas A e C e com o mineral selênio, agindo como antioxidante. Sua função primordial é proteger as membranas celulares contra substâncias tóxicas, radiação e os temerosos radicais livres que são liberados em qualquer reação química do organismo e podem causar sérios danos às estruturas das células, detonando o processo de envelhecimento e desencadeamento de algumas formas de carcinogênese. Alimentos ricos em vitamina E são o germe de trigo (fonte mais importante), óleos de soja, arroz, algodão, milho e girassol, amêndoas, nozes, castanha do Pará, gema, vegetais folhosos e legumes.
Ácido fólico - Essa vitamina é essencial para a formação dos leucócitos (glóbulos brancos) na medula óssea. Alimentos ricos em ácido fólico são fígado, feijões e vegetais folhosos verde escuros (brócolis, couve, espinafre).
Zinco - Esse mineral atua na reparação dos tecidos e na cicatrização de ferimentos. Uma deficiência de zinco resulta em diversas doenças imunológicas; a deficiência grave causa linfopenia (grande diminuição do número de linfócitos). Fontes alimentares importantes de zinco são as carnes, peixes (incluindo ostras e crustáceos), aves e leite. Cereais integrais, feijões e nozes são também boas fontes.
Selenio - Assim como a vitamina E, esse mineral possui grande capacidade antioxidante, ou seja, neutraliza a ação dos radicais livres (formados devido a ação dos raios solares, poluição, fumaça de cigarro, entre outros) no nosso corpo, retardando o processo de envelhecimento e evitando o desencadeamento de algumas formas de câncer. Castanha do pará, alimentos marinhos, fígado, carne e aves são os alimentos mais ricos em selênio.
Veja agora alguns dos alimentos que apresentam propriedades benéficas para seu sistema imunológico.

Iogurte e leite fermentado - Também conhecidos como pro- bióticos eles possuem microrga nismos vivos que recuperam a flora intestinal e fortalecem o sistema imunológico
Alho - Excelente agente antibacteria- no, além de possuir substân- cias que previnem o câncer gástrico e doenças cardiovasc.

Cogumelo Shitake - Esse cogumelo possui lentinan, uma substância que aumenta a produção das células de defesa do organismo

Acerola - Fruta riquíssima em vitamina C (30 a 50 vezes mais que a la- ranja). Essa vitamina age na reconstituição dos leucócitos em períodos de queda de resistência
Gengibre - Excelente alimento que ajuda no fortalecimento do sistema imunológico
Últimas Considerações
A alimentação balanceada, rica em frutas, vegetais e grãos, proporciona ao nosso organismo nutrientes importantes para o bom funcionamento do sistema imunológico. Acredito que as pessoas que seguem uma alimentação deste tipo, adquirem defesas próprias contra as mais variadas doenças, tornando-se mais fortes que elas, e isso, com certeza, propicia tempo e qualidade de vida maiores.

Clique aqui para falar com a Drª Jocelem Salgado

uma hegemonia tropical

Fernando Gabeira
"Ideologia, eu quero uma para viver". Se Cazuza estivesse vivo, talvez se interessasse por uma palavra que rima com ideologia e ocupa novo espaço no cenário político brasileiro. Hegemonia é um termo que assusta os adversários do PT e preocupa seus aliados. Embora ninguém se tenha dedicado a defini-la, todos temem perder a independência.
Que tipo de hegemonia está em jogo? A palavra, na teoria leninista, significa a tomada do poder político e a instalação da ditadura do proletariado. Na versão de Antonio Gramsci, a hegemonia faz-se por um processo cultural, implica concessões e tem como perspectiva a introjeção pela sociedade das ideias do partido revolucionário.
Não creio que o PT trabalhe com essas duas perspectivas de hegemonia. Na verdade, pouquíssimos leram Lenin, não só pela distância no tempo, mas pela aridez do seu estilo. O próprio Gramsci é muito mais conhecido por citações esparsas.
Dentro da simplicidade que rege o pensamento do militante comum, a ideia de hegemonia nasce da definição do papel da classe operária. Se, por força teórica, essa classe deve ser hegemônica, nada mais razoável do que ser hegemônico também o partido que a representa.
Essa coreografia fantasmagórica não teria palco em outros países onde não se vê a classe operária com potencial hegemônico e se tem consciência das próprias transformações que ela viveu, com o crescimento do trabalho intelectual. Para ser mais simples: já no início do exílio, quando perguntávamos aos operários suecos por seus correspondentes russos, eles suspiravam, não de admiração, mas de pena por suas precárias condições de vida e, sobretudo, de liberdade.
Mas se o tema volta à cena no Brasil, é porque tem importância. As constantes vitórias eleitorais do PT e a ocupação de cada milímetro da máquina estatal fortalecem o medo. O avanço da esquerda latino-americana sobre a imprensa e a Justiça nutrem a impressão de que estamos diante de uma nova onda histórica.
Mas será que estamos mesmo diante de uma nova onda histórica ou é apenas ilusão de ótica de quem tem uma visão parcial do mundo? A classe operária brasileira, assim como a dos outros países, quer basicamente melhoria de vida. E contempla com seu voto, como o fez com a social-democracia, os partidos que trabalham para isso quando assumem o governo.
A sede de poder do PT deve produzir uma nova frente anti-hegemônica, composta por aliados e adversários do partido, uns querendo derrotá-los, outros apenas buscando uma relação mais favorável. Isso talvez ajude a pôr as coisas num patamar mais realista. Em primeiro lugar, a classe operária não é idêntica à fantasia militante. Em segundo lugar, numa sociedade complexa como a nossa, a palavra cooperação tem um alcance maior do que hegemonia.
Será um trágico erro histórico tentar aplicar no Brasil critérios do século passado, pensar em governá-lo com estruturas fechadas e hierárquicas num momento em que a sociedade tende a se organizar em redes. Não só o desempenho das redes se choca com a ideia de hegemonia. Os partidos políticos, num regime democrático, devem denunciar as intenções do parceiro quando sua visão teórica aponta para a hegemonia.
Não sabemos o nível de intimidade do PT com a obra de Gramsci. Ele falava de uma hegemonia ética política. O PT jogou esse primeiro termo no lixo e adotou a perspectiva dos fins justificando os meios. Também não há uma ampla divisão de mundo em que o PT busque a hegemonia.
Teses como casamento gay e descriminalização de drogas, constantemente apresentadas como cavalos de Troia do socialismo, na verdade não foram criadas por ele. E no íntimo são repudiadas por muitos dos seus líderes. Em Havana, no início dos anos 1970, um militante gay perguntou sobre o tema ao embaixador norte-coreano e ele respondeu: "Homem com homem? Isso não existe".
Gramsci vivia num país católico e pensava em saídas para o comunismo que acabaram, de certa forma, inspirando mais tarde a proposta de compromisso histórico entre Partido Comunista e Democracia Cristã. As grandes lutas ideológicas no exterior estão hoje mais concentradas em impor limites e mais racionalidade ao capitalismo. Não têm muito que ver com Gramsci. E, creio, nada têm com Lenin, que previa pura e simplesmente a ditadura do proletariado. Essa os próprios chineses foram obrigados a desmontar no campo econômico, mantendo-a no político.
Não quero dizer que as pretensões hegemônicas de um partido sejam tão anti-históricas que não valha a pena combatê-las. Adversário ou aliado, o PT está no poder pelo poder. Lenin e Gramsci não tinham problema de eleições de dois em dois anos. Se o tivessem, entenderiam a força da máquina e da grana. Lenin faria uma nova revolução se lhe apresentassem a conta de uma produção de TV. Gramsci voltaria de bom grado para o cárcere se lhe dissessem que as ideias agora se produzem no departamento de marketing.
As forcas que se opunham ao PT foram sendo enfraquecidas pelas constantes derrotas eleitorais e, naturalmente, pelo crescente distanciamento da máquina e da grana. Nunca foram realmente forças de oposição, mas atuavam como um governo no exílio, à espera de voltar ao poder. Fazer oposição dá mais trabalho e traz inúmeros riscos.
Ao contrário do que possa se imaginar, a ascensão do PT e a queda dos adversários não significam o fim da história. As eleições municipais no Brasil, sobretudo nas grandes cidades, mostraram que milhões de pessoas não se identificam nem com o PT, desfigurado pela corrupção, nem com seus adversários. A distância entre a política tradicional e os eleitores abre um caminho de reflexão. Ela pode crescer até os limites da legitimidade. Ou pode ser superada por forças que tenham uma resposta para esse desencanto.
Quem falará aos ausentes e aos que votaram sem entusiasmo? O que dizer a eles?
* JORNALISTA

vitaminas e alimentos


Os principais alimentos considerados fonte de Vitamina K, são:
 ■Fígado de porco, presunto, salsicha, carnes, ovos
 ■Chá preto, nescafé, chocolate
 ■Mamão, uva, passas, melão, banana, laranja, ameixa, coco, abacate, kiwi
 ■Tomate, brócolis, couve, couve-flor, cenoura, beterraba, moranga, alface, espinafre repolho
 ■Feijão, lentilha, ervilha seca, soja
 ■Farelo de trigo
 ■Batata inglesa, batata doce, mandioca, milho
 ■Laticínios

A vitamina K ajuda na coagulação do sangue evitando hemorragias, na cicatrização e na reposição de nutrientes dos ossos além de ajudar na prevenção de tumores e doenças do coração.
A vitamina B1, chamada de tiamina ou vitamina F, é indispensável a saúde do sistema nervoso, dos músculos e do coração. Suas principais fonte são:
 ■Carnes, principalmente a de porco
 ■Cereais integrais
 ■Legumes
 ■Verduras amargas
 ■Oleaginosas (nozes, amendoim e castanho do pará)
 ■Lentilha, feijão e soja
 ■Gema de ovo
 ■Fígado
 ■Coração
 ■Presunto
 ■Levedo de cerveja

A vitamina B1 atua em nosso organismo no desenvolvimento e no estímulo do apetite.
Os principais alimentos considerados fonte de Vitamina E, são:
 ■Óleos vegetais (soja, palma, amendoim, milho, cártamo, girassol, oliva)
 ■Nozes
 ■Sementes de girassol
 ■Kiwi
 ■Gérmen de trigo
 ■Vegetais de folhas verdes
 ■Grãos integrais
 ■Peixe
 ■Leite de cabra

A vitamina E, conhecida como tocoferol, tem como principal função inibir a ação dos radicais livres, além de ter efeito anticancerígeno. É um dos nutrientes essenciais ao organismo.
Os principais alimentos considerados fonte de Vitamina A, são:
 ■óleo de fígado de peixe
 ■fígado bovino
 ■gema de ovo
 ■manteiga
 ■creme de leite
 ■vegetais de folha verde
 ■vegetais e frutas de coloração amarelada
 ■óleo de palma-vermelha.

A vitamina A  é conhecida também como retinol, e é a substância responsável pela integridade da pele, revestimento dos pulmões, intestino, trato urinário e também da retina ocular.
As principais fontes alimentares de vitamina B6 são os cereais, as carnes, as frutas e as verduras. Lembrando de que o cozimento reduz os teores de B6 dos alimentos.
 Outros alimentos fontes de vitamina B6 são:
 ■Levedo de cerveja
 ■Melado
 ■Leite
 ■Ovos

A vitamina B6, também conhecida como piridoxina, age como diurético natural e ajuda na imunização do corpo, no controle dos níveis de glicose no sangue, no metabolismo de algumas proteínas e no metabolismo dos aminoácidos.
Tatiana Zanin (Nutricionista)
A vitamina B12, também chamada de Cobalamina, atua na prevenção e no combate da anemia sendo encontrada principalmente em alimentos de origem animal e nos alimentos enriquecidos com vitamina B12.

Alimentos ricos em Vitamina B12

Alguns exemplos de alimentos ricos em vitamina B12 são:
 ■Levedo de cerveja
 ■Iogurte
 ■Cereais integrais enriquecidos (os alimentos de origem vegetal não contêm a vitamina B12)
 ■Leite
 ■Batata
 ■Peixes (atum, truta, bacalhau e salmão)
 ■Ovos
 ■Carnes e geral (suína, bovina e de aves)

A cobalamina (Vit. B12), é absorvida no intestino e armazenada principalmente no fígado e portanto esta é a principal fonte alimentar de vitamina B12.

A carência de vitamina B12 é comum em casos de anemia perniciosa, síndrome de má absorção, hipotiroidismo, baixa produção de ácido clorídrico pelo estômago e em pessoas com dietas estritamente vegetarianas.

Para que serve a vitamina B12

A vitamina B12 serve para manter as células vermelhas e nervosas do sangue saudáveis e também ajuda no metabolismo da gordura. Quando o consumo de alimentos ricos em vitamina B12 é pequeno, como ocorre especialmente entre os vegetarianos deve-se tomar um suplemento alimentar de vitamina B12 para evitar a anemia perniciosa e outras complicações como o derrame cerebral e as doenças cardíacas.

A vitamina B12 pode ser encontrada em forma de comprimidos, xarope ou injetável.








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As principais  fontes alimentares de vitamina D são os peixes e frutos do mar como o salmão, o carapau ou os mariscos. Os cogumelos quando expostos à luz ultravioleta também aumentam a quantidade de vitamina D. Outros alimentos fontes de vitamina D são:
 ■Óleo de fígado de bacalhau;
 ■Atum enlatado em água;
 ■Sardinhas enlatadas em óleo;
 ■Leite, iogurte e queijos;
 ■Carne ou fígado de vitela;
 ■Gema de ovo e
 ■Alguns cereais enriquecidos

Poucos alimentos contêm vitamina D naturalmente, mas existe a opção de se consumir alimentos enriquecidos com a vitamina D como podemos facilmente encontrar nas manteigas, margarinas e nos iogurtes, por exemplo.

Funções e importância da vitamina D

A principal função da vitamina D é facilitar a absorção do cálcio, diminuindo o risco de doenças ósseas e cardíacas. Por isso, ter boas quantidade de vitamina D no sangue é de suma importância para a saúde. A vitamina D ainda:
 ■ajuda a emagrecer;
 ■ajuda no crescimento;
 ■fortalece dentes e ossos;
 ■ajuda na hipertrofia;
 ■diminui a acne e
 ■melhora a fertilidade.

A vitamina D é produzida pela pele quando o indivíduo fica diretamente exposto ao sol, sem usar nenhum tipo de protetor solar. Essa exposição deve ser diária, e deve ocorrer no início da manhã, antes das 10 horas ou no final da tarde, após as 16 horas, para evitar os efeitos nocivos dos raios ultravioletas.

Mas para garantir a quantidade necessária de vitamina D no organismo o indivíduo deve consumir alimentos ricos em vitamina D com frequência.

Doenças causadas pela falta de vitamina D

As doenças causadas pela falta de vitamina D no organismo podem ser:
 ■raquitismo;
 ■oesteomalácea;
 ■osteoporose;
 ■alterações ósseas importantes como baixa estatura e pernas tortas;
 ■fragilidade dentária.

Quando tomar a vitamina D pura

Só deve-se tomar a vitamina D pura quando o médico orientar. Geralmente há indicação para suplementação de vitamina D quando o indivíduo possui carência vitamina D no sangue, ou como forma de prevenção, como ocorre em locais muito frios, onde a exposição solar é mais difícil.

Efeitos nocivos do excesso de vitamina D

Os efeitos nocivos relacionados ao excesso de vitamina D no organismo são o aumento de cristais de cálcio na corrente sanguínea. Isso pode gerar doenças renais, gota e até mesmo cardíacas.

Links úteis
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

datacenter


Datacenter precisa ser confiável

12/11/2012
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Ethevaldo Siqueira
Os datacenters são vitais para a vida moderna. Eles controlam quase tudo em cada segmento da atividade humana: energia, iluminação, telecomunicações, internet, tráfego urbano, transportes aéreos, bancos, indústria, comércio, sistemas de segurança, saúde pública, nosso lazer, nosso conforto e nossa integridade física.
Os datacenters controlam e supervisionam a vida, a segurança e o bem-estar de bilhões de seres humanos. Na maioria das cidades e países, portanto, dependemos do bom funcionamento e da disponibilidade desses centros de controle de dados e informações.
A maioria das pessoas, entretanto, não tem consciência dessa importância, diferentemente das grandes corporações e instituições públicas, que precisam levar este assunto a sério e dar-lhe a devida prioridade.
Sem datacenters, você, leitor, não consegue sequer fazer uma consulta no Google. Lembre-se que esse gigantesco portal utiliza milhares de centros que controlam, indexam e armazenam mais de 800 trilhões de páginas de informações. Em poucos meses, esse número deverá quebrar a barreira do primeiro quatrilhão de páginas.
Muitas pessoas preferem não pensar nessa dependência a que estamos submetidos, até porque ela é apenas uma entre tantas outras dependências, especialmente para quem vive em megalópoles. Muitos dizem, conformados: “Nada podemos fazer para mudar a situação”.
Um bom conceito
Qual seria um bom conceito de datacenter? Segundo a última edição de meu Newton’s Telecom Dictionary, datacenter é um “local centralizado provido de recursos de computação e de telecomunicações de importância crucial – incluindo servidores, sistemas de armazenamento, bancos de dados, periféricos, redes de acesso, software e aplicativos –, operado por pessoal altamente especializado, para uso e controle de indústrias, governo e empresas de serviços”.
Comecei recentemente uma entrevista com Henrique Cecci, renomado especialista no assunto do Grupo Gartner, com uma provocação. Pedi-lhe que confirmasse se os datacenters são, realmente, grandes vilões do meio ambiente, pela enorme quantidade de energia que consomem, pelos investimentos brutais que demandam e por seus custos operacionais estratosféricos.
“Isso talvez fosse verdadeiro há 15 ou 20 anos. De lá para cá, as coisas têm mudado significativamente”, respondeu Cecci. “Os datacenters evoluíram muito. Os mais modernos são muito menores e modulares. Essa é a grande tendência corporativa: o crescimento modular. É claro que eles continuam tendo um ciclo de vida longo, mas sua expansão ocorre de forma progressiva. Da mesma forma que as corporações buscam essa modularidade do desktop ao mainframe, assim também ocorre com o datacenter.”
Surgiu, recentemente, um novo conceito de “datacenter infinito”, lembra Cecci. Na realidade, os datacenters mais modernos comprovam essa tendência. Eles são muito mais compactos, mais eficientes. E mais do que um discurso, a sustentabilidade constitui uma preocupação verdadeira, com benefícios e resultados muito mais positivos para as próprias empresas, dentro da filosofia da green technology. Conscientes desses aspectos, as corporações modernas levam em conta o consumo de energia, a emissão de carbono e o aquecimento global. E crescem à medida que a demanda de serviços vai crescendo.
Uma prova concreta dos resultados dessa consciência ambiental é o fato de os datacenters modernos terem hoje capacidade de processamento quatro vezes superior à dos antigos, embora ocupem apenas 40% do espaço, segundo estudos do Gartner e de outras consultorias de renome.
E não se trata, a rigor, de simples miniaturização de componentes eletrônicos, mas de uma busca permanente pela eficiência geral do sistema, que inclui os conceitos de virtualização (uso das máquinas virtuais) e computação em nuvem.
Os datacenters modernos armazenam muito mais dados e informações nos racks ou bastidores do que antigamente, até porque era mais difícil refrigerá-los. As novas tecnologias não apenas possibilitam esse aumento de densidade, mas também asseguram melhor refrigeração. Consequentemente, os datacenters modernos ocupam menos espaço. As multizonas – quer dizer, espaços especializados em alto, médio e baixo nível de processamento – constituem ainda outro meio para aumentar a eficiência geral do sistema.
Reduzindo riscos
Outra grande tendência dos datacenters é a busca incessante de maiores níveis de segurança, em especial daqueles que servem às áreas de serviços essenciais e setores financeiros. Um dos riscos potenciais que as corporações enfrentam no Brasil reside atualmente na baixa confiabilidade do setor público de energia elétrica.
Grandes bancos – como Bradesco, Itaú ou Banco do Brasil – cuidam com muito mais responsabilidade e seriedade da segurança porque precisam garantir continuidade absoluta de serviços, o que significa reduzir praticamente a zero os riscos de interrupção ou de apagões. Assim fazem também as empresas de telecomunicações, em especial depois do advento da internet.
Conceitos próximos
O datacenter está intimamente ligado a dois outros mundos tecnológicos: o da virtualização e o da nuvem. Aliás, esses dois conceitos interligados não são novos, pois já eram utilizados, embora às vezes com nomes diferentes, desde as décadas de 1960 ou 1970. A virtualização começou, praticamente, pela criação de máquinas virtuais para reduzir os enormes investimentos em plena era dos mainframes. Seu objetivo mais importante é aproveitar o melhor da infraestrutura.
Para complementar este artigo, sugerimos a leitura do artigo sobre o novo datacenter da Telefônica-Vivo, de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, publicado a seguir.
Vivo|Telefônica tem o mais
avançado da América do Sul
Para conhecer uma infraestrutura do século 21, do mais alto padrão na América do Sul, é só visitar o datacenter da Telefônica|Vivo, em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo. Ele foi projetado para funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano, e custou R$ 400 milhões e tem confiabilidade de 99,98%, de classe TIER III.
Com quatro níveis – I, II, III e IV –, o padrão TIER é um modelo utilizado para medir o nível de confiabilidade de uma infraestrutura destinada a assegurar o funcionamento de um centro de processamento de dados (CPD) com o máximo de eficiência e segurança. A entidade que emite com exclusividade os certificados de classificação TIER é o Uptime Institute Professional Services.
Com 33 mil metros quadrados de área construída, em sua fase inicial, em terreno com 72 mil metros quadrados, incorporando os recursos mais modernos disponíveis no mundo, o datacenter da Telefônica|Vivo assegura crescimento modular e pode atender à operadora por dez anos, até 2019, a partir da elaboração de seu projeto, em 2010.
Dotado de dois datahalls, cada um deles com 2.300 metros quadrados, para abrigar os equipamentos de armazenamento e controle de dados, o datacenter opera, inicialmente, com apenas um deles. Em suas instalações, ele dispõe de equipamentos e áreas de serviços – entre as quais a da subestação de energia, dos geradores, do restaurante e do espaço de convivência – com um total de 28.400 metros quadrados.
Na infraestrutura do datacenter, foram utilizados 200 mil quilômetros de cabos – o que equivale a cinco voltas em torno da Terra, pela linha do equador. O consumo de energia é de 3,14 kW por metro quadrado e 7,2 MW (megawatt) por cada módulo datahall. A potência total do empreendimento é de 24,5 MW.
A sustentabilidade e todas as preocupações ambientais podem ser comprovadas até na captação da água das chuvas para ser utilizada no resfriamento dos equipamentos. Toda água é tratada antes de ser lançada no ambiente. Na construção do datacenter, foram empregadas 300 toneladas de madeira certificada, proveniente de reflorestamento.
Cerca de 200 profissionais trabalham no datacenter Telefônica|Vivo de Santana do Parnaíba. (Ethevaldo Siqueira).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

a santidade do aprendizado

Moza Bint Nasser
Em Tal Rifat, nas cercanias da cidade síria de Alepo, as crianças não têm escola para frequentar. O edifício, atingido duas vezes por ataques aéreos nas últimas semanas, está completamente arruinado. Os alunos de Azaz, outra cidade próxima, não estão em melhor situação: há uma base militar onde costumava ficar a escola. Fora dos limites do país de mais de 23 milhões de pessoas, nos acampamentos superlotados da Jordânia (outro país do Oriente Médio) as crianças refugiadas turcas ou libanesas têm sorte se conseguirem encontrar um professor para continuarem a ter aulas.

A educação está sendo atacada, e não só na Síria, mas em várias regiões do mundo. Do Afeganistão à Costa do Marfim, de Gaza ao Sudão do Sul, a história é a mesma. Há 28 milhões de crianças vivendo em zonas de conflito sem receber nenhuma educação e o número de ataques contra os estabelecimentos de ensino está aumentando. Apesar da proibição explícita por parte das leis internacionais, a santidade do aprendizado é violada diariamente das maneiras mais absurdas possíveis. A guerra civil deixa inúmeras crianças fora da escola. Há alguns motivos para isso. Um é que unidades estão ocupadas por refugiados. Outro é que muitos pais têm medo da violência.
Felizmente, a comunidade global está começando a notar esse problema pernicioso e, nas próximas semanas e nos próximos meses, uma série de iniciativas importantes vai falar sobre isso.
Primeiramente, precisamos amplificar as vozes das vítimas e deter a corrupção moral com a perspectiva real de punição. O Education Above All, um grupo do qual tenho a honra de ser presidente, publicou um item importante esta semana: Protecting Education in Insecurity and Armed Conflict (Como proteger a educação em tempos de insegurança e conflitos armados), um manual que reúne as leis internacionais existentes sobre a proteção da educação em zonas de conflito. Pela primeira vez os investigadores, advogados e juízes têm um livro em que basear o comportamento dos violadores da educação. É um novo e poderoso instrumento de justiça.
E enquanto os líderes mundiais se reúnem para a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, eu me juntarei ao secretário-geral Ban Ki-moon e outras pessoas para lançar uma grande campanha que lidará com o fato vergonhoso de que 61 milhões de crianças no mundo inteiro não podem ir à escola.
Por maiores que sejam os desafios, é possível, até mesmo nas piores circunstâncias de pobreza e conflito, oferecer às crianças uma educação significativa. Durante o meu trabalho como enviada especial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e por meio dos meus projetos no Iraque, em Gaza, na Indonésia e em outros lugares, tive o privilégio de testemunhar a eficácia de intervenções relativamente simples, mas inovadoras.
Meus mandatos na Unesco e na ONU são globais e existem crianças que precisam desesperadamente da nossa proteção em todas as regiões, mas há lições importantes a serem aprendidas com a minha região natal no Oriente Médio, onde pudemos presenciar avanços importantes. As matrículas no ensino fundamental aumentaram em mais de 10% na última década, as diferenças entre os sexos diminuiu e mais crianças estão passando do ensino fundamental para o médio. Apesar disso, mais de 6 milhões de crianças ainda não vão à escola e mais de um quarto dos adultos são analfabetos. Com dois terços da população árabe com menos de 25 anos de idade (o chamado youth bulge, ou "explosão juvenil"), a maneira como os jovens enfrentarão os anos que estão por vir determinará, em grande parte, o futuro da nossa região e das nossas perspectivas comuns de paz e segurança globais.
O Iraque é um exemplo. Ele já foi um país líder em educação no mundo árabe, mas sofreu muito como resultado das três décadas de conflito. Enquanto na década de 1980 as taxas de alfabetização eram altas, hoje quase um quarto dos iraquianos é analfabeto e a taxa é ainda maior em algumas áreas rurais e entre as mulheres. Ao ver o trabalho que lá está sendo feito para incentivar a educação formal e informal, treinar professores e promover a alfabetização, fiquei convencida de que a educação é a chave para ajudar o berço da civilização a curar suas feridas e se reerguer.
Temos muito a ganhar. Sabemos que uma criança que nasce de uma mãe que sabe ler tem 50% mais chances de viver além dos 5 anos de idade. Nos países em desenvolvimento, cada ano extra de ensino fundamental pode acrescentar, no mínimo, 10% aos ganhos futuros da criança. Essa pode ser a saída do círculo vicioso e a entrada para o virtuoso. Os adultos com um grau de segurança financeira têm muito mais chances de investir na educação dos filhos.
É por isso que, apesar da quantidade e da escala dos desafios que enfrentamentos, nunca me senti tão empolgada e cheia de esperança pelas crianças esquecidas quanto me sinto hoje. O Qatar vai fazer a sua parte. Em novembro a comunidade global de educação se reunirá em Doha para o World Innovation Summit for Education (Wise) anual, que terá como tema Transformando a Educação. Um dos prêmios Wise 2012 será destinado a reconhecer o projeto que forneceu melhor financiamento inovador para a educação primária. Isso reflete o meu apoio aos Objetivos do Milênio traçados pela ONU, que inclui, entre outras metas, ter um ensino básico universal.
Este ano convidarei outras pessoas para se juntarem a mim numa nova iniciativa que oferecerá educação de qualidade e resultados verdadeiramente mensuráveis em benefício das crianças ao redor do mundo.
A educação é uma bênção. Ela nos dá oportunidades, influência e uma obrigação moral clara de usar esses dons para proteger esse direito para outras pessoas.
* É A ENVIADA ESPECIAL DE EDUCAÇÃO BÁSICA E SUPERIOR DA UNESCO


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

the south pole telescope



The South Pole Telescope is a huge undertaking! More than thirty scientists and engineers make up the team to build and operate this enormous instrument, and many more people are involved in supporting the effort at the South Pole Station. Building this telescope in one of the most extreme locations on the planet has posed unique challenges.

Why go to all this trouble? What do we hope to learn?
 
OVERVIEW
DARK ENERGY
FINDING GALAXY CLUSTERS
 
OVERVIEW
 
The South Pole Telescope (SPT) is being built to try to answer big questions about the universe as a whole, rather than questions about the stars, galaxies, or other objects that make up the universe. In particular we hope to answer:
  • How old is the Universe?
  • What kinds of things are in the Universe?
  • How has the Universe changed as it aged?
  • Can we understand or make "models" that describe how the Universe as a whole works?
  • Can we say anything about how the Universe will look in the future?
 
The SPT is one of many powerful instruments being used to address these questions.

It is reasonable to ask whether any measurements we can do here on Earth will have much bearing on such questions. After all, where would you start? Remarkably, the Universe has properties and "fossils" in it that can help us learn about its history, age and development as a whole. The familiar "Big Bang" model makes concrete predictions for measurable phenomena, allowing the model to be experimentally tested. So far the Big Bang model has passed all the tests. Perhaps more importantly, the Big Bang model unifies a diverse set of measurements and observations into a single picture for how the Universe began and how it has evolved.

While the core concepts of the Big Bang picture are on very solid footing, observations have also uncovered mysterious features of the Universe that are not yet understood. One outstanding question is the fundamental question of what makes up the Universe. We all know about matter: we, the earth, the sun and all the stars are made up of matter. However, observations of the Cosmic Microwave Background (CMB) and careful measurements of the distances of certain kinds of supernova explosions both give evidence (agreeing with each other in a most surprising and pleasing way) that matter is only about 4% of what makes up the Universe. These measurements and others indicate that we need not just one, but two other major components in the cosmic inventory. We have called them Dark Matter (DM) and Dark Energy (DE), because they are not visible directly to our observations. These things are needed in the model because without them, we cannot explain the measured properties of the CMB, supernovae, or other features of the observable Universe.
 
 
DARK ENERGY
 
Of these two new constituents, the Dark Energy is the most mysterious. One of the first goals of the SPT is to try to confirm the existence of the Dark Energy and find out something about its properties. Dark Energy pushes things that are very far apart even further apart - opposite to the usual force of gravity that pulls things together. If this mysterious phenomena exisits it will have an effect on how the biggest things in the universe, clusters of galaxies, grow with time. The first set of measurements the SPT will undertake is to make an accounting of the number and sizes of galaxy clusters as the universe ages. The telescope will use the fact that the clusters affect the CMB a little bit as it passes through the gas in the cluster. This distortion of the CMB by the hot gas in galax was first proposed by two Russian Astrophysicists, Yakov Zel'dovich and Rashid Sunyaev in the '60s, so the effect was named the Sunyev-Zel'dovich effect. Making a careful map of the CMB over a big region of the sky allows us to find all the clusters and determine their sizes individually. The number of clusters we will find could be as many as 50,000 or as few as 5,000.
 
 
FINDING GALAXY CLUSTERS
 
The SPT is designed to make a map of the CMB to look for galaxy clusters. The South Pole Telescope is quite different from these optical telescopes that look at the usual visible light. It observes light with a wavelength longer than that of infrared light but shorter than the wavelength of radio waves. The CMB arrives at the earth from all directions having traveled for billions of years through space since its birth in the early universe. To observe the CMB light we need a very clear atmosphere, without much water vapor which absorbs this light. This is the primary reason the telescope is situated at the South Pole [more]. The questions that we try to answer with this South Pole Telescope are big questions about the universe as a whole, rather than questions about the stars, galaxies, or other objects that make up the universe.
 
What are galaxy clusters?
 



Galaxy clusters are regions in the universe where the density of matter is much higher than the average density. When you look at an image (like a Hubble Space Telescope image) of a galaxy cluster in optical wavelengths, the cluster looks like an association of a number of separate but distinct galaxies. When these clusters were first discovered and studied, the term "galaxy cluster" was a simple description of what the observers saw in their images. However the name "galaxy cluster" hides the fact that clusters are gravitationally bound, distinct objects. Most of the ordinary matter in a galaxy cluster is not found in the galaxies but is more diffuse, hot gas. Most of the total mass of the cluster is not even ordinary matter as we know it but is dark matter, which is a type of matter that does not emit light but does interact through gravity.
 
What can studying galaxy clusters tell us about Dark Energy?
 
Galaxy clusters are the largest gravitationally bound objects in the universe. They are also the youngest class of objects, as it has taken the age of the universe for them to gather all their mass. During the epoch of cluster formation, a mysterious component of the universe known as Dark Energy appears to have played an important role in the universe. Dark energy inhibits the growth of galaxy clusters over time. If we can trace out how many large-mass clusters have formed throughout different periods in the history of the universe, we can probe the tug-of-war between gravity (through which matter clumps together) and dark energy (which impedes cluster formation by causing space to expand more rapidly). This is one way that we can learn more about the role that dark energy has played.
 
What is the cosmic microwave background?
 
Observations support a hot big bang model for the origin of the universe, in which the universe started out extremely hot and dense and expanded and cooled over time. In the very early universe, the temperatures and densities at any place in the universe were so high that ordinary matter as we know it just could not exist. The universe was a soup of particles and high-energy (short wavelength) light. As the universe expanded and cooled, atoms were able to form out of the particles, and the light was able to escape from the particle soup and travel freely through space. As the universe expanded and cooled even more, the wavelength of this light was stretched out so that what was once the high-energy "glow" from the hot early universe became the Cosmic Microwave Background - a background radiation everywhere in the universe that is characterized by relatively long wavelengths of around a millimeter. A telescope sensitive to millimeter-wave light will see the CMB in every direction from the earth, and the slight variations in the intensity of the CMB light encode valuable information about what the universe was like back when it was a hot soup of particles and radiation.
 
What is the Sunyaev Zel'dovich Effect?
 
The light that makes up the Cosmic Microwave Background has traveled through space for billions of years before reaching our telescopes on Earth. Most of that light has traveled freely through empty space, without being scattered by intervening matter. However, when CMB light travels through the dense interior of a galaxy cluster, a tiny fraction (1%) of the light may collide with electrons in the hot gas in the cluster's core. The fast-moving electrons can transfer energy to the CMB. Some small amount of the CMB light that has passed through a cluster has had its energy boosted through this effect (called the Sunyaev-Zel'dovich effect) and therefore has higher energy (and shorter wavelength) than the rest.

If we observe the CMB in a part of the sky using a telescope sensitive to longer wavelength CMB light, we will see the effect of clusters on the CMB sky through the appearance of little "holes" where clusters are. Because we filter out the short-wavelength light, and restrict ourselves to long wavelengths, we no longer see the photons that have passed through the clusters. Instead, we see holes in the background light where the clusters are. Thus we can locate galaxy clusters by finding "holes" in the cosmic microwave background.
 
Why use the SZ Effect to detect clusters?
 
In order to study the population of clusters throughout cosmic time, we need to conduct large surveys to find many galaxy clusters. No single technique is perfect, and the best approach is to use many different techniques to find and study galaxy clusters. One key advantage to using the Sunyaev-Zel'dovich effect is that it allows us to look for galaxy clusters that are very very distant (and therefore formed very early in the universe). While distant clusters would be too faint for optical surveys to find, the distortions that they cause in the CMB are no different than those caused by nearby clusters, and the SPT will be able to detect them in the same way. The SPT will be able to look back to when the very first large clusters formed. Additionally, the degree to which the CMB light is affected by a given cluster depends on how massive that cluster is, because a more massive cluster has more hot gas to scatter CMB light. The Sunyaev-Zel'dovich effect therefore leads to a measurement of the mass of each cluster that we observe. This is an important quantity to trace over cosmic history, because the rate at which massive clusters form is sensitive to Dark Energy.
 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

como apagar tudo do pc, cel ou tablet

Se você está reciclando seu computador, smartphone ou tablet, há um problema sério que talvez você tenha ignorado: se você não limpar seus dados, você pode se tornar uma potencial vítima de roubo de identidade. A mera exclusão de arquivos usando as ferramentas normais do sistema não irá te ajudar realmente - você precisa fazer uma limpeza mais profunda.
Veja abaixo como fazer isso.
Limpeza de celulares, smartphones e tablets
Smartphones e tablets essencialmente colocam toda a sua vida em um pequeno pacote, incluindo contatos, e-mails, números de telefone, informações de mídias sociais... e muito mais. Então você quer ter certeza de que alguém não poderá ter acesso a toda essa informação.
Você poderia tentar apagar aplicativos e contatos individualmente, mas as chances de fazer isso de forma efeticaz estão perto de zero. Em vez disso, é melhor fazer uma redefinição completa do seu telefone para acabar com seus dados e restaurá-lo às configurações de fábrica. Como você faz isso varia em cada sistema operacional e, às vezes, até de dispositivo para dispositivo. Estas são instruções gerais que devem funcionar com a maioria dos dispositivos, no entanto, é melhor verificar com o manual ou o fabricante para ter certeza.
Android: Para versões anteriores ao Android 4.0, pressione Menu a partir da tela inicial e selecione Configurações > Privacidade > Restaurar configurações de fábrica. Aparecerá uma tela de aviso. Rolar até o final e toque em "Redefinir telefone". Se você também tem um cartão SD no celular (e não quiser usar os dados em um próximo telefone), também certifique-se de marcar a caixa "Apagar cartão SD".
Em dispositivos Android mais recentes, vá para Configurações e procurar por "Backup e reset". Selecione, e então, na tela seguinte, escolha "redefinir dados de fábrica." Você terá uma tela de aviso, juntamente com uma lista de todas as contas conectadas.
iOS: Vá para Configurações > Geral > Redefinir e selecione "apagar todo conteúdo e configurações" (Esta é especificamente para a versão 5, o processo pode ser ligeiramente diferente para outras versões).
Windows Phone 7: Vá ​​para a tela inicial, slecione Menu e, em seguida, Configurações de aplicativos do sistema. Escolha a opção Sobre e, depois, "Redefinir telefone".
BlackBerry: Vá em Opções > Configurações Gerais de Segurança, e depois selecione o menu. Em seguida, selecione Limpar dispositivo portátil.
Limpando os discos rígidos do computador
A exclusão de arquivos, pastas e aplicativos - e esvaziar a Lixeira - não adianta. Qualquer pessoa pode facilmente recriar esses dados através de ferramentas comumente disponíveis. Mesmo se você reformatar seu disco rígido, se alguém realmente quiser, poderá recuperar os dados apagados.
Isto pode ser um problema sério. Em 2003, dois estudantes de pós-graduação do Laboratório para Ciência da Computação do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) compraram 158 ​​discos rígidos usados a partir de sites como o eBay.
Apenas 12 das unidades tiveram seus dados devidamente apagados. Ainda que cerca de 60% dos discos rígidos fossem reformatados e cerca de 45% não possuíssem arquivos neles (as unidades não poderiam sequer ser vistas pelo computador), os estudantes ainda foram capazes de recuperar dados a partir deles, usando uma variedade de ferramentas especiais. Eles encontraram mais de 5.000 números de cartões de crédito, registros financeiros pessoais e corporativos, registros médicos e e-mails pessoais.
O que você pode fazer para manter seus dados seguros? Obtenha um programa de limpeza de disco, de preferência um que siga as normas do Departamento de Diretrizes para Defesa do Saneamento de Mídia dos EUA. Estes programas substituirão diversas vezes todo o seu disco rígido com dados, garantindo que os originais não poderão ser recuperados. Se você usá-los, seja paciente, pois pode levar várias horas para limpar o disco rígido.
Um aplicativo bem conhecido e gratuito que atende às normas do Ministério da Defesa, de acordo com Universidade de Auburn, é o Darik's Boot and Nuke. O software cria um disco de boot que apaga tudo no disco rígido. Ele também pode ser usado com disquetes (lembram-se deles?), Drives USB, CDs e DVDs.
Outra recurso gratuito do Windows que também atende às normas do Ministério da Defesa é o Eraser.
Se você tem um Mac, você pode usar o Utilitário de Disco (que pode ser encontrado na pasta Aplicativos > Utilitários). Você também pode fazer download de um aplicativo de terceiros, como o ShredIt X, da Mireth Technology (versão completa sai por 25 dólares, mas você pode testá-lo gratuitamente), que permite destruir arquivos (em outras palavras, substituir o conteúdo de um arquivo várias vezes), bem como limpar o disco rígido local, unidades de rede e CD-RWs. (Há uma versão para Windows também).
Se você está realmente nervoso, existem dispositivos de hardware disponíveis que lhe permitem limpar suas unidades, como o Drive eRazer Ultra. Ou você pode enviá-lo a um serviço de trituração de disco rígido que vai destruir fisicamente a unidade.
Uma vez limpo, o seu dispositivo se torna seguro para ser vendido, doado ou reciclado.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

provas e testemunhos 03202012

Roberto DaMatta - O Estado de S.Paulo

Quando eu frequentei reuniões dos Alcoólicos Anônimos e testemunhei um ente querido afirmar sua relação de englobamento com o álcool, definindo-se na formula clássica do "Meu nome é X e eu sou um alcoólatra!", entendi o famoso "primeiro passo".

O nome é mais do que significativo. Trata-se de uma passagem decisiva na qual a perturbação é reconhecida e aceita. Ora, aceitar o poder do álcool (ou de qualquer outra obsessão) é um passo decisivo, porque é a aceitação de alguma coisa que antes passava por outra e não podia ser percebida ou era simplesmente negada. Negada com a mesma veemência dos calhordas que hoje infestam a cena política nacional. Quando se traz ao mundo da consciência ou da superfície algo oculto, conhecemos o seu lugar e assim podemos situá-lo. A classificação - o lugar das coisas - é o primeiro passo para tentar levar a coisa ao seu lugar, isto é, a um conjunto.
Quando o dependente diz que ele não tem poder sobre algo, ele ganha o estranho poder de situar esse algo no conjunto de sua vida. Porque toda vida é múltipla, exceto a dos que compulsivamente negam a multiplicidade como um valor e como um fato. O perturbador é justamente a perda parcial ou total da multiplicidade e da capacidade de aceitar a contradição e o paradoxo - esses esteios da mentira e da falsidade. Quando nos tornamos unilaterais, quando estamos permanentemente focados, viramos sentinelas com direito a matar. É quando o foco se transforma num valor, ou seja: num dado que organiza o conjunto. Quando isso ocorre, entramos no plano do fanatismo, porque perdemos a mobilidade de sairmos de nós mesmos - essa condição essencial, mas não exclusiva de alcançar algum tipo de oásis existencial.
Eu me pergunto se não seria saudável dizer: "Meu nome é Y e eu sou um radical! Para mim, o mundo não faz sentido fora dos limites de minha crença, que é a única verdadeira!" Vejam o problema. Aqui, a obsessão política (moral ou religiosa) não é tomada como um incômodo, mas como o remédio, virtude ou solução. Se somente eu estou certo, o mundo é meu por direito, moral e fé. A cruzada bate à minha porta.
Não matei um homem, dizem os fanáticos numa guerra religiosa, mas um judeu, um árabe ou um protestante (ou um brasileiro ou um católico). Daí para matar um alemão, um americano ou um corintiano é um passo. Contextos em que reina um incondicional crer ou não crer impedem esses reconhecimentos dos outros como seres múltiplos e problemáticos, vivendo simultaneamente muitos papéis. O sal da vida, como diz meu amigo Dick Moneygrand, é ver o amigo como um apaixonado por uma pessoa que achamos horrível. O tal "como é que pode?" é o cerne do humano. O estranhamento está na raiz da consciência que, por si só, é um estranhar.
* * * *
Um amigo de Marcelino, um dos tios maternos que muito marcaram minha vida, contava uma história ocorrida numa antiga Manaus. Era a saga de um jovem amazonense que, por sua conta e risco, e sem nenhuma ajuda das elites locais, seguiu clandestino para a Europa e lá aperfeiçoou o que mais gostava de fazer: desenhar e pintar. Era tão bom que logo virou um grande artista. Expôs em muitos países e finalmente foi elogiado em Paris, onde recebeu um prêmio. Redescoberto, voltou a Manaus, onde foi ambiguamente recebido. Parte da elite não duvidava do seu talento; um outro lado, porém, dizia que sua pintura era demasiadamente boa para ser de um mestiço e de um brasileiro. A inveja (esse pendor nacional) ganhou os jornais e tal como ocorreu em 1917 no Rio de Janeiro com o pintor alagoano Virgílio Maurício, os radicais do ressentimento levantaram uma extremada infâmia: os quadros seriam falsos! Eram fabricações encomendadas debaixo de pagamento a pintores franceses. O escândalo só poderia ser posto a limpo numa prova de talento e um repto foi lançado. O amazonense foi desafiado a executar uma obra em público.
Virgílio Maurício, cujas obras estão na Pinacoteca de São Paulo, recusou, mas o mestiço topou. E, como contava orgulhosamente meu tio, provou o seu talento pintando um quadro chamado Pusilanimidade. Mostrava um chefe de governo vendendo um segredo militar (talvez um mapa) ao comandante inimigo que lhe prometia poder perpétuo e muita grana - essas coisas da nossa sífilis política. No Brasil, concluía meu tio numa lição inesquecível, o talento tem de ser provado. Já a ignomínia é moeda corrente. Qualquer semelhança com o real, amigos leitores, é mera coincidência.

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Romance cult abre portas para o mundo de Macedonio Fernández

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PAULO WERNECK
EDITOR DA ILUSTRÍSSIMA

A recente fornada de livros argentinos não estaria completa sem Macedonio Fernández (1874-1952), ao mesmo tempo autor, leitor, personagem e mentor de Jorge Luis Borges. Amigo do pai de Borges, ele foi exaltado na obra do discípulo, ainda que de modo um tanto ambíguo.
Macedonio Fernández inventou conceito de "zapping" literário
Bem mais citado do que lido, tão periférico quanto central na literatura argentina, como assinala o crítico e ficcionista Damián Tabarovsky na apresentação, Macedonio faz parte de uma rara estirpe de autores "cult", alguns inéditos por aqui. O "Museu do Romance da Eterna" em edição experimental da Cosac Naify, em que a designer Elaine Ramos interpreta o extravagante universo macedoniano.
A publicação do livro, em 1967, de certo modo "traiu" os ideais de seu autor: morto 15 anos antes, ele almejava a um eterno ineditismo, anunciando constantemente aos amigos e discípulos um romance que jamais ficava pronto. A ideia alimentou o mito em torno de sua pessoa, reiterado em mistos de hagiografia e anedota que fizeram de Macedonio uma espécie de "mestre dos magos" das vanguardas argentinas. O folclore é vasto e um dos mais saborosos do racionalíssimo humor portenho.
O "Museu" já foi definido como "um software", uma "máquina de fabular". As primeiras notícias sobre o livro remontam aos anos 1920, na forma de um romance coletivo que Borges, Macedonio e amigos pretendiam escrever juntos. Macedonio escrevinharia o "Museu" ao longo de décadas, em cadernos e pedaços de papel.
Reprodução
O escritor argentino Macedonio Fernández
O escritor argentino Macedonio Fernández, que faz parte de uma rara estirpe de autores "cult" inéditos no país
Leitor de Macedonio, o escritor carioca Sérgio Sant'Anna disse à Folha que ele "brincou com a literatura a vida inteira como se brinca com uma amante". O "Museu" é um labirinto de prólogos que se sucedem, anunciando uma narrativa que nunca vem. Em vez de preparar o leitor para entrar no recinto do romance, eles constituem o próprio território da narrativa, jogo que Borges levaria ao ápice em sua obra.
Juntos, os dois fundaram, em pleno império do realismo, uma narrativa "antirrealista" --que hoje vem a ser providencial. Pois o século 21 "será macedoniano", nas palavras de Ricardo Piglia.

macedônio fernandez 2


19/02/2011-07h06

Macedonio Fernández inventou conceito de "zapping" literário

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PAULO WERNECK
EDITOR DA ILUSTRÍSSIMA
O século 21 "será macedoniano", anunciou o romancista argentino Ricardo Piglia no documentário "Macedonio Fernández", que ele realizou com o cineasta Andrés di Tello e que está disponível, sem legendas, no YouTube. Prova disso talvez seja a inesperada atualidade que uma de suas criações, o "leitor salteador", nestes tempos de internet.
Num dos infindáveis prólogos de "Museu do Romance da Eterna" (tradução Gênese Andrade, Cosac Naify), que acaba de ser publicado no Brasil, Macedonio desenvolve sua famosa teoria dos "leitores salteados" --aqueles que, mesmo pulando páginas, não deixam de ser "leitores completos". Fragmentário, o livro antecipa os saltos do leitor e "pula" o texto para ele, numa espécie de "zapping" literário.
Em 2009, em entrevista à Folha, para Sylvia Colombo, Ricardo Piglia (disponível para assinantes) reconheceu no internauta do século 21 o "leitor salteado" de Macedonio, "que já não é aquele que está isolado, concentrado e lutando contra a interrupção".
Por que a extravagante personalidade do autor do "Museu do Romance da Eterna", escrito ao longo de toda a sua vida e publicado postumamente em 1967, continua fascinando os escritores argentinos e rendendo um extenso anedotário?
Macedonio tentou fundar, por volta de 1897, uma comuna anárquica com três ou quatro pessoas, numa ilha perto da fronteira do Paraguai --o pai de Borges, Jorge Guillermo, não foi, pois estava para se casar. Eram "náufragos da sociedade", como diz Ricardo Piglia em seu documentário. Sobre essa experiência, Borges cravou: a colônia libertária "durou o que costumam durar tais utopias".
Nos anos 1920, ao ficar viúvo, Macedonio abandonou os quatro filhos, que seriam criados por parentes, para dedicar-se à fermentação das vanguardas literárias nos cafés e revistas de Buenos Aires. Dedicou-se também às suas proverbiais manias, narradas por seus discípulos incansáveis como Jorge Luis Borges, como a de mudar de casa constantemente, tendo morado em inúmeras pensões portenhas e em casas nos arrabaldes de Buenos Aires.
Entre as excentricidades do amigo, escreve Borges, estavam "o nacionalismo" (Macedonio apoiou todos os presidentes da República, na certeza de que o povo argentino "não erra"); o medo da odontologia (o que o levava a golpear-se em público para amolecer os dentes e assim evitar o boticão); e a paixão pelas prostitutas de rua.
Numa carta ao amigo, Macedonio escreveu: "Caro Jorge Luis: desculpe-me por não ter ido ontem à noite. Eu estava indo, mas sou tão distraído que no caminho me lembrei que havia ficado em casa. Estas constantes distrações são uma vergonha, e às vezes me esqueço de me envergonhar também".
As primeiras notícias sobre o "Museu do Romance da Eterna", escrito para sua falecida mulher, remontam aos anos 1920. Borges, Macedonio e amigos pretendiam escrever um romance coletivo, "O Homem que vai ser Presidente": a história de um grupo de conspiradores, liderado por um certo "Presidente", que pretende tomar a cidade de Buenos Aires.
O projeto não foi para a frente, mas Macedonio faria do Presidente o protagonista do seu "Museu do Romance da Eterna", escrevinhando ao longo de décadas em dezenas de cadernos e pedaços de papel que o acompanhariam pelo resto da vida. A edição experimental da Cosac Naify, de autoria da designer Elaine Ramos, procura recriar a sensação de um amontoado de páginas de diferentes formatos.
O "Museu do Romance da Eterna" é um curioso labirinto de prólogos que se sucedem, anunciando uma narrativa que nunca vem: em vez de preparar o leitor para entrar no recinto do romance, os prólogos constituem o próprio território da narrativa. A primeira publicação do livro, em 1967, de certa maneira traiu os ideais de seu autor, que almejava um eterno ineditismo, escrevendo sem jamais concluir o manuscrito ou publicar.
CANDIDATO À PRESIDÊNCIA
A presidência da República era mais uma das obsessões de Macedonio, que declarava ter a intenção de disputar as eleições como candidato independente, arregimentando amigos e fãs numa bizarra pré-campanha que alguns levaram a sério, outros como pura gozação.
Quem conta é Jorge Luis Borges, cuja irmã participou de uma mobilização de Macedonio para "insinuar-se na imaginação das pessoas de modo mais sutil e enigmático": em vez da "fácil" citação em jornais, pediu que seus conhecidos escrevessem seu nome em pedaços de papel que eram "esquecidos" em confeitarias, bondes, cinemas etc.

macedônio Fernandez

20/02/2011 - 10h00

Livro que influenciou Borges e toda a vanguarda argentina chega ao Brasil

DANIEL BENEVIDES
Colaboração para o UOL

Divulgação
Capa de
Capa de "Museu do Romance da Eterna", de Macedonio Fernández
Macedonio Fernandez é certamente um dos casos mais curiosos da literatura mundial. Original ao extremo, sua obra é impossível de ser classificada e no entanto é concretamente um ponto de partida para tudo o que se escreveu de mais ousado e criativo na Argentina, a começar por Borges, que era seu maior admirador e amigo constante.
Este "Museu do Romance da Eterna" em particular, publicado pela primeira vez quinze anos após a morte de Macedonio (1874-1952), é um caso muito especial de livro igual a nenhum outro, completamente diferente de tudo o que se lera antes ou mesmo depois; tão único, na verdade, que foi escrito com a intenção de nunca realmente ser lido -- “sua” grandes aspiração era permanecer inédito, à maneira dos textos de Kafka, que nunca foram queimados, a despeito de sua vontade.
O formato mesmo já o denuncia: o “romance” propriamente dito só começa no meio do livro, depois de uma série de prólogos que parecem querer protelar a trama ao limite da inexistência. E, no entanto, Macedonio não deixa claro se esses textos digressivos, que preparam o leitor na mesma medida em que lançam dúvidas que podem ou não ser respondidas, não seriam já parte essencial da “trama” (as aspas são necessárias, pois não há nada de convencional no livro, nada que possa ser encaixado em conceitos a que estamos acostumados).
Na verdade, os prólogos são talvez a parte mais divertida desse Museu tão visitado por escritores como Cortázar ou Ricardo Piglia, ou mesmo mais novos, como Roberto Bolaño, Enrique Vila-Matas e Alan Pauls, diretamente influenciados de uma maneira ou outra por Macedonio. É onde o autor, que escrevia obsessivamente em pequenos papeis, os quais ia acumulando em gavetas e potes, apresenta sua inusitada filosofia e teoria estética ao leitor; mais que isso, como nota Piglia num de seus muitos textos sobre Macedonio (e até mesmo um romance, “Cidade Ausente”, no qual Fernandéz figura como personagem), busca definir o que é o leitor, fazendo “uma espécie de zoologia ou botânica irreal que identifica gêneros e tipos de leitores na selva da literatura”.
  • ReproduçãoO argentino Macedonio Fernández
Assim, há o “leitor salteado”, o “seguido”, o “incomodado”, o leitor “mínimo”, o “não-conseguido”, o “leitor de desenlaces” e outros. Ao “salteado”, ou seja, aquele que lê pulando trechos e páginas inteiras, adverte, com seu típico racionalismo irreverente, não distante do tom a um só tempo desconcertante e “piscador-de-olho” de um Lewis Carroll: “o livro é tão cheio de valas, que não há alternativa senão lê-lo seguido, para manter a leitura desunida”.
Essa lógica na contramão do realismo, que subverte a todo instante a expectativa mesma que se tem diante de um livro, está em cada milímetro das vigas e colunas que sustentam o Museu de Macedonio e seus labirintos. É mais radical do que Borges faria depois. Não há concessões. Mas, curiosamente, ao mesmo tempo o diálogo com o leitor é permanente – diálogo mesmo, como se conversasse (Borges,mais uma vez, dizia que a melhor obra de Macedonio estava em suas conversas).
E não só com o leitor, mas também com os personagens – e consigo mesmo. Todos: autor, leitor e personagens, fazem parte do “romance”, colocado no livro como um lugar, uma “estância” na qual vivem juntos, conversam, tomam chá e disputam jogos amorosos e meta-linguísticos. Quando vão à cidade – Buenos Aires – saem do romance e entram na realidade, aquela que o autor repudia com veemência: “a verdade de vida, a cópia de vida, é o que abomino”.
Eterna, Presidente, Deumamor, Doce-Pessoa, Simples, Pai, Quiçagênio são os nomes dos estranhos personagens, que nem sempre sabem o que querem, o que fazem, nem mesmo se existem, ou se desejam continuar no “romance”. Há também o personagem ausente, ou “o homem que fingia viver”, o “Viajante”, que só aparece nos finais dos capítulos para dizer que está de saída, e personagens desprezados, que gostariam de constar do livro, mas não são aceitos.
No fim, o grande personagem é o próprio Macedônio, louco lúcido, marginal central, anônimo idolatrado. Que talvez em nenhum lugar tenha sido mais atenciosamente editado que no Brasil.
Além da excelente tradução de Gênese Andrade (nome que poderia constar no “romance”), a edição, a cargo da equipe do também escritor Emílio Fraia, é de um apuro e originalidade exemplares. Não há – com uma única exceção, devidamente explicada pelo autor – nenhuma página em branco (as quais Macedonio repudia como falsas, num de seus 60 prólogos). O texto preenche as próprias capas, e o corte das páginas é irregular, lembrando os pedaços de papel soltos em que o autor escrevia. E há todo um cuidado com típos, créditos, cores e numerações de páginas, além do ótimo prefácio de Damián Tabaróvsky. Um belíssimo livro, inacabado, feito de “retalhos, desvios, digressões”... Mas que resulta tão bem acabado.

MUSEU DO ROMANCE DA ETERNA

Autor:
Macedonio Fernández
Editora:
Cosac Naify
Tradutor:
Gênese Andrade
Páginas:
266
Preço:
R$ 49,90