segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

como atrair oinvestimento privado

Como atrair o investimento privado

Sérgio Lazzarini* - O Estado de S. Paulo
20 Dezembro 2014 | 17h 27

Com tanta carência em infraestrutura e tantas possibilidades de parceria público-privada nessa área, oportunidades para investimento no Brasil não deveriam faltar

 Uma das maiores frustrações do atual governo é a débil evolução do investimento privado no Brasil. A formação de capital fixo sobre o PIB, em torno de 17%, não chega nem aos pés do que seria necessário sustentar nosso crescimento. O mais intrigante é que essa estagnação ocorreu simultaneamente a diversas medidas do governo que, à primeira vista, deveriam ter impulsionado os investimentos. O BNDES passou a emprestar (e tomar emprestado do governo) como nunca. Embora negligenciada sob Lula, a agenda de concessões à iniciativa privada foi retomada no governo Dilma. Como tanta carência em infraestrutura e tantas possibilidades de parceria público-privada nessa área, oportunidades para investimento no Brasil não deveriam faltar.

O que deu errado? A leitura do governo é que o cenário externo afugentou investimentos. Fala-se também de uma suposta má vontade dos investidores privados mesmo com tantos benefícios à sua disposição. Mas já é quase consenso que um dos principais fatores que tem represado os investimentos é o próprio governo. No primeiro mandato de Dilma, apesar da retomada das concessões, buscou-se tabelar o retorno dos projetos e forçar reduções de tarifas a contragosto dos investidores privados. Como consequência, a atratividade dos projetos se deteriorou via queda na lucratividade esperada e aumento nas incertezas sobre o seu fluxo de caixa futuro.
Para compensar os investidores pelo aumento de risco que ele próprio criou, o governo abriu a torneira e aumentou o volume de capital subsidiado via BNDES e outros mecanismos de investimento estatal (como o FGTS). Nem mesmo assim os investimentos reagiram. É só perguntar a qualquer empresário o que mais o preocupa em projetos com o setor público e a resposta continuará sendo o “risco governo” ou alguma variação sobre esse mesmo tema.
Se aceitarmos esse diagnóstico, há uma série de ações que poderiam ser executadas e que poderiam animar os empresários a investir em projetos de interesse público. Primeiro, é preciso deixar o mercado funcionar. O governo, nem ninguém, tem capacidade de saber com exatidão qual deve ser o retorno de um dado projeto. Os leilões existem justamente para revelar esse tipo de informação por meio de um processo competitivo. E isso só é possível por meio de regras claras e estáveis, que tornem o projeto mais atrativo e com mais participantes. Nesse âmbito, é também fundamental uma ação antitruste ativa.
Segundo, e relacionado à necessidade de estabilidade de regras, é preciso reconstruir a capacidade governamental de regular projetos de concessão. Agências reguladoras devem ser fortalecidas, com mandato claro, blindagem política e gestão executada por técnicos de renome e reputação ilibada. O governo federal e os Estados devem também constituir agências especializadas na modelagem e monitoramento de projetos. Uma dissertação de mestrado que tive oportunidade de orientar, de Rogerio Thamer, encontrou que a presença dessas agências especializadas reduz significativamente o tempo entre o início de um projeto de PPP e a assinatura final do contrato.
Terceiro, é preciso criar mecanismos que atem as mãos dos governantes de forma a evitar renegociações contratuais adversas e preservar a programação de todos os pagamentos devidos. Na lei das PPPs, já existe a figura dos fundos garantidores, criados pelos governos, que servem justamente a este propósito. Para aumentar a percepção dos investidores de que as garantias serão efetivas e executadas de forma célere, é também importante que esses fundos sejam compostos por ativos líquidos (por exemplo, títulos públicos) que permitam um pagamento automático ao investidor caso ocorra qualquer tipo de interrupção.
Quarto, como forma de reduzir a dependência de capital público subsidiado, cuja conta aumenta a cada ano, é preciso buscar modelos inovadores de financiamento. Atualmente, qualquer que seja o projeto, a participação do BNDES é como que automática. Mas existem projetos que poderiam ser financiados unicamente com recursos privados ou com participação mínima de capital público. O modelo chamado de “project finance” se baseia no princípio de que o próprio fluxo de caixa do projeto poderia ser uma forma de garantia. Por exemplo, em uma concessão de aeroporto, as próprias receitas futuras com tarifas e atividades acessórias garantem o pagamento dos investidores. Para que esse mecanismo funcione, é só tirar de cena o risco governo e efetivamente garantir que não haverá intervenção adversa aos termos do contrato.
Finalmente, os governos podem inteligentemente aumentar a rentabilidade dos projetos remunerando os investidores caso consigam trazer impacto efetivo.
*Sérgio Lazzarini é professor titular do Insper. É autor de "Capitalismo de laços" e "Reinventando o capitalismo de Estado".

0 momento da revelação

O momento da revelação

Gustavo H. B. Franco* - O Estado de S. Paulo
20 Dezembro 2014 | 17h 14

‘Petrolão’ não foi imprevidência, mas rapinagem, diante da qual não há mais clima para discussão conceitual sobre os modelos de intervenção do Estado na economia

Entre os economistas prevalece uma sensação segundo a qual, pelo seu impacto e desdobramentos, a agonia da Petrobrás domina qualquer outra consideração econômica sobre o ano que passou e sobre o futuro próximo.

Parece claro que não temos aqui uma infelicidade, um vazamento de óleo ou um erro de engenharia, mas a síntese de um naufrágio, bem além da empresa, e aí está a grande revelação desse ano que termina.
A Petrobrás foi a ponta de lança de uma experiência genética fracassada, pela qual o governo, com o intuito de confrontar o neoliberalismo, procurou introduzir no Brasil um cruzamento entre “capitalismo de estado” tipicamente asiático e “petropopulismo” de corte venezuelano. O Petrolão é apenas um aspecto especialmente odioso dessa fanfarronice.
Marcos de Paula/Estadão
Custo. Exploração do pré-sal não deveria ter exigido tanto da Petrobrás
Fomos todos ingênuos durante os debates que orientaram as escolhas macro e de modelos para o pré-sal, sobretudo durante a crise de 2008, quando prevaleceu a percepção de que o capitalismo estava agonizante, que só haveria crescimento nos Brics, onde, segundo se dizia, a teoria econômica convencional não funcionava.
Para o Brasil e para a Petrobrás em particular, esses ventos heterodoxos só produziram fracassos. Relativamente ao maior valor que atingiu, em maio de 2008, passando pela oferta pública global em 2010, a Petrobrás já perdeu R$ 610 bilhões em valor: nunca houve nada parecido em matéria de destruição de patrimônio público, e o New York Times sustenta que foi o maior escândalo de corrupção da História!
Os paralelos com a rocambolesca trajetória de Eike Batista existem nos números, no setor, nas contradições inerentes ao confronto entre sonhos e realidades, na confusão entre interesses públicos e privados, e talvez coisas piores sobre as quais é melhor não falar para não ser injusto com Eike.
O modelo de exploração do pré-sal não precisava ter onerado tanto a Petrobrás com gastos de investimento da ordem de US$ 40 bilhões anuais, cerca de oito vezes a média dos cinco anos anteriores. Para que obrigá-la a gastar tanto dinheiro e a participar em todos os campos? Na aparência, a resposta caberia na filosofia estatizante do PT, um tanto deslocada das realidades financeiras da empresa e do País, mas justificável. Uma vez revelado o Petrolão, todavia, fica a dúvida sobre as reais motivações da preferência pelo estatismo.
A seguir, o próprio governo, à semelhança do que fazem nossos vizinhos bolivarianos, estrangula a geração de caixa da empresa subsidiando a gasolina, e a Petrobrás, como o Brasil, pôs-se a tomar empréstimos. A conta mal fechava com o petróleo a US$ 100, mas, de forma canhestra, o grande debate nacional, conduzido pelo presidente Lula, não era a racionalidade do arranjo, mas como dividir uma fortuna que ainda não existia.
Mas a grande revelação do Petrolão não foi imprevidência, mas a rapinagem, diante da qual não há mais clima para nenhuma discussão conceitual sobre os “modelos” de intervenção do Estado na economia, e de exploração do pré-sal em particular. Como discutir requisitos de conteúdo nacional nos fornecedores depois do que se passou?
Como fomos ingênuos achando que a controvérsia era sobre o tamanho do Estado, a privatização e suas questões. Uma ilusão completa. Quanto maior o Estado e mais complexa a regulação, maior a corrupção. Quanto maior o autoritarismo, e mais viciada a democracia, maior a importância das máfias, e pior: a corrupção política não é uma falha de caráter de natureza individual, é crime organizado, por natureza. Seu fim ultrapassa a vantagem individual, pois seu objeto é o enriquecimento e o poder do grupo.
As máfias são importantes nos modelos econômicos que se pretendeu copiar, qual a surpresa de vê-las operando na Petrobrás, o veículo eleito pelo governo para a nova realidade?
Felizmente, as instituições da democracia, liberdade e economia de mercado já estão suficientemente estabelecidas no Brasil para impor resistência ao crescimento de máfias partidárias. Imprensa livre e judiciário independente foram cruciais no episódio do mensalão, que lançou luz sobre o problema e assentou as bases para algo muito mais amplo, o Petrolão. Desta vez, todavia, não haverá mais dúvida sobre formação de quadrilha.
Entrementes, a situação da empresa alcança contornos ainda mais dramáticos em vista da queda do preço do petróleo. Diversos projetos alternativos de extração de petróleo se tornaram inviáveis, incluindo uma parte relevante da “revolução do xisto” nos EUA, bem como dos campos do pré-sal. É um rude golpe sobre o petropopulismo mundo afora, com amplas consequências na Rússia, na Venezuela, e na Petrobrás.
Gigante. A Petrobrás cabe perfeitamente na definição de “grande demais para quebrar”, de modo que o governo precisa se virar para tirá-la da encrenca em que a colocou. Parece impossível reequilibrar financeiramente a empresa nesse novo cenário sem rever o modelo do pré-sal, repensar o tamanho dos investimentos e a política de preços. O mundo é outro e a empresa está onerada por obrigações antieconômicas e atulhada de provisões a fazer pelos erros já cometidos. As necessidades de caixa, bem como as dificuldades com auditores, podem agravar a ameaça de insolvência, que terá que ser evitada por aportes do Tesouro, ou de bancos públicos, cuja dimensão, a essa altura, desafia prognósticos.
Diante de uma trapalhada deste tamanho, e de tamanha repercussão simbólica, tudo o mais se relativiza, todo o debate dos últimos anos sobre estatização e privatização, sobre as “alternativas ao neoliberalismo” precisa ser revisto, pois estávamos sendo enganados.
*Gustavo Franco é ex-presidente do Banco Central e sócio da Rio Bravo Investimentos

está na hora de o brasil acordar

Está na hora de o Brasil acordar

Marcos Lisboa* - O Estado de S. Paulo
20 Dezembro 2014 | 17h 02

Somente um ajuste fiscal crível poderá reduzir a chance de o País passar por dificuldades semelhantes às enfrentadas atualmente pela Rússia

A recente crise da Rússia deveria soar como sinal de alerta para o atual governo, que, nas últimas semanas, tem sido refém de uma comunicação esquizofrênica decorrente de dois projetos conflitantes. O anúncio do novo ministro da Fazenda sinalizou uma ruptura com o discurso da campanha, e a opção por um forte ajuste fiscal. Por outro lado, diariamente, fontes oficiais garantem o cumprimento de compromissos assumidos que agravam o quadro fiscal. 
O equilíbrio das contas públicas e o controle da inflação são essenciais para retomar o crescimento econômico e reduzir os riscos de uma grave crise econômica. 
Em 2003, o País viveu um momento difícil, com baixa credibilidade da política econômica, e optou por um severo ajuste fiscal, uma política monetária voltada à convergência da inflação ao centro da meta, seguida de reformas destinadas a melhorar o ambiente de negócios.
Maxim Zmeyev/Reuters
Turbulência. Shopping na Rússia: recente crise do rublo deixou lojas de roupas importadas sem mercadoria
À época, muitos defendiam fazer exatamente o oposto. O ajuste fiscal seria danoso para o crescimento, e a taxa de juros deveria ser reduzida para estimular a atividade. Vários, inclusive, utilizavam os exemplos da Argentina e da Venezuela para exemplificar a possibilidade de uma via alternativa, que evitasse os ajustes e retomasse o crescimento.
Ao contrário do previsto pelos críticos, em poucos meses, a economia se recuperou e voltou a crescer. A política econômica foi essencialmente preservada até a crise de 2008, e o País, beneficiado pelo cenário externo, experimentou anos de elevado crescimento e queda da desigualdade de renda. 
Argentina e Venezuela, por outro lado, ainda mais beneficiadas pelo cenário externo do que o Brasil, assistiram a lenta degradação da estrutura econômica, resultando em graves retrocessos sociais e o comprometimento da capacidade de crescimento e geração de renda para os próximos anos. O experimentalismo da via alternativa condenou-os a terminarem mais pobres do que começaram.
A partir da crise de 2008, o Brasil alterou a política econômica, fragilizando a política fiscal e o compromisso com o centro da meta de inflação, cujo resultado tem sido desapontador.
O Brasil tem crescido menos do que o resto do mundo, menos do que a média dos países emergentes e da América Latina, e, no último ano, menos do que os Estados Unidos, onde a crise começou. A atual política econômica prejudicou o crescimento, a redução da desigualdade de renda, estagnada desde 2011, e coloca em risco os ganhos sociais das últimas duas décadas.
Entre os principais países emergentes, crescemos apenas mais do que a Rússia, que enfrenta um grave conflito militar, estagnação da economia e, nesta semana, uma grave crise, com forte desvalorização do câmbio, e escalada das taxas de juros. 
Brasil e Rússia têm em comum o fato de serem duas grandes economias emergentes estagnadas. Existem, no entanto, diferenças importantes entre os dois países. A Rússia tem sido bem mais afetada pela piora dos termos de troca, enquanto a nossa elevada dívida bruta, em parte indexada à Selic, e o desequilíbrio fiscal implicam grandes desafios para a política econômica. A crise desta semana apenas ilustra o risco de uma súbita piora em uma economia fragilizada.
Na década passada, o equilíbrio fiscal e a inflação no centro da meta garantiram maior solidez à nossa economia, que se tornou menos vulnerável às oscilações dos mercados externos em comparação com os anos 1990. 
A política econômica adotada no atual governo reverteu os ganhos do passado. A opção por negar as dificuldades, evitando o ajuste quando necessário, agravou as dificuldades, a magnitude da correção de rumo e os riscos de fracasso. As taxas de juros, o mercado de ações, e a taxa de câmbio têm se tornado cada vez mais sensíveis ao cenário externo e a possibilidade de uma crise tem sido ampliada pela crescente fragilidade da nossa economia.
Um ajuste fiscal crível reduz a chance de que passemos por dificuldades semelhantes às enfrentadas pela Rússia, além de contribuir para o controle da inflação e auxiliar na melhora das contas externas. 
O forte ajuste que deve ser realizado, em decorrência da deterioração das contas públicas e dos indicadores econômicos, requer um projeto claro de governo, até porque vai na contramão do que tem sido feito pelo atual governo e do prometido na campanha.
A alternativa seria continuar com a esquizofrenia atual e esperar os resultados. Afinal, já estamos a fazer o mesmo com a oferta de água e de energia. O populismo garante ganhos fáceis no curto prazo. As consequências, porém, eventualmente se manifestam, e seus efeitos podem ser graves e duradouros.
* Marcos Lisboa é vice-presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda

as armadilhas de uma prolongada estagnação

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,as-armadilhas-de-uma-prolongada-estagnacao,1610271O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,as-armadilhas-de-uma-prolongada-estagnacao,1610271O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,as-armadilhas-de-uma-prolongada-estagnacao,1610271http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,as-armadilhas-de-uma-prolongada-estagnacao,1610271

As armadilhas de uma prolongada estagnação

Edmar Bacha* - O Estado de S. Paulo
20 Dezembro 2014 | 16h 54

Se o crescimento de 0,3% na produtividade média do trabalho entre 1981 e 2014 não aumentar, o Brasil jamais deixará de ser um país de renda média

Tem sido bastante discutida na imprensa a “estagnação secular” por que estariam passando os países desenvolvidos. Menor atenção tem sido dada para o fato de a economia brasileira estar semiestagnada há 33 anos, apesar de ter uma renda per capita de apenas um terço da média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Entre 1981 e 2014, a taxa média de crescimento da produtividade do trabalho no Brasil foi de apenas 0,3% por ano. A conclusão pouco difere se excluirmos da conta, por serem períodos excepcionais, a década perdida de 1981 a 1992 e os anos da bonança externa entre 2004 e 2010: há muito tempo a produtividade do trabalho cresce a não mais do que 0,4% por ano.
Com essa taxa minúscula de crescimento da produtividade, jamais deixaremos de ser um País de renda média, jamais atingiremos a renda per capita dos países da OCDE.
Maurício de Souza/Estadão
Falta integração. Um 'gigantinho' em termos de PIB, o Brasil é um 'anão' no comércio exterior, com apenas 1,3% das exportações mundiais
Crescimento da produtividade requer empresas com tecnologia, escala, especialização e concorrência. Esses ingredientes somente se conseguem com a integração do país às correntes internacionais de comércio. Pois, apesar de o Brasil ser o sétimo maior PIB (Produto Interno Bruto) do mundo, tem apenas 3,3% do PIB mundial: 96,7 % do mercado global está fora das fronteiras brasileiras.
Os países que conseguiram entrar no primeiro mundo após a 2.ª Guerra Mundial o fizeram integrando-se com a economia mundial. Os tigres asiáticos e Israel se desenvolveram com exportações industriais; os países da periferia europeia com exportações de serviços inclusive de mão de obra; Austrália, Noruega e Nova Zelândia com a exportação de commodities.
Cada grupo a sua maneira, explorando suas respectivas vantagens comparativas, mas todos com uma característica comum - uma forte integração ao comércio internacional.
Em contraste, o Brasil é uma das economias mais fechadas ao comércio exterior do mundo. Grandes economias são grandes exportadoras. Os seis países com PIB maior do que o Brasil - Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França e Reino Unido - são também os seis maiores exportadores mundiais. O Brasil é apenas o vigésimo segundo. Um gigantinho em termos de PIB, somos um anão em termos de exportações - apenas 1,3% do total mundial.
O que se observa nas exportações nacionais repete-se nas importações. A participação das importações no PIB brasileiro é de apenas 13% (dados de 2012). Trata-se do menor valor entre todos 176 países considerados pelo Banco Mundial. Apenas não podemos dizer que o Brasil é o país mais fechado do mundo porque não há dados para a Coreia do Norte - que aparenta ser mais fechada ao comércio do que o Brasil!
Investimento. O curioso é que, sendo fechado para o comércio, o Brasil é extremamente aberto para o investimento externo direto. Éramos até há pouco tempo a 4ª destinação mais preferida pelas multinacionais, atrás somente dos EUA, China e Hong Kong.
O problema é que as multinacionais vêm aqui não para exportar como o fazem na Ásia, mas para substituir importações aproveitando-se do mercado interno protegido. Elas lucram com isso, mas a economia como um todo pode sair perdendo, pois a substituição de importações faz o câmbio apreciar e, assim, tende a reduzir as exportações do país. Paradoxalmente, a abertura para o investimento estrangeiro, na forma em que ela é feita no Brasil, pode estar contribuindo para diminuir o volume de comércio exterior do país.
A política industrial do governo vai na contramão da integração do País ao comércio mundial. Tarifas elevadas sobre bens de produção. Barreiras difíceis de transpor aos serviços importados complementares à produção industrial.
Ausência de acordos comerciais com os principais parceiros no primeiro mundo. Requisitos exagerados de conteúdo local, que aumentam os custos da indústria. Preferências excessivas para compras do governo no mercado local. A lista poderia continuar.
Mas há esperança que essa política de avestruz possa ser revertida no futuro próximo. A esperança vem de três constatações incontornáveis.
A primeira é o desempenho econômico pífio no último quadriênio, em que houve uma diminuição de 2% na produtividade total do trabalho e do capital. Os “pibinhos” não se deveram à falta de demanda, pois há pleno emprego. Também não foi por falta de capital, pois o investimento apesar de baixo esteve dentro da média histórica. O que houve foi a destruição da produtividade pelas políticas econômicas introvertidas e intervencionistas do último quadriênio.
Em segundo lugar, corremos o risco de nos isolar ainda mais do mundo. Além do Acordo do Transpacífico, está em curso a proposta de um amplo entendimento comercial entre os EUA e a União Europeia. Esses acordos nos deixarão à margem dos principais mercados mundiais.
Em terceiro lugar, há o escândalo da Petrobrás. À parte de suas implicações éticas e políticas, esse escândalo desvenda o extraordinário potencial de corrupção de uma política industrial fundada no monopólio estatal, na reserva de mercado e nos requisitos exagerados de conteúdo nacional.
O Brasil está numa encruzilhada. Ou mantemos o protecionismo e continuamos a retroceder como ocorreu nos últimos quatro anos. Ou nos integramos ao resto do mundo e contemplamos a possibilidade de nos tornar um país plenamente desenvolvido.
* Edmar Bacha é sócio fundador e diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Como perder gordura abdominal

O abdominal queima a gordura da barriga?

Gordura localizada na barriga - foto: Getty Images
Ir à academia perder a barriga para o verão parece não ser uma tarefa complicada. Para ficar com a barriga definida basta fazer abdominais, certo? Errado. Além do sobe e desce do tronco, é preciso acabar com a camada de gordura que se acumulou na parte abdominal. "O abdominal busca o fortalecimento e a tonificação dos músculos, e não a redução dessa gordura localizada, algo que é muito sutil nesse tipo de exercício", explica o educador físico Ivaldo Larentis, personal trainer. Para eliminá-la, o ideal é apostar em exercícios aeróbicos, como a caminhada e a corrida. Os abdominais devem ser parte de um treino mais completo para queimar a gordura e deixar os músculos da barriga tonificados.

Fazer abdominais antes de emagrecer faz enrijecer a capa de gordura da barriga em vez de endurecer os músculos?

Abdominal - foto: Getty Images
Como você viu, os abdominais não são os melhores exercícios para derreter a gordura localizada na barriga. No entanto, isso não significa enrijecimento da gordura ou dificuldade em perder a barriguinha. Ao contrário, músculos fortes melhoram a circulação sanguínea na região, melhorando o metabolismo local e, por consequência, a queima da gordura. Mas esse como dito acima esse processo é muito discreto com os abdominais, para eliminar a gordura localizada só mesmo associando abdominais e exercícios aeróbicos.

Abdominais deixam a barriga chapada?

Barriga chapada - foto: Getty Images
Para conquistar aqueles gominhos marcados no abdômen só mesmo com muito exercício para fortalecer, entre eles está o abdominal. "Isso porque o que marca o tanquinho é o músculo forte sob a pele", explica o educador físico Marcelo Fonseca, da Cia. Athletica. Mas para resultados completos o melhor mesmo é associar exercícios de fortalecimento com exercícios aeróbicos. Já que quanto menor a camada de gordura na região mais aparentes ficarão os músculos sob a pele.

Abdominal diminui a gordura interna da barriga?

Abdominal - foto: Getty Images
Como disse Ivaldo Larentis, os abdominais são ótimos exercícios para fortalecer os músculos da barriga, mas não removem a gordura localizada. Tampouco a gordura visceral, aquela que fica entre os órgãos como fígado, rins e coração. A melhor forma de diminuir este tipo de gordura é investir no controle do peso e praticar exercícios regularmente, principalmente os aeróbicos, como caminhada, corrida e natação.

Abdominal gasta calorias e ajuda a emagrecer?

Medida abdominal - foto: Getty Images
 Segundo o educador físico Marcelo Fonseca, o abdominal até gera um gasto calórico, mas essa perda é muito pequena. Para quem que emagrecer e de quebra deixar os músculos da barriga trincados, a dica do especialista é apostar em exercícios físicos que incluam tonificação da musculatura e trabalho aeróbico. É por isso que a série clássica nas academias conta com exercícios na esteira ou bicicleta, seguidos de exercícios de musculação e abdominais. Outros exemplos para enrijecer os músculos são o treinamento funcional e ainda os exercícios com ketllebell, uma novidade que está ganhando espaço nas academias brasileiras.

Marcelo explica ainda que os exercícios abdominais isolados têm como foco o fortalecimento muscular e não a queima calórica, por esse motivo eles são feitos por pouco tempo. "A prática de abdominais dura por no máximo 15, 20 minutos, enquanto uma corrida ou caminhada pode ser feita por uma, duas horas", explica. "Você pode até fazer abdominais por mais tempo e garantir um gasto calórico alto, mas seu músculo entrará em fadiga e sofrerá lesões". Além disso, o gasto calórico ainda varia de pessoa para pessoa: quem está começando perde mais calorias e quem já está condicionado perderá menos.

Abdominal ajuda a corrigir a postura?

Abdominal - foto: Getty Images
Parte da musculatura abdominal compõe a região do core - uma espécie de cinturão que compreende também músculos das regiões lombar, pélvica e do quadril - cuja principal ação é estabilizar o corpo de uma maneira geral. Por fortalecer a região do abdômen, o exercício ajuda na estabilização e manutenção da postura corporal. "Além disso, o ajuste da postura - gerado pelo fortalecimento da musculatura - ajuda a disfarçar a barriguinha", explica Marcelo Fonseca.

Qualquer abdominal fortalece a barriga por completo?

Abdominal - foto: Getty Images
Também é preciso variar os tipos de abdominal para ter uma barriga bem definida por completo. "Cada tipo de abdominal trabalha uma parte da barriga. Desde o clássico até o feito com as pernas elevadas, todos têm um benefício para um músculo determinado da barriga", conta Ivaldo Larentis. O educador físico Marcelo explica:

- Para fortalecer os músculos abdominais oblíquos (mais para o lado da barriga): faça exercícios com o tronco girando, com o cotovelo direito apontando para o joelho esquerdo e vice-versa;

- Para fortalecer o músculo reto abdominal (a parte frontal da barriga): faça o abdômen básico;

- Para fortalecer o músculo infra-abdominal (a parte inferior da barriga): invista na elevação das pernas com o tronco na horizontal e levemente flexionado.

- Para fortalecer a musculatura mais profunda do abdômen: invista na prancha no chão (com o tronco paralelo ao chão, de barriga para baixo, apoiado nos antebraços e pontas dos pés).

Quanto mais abdominais melhor?

Abdominais - foto: Getty Images
Segundo o educador físico Marcelo Fonseca, é melhor investir na qualidade que na quantidade. "Vale mais a pena fazer 30 abdominais variadas - tirando um ou os dois pés do chão, alterando a posição das mãos e dos braços, etc. - do que fazer 100 abdominais básicos", explica. Além disso, apostar num número muito alto de abdominais pode sobrecarregar a coluna, principalmente os discos intervertebrais, causando dor e até hérnias a longo prazo.

Abdominais têm que ser feitos todos os dias

Abdominal - foto: Getty Images
O ideal é que a musculatura tenha um tempo sem esforço. Ivaldo Larentis conta que os exercícios abdominais não devem ser feitos todos os dias, principalmente se for feita uma grande quantidade. E mesmo se os tipos de abdominais forem alternados, uma vez que em cada modalidade um músculo será mais exigido, mas os demais músculos abdominais também são exercitados. Segundo ele, essa atitude pode sobrecarregar a musculatura, causando dores e lesões que prejudicam o programa de exercícios. A musculatura precisa de, no mínimo, 24 horas de descanso para se recuperar e gerar a adequada tonificação. "Normalmente, pessoas que tentam fazer todos os dias com pressa de ficar com a barriga definida passam semanas lesionadas", explica.

O poder, o dinheiro e as brases

a18
Artigo para O Estado de S. Paulo de 13/12/2014
A divulgação, pelo juiz Moro, da existência de “uma planilha de controle de 750 obras do governo com informações sobre preços e construtores que o doleiro Youssef descreve como ‘clientes’”, veio dar substância ao que Paulo Roberto Costa dissera quando afirmou que “o que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro”.
É verdade que da desfaçatez à amplitude do saque, tudo no PT se tem mostrado hiperbólico nesse departamento. Mas o fato é que, guardadas as proporções, “o que acontece na Petrobrás” acontece onde quer que andem misturados poder político e poder econômico como mostrou a Economist, em reportagem que, partindo da Petrobras, mostrou que quase todas as empresas estatais que restam no mundo são antros de escândalos onde centenas de bilhões têm sido rapinados por políticos inescrupulosos e seus “operadores” privados, especialmente em países sem defesas democráticas como China, Russia, Índia e Brasil.
a00
Nenhuma surpresa.
As razões para isso são eternas. Poder é capacidade de impor obediência. E sendo assim o poder é tanto mais poder quanto mais exclusivo for. É em função desse incoercível viés hegemônico intrínseco ao significado do conceito que o poder corrompe sempre e corrompe absolutamente quando é absoluto.
A certa altura, para evitar que seguisse apoiado exclusivamente na força, que foi como tudo começou, tentou-se opor-se-lhe um código definindo os limites em que o poder pode ou não ser imposto ao próximo. Mas este foi sempre um arranjo insuficiente posto que quem detem a força armada necessária para impor o Direito é o mesmo ente que detem o poder político, o que abre mil caminhos para a perversão desse aparato.
Só uma força igual e contrária exercendo organicamente pressão constante sobre o sistema pode moderar o poder com alguma eficácia.
a000
Política e dinheiro, ainda que por vertentes diferentes, são os dois instrumentos que proporcionam poder de impor obediência ao próximo. O poder tem, portanto, uma natureza dual e só se torna absoluto quando as duas acumulam-se nas mesmas mãos. E elas andaram juntas, uma potencializando a outra e as duas a serviço da ambição e do fausto de uns poucos à custa da servidão e da miséria de muitos por tantos milênios que na maior parte do mundo são confundidas como uma só e a mesma coisa.
Onde quer que poder político e poder econômico não tenham sido constrangidos a separar-se e tornar-se independentes um do outro, estabeleceu-se um jogo de cartas marcadas: só tem dinheiro quem tem poder político e só tem poder político quem tem dinheiro. E onde o dono da polícia é o mesmo dono do dinheiro passa a valer qualquer forma de se obter uma coisa e a outra, o que foi, paulatinamente, apagando as fronteiras entre a política e o crime organizado.
A maior conquista da humanidade deu-se no momento em que "Nós, o povo", rebelado, decidiu definir com precisão o que é uma coisa e o que é a outra, proibir a propriedade cruzada das duas e contrapor uma à outra, tomando o cuidado de condicionar o acesso ao poder político ao expresso consentimento do súdito a ser periodicamente aferido por voto universal e secreto, o que fez dele um “cidadão”, e o acesso ao poder do dinheiro exclusivamente ao esforço individual e ao merecimento, criminalizando sua aquisição por interferência política ou qualquer outra via espúria.
a00000
A história da humanidade não é mais que a história da servidão até esse momento a partir do qual passou a haver não apenas uma esperança de superá-la mas, principalmente, um método prático para conseguí-lo ao menos até certo ponto.
A separação do poder político do poder econômico e a estruturação de um para opor-se ao outro é o fundamento essencial da democracia. Uma coisa não existe sem a outra. Não é uma solução perfeita porque para nada que esteja vivo ha soluções perfeitas, mas é um arranjo melhor que todos os anteriores. É por terem, os dois, o impulso hegemônico na essência de sua natureza que eles são tão eficazes para moderarem-se mutuamente.
Condicionar a aquisição de poder econômico ao esforço individual, sem a mediação do privilégio distribuído pelo detentor do poder político, resolve dois problemas: o de restringir o poder do Estado exclusivamente ao seu sentido positivo, restrito ao território delimitado pelo Direito e periodicamente legitimado pelo cidadão, e liberar a força criativa da sociedade para resolver seus problemas produzindo riqueza, o que é um corolário da liberdade individual que 20 burocratas, por mais iluminados que sejam, não podem substituir por um “planejamento” centralizado.
a0000
Mas cria um terceiro ao aumentar o grau de autonomia do poder econômico. Tendo o mesmo DNA do poder político, também ele precisa ser vigiado por esse novo Estado blindado contra os conflitos e tentações inerentes à participação direta no jogo econômico e fiscalizado por dois outros poderes independentes para ser coibido na sua obsessão pela acumulação e pela exclusão à qual se entregará com a força de sua própria natureza sempre que isto lhe for permitido. Nem mesmo o mérito, portanto, justifica a competição sem limites que deságua nos monopólios, irmãos menores do totalitarismo, porque eles pervertem todo o sistema e invadem o espaço da liberdade individual.
A corrupção brasileira não é, portanto, um bem “cultural” a ser “tombado” como querem todos quantos se acostumaram com a impunidade. É a consequência necessária da insistência na mistura de papéis que milênios de sangue, suor e lágrimas recomendam estritamente separar. A doença que está matando o PT (e o Brasil) é a mesma que corroeu o regime militar e levou à morte o socialismo real. Cabe à oposição em processo de reconciliação consigo mesma retroceder do retrocesso a que nos empurrou o “lulismo” quando reverteu a retirada que o Brasil ia empreendendo do buraco estatizante em que nos tinham metido os militares para que possamos alcançar o mundo civilizado na obra de saneamento básico da moralidade pública que consiste essencialmente em desmisturar o poder político do poder econômico.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Medo da Felicidade

Todos têm medo da felicidade, diz psiquiatra Flávio Gikovate
Comentários 10

Heloísa Noronha
Do UOL, em São Paulo
Compartilhe192566
Imprimir Comunicar erro
  • Renato Stockler/Divulgação
    "O medo da felicidade é, de fato, o medo de perder a felicidade", diz Gikovate "O medo da felicidade é, de fato, o medo de perder a felicidade", diz Gikovate

Com mais de 45 anos de carreira, o psiquiatra e psicoterapeuta Flávio Gikovate, de São Paulo (SP), já atendeu mais de 9.000 pacientes. Esse número, segundo ele, se estende a 20.000, se forem contabilizados os ouvintes que têm suas dúvidas respondidas no programa "No Divã do Gikovate", que vai ao ar aos domingos, às 21h, na rádio CBN.
A experiência lhe rendeu a convicção de que todo mundo teme a felicidade e costuma sabotá-la. Autor de mais 30 livros, Gikovate lançou, recentemente, "Mudar – Caminhos para a Transformação Verdadeira" (MG Editores), no qual aborda a dificuldade de abandonar hábitos –entre os quais aqueles que nos impedem de alcançar objetivos– e a importância do autoconhecimento para mudar atitudes e pensamentos.
Em entrevista ao UOL Comportamento, o psiquiatra esmiúça os mecanismos do medo, que paralisa as conquistas, e fala como é possível modificar o modo de agir.

UOL: Você costuma dizer que todo mundo tem medo da felicidade. Por que uma estimativa tão alta?
Flávio Gikovate: Porque esse medo tem relação com o que nos aconteceu no ato de nascer, pelo qual todos passamos: estávamos em harmonia no útero, uma espécie de "paraíso", e dali fomos expulsos na hora do parto. Assim, nascer é uma transição para pior, pois passamos a estar expostos a dores, sensações de desamparo. Parece que se forma um tipo de condicionamento: sempre que estamos próximos de um estado de harmonia e felicidade, tememos o risco de uma nova ruptura, agora a da morte ou da perda de pessoas amadas.
Parece que o risco de tragédia aumenta quando estamos próximos da felicidade, o que não é fato, mas é como sentimos. Aliás, todo pensamento supersticioso tem a ver com isso: quando estamos bem, batemos na madeira para afastar os maus fluidos. Assim, o medo da felicidade é, de fato, o medo de perder a felicidade e o que temos de melhor, como se esse risco aumentasse à medida que nos aproximamos da harmonia.

UOL: O medo tem a ver com o receio da mudança e a dificuldade em abandonar hábitos antigos? Isso significa que somos comodistas por natureza?
Gikovate: Podemos ter medo de mudanças, mas isso não está relacionado apenas com o medo da felicidade. Abandonar hábitos antigos quase sempre implica a perda de um padrão de comportamento que também nos traz algum alívio para a ansiedade ou depressão.
Mesmo os mais inesperados, como automutilação, parecem ter a ver com a redução da ansiedade. Quem rói as unhas, por exemplo, sabe muito bem que esse ato funciona como ansiolítico. Não somos comodistas por natureza, mas temos medo do sofrimento e nos afastamos dos hábitos, compulsões e vícios que tanto nos confortam quando as perdas passam a ser maiores do que os ganhos. Talvez sejamos "matemáticos" por natureza.

UOL: Podemos dizer que o medo provoca uma espécie de autossabotagem? 
Gikovate: Sabotamos a nós mesmos quando chegamos perto de atingir nossos desejos. Um bom exemplo é o do emagrecimento: quando o regime alimentar é bem-sucedido e a pessoa está chegando à silhueta desejada, surge uma tendência forte para que ela relaxe e volte a comer demais, recuperando o peso perdido. A autossabotagem faz parte do medo do sucesso, que é uma das versões do mesmo medo da felicidade. Quando as coisas vão bem, sentimos medo em vez de gratidão.

UOL: Ao longo da vida ficamos mais medrosos? Ao alcançarmos objetivos, o medo se torna mais presente? Por exemplo: medo de morrer depois de ter filhos ou de voar de avião depois de agendar a viagem dos sonhos.
Gikovate: Não é que vamos ficando com mais medo. Ficamos mais próximos da felicidade que sonhamos e, aí, temos a sensação que ela atrai uma tragédia iminente. Temos a impressão de que o avião cai com mais facilidade quando vamos fazer a viagem dos sonhos do que quando estamos indo para um evento triste: um funeral, por exemplo. E isso não é verdadeiro. Porém, é como sentimos em função do reflexo condicionado que se estabeleceu a partir do "trauma do nascimento", expressão que é o título de um livro do psicanalista austríaco Otto Rank (1884-1939).

São muitos os métodos existentes para tratar a psique humana. Em comum, todos eles têm a comunicação verbal como principal recurso de tratamento, é a cura pela fala. Mas para que a terapia seja eficaz, é preciso que o paciente se identifique com o que está sendo proposto. Assim, fica mais fácil lidar com os incômodos do processo (que, em muitos momentos, demanda aprofundar-se na dor para aliviar problemas emocionais). Para ajudá-lo a acertar na escolha do especialista, o UOL Comportamento explica, a seguir, as principais características de diferentes tipos de psicoterapia. Consultoria: Aurélio de Melo, psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Ana Merzel, coordenadora do serviço de psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein e autora do livro "Psicoterapias: Abordagens Atuais" (Editora Artmed). Por Marina Oliveira e Suzel Tunes, do UOL, em São Paulo Jeff/UOL

UOL: O medo também tem a ver com crenças limitadoras? Quais?
Gikovate: O medo é parte dos processos instintivos relacionados com a autopreservação, com os cuidados que devemos ter para nos defendermos de perigos reais. No passado, animais perigosos; no presente, ser atropelado, por exemplo. Acontece que, pela via dos reflexos condicionados e em decorrência de determinadas vivências traumáticas, desenvolvemos medos de situações que não são tão perigosas, como é o caso do avião. Chamamos isso de "fobias": medo daquilo que não deveria, em condições normais, nos assustar. Medo de leão é medo justo; medo de barata é fobia. Nosso psiquismo é extraordinário e nos ajuda em muitos aspectos, porém, pode nos perturbar.

UOL: O medo de errar é um dos piores medos?
Gikovate: Sim. É muito ruim porque acovarda a pessoa e a impede de experimentar o que é novo. O risco de erro está presente em todo experimento, mas ele corresponde ao mesmo caminho que nos leva a acertar, a avançar e progredir. Aprendemos com os erros e com os acertos. Quem não arrisca, fica estagnado. A boa tolerância a frustrações e contrariedades, a chamada boa resiliência, é condição fundamental para o crescimento pessoal, profissional, sentimental e moral de todos nós.

UOL: Falar que os outros colocam olho gordo nas nossas conquistas é uma maneira de, se as coisas derem errado, atribuir a culpa a terceiros?
Gikovate: É um processo de projeção: atribuímos a outra pessoa uma parte da nossa própria subjetividade. Temos, dentro de nós, forças construtivas e destrutivas. Essas últimas se ativam mais quando estamos muito felizes. É fato, também, que a felicidade pode incomodar a um bom número de pessoas que, por comparação, se sentirão por baixo, revoltadas com a hostilidade sutil típica da inveja. Porém, penso que os atos destrutivos que costumamos praticar são da nossa própria autoria e existiriam da mesma forma se não houvesse a inveja. E como ela coexiste com nossos bons momentos, podemos, facilmente, atribuir a ela um processo que nos pertence.

UOL: Para mudar hábitos e a si mesmo, o que é mais importante? Foco, disciplina ou não se abater pelas recaídas?
Gikovate: Tudo é importante e muito difícil. É preciso foco, disciplina e boa tolerância aos fracassos. Muitas pessoas não têm essa tolerância. Para elas, mudar é ainda mais difícil. É preciso se empenhar e conhecer o melhor possível a si mesmo, seus sentimentos e emoções, mesmo os nobres, e como funciona sua mente. Convém que saibamos quais os nossos pontos fracos e quais são nossos dons maiores.
Depois de tudo, saber muito bem o que se quer mudar, para onde mudar. Aí, se faz um plano, um projeto e, o mais importante: temos que tratar de executá-lo. As mudanças só acontecem quando abandonamos a teoria e partimos para a ação. Ninguém se cura do medo de avião em um consultório; nele se conversa sobre porque ele surgiu e como enfrentá-lo. Mas a pessoa terá que entrar no avião, sofrer os medos correspondentes e, aos poucos, ir se livrando desse tipo de condicionamento psíquico nocivo. Tudo tem que acontecer aos poucos, com firmeza e paciência, porque esses processos podem durar mais do que gostaríamos. É muito raro que uma pessoa consiga mudar de um dia para o outro.
UOL: Todo mundo é capaz de mudar?
Gikovate: Quase todo mundo. Existem algumas pessoas por demais intolerantes a sofrimento e dor que não conseguem nem se imaginar em situações em que terão de enfrentar adversidades. Essas não mudam.

UOL: Como criar filhos mais corajosos para a vida? O que os pais devem evitar para que as crianças não sejam ou se tornem medrosas?
Gikovate: A intensidade do medo é, segundo acredito, um atributo inato, variável de pessoa para pessoa. Os pais têm que ajudar as crianças a desenvolver a coragem, ou seja, a força racional necessária para que os medos irracionais sejam enfrentados. Isso se consegue em parte pelo exemplo e, em parte, estimulando as crianças a vivenciarem dificuldades, dores, adversidades inerentes à nossa condição.
Nada de superprotegê-las, pois isso as enfraquece. Todos têm de aprender a lidar com docilidade com as contrariedades e frustrações próprias da vida. Isso é mais fácil para os que já nascem mais condescendentes e mais difícil para os mais revoltados. Porém, todos têm de chegar lá, pois a vida não irá poupar uma pessoa apenas porque ela blasfema e grita quando contrariada.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

glúten



http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/smflogo.gif
Bem-vindo, Visitante. Por favor faça o Login ou Registe-se.
Julho 30, 2012, 02:20:53
HomeAjudaPesquisaLoginRegiste-se







http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/topic/normal_post.gif
Autor


*José Roberto
Moderador
Entendido
****





http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/post/question.gif
Glúten
« : Outubro 17, 2006, 12:48:36 »


Glúten. Este é o novo vilão que deve ser banido do cardápio em nome da saúde e da boa forma. Há tempos que médicos e nutricionistas sabem que o glúten, uma substância encontrada no trigo, no centeio, na cevada e na aveia , transforma-se numa espécie de cola ao chegar no intestino e gruda nas paredes intestinais, provocando, aos poucos, saturação do aparelho digestivo, o aumento da gordura visceral (na região do abdômen), dores articulares, alergias cutâneas, enxaqueca e depressão.

O perigo se agravou devido ao consumo excessivo de pães, biscoitos, macarrão, bolos. Até alguns queijos e embutidos contêm o agora maldito glúten. Os resultados já aparecem nos consultórios de nutrólogos, alergistas e nu­tricionistas: obesidade, síndrome de resistência à insulina, deficiência de cálcio (o trigo vem sempre adicionado de açúcar), alergias, diarréias, doenças auto-imunes. O nutrólogo João Curvo diz que, para os chineses, o excesso de glúten no organismo é sinal de má higiene interna: o metabolismo emperra, favorecendo bactérias que gostam de calor e estagnação. A pediatra e nutróloga Clara Brandão, do Mi­nistério da Saúde, premiada por suas alter­nativas para a mesa brasileira, defende o que chama de nossa "soberania alimentar": mandioca, milho e arroz no lugar do trigo im­portado, que faz tanto mal. E, se abolir o glúten ajuda a emagrecer, a "dieta sem glúten" virou febre nas academias. Agora, pães de aipim e de milho, macarrão de arroz e cookies de soja são as novas "delícias" dos supermercados.

GRAÇAS AO SÚBITO DESEJO DA FILHA LOUISE DE EMAGRECER,

a família de César Hasky, dono do restaurante japonês Ten Kai, em Ipanema, descobriu as maravilhas da vida sem glúten. A mãe, Rina, ao levar a filha ao nutricionista Leonardo Haus também adotou a reeducação alimentar que consiste em evitar saturação do metabolismo provocada pelo excesso de glúten no intestino. A surpresa veio quando mãe e filha começaram facilmente a emagrecer e até César, que não estava de dieta, adotou os pães de aipim, de abóbora e de cenoura, encomendados na rede Mundo Verde ou no restaurante Celeiro:

- A barriga vai sumindo, você fica mais leve. Eu não imaginava que o glúten fizesse tanto mal. E você vive muito bem sem o trigo. Pode comer pães e bolos gostosos sem glúten de manhã ou à tarde, sem sofrimento algum - diz Rina.

O nutricionista Leonardo Haus recomenda um período de três meses de dessensibilização ao glúten, no qual não se pode comer trigo, centeio, cevada ou aveia, os quatro cereais que contêm a substância. Depois, segundo ele, é possível comer esporadicamente sem risco de danos:

- Essa é a idéia da reeducação alimentar. Você pode comer um pãozinho, mas o excesso pode alterar todo o seu metabolismo, baixar a imunidade do organismo e levar a doenças. Mas é bom lembrar que nem todo obeso tem essa intolerância alimentar.

Intestino sem glúten produz serotonina e gera alegria

A guerra contra o pão e o macarrão já começou também na escolinha de vôlei das jogadoras Sandra e Elaine, no Leblon. Atletas do ranking brasileiro de vôlei de praia, elas proíbem as alunas que querem emagrecer de comer pão depois das 17h. As atletas aprenderam com seus médicos que, no entardecer, o metabolismo vai ficando na­turalmente mais lento e a digestão daquele trigo ficará ainda mais difícil.

O pãozinho terá muito mais chances de virar gordura - e abdominal!

- Não proibimos o pão, mas, se puderem evitar, principalmente à noite, é melhor. Isso não significa que não podemos comer um macarrão depois de um treino. Pode, mas não toda hora. O excesso não é metabolizado e vira gordura - explica Sandra.

- Eu, às vezes, não resisto. Vou à padaria Rio-Lisboa e como três pães franceses quentinhos de uma vez. E com muita manteiga! Mas só de vez em quando e escondido de meu técnico. No dia a dia, evito o pão e me sinto mais leve e bem disposta. O ideal é comer sempre frutas e saladas - diz Elaine.

Se banir o pão foi secando a barriga das mulheres, a nova onda chegou instantaneamente às academias de ginástica. A academia Velox, por exemplo, oferece saladas que há muito tempo fazem parte dos lanches dos atletas. Leves, nutritivas e de baixa caloria. As redes Body Tech e Pró-Forma também seguem o exemplo. É um incontrolável efeito dominó. Se uma mulher seca abolindo o glúten, centenas de outras vão fazer o mesmo para secar também. E não faltam receitas sem glúten. A quituteira anúglúten gaúcha Paula Santos oferece dezenas no site
www.riosemgluten.com.

Um dos segredos da nova dieta é não desanimar diante de um pão de aipim com a consistência de uma pedra portuguesa. Há bons fabricantes de produtos sem glúten e outros nem tanto. Leonardo Haus indica os pães sem glúten produzidos em Santa Catarina, vendidos na rede Mundo Verde e no restaurante Fontes, em Ipanema, ou ainda os de fabricação própria do restaurante Celeiro, no Leblon. Os novos alimentos sem glúten já estão nas prateleiras dos supermercados: macarrão de arroz, cookies de soja, bolos de cenoura.

Para a clínica Eliana Correa, com pós-graduação em medicina ortomolecular, depois do período de dessensibilização, pode-se até comer glúten de vez em quando, mas, segundo ela, a pessoa se sente tão bem que passar a evitar o alimento, como ela própria e suas três filhas:

- Quem sofreu a vida inteira com enxaqueca por causa de intolerância ao glúten não vai querer mais comer o alimento porque sabe que voltará a se sentir mal. Aí vem a pergunta clássica: Mas eu vou comer o quê? Eu, por exemplo, como batata-doce no café da manhã. Iode-se comer aipim, tapioca, pães sem glúten. A variedade é imensa e os benefícios, ainda maiores. Eu, que brigava tanto com o leite e seus efeitos alérgicos, descobri que o glúten é muito pior.

Eliana faz em seus pacientes exames de sangue que detectam alergias que não causam efeito imediato, mas vão minando o metabolismo e são chamadas por isso de alergias retardadas. O sangue colhido dos pacientes é enviado para laboratórios nos Estados Unidos, que dosam intolerância a 96 alimentos. O exame custa R$ 900. No Brasil, os só há exames para 37 alimentos que causam apenas alergias imediatas (quando o paciente passa mal imediatamente).

Outra maneira de acelerar a vida sem glúten é a colonterapia. Trata-se de uma lavagem do intestino grosso, feita por um aparelho que, durante 40 a 50 minutos, faz circular de 40 a 50 litros de água no intestino, provocando uma limpeza geral. Segundo o endocrinologista homeopata José Geraldo Rosa Gonçalves, o glúten que fica grudado nas paredes intestinais, estagnando o metabolismo, baixando a imunidade e promovendo a absorção de toxinas pode sair totalmente em quatro a seis sessões de R$ 220 cada, que incluem uma oxigenação do intestino depois da limpeza. Para pessoas com constipação crônica, ele recomenda em média dez sessões, duas vezes por semana:

- Um alimento normal leva 18 horas da mastigação até ser eliminado pelo reto. O glúten leva 26 horas. O excesso vai retendo cada vez mais toxinas no organismo e promovendo a disbiose, que é a alteração da flora normal, com fermentação, retenção de líquidos. É o começo de uma série de doenças articulares, auto-imunes e até depressão.

Depois da colonterapia, o intestino volta a produzir serotonina, o neurotransmissor que garante a alegria.

- A pessoa se sente tão feliz que passa naturalmente a rejeitar o glúten como antes - diz.

GOSTOSO E IRRESISTÍVEL, O PÃO FRANCÊS QUENTINHO

Com a manteiga derretendo pode ser maldito para quem não quer engordar. Mas proibido mesmo, só para portadores da doença celíaca, uma intolerância de origem genética ao glúten que provoca distúrbios gastrintestinais, diarréias violentas e até morte. No Brasil, em estimativas imprecisas, a doença atinge um em cada 300 brasileiros. Uma delas é Ane Benati, de 39 anos, que, entre os sete irmãos, tem outros três e uma sobrinha celíacos. Ela viu suas irmãs gêmeas definharem por 20 anos em busca de um diagnóstico e, há dez anos, uma delas, Raquel Benati, quase morreu com 39 quilos para o seu 1,70m, quando enfim descobriu que era celíaca.

- Foi só tirar o glúten e minha irmã parecia que tinha tomado fermento. Engordou e ficou boa rapidamente. Pensei que ela ia morrer. Fiz logo o exame e vi que eu também era celíaca, embora não tivesse ainda sintomas graves. Porque antes de acabar com o intestino, a doença pode provocar baixa metabólica, diabetes, hipertireoidismo e até epilepsia - diz ela, que, por conta da doença, sugere pratos deliciosos sem glúten para o cardápio do restaurante Cais do Oriente, do namorado Markos Resende, no Centro.

- Ultimamente como lá uma lasanha de vegetais feita com folhas e palmitos naturais no lugar da massa e atum grelhado - diz Ane.

Hoje "curada" ao banir o glúten da dieta, Raquel é presidente da seção Rio da Associação dos Celíacos do Brasil e diz que o diagnóstico ainda é um problema:

-A medicina ainda desconhece essa doença. Estima-se hoje que no Rio haja 35 mil celíacos, mas só mil com diagnóstico. Os outros 25 mil estão passando mal pelos hospitais, nas filas das gastrites, das diarréias crônicas, das enxaquecas, das dores articulares sem cura. Eu penei 20 anos até descobrir a doença, mas o médico da Associação de Celíacos, o gastropediatra José César Junqueira, alerta que uma simples gastrite já é indicação para os exames que detectam a doença.

Excesso de glúten gera intolerância também em pessoas normais

Os exames de sangue de detectam a doença celíaca são os de antitransglutaminase e antiendomísio, mas, segundo Raquel, ainda não estão incluídos no Sistema único de Saúde (SUS), tampouco são aceitos por alguns planos de saúde. Na Europa, onde a doença celíaca tem uma incidência maior devido ao alto consumo de trigo, há uma infinidade de alimentos sem glúten, mas no Brasil os produtos sem glúten só agora começam a aparecer.

- O mercado está crescendo porque as pessoas normais também estão com intolerância devido ao excesso do consumo de trigo.

Se o glúten é proibido para os celíacos, os normais não precisam ser tão ortodoxos. É possível comer um pãozinho, duas ou três vezes por mês e não sentir mal-estar algum, segundo o nutrólogo João Curvo:

- Os leigos que se observam percebem a relação entre o excesso de trigo e o aumento do volume abdominal, excesso de gases, dores articulares, dores de cabeça e peso nos pés. Quando ocorre a saturação de glúten no intestino, a absorção dos nutrientes piora e a pessoa começa a apresentar queixas. Essa intolerância vai minando o sistema imunológico e vão surgindo as alergias cutâneas, a psoríase e as artrites. Tudo depende da quantidade do consumo.

Teresa Sá, por exemplo, mulher do estilista Tufi Duek, da Fórum, não é celíaca, mas teve um problema vascular, que, depois de muitos exames, descobriu que era intolerância ao trigo:

- Eu como massa, mas tenho consciência que depois tenho que fazer um processo de desintoxicação, sem comer glúten durante quatro ou cinco dias.

Para a pediatra e nutróloga Clara Brandão, do Ministério da Saúde, a mudança dos hábitos alimentares dos brasileiros nos últimos anos, com a troca de alimentos saudáveis e orgânicos nacionais como a mandioca, o milho e o inhame pela farinha de trigo refinada importada, porém, já começa a causar doenças também em pessoas não celíacas. Ela lembra que 80% dos brasileiros vivem nas periferias urbanas comendo pão com margarina e macarrão. Os de maior poder aquisitivo adicionam o queijo, o salame e o presunto, que, segundo ela, contêm aditivos químicos que comprometem a saúde:

- Nós temos que reforçar nossa soberania alimentar. Nós comíamos o fubá, a tapioca, o milho, muito mais nutritivos que o trigo, importado e nocivo. Temos estoques reguladores de arroz lotados, mas a merenda escolar leva trigo todos os dias. Está havendo uma saturação do metabolismo da população em geral devido a uma alimentação equivocada.

Esta tendência à intolerância alimentar e às doenças subseqüentes, segundo Clara Brandão, começam no primeiro ano de vida, quando a criança começa a comer pão, biscoito e macarrão:

- Uma criança de 7 ou 8 anos já sabe fazer sozinha o miojo, que já vem com um veneno no saquinho para o molho. Aquilo tem glutamato de soja, que altera a química cerebral e é uma substância tóxica. Fora isso, hoje ninguém mais janta, come um sanduíche. Se temos um alimento orgânico, como a mandioca, muito mais nutritivo e mais barato que o trigo, e que fixa o produtor na terra, o que estamos esperando para mudar essa situação?

O profissional de marketing Fábio Quinei, de 26 anos, já começou há um mês a banir o glúten, cortando o pão e o macarrão para ganhar mais disposição e malhar mais. Ele e Larissa Munck, ambos alunos da academia Velox, no Humaitá, trocaram o pão pela salada e pelas frutas:

-O glúten prejudica a absorção dos nutrientes e, em um mês de dieta, dá
para notar uma boa secada. Há também um corte no açúcar porque os doces contêm glúten. Isso é o pior, porque adoro doces. Mas troquei doces por frutas.

Por Márcia Cezimbra


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/ip.gifRegistado

Dr. José Roberto C. Souza
Médico Clínico-Geral
Homeopata
Fabio
Curioso
*

Karma: 0
OfflineOffline

Mensagens: 4


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/post/xx.gif
Re: Glúten
« Resposta #1 : Outubro 30, 2006, 09:22:14 »


Boas,

A alergia ao gluten tem relação com o tipo sanguíneo O, de acordo com "A Dieta do Tipo Sanguíneo", desenvolvida pelo Dr. Peter J. D. Adamo. É o tipo sanguíneo que determina certas susceptibilidade a certos alimentos e doenças.

Qual a vossa opinião a respeito deste estudo do Dr. Peter Adamo?


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/ip.gifRegistado
José Roberto
Moderador
Entendido
*****

Karma: 0
OfflineOffline

Mensagens: 71


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/post/xx.gif
Re: Glúten
« Resposta #2 : Outubro 31, 2006, 01:17:19 »


Embora minha experiencia com a dieta do tipo sanguíneo seja (ainda) limitada, a intolerância do tipo "o" ao trigo é indiscutível. Todos os meus pacientes com esse tipo sanguíneo que fizeram restrição a ele, tiveram uma considerável melhoria nas condições de saúde, com diminuição de sensibilidades alérgicas, perda de peso, diminuição de edema e da circunferência abdominal. Aliás, não apenas os do tipo "o", mas todas as pessoas deveriam experimentar suspender o trigo e alimentos com gluten durante cerca de 4 semanas e observarem como se sentem. Após esse período reintroduzir um deles por vez e observar suas reações, pois a sensibilidade ao gluten é muito mais frequente do que imaginamos.
J.Roberto


http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/ip.gifRegistado

Dr. José Roberto C. Souza
Médico Clínico-Geral
Homeopata

Páginas: [1] Ir para o Topo
Imprimir 

100% Natural  |  Nutrição  |  Dieta  |  Tópico: Glúten


Parte superior do formulário
Ir para:  
Parte inferior do formulário
http://100xnatural.com/forum/Themes/classic/images/blank.gif

Parte superior do formulário


Login com Nome de Utilizador, Password e Duração da Sessão
Parte inferior do formulário

Powered by MySQLPowered by PHP
100% Natural | Powered by SMF 1.0.7.
© 2001-2004,
Lewis Media. Todos os Direitos Reservados.
XHTML 1.0 Válido!CSS Válido!