sábado, 14 de dezembro de 2013

o acordo com o Irã e a hegemonia dos EUA

O acordo com o Irã e a hegemonia dos EUA

09 de dezembro de 2013 | 2h 07

SERGIO AMARAL - O Estado de S.Paulo
As reuniões da madrugada de 25 de novembro em Genebra, entre o chamado P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) e o Irã, para a conclusão de um acordo sobre o programa nuclear iraniano ainda darão muito o que falar. O entendimento alcançado é frágil e ambíguo. Na verdade, limita-se ao congelamento por seis meses de atividades de enriquecimento de urânio, ante um alívio parcial nas sanções impostas ao Irã, num montante de cerca de US$ 4,2 bilhões por mês.
A diferença entre o êxito e o fracasso dependerá, entre outras condições, da capacidade de operacionalizar cláusulas complexas de verificação pela Agência Internacional de Energia Atômica. O objetivo da moratória é criar as condições para a negociação de um acordo mais abrangente, capaz de impedir o acesso do Irã à arma nuclear. Não obstante as dificuldades à frente, que são muitas, o plano aprovado sinaliza um novo caminho. Se tiver êxito, mais do que um simples entendimento tópico com o Irã sobre a extensão do seu programa nuclear, poderá representar um passo significativo para a reestruturação da governança mundial, sob a égide de uma nova hegemonia norte-americana.
O acordo com o Irã é a reafirmação do multilateralismo e da ONU. É o fortalecimento do regime internacional de não proliferação nuclear, que já parecia fadado ao fracasso. É a fixação de critérios objetivos, quantificáveis e verificáveis para o exercício do direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e, ao mesmo tempo, o fechamento da porta - que a Índia foi a última a transpor - para o acesso consentido ao restrito clube dos detentores da arma nuclear. Uma vez estabelecidos, os novos parâmetros tenderão a estender-se a todos os países que buscam dominar o ciclo da tecnologia nuclear, o Brasil incluído.
O palco para a negociação foi a ONU. Foram as sanções adotadas pelo Conselho de Segurança que levaram o Irã à mesa da negociação. Mas se a moldura é a da ONU, não é necessariamente a de um Conselho de Segurança reformado, como temos legitimamente defendido, e sim a de um arranjo informal P5+1, concebido para incluir a Alemanha. A reforma do Conselho de Segurança pode, assim, já estar em curso, de modo informal, tal como tem ocorrido com a constituição de diretórios ad hoc, em outros elos da nova governança mundial.
Ao unilateralismo de George W. Bush seguiu-se o multilateralismo de Barack Obama. A decisão solitária pelo recurso à força cedeu lugar a uma paciente ourivesaria política, ao diálogo e à negociação, com aliados e adversários. O novo não está na defesa retórica do multilateralismo, mas no compromisso de respeitá-lo e na demonstração de que pode funcionar. Assim, o desenho de uma nova governança mundial é ao mesmo tempo a reconstrução da hegemonia norte-americana, abalada pela crise econômica e pela desastrada política externa de Bush. Os contornos da nova hegemonia afirmam-se, com mais nitidez, no momento em que parece não haver candidato com condições ou com vontade para disputá-la.
A China segue o script da emergência pacífica, na economia antes, na política depois. Essa visão, que se tornou a doutrina oficial da diplomacia chinesa, ajudou a abafar os ruídos provocados pelos deslocamentos que a China continua a introduzir na economia mundial. Favoreceu o reconhecimento da necessidade de um novo tipo de relacionamento entre grandes potências, consagrado pelo encontro Xi Jinping-Obama, de junho passado. Beijing apoia o fortalecimento do regime de não proliferação nuclear, mas de maneira discreta. Joga ao mesmo tempo a carta do Conselho de Segurança e a dos Brics. Mas os seus interesses estratégicos estão mais na mesa da negociação P5+1 do que nas cúpulas dos Brics.
A Rússia teve a sua visibilidade restaurada, ainda que temporariamente, pela contribuição que deu ao compromisso da eliminação das armas químicas na Síria. Mas, tanto quanto a China, não tem interesse no descarrilamento do processo de não proliferação, que preserva o seu papel privilegiado de potência nuclear.
A Europa compartilha a preocupação com o eventual acesso do Irã ao armamento nuclear e não teve hesitação em conceder aos Estados Unidos a liderança no processo, até mesmo simbolicamente, pois foi Obama que anunciou os termos do novo acordo. A Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, apesar das dificuldades inerentes a um projeto tão ambicioso, explicita a vontade de ambos os lados do Atlântico de partilhar uma mesma visão estratégica e construir uma poderosa aliança econômica neste cenário em profunda transformação.
O deslocamento do eixo estratégico do Oriente Médio para a Ásia, do Atlântico para o Pacífico, sinaliza a sintonia da diplomacia norte-americana com as novas realidades econômicas e geopolíticas do mundo global. É o reconhecimento de que alguns conflitos regionais terão uma duração mais longa que o esperado e, exceto no caso do Irã, não afetam, necessariamente, interesses estratégicos dos Estados Unidos. A prioridade para a Ásia já é uma realidade no plano militar e um projeto em construção no plano econômico, pela via de várias parcerias transpacíficas. A nova hegemonia está, por fim, lastreada pela retomada da economia, sob o impulso da revolução do gás de xisto, que não apenas reduz a dependência da energia importada, mas estimula a reindustrialização do país.
É bem verdade que a formação de um condomínio global ampliado, com o ingresso da China e, em certa medida, de outros países emergentes, implica objetivamente uma perda do poder relativo dos Estados Unidos. Mas também é verdade que o desenho multipolar em construção reserva à potência norte-americana a posição de um polo central e hegemônico da nova ordem.
DIPLOMATA, É DIRETOR DO CENTRO DE ESTUDOS AMERICANOS DA FAAP

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

o que fazer para combater e evitar a celulite

a publicação em be Onofre

O que você pode fazer para combater a celulite

by Drogaria Onofre
Celulite é um assunto que nenhuma mulher gosta de falar, mas todas querem saber mais a respeito, por isso, para quem ainda tem as suas dúvidas, nós vamos esclarecer.
A celulite acontece devido à inflamação das células gordurosas, que incham reagindo ao acúmulo do excesso de gordura no organismo. Como sofre um aumento, o tecido gorduroso comprime as veias e os vasos linfáticos, o que gera um edema e o deixa mais volumoso, prejudicando a circulação, dando início aos primeiros sinais.
 celulite
Além de se tornar um problema estético para as mulheres, a celulite pode ser uma indicadora de que o acúmulo de gordura nas células precisa de atenção. Como é dividida por graus, basta fazer um diagnóstico a olho nu para entender se o caso é leve, moderado ou grave, porém, antes que isso aconteça, há formas de prevenir o seu surgimento, poupando que o corpo e a autoestima passem por isso.
Existem hábitos e mudanças que podem combater, prevenir e até mesmo dar um fim às celulites, mas é preciso que haja muita disciplina para executa-los:
Cuidado com a retenção de líquido: A retenção de líquido é um fator que favorece o surgimento da celulite. Evitar o sal e caprichar na ingestão de água é a maneira mais fácil de garantir que isso não acontecerá.
Atenção à balança: Sabemos que não há uma forma perfeita, nem magra e nem gorda, cada um deve se adaptar ao seu biótipo e ser a favor da sua saúde, porém, controlar o peso extra é uma forma de prevenir a celulite e evitar o acúmulo de gordura.
Alimentação do bem: Ingerir os alimentos certos faz toda a diferença, nutrir o nosso organismo é o primeiro passo para manter-se saudável, por dentro e por fora.
Praticar exercícios físicos: Os exercícios físicos proporcionam mudanças corporais em todos os aspectos, além de tornear, definir e manter a saúde em dia, os que são focados nas pernas, possuem um grande valor contra as celulites. Opte por exercícios como step, esteira, jump, corrida, caminhada e ginástica rítmica.
Tratamentos estéticos: Atualmente existem muitos tratamentos estéticos, como a drenagem linfática, que fazem toda a diferença quando aplicados sobre as celulites. Aliar os cuidados aos produtos certos também garante eficácia, atualmente há produtos que tratam a celulite de fora para dentro, melhorando o aspecto da pele e tornando-a ainda mais saudável.
Em nosso site você encontra uma grande variedade de produtos contra a celulite, clique aqui e conheça todos!
Conquistar um corpo perfeito é se sentir linda e saudável, por dentro e por fora.
Para quem quer abusar do biquíni nesse verão.
be Onofre, be Complete.

domingo, 17 de novembro de 2013

Onde está o basil nesses vários brasis?




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Onde está o Brasil nesses vários 'Brasis'?

16 de novembro de 2013 | 2h 13

OLIVEIROS S. FERREIRA - O Estado de S.Paulo
Muitos terão esboçado um sorriso, poucos terão entendido o grito de dor de João Ubaldo Ribeiro em sua crônica de 3/11: "Não tem essa besteira de Brasil-Brasil-Brasil, isto é coisa para os iludidos de minha marca, que agora estão abrindo os olhos. Agora tem o Brasil das mulheres e o Brasil dos homens (...) o Brasil dos negros, o Brasil dos brancos (...) o Brasil dos evangélicos e o Brasil dos católicos (...) e nem sei quantas categorias, tudo é dividido direitinho e entremeado de animosidades, todo mundo agora dispõe de várias categorias para odiar. (...) esquece esse negócio de Brasil, não tem mais nada disso!".
João Ubaldo está nos dizendo que aquilo chamávamos de sociedade brasileira deu lugar a tantas corporações quantos sejam os que, minimamente organizados, têm alguma influência sobre os que são tidos como formadores de opinião. Influência que se transforma em poder, para reclamar tratamento distinto do que recebem os milhões que compõem o corpo eleitoral - os cidadãos.
Se é possível esquecer, hoje, "esse negócio de Brasil", é porque o ovo da serpente foi posto nas florestas, nos sertões e nas cidades há muito tempo, antes mesmo que cedêssemos à sedução do mercado e aceitássemos que "grana não tem nacionalidade" - a partir do momento em que não se cuidou de superar as servidões da infraestrutura e se permitiu que houvesse vários Brasis: o do Norte, o do Nordeste, o do Centro-Oeste, o do Sudeste e o do Sul. Eram Brasis distintos, e tão distintos continuam hoje que ilustre autoridade militar declarou, em entrevista, que o Norte é colonizado!
Não se culpem, porém, apenas as infraestruturas pelo progressivo desaparecimento da ideia de Brasil. O descaso com as comunicações que permitiriam o contato frequente e duradouro entre as populações - umas influenciando outras, as mais adiantadas do ponto de vista da Civilization puxando as outras para a Kultur - tem raízes no isolamento, mas também no regionalismo. Boa parte dos que orgulhosamente pertencem ao escol culto tem sua cota de responsabilidades na destruição da ideia do Brasil, vale dizer do Estado brasileiro. Nossa História passou a não ter grandeza - grandeza alguma! Os que fundaram o Império são vistos até hoje como indivíduos não só estúpidos, como sem etiqueta alguma no trato social. Não importa que dom Pedro I tenha dado ao País uma Constituição que durou mais de 40 anos com uma única emenda, revogada quando ficou claro que a unidade do Estado estava em jogo. A Guerra do Paraguai não decorreu de uma invasão do território nacional - foi feita pelo Brasil a mando da Inglaterra! Outras tantas atitudes foram tomadas por pressão dos norte-americanos. Seria de estranhar que um País sem História, sem brasileiros, portanto, sem consciência de Brasil, fosse hoje não um Estado, mas a reunião de corporações? É de estranhar que não saiamos da crise, se todos nossos males são sempre dados como efeito da índole da raça e dos interesses externos?
Não apenas a infraestrutura e a destruição da História nos conduziram ao grito de dor que João Ubaldo emitiu. É preciso ver que a serpente pôde vir ao mundo - ao nosso mundo político e social - quando deixamos de ser cidadãos e passamos a ser membros de uma categoria: metalúrgicos, bancários, comerciários, jornalistas, nem sei mais quê. Consagrou-se a corporação como a reunião de indivíduos com interesses distintos dos demais e sem coisa alguma que os unisse uns aos outros, a não ser o mero interesse imediato. Quando se criou o PT, nada mais se fez que seguir o caminho corporativo - basta ver a distinção semântica e política entre "Partido Trabalhista" e "Partido dos Trabalhadores" para entender o processo. E atentar para a divisão das bancadas no Congresso Nacional: os ruralistas, os evangélicos, os verdes, os que não se dão nomes, mas votam corporativamente. Ao nos identificarmos como membros de uma categoria, deixamos de ser cidadãos e passamos a ser apenas indivíduos ligados por laços de interesse curto, ainda que vil. Não nos projetamos, nem no tempo nem no espaço.
Há mais! Um olhar, superficial que seja, a Mannheim permite compreender que a sociedade e o Estado corporativos - porque o Estado é hoje também uma corporação - mataram a Política, e não mais conseguimos ver-nos como cidadãos de um Estado nacional. Que diz Mannheim? Que a Política se faz naquele reino das condutas que não são reguladas administrativamente pelo poder de Estado. É um reino imenso. Sendo campo em que as ações são livres, é no confronto que os diferentes grupos darão asas à imaginação para criar condições que permitam resolver o conflito. Não é jogo de soma zero. É jogo cujas regras são feitas no seu desenrolar - com maior ou menor agressividade, mais ou menos astúcia, maior ou menor consciência dos fins, das alianças e dos compromissos a serem feitos e até da necessidade de parar a ação. Essa é a natureza e a razão de ser da Política!
O Estado Novo, criando os sindicatos sustentados pelo Imposto Sindical e organizados em categorias, matou o jogo da Política nas relações de trabalho, já que as tornou regidas por atos administrativos, não políticos. O jogo é hoje de curto alcance porque os interesses a defender são estritamente imediatos e mediados pelo Estado. Essa relação medíocre foi levada aos partidos políticos, que se organizam como corporação e a agravam "resolvendo" problemas sociais com "bolsas" ou prebendas administrativas.
As crises de junho mostraram a falência do Estado e que, não tendo os governos impedido a presença do crime organizado no território, a ideia do Brasil perece. Porque a ideia de Estado - que não é o mesmo que a ideia de corporação, a de algo relativo a uma "categoria" - morreu.
PROFESSOR DA USP E DA PUC-SP, É MEMBRO DO GABINETE E OFICINA DE LIVRE PENSAMENTO ESTRATÉGICO. SITE: WWW.OLIVEIROS.COM.BR



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Programa de DESINTOXICAÇÃO

Programa de desintoxicação
Desintoxicar, o nome já diz: é limpar, eliminar toxinas do organismo nutrindo-o e energizando-o, o que ajuda no processo de emagrecimento. Esse processo se dá devido a ingestão de fibras as quais devem ser ricas em vitaminas e minerais que também irão contribuir para a diminuição dos radicais livres, o responsável pelo envelhecimento.

Dessa forma você irá adequar o seu organismo as suas necessidades diárias sem excessos e dando ao seu corpo os nutrientes necessários! Quando começar a se animar, escolha um dia da semana para sair do sério, o que vai acontecer é que o próprio organismo, com o tempo, não aceitará mais nenhum tipo de alimento gorduroso e ai é que você começa a emagrecer.
Então para começar, escolha um período de 15 dias e durante esse período elimine queijos gordurosos, frituras, refrigerantes, café, chá preto, carne vermelha, cereais refinados como arroz branco, farinha e açúcar branco. Depois desses 15 dias, escolha 1 dia e volte a comer os alimentos que você eliminou. Provavelmente você vai passar mal e nunca mais vai querer voltar a comer tanta besteira!
Para dar uma forcinha extra fizemos algumas pesquisas, nos baseamos no que nós duas temos o costume de comer e chegamos a um cardápio que vai te ajudar a se manter na linha e emagrecer de uma forma saudável! Mas lembre-se que se você quiser algo personalizado é muito importante procurar um nutricionista! Lembre-se também que as refeições a seguir devem ter um intervalo de 3 horas de uma para outra, assim você estará ajudando o seu corpo a manter o seu metabolismo acelerado! Vamos ao cardápio?

CAFÉ DA MANHÃ
1. Abacaxi ou mamão – contém enzimas digestivas;
2. Cereais integrais – farelo de aveia, linhaça, granola, frutas secas (damasco ao ameixa), nozes, amêndoas, castanha do Pará (são ricos em cromo e auxiliam na remoção da gordura ruim aumentando o HDL, colesterol bom;
3. Iogurte natural desnatado ou o Iogurte da Nestlé Grego, recém lançado aqui no Brasil;
4. Mel ou açúcar mascavo.
3 horas depois: Lanche da manhã
1. Frutas ao natural ou 1 barra de cereal.
ALMOÇO
1. Saladas – bem colorida e sem repetir as cores amarela varie as cores;
2. Legumes ao vapor regado ao azeite extra virgem;
3. Arroz ou macarrão integral;
4. Peixe grelhado ou atum em lata sem óleo;
5. Suco de limão.
LANCHE DA TARDE
1. Iogurte natural desnatado com cereais;
2. Frutas;
3. Barrinhas de cereais naturais e sem conservantes.
JANTAR
1. Suco de uva 1 copo não muito cheio ou 1 taça de vinho (ambos são riquíssimos em bioflavóides, que protegem as artérias contra a oxidação;
2. À noite dê preferência aos legumes verdes (brócolis, vagem, abobrinha, couve, espinafre…);
3. Queijo minas ou ricota;
4. Pão integral – rico em fibras e responsável pelo bom funcionamento intestinal.
CEIA
1. Uma castanha do Pará + uma maçã ou uma fruta de sua preferência.
Mais algumas dicas:
1. Regue sempre as refeições com azeite Extra Virgem, escolha o que tiver acidez máxima abaixo ou igual a 5% e o vidro escuro;
2. Se desejar coloque sobre as saladas gergelim torrado ou semente de girassol, fica mais crocante.Tome chá de centelha asiática, ou boldo ou carqueja, são diuréticos e auxilia na digestão;
3.Tome limonada, o limão é rico em vitamia C e potássio e tem pouquíssima calorias;
4. Em caso de fome antes das 3 horas permitidas coma uma gelatina diet.
Fonte de informação: Alguns trechos foram tirados do Livro Reeducção Alimentar – Joselaine Silva

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

The Devolution of the Seas (a involução dos mares)

The Devolution of the Seas

The Consequences of Oceanic Destruction
The old man of the sea: the fringed blenny, photographed near Japan.
The old man of the sea: the fringed blenny, photographed near Japan. (Alexander Semenov / Science Photo Library)
Of all the threats looming over the planet today, one of the most alarming is the seemingly inexorable descent of the world’s oceans into ecological perdition. Over the last several decades, human activities have so altered the basic chemistry of the seas that they are now experiencing evolution in reverse: a return to the barren primeval waters of hundreds of millions of years ago.
A visitor to the oceans at the dawn of time would have found an underwater world that was mostly lifeless. Eventually, around 3.5 billion years ago, basic organisms began to emerge from the primordial ooze. This microbial soup of algae and bacteria needed little oxygen to survive. Worms, jellyfish, and toxic fireweed ruled the deep. In time, these simple organisms began to evolve into higher life forms, resulting in the wondrously rich diversity of fish, corals, whales, and other sea life one associates with the oceans today.
Yet that sea life is now in peril. Over the last 50 years -- a mere blink in geologic time -- humanity has come perilously close to reversing the almost miraculous biological abundance of the deep. Pollution, overfishing, the destruction of habitats, and climate change are emptying the oceans and enabling the lowest forms of life to regain their dominance. The oceanographer Jeremy Jackson calls it “the rise of slime”: the transformation of once complex oceanic ecosystems featuring intricate food webs with large animals into simplistic systems dominated by microbes, jellyfish, and disease. In effect, humans are eliminating the lions and tigers of the seas to make room for the cockroaches and rats.
The prospect of vanishing whales, polar bears, bluefin tuna, sea turtles, and wild coasts should be worrying enough on its own. But the disruption of entire ecosystems threatens our very survival, since it is the healthy functioning of these diverse systems that sustains life on earth. Destruction on this level will cost humans dearly in terms of food, jobs, health, and quality of life. It also violates the unspoken promise passed from one generation to the next of a better future.
Humans are eliminating the lions and tigers of the seas to make room for the cockroaches and rats.
LAYING WASTE
The oceans’ problems start with pollution, the most visible forms of which are the catastrophic spills from offshore oil and gas drilling or from tanker accidents. Yet as devastating as these events can be, especially locally, their overall contribution to marine pollution pales in comparison to the much less spectacular waste that finds its way to the seas through rivers, pipes, runoff, and the air. For example, trash -- plastic bags, bottles, cans, tiny plastic pellets used in manufacturing -- washes into coastal waters or gets discarded by ships large and small. This debris drifts out to sea, where it forms epic gyres of floating waste, such as the infamous Great Pacific Garbage Patch, which spans hundreds of miles across the North Pacific Ocean.
The most dangerous pollutants are chemicals. The seas are being poisoned by substances that are toxic, remain in the environment for a long time, travel great distances, accumulate in marine life, and move up the food chain. Among the worst culprits are heavy metals such as mercury, which is released into the atmosphere by the burning of coal and then rains down on the oceans, rivers, and lakes; mercury can also be found in medical waste.
Hundreds of new industrial chemicals enter the market each year, most of them untested. Of special concern are those known as persistent organic pollutants, which are commonly found in streams, rivers, coastal waters, and, increasingly, the open ocean. These chemicals build up slowly in the tissues of fish and shellfish and are transferred to the larger creatures that eat them. Studies by the U.S. Environmental Protection Agency have linked exposure to persistent organic pollutants to death, disease, and abnormalities in fish and other wildlife. These pervasive chemicals can also adversely affect the development of the brain, the neurologic system, and the reproductive system in humans.
Then there are the nutrients, which increasingly show up in coastal waters after being used as chemical fertilizers on farms, often far inland. All living things require nutrients; excessive amounts, however, wreak havoc on the natural environment. Fertilizer that makes its way into the water causes the explosive growth of algae. When these algae die and sink to the sea floor, their decomposition robs the water of the oxygen needed to support complex marine life. Some algal blooms also produce toxins that can kill fish and poison humans who consume seafood.
The result has been the emergence of what marine scientists call “dead zones” -- areas devoid of the ocean life people value most. The high concentration of nutrients flowing down the Mississippi River and emptying into the Gulf of Mexico has created a seasonal offshore dead zone larger than the state of New Jersey. An even larger dead zone -- the world’s biggest -- can be found in the Baltic Sea, which is comparable in size to California. The estuaries of China’s two greatest rivers, the Yangtze and the Yellow, have similarly lost their complex marine life. Since 2004, the total number of such aquatic wastelands worldwide has more than quadrupled, from 146 to over 600 today.
TEACH A MAN TO FISH -- THEN WHAT?
Another cause of the oceans’ decline is that humans are simply killing and eating too many fish. A frequently cited 2003 study in the journal Nature by the marine biologists Ransom Myers and Boris Worm found that the number of large fish -- both open-ocean species, such as tuna, swordfish, and marlin, and large groundfish, such as cod, halibut, and flounder -- had declined by 90 percent since 1950. The finding provoked controversy among some scientists and fishery managers. But subsequent studies have confirmed that fish populations have indeed fallen dramatically.
In fact, if one looks back further than 1950, the 90 percent figure turns out to be conservative. As historical ecologists have shown, we are far removed from the days when Christopher Columbus reported seeing large numbers of sea turtles migrating off the coast of the New World, when 15-foot sturgeon bursting with caviar leaped from the waters of the Chesapeake Bay, when George Washington’s Continental army could avoid starvation by feasting on swarms of shad swimming upriver to spawn, when dense oyster beds nearly blocked the mouth of the Hudson River, and when the early-twentieth-century American adventure writer Zane Grey marveled at the enormous swordfish, tuna, wahoo, and grouper he found in the Gulf of California.
Today, the human appetite has nearly wiped those populations out. It’s no wonder that stocks of large predator fish are rapidly dwindling when one considers the fact that one bluefin tuna can go for hundreds of thousands of dollars at market in Japan. High prices -- in January 2013, a 489-pound Pacific bluefin tuna sold for $1.7 million at auction in Tokyo -- make it profitable to employ airplanes and helicopters to scan the ocean for the fish that remain; against such technologies, marine animals don’t stand a chance.
Nor are big fish the only ones that are threatened. In area after area, once the long-lived predatory species, such as tuna and swordfish, disappear, fishing fleets move on to smaller, plankton-eating fish, such as sardines, anchovy, and herring. The overexploitation of smaller fish deprives the larger wild fish that remain of their food; aquatic mammals and sea birds, such as ospreys and eagles, also go hungry. Marine scientists refer to this sequential process as fishing down the food chain.
The problem is not just that we eat too much seafood; it’s also how we catch it. Modern industrial fishing fleets drag lines with thousands of hooks miles behind a vessel, and industrial trawlers on the high seas drop nets thousands of feet below the sea’s surface. In the process, many untargeted species, including sea turtles, dolphins, whales, and large sea birds (such as albatross) get accidentally captured or entangled. Millions of tons of unwanted sea life is killed or injured in commercial fishing operations each year; indeed, as much as a third of what fishermen pull out of the waters was never meant to be harvested. Some of the most destructive fisheries discard 80 to 90 percent of what they bring in. In the Gulf of Mexico, for example, for every pound of shrimp caught by a trawler, over three pounds of marine life is thrown away.
As the oceans decline and the demand for their products rises, marine and freshwater aquaculture may look like a tempting solution. After all, since we raise livestock on land for food, why not farm fish at sea? Fish farming is growing faster than any other form of food production, and today, the majority of commercially sold fish in the world and half of U.S. seafood imports come from aquaculture. Done right, fish farming can be environmentally acceptable. But the impact of aquaculture varies widely depending on the species raised, methods used, and location, and several factors make healthy and sustainable production difficult. Many farmed fish rely heavily on processed wild fish for food, which eliminates the fish-conservation benefits of aquaculture. Farmed fish can also escape into rivers and oceans and endanger wild populations by transmitting diseases or parasites or by competing with native species for feeding and spawning grounds. Open-net pens also pollute, sending fish waste, pesticides, antibiotics, uneaten food, diseases, and parasites flowing directly into the surrounding waters.
Tangled up in blue: an Antarctic fur seal caught in a fishing net, South Georgia Island.
Tangled up in blue: an Antarctic fur seal caught in a fishing net, South Georgia Island. (Yva Momatiuk & John Eastcott / Minden Pictures / Corbis)

DESTROYING THE EARTH’S FINAL FRONTIER Yet another factor driving the decline of the oceans is the destruction of the habitats that have allowed spectacular marine life to thrive for millennia. Residential and commercial development have laid waste to once-wild coastal areas. In particular, humans are eliminating coastal marshes, which serve as feeding grounds and nurseries for fish and other wildlife, filter out pollutants, and fortify coasts against storms and erosion.
Hidden from view but no less worrying is the wholesale destruction of deep-ocean habitats. For fishermen seeking ever more elusive prey, the depths of the seas have become the earth’s final frontier. There, submerged mountain chains called seamounts -- numbering in the tens of thousands and mostly uncharted -- have proved especially desirable targets. Some rise from the sea floor to heights approaching that of Mount Rainier, in Washington State. The steep slopes, ridges, and tops of seamounts in the South Pacific and elsewhere are home to a rich variety of marine life, including large pools of undiscovered species.
Today, fishing vessels drag huge nets outfitted with steel plates and heavy rollers across the sea floor and over underwater mountains, more than a mile deep, destroying everything in their path. As industrial trawlers bulldoze their way along, the surfaces of seamounts are reduced to sand, bare rock, and rubble. Deep cold-water corals, some older than the California redwoods, are being obliterated. In the process, an unknown number of species from these unique islands of biological diversity -- which might harbor new medicines or other important information -- are being driven extinct before humans even get a chance to study them.
Relatively new problems present additional challenges. Invasive species, such as lionfish, zebra mussels, and Pacific jellyfish, are disrupting coastal ecosystems and in some cases have caused the collapse of entire fisheries. Noise from sonar used by military systems and other sources can have devastating effects on whales, dolphins, and other marine life. Large vessels speeding through busy shipping lanes are also killing whales. Finally, melting Arctic ice creates new environmental hazards, as wildlife habitats disappear, mining becomes easier, and shipping routes expand.
IN HOT WATER
As if all this were not enough, scientists estimate that man-made climate change will drive the planet’s temperature up by between four and seven degrees Fahrenheit over the course of this century, making the oceans hotter. Sea levels are rising, storms are getting stronger, and the life cycles of plants and animals are being upended, changing migration patterns and causing other serious disruptions.
Global warming has already devastated coral reefs, and marine scientists now foresee the collapse of entire reef systems in the next few decades. Warmer waters drive out the tiny plants that corals feed on and depend on for their vivid coloration. Deprived of food, the corals starve to death, a process known as “bleaching.” At the same time, rising ocean temperatures promote disease in corals and other marine life. Nowhere are these complex interrelationships contributing to dying seas more than in fragile coral ecosystems.
The oceans have also become more acidic as carbon dioxide emitted into the atmosphere dissolves in the world’s water. The buildup of acid in ocean waters reduces the availability of calcium carbonate, a key building block for the skeletons and shells of corals, plankton, shellfish, and many other marine organisms. Just as trees make wood to grow tall and reach light, many sea creatures need hard shells to grow and also to guard against predators.
On top of all these problems, the most severe impact of the damage being done to the oceans by climate change and ocean acidification may be impossible to predict. The world’s seas support processes essential to life on earth. These include complex biological and physical systems, such as the nitrogen and carbon cycles; photosynthesis, which creates half of the oxygen that humans breathe and forms the base of the ocean’s biological productivity; and ocean circulation. Much of this activity takes place in the open ocean, where the sea and the atmosphere interact. Despite flashes of terror, such as the Indian Ocean earthquake and tsunami of 2004, the delicate balance of nature that sustains these systems has remained remarkably stable since well before the advent of human civilization.
But these complex processes both influence and respond to the earth’s climate, and scientists see certain recent developments as red flags possibly heralding an impending catastrophe. To take one example, tropical fish are increasingly migrating to the cooler waters of the Arctic and Southern oceans. Such changes may result in extinctions of fish species, threatening a critical food source especially in developing countries in the tropics. Or consider that satellite data show that warm surface waters are mixing less with cooler, deeper waters. This reduction in vertical mixing separates near-surface marine life from the nutrients below, ultimately driving down the population of phytoplankton, which is the foundation of the ocean’s food chain. Transformations in the open ocean could dramatically affect the earth’s climate and the complex processes that support life both on land and at sea. Scientists do not yet fully understand how all these processes work, but disregarding the warning signs could result in grave consequences.
A WAY FORWARD
Governments and societies have come to expect much less from the sea. The base lines of environmental quality, good governance, and personal responsibility have plummeted. This passive acceptance of the ongoing destruction of the seas is all the more shameful given how avoidable the process is. Many solutions exist, and some are relatively simple. For example, governments could create and expand protected marine areas, adopt and enforce stronger international rules to conserve biological diversity in the open ocean, and place a moratorium on the fishing of dwindling fish species, such as Pacific bluefin tuna. But solutions will also require broader changes in how societies approach energy, agriculture, and the management of natural resources. Countries will have to make substantial reductions in greenhouse gas emissions, transition to clean energy, eliminate the worst toxic chemicals, and end the massive nutrient pollution in watersheds.
These challenges may seem daunting, especially for countries focused on basic survival. But governments, international institutions, nongovernmental organizations, scholars, and businesses have the necessary experience and capacity to find answers to the oceans’ problems. And they have succeeded in the past, through innovative local initiatives on every continent, impressive scientific advances, tough environmental regulation and enforcement, and important international measures, such as the global ban on the dumping of nuclear waste in the oceans.
So long as pollution, overfishing, and ocean acidification remain concerns only for scientists, however, little will change for the good. Diplomats and national security experts, who understand the potential for conflict in an overheated world, should realize that climate change might soon become a matter of war and peace. Business leaders should understand better than most the direct links between healthy seas and healthy economies. And government officials, who are entrusted with the public’s well-being, must surely see the importance of clean air, land, and water.
The world faces a choice. We do not have to return to an oceanic Stone Age. Whether we can summon the political will and moral courage to restore the seas to health before it is too late is an open question. The challenge and the opportunity are there.

domingo, 3 de novembro de 2013

sob nova orientação

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Sob nova orientação

03 de novembro de 2013 | 2h 19
JOÃO UBALDO RIBEIRO - O Estado de S.Paulo
Talvez a tarde amena e clara, que se firmou depois de uns chuvisquinhos matinais, tenha contribuído para a placidez quase silenciosa, então reinante entre os frequentadores do boteco. Nenhuma novidade. O pessoal do cânter, já disposto nas mesas mais próximas da calçada, apreciava, com animação discreta, a passagem de moças e senhoras indo e vindo da praia, "potrancas esplendorosas, cujo baloiçar de ancas sublimes transporta o homem aos píncaros do delírio erótico, ai se eu pudesse dar uma alisadinha em cada uma", no dizer arrebatado do doutor Amoroso, que não por acaso ostenta este cognome. Em mesas bem próximas, Dick Primavera, diante de um notebook e três celulares, harmonizava, com a desenvoltura costumeira, seus múltiplos afazeres comerciais com o atendimento à extensa rede de admiradoras, sempre em busca de alguns minutos de seu tempo; Coração de Leão descrevia em minúcias seus mais recentes achaques, que incluem quase todas as doenças do catálogo médico que ele sempre consulta; doutor Leo Bom Gogó anunciava que vai puxar dois sambas e uma marchinha no próximo carnaval e ainda dispunha de um dia livre na agenda.
Tudo, portanto, na mesma de sempre, com a importante exceção da ausência, já pelo terceiro domingo consecutivo, do sempre aguerrido comandante Borges. Andaria, talvez, às voltas com o aperfeiçoamento do notório Plano Borges? Envolvera-se em algum duelo, dos muitos para os quais desafiara os insolentes? Ainda se dedicava a estudar os prós e contras da forca e da guilhotina, como métodos de combate à corrupção na vida pública?
- Nada disso - disse ele, com um risinho maroto, depois de cumprimentar todos individualmente e beijar com elegância as mãos das senhoras. - Eu tirei um tempo para namorar, tinha até esquecido como é, perdi ritmo de jogo. E eu sou velho, mas ainda tenho mercado, não envergonho.
- Mas que grande notícia! Vai trazer a namorada aqui, para apresentar?
- Não, não vou, já desisti, a degenerescência é total.
- A degenerescência? As mulheres...
- Não quero entrar em detalhes, os detalhes são inúmeros e de ordem muito diversa. Por exemplo, eu tenho posição firmada e fundamentada, quanto a essa questão dos pelos pubianos. Parece besteira, mas não é, é muito importante para a simbologia do amor, eu acho isso que está acontecendo uma irresponsabilidade muito séria, estão mexendo com a sobrevivência da espécie.
- Mas não há um certo exagero nisso? Quer dizer...
- Não pode raspar tudo e fazer plástica! Descaracteriza toda a área, como se fosse a casa da mãe Joana, aquilo ali não é qualquer lugar, pense bem, é patrimônio da Humanidade! É muito pior que construção sem licença ambiental, muitíssimo pior! Abala todo o inconsciente humano! Não pode! Não pode, é um crime! Chega! A testa é falsificada, o queixo é falsificado, a boca é falsificada, o pescoço é falsificado, os peitos são falsificados, a bunda é falsificada, as panturrilhas são falsificadas, as coxas são falsificadas e agora a zona básica de operações é falsificada! Não pode! Esse território é importante demais para ficar a cargo das mulheres, elas não entendem nada disso! Ainda mais essas mulheres irresponsáveis e inconsequentes, cujo primeiro gesto é patolar o indivíduo e cujo primeiro papo é sobre as preferências dela na cama! Todo mundo já viu todas as mulheres nuas, mostrando até as amídalas, não está certo! Não se pode aceitar uma coisa destas sem revolta! É caso de revolta popular! Revolta! Sedição! Fuzilamento! Às galés! Não pode, eu, eu...
- Calma, comandante, tome fôlego, olhe a apoplexia outra vez.
- Vocês me provocam. Não falo mais no assunto, sou um cavalheiro.
- É verdade. Acho que esta é a primeira vez em que você entrou aqui sem abordar os grandes problemas brasileiros.
- Ah, isso é passado. Esse negócio de falar no Brasil, me aborrecer à toa, não, isso é passado. Outro dia eu pensei e vi que não tem mais Brasil, a gente acha que tem porque se viciou, mas não tem mais. Veja esse rapaz sergipano que agora recusou a seleção brasileira e vai jogar pela Espanha. Você já pensou isso em 1960? Ele só não seria linchado porque todo mundo ia concluir que era um louco. Agora não, agora não tem mais país mesmo, não tem seleção como antes, todo mundo joga igual, não tem nem país do futebol, é tudo repetição besta, futebol aqui dá prejuízo, lá fora dá muito lucro e futebol é grana e grana não tem nacionalidade. Não tem essa besteira de Brasil-Brasil-Brasil, isso é coisa para os iludidos de minha marca, que agora estão abrindo os olhos. Agora tem o Brasil das mulheres e o Brasil dos homens até nos discursos das autoridades, o Brasil dos negros, o Brasil dos brancos e o Brasil dos pardos, o Brasil dos héteros e o Brasil dos gays, o Brasil dos evangélicos e o Brasil dos católicos, Brasil com bolsa família e Brasil sem bolsa família e nem sei mais quantas categorias, tudo dividido direitinho e entremeado de animosidades, todo mundo agora dispõe de várias categorias para odiar! A depender do caso, o sujeito está mais para uma delas do que para essa conversa de Brasil, esquece esse negócio de Brasil, não tem mais nada disso!
- Também não é assim, comandante. Lembre-se das manifestações.
- Por que é que eu vou me lembrar, se ninguém mais se lembra? Ninguém me pega com isso, já estou em outra. Agora estou escolhendo em qual dos Brasis vou ficar, não posso mais perder tempo.
- Já tem algum em vista?
- Já. O dos ladrões. Tem muita concorrência, mas é o que oferece mais futuro e segurança. Você entende alguma coisa de formação de quadrilha?

domingo, 27 de outubro de 2013

dez dicas para uma boa redação

Dez dicas para uma boa redação (não só no Enem)

1 Comment
Posted on 27/10/2013 by
Dica 1. Não inicie como quem não se dá importância. Por exemplo, “Muito se tem dito sobre …” ou “Não pretendo aqui exaurir o assunto …”. Também não inicie como quem vai explicar tudo que não vai fazer, isso é desanimador e pode não sobrar espaço para o que você vai fazer – ou iria fazer! Por exemplo: “Não se trata de…”. Inicie com elementos taxativos, curiosos, capazes de em uma fisgada levar o leitor a se engajar na leitura. Por exemplo, você vai escrever sobre pesquisa a respeito de água em Marte. Tendo ou não água em Marte, comece com algo do tipo “Há água em Marte. Pode haver vida …”. É claro que, em vários casos, terá de relativizar depois.
Dica 2. Não faça frases longas. Deixe isso para o Saramago (que eu não leio). Também não abuse no tamanho dos parágrafos. Há quem faça muitos parágrafos, usando aquele estilo que permite mesmo quase que uma frase em cada parágrafo. Esse estilo não é para qualquer um. Não aconselho.
Dica 3. Escreva com o seu repertório, com o seu vocabulário. Caso ele não seja rico, paciência. Escreva com o que tem, deixe para depois ler mais e adquirir um vocabulário maior. Não tente não repetir palavras, como a professora da escola básica ensinou. Pode repetir. O segredo é não repetir de um modo que, lendo em voz alta, você sinta que incomodou. Hoje em dia, por influência do inglês, repetimos mais do que no passado. Não gosto daquele truque de substituir Marx por “o autor de O Capital”, para não repetir o nome “Marx”. É um recurso infantil.
Dica 4. Escreva de uma vez só. Bem, ao menos a versão final, deve escrever de uma vez só. As paradas mudam o estilo da escrita, os tempos dos verbos etc. Somente escritores bem treinados pegam um texto que estava na gaveta há algum tempo e reiniciam no mesmo tom e estilo.
Dica 5. Não cite autores importantes para dizer coisas que você ou qualquer um pode dizer. Para usar uma frase ou um pequeno trecho de um autor, escolha algo que é relevante, algo que é original dele. Mas não cite por citar, o trecho utilizado deve vir por necessidade do texto.  Evite aquele estilo de tese velha (mesmo que esteja escrevendo algo parecido com tese), em que o autor prima por nunca escrever, apenas ir de citação em citação, de destaque em destaque.
Dica 6. Cuidado com os vícios gramaticais. Todos nós temos e todos nós, mesmo os profissionais da escrita, adquirirem outros mais tão logo corrigiram os que incomodavam. Há autores veteranos que, sabe-se lá por qual razão, começam a escrever com um ou dois erros e vão embora com isso. Corrigidos, ficam paralisados, não sabendo como que puderam cair naquele erro. É que não era um erro, ou melhor, era sim um erro, mas algo que se tornou um vício imperceptível.
Dica 7. Não abuse de vírgulas. Há regras para tal, mas se você foi bem alfabetizado, a melhor regra é a da respiração, que lhe dá a pausa “natural”. Leia em voz alta e então corrija as vírgulas.
Dica 8. Não escreva sobre o que não sabe. Escrever sobre o que não se sabe é um dom. Mas é um dom que chateia demais! Há pessoas que deixam a pena correr, que falam de tudo, mas não falam do assunto que escolheram. Afinal, o que tinham para dizer sobre aquele assunto cabia em um bilhete. Use o Twitter ou o Facebook em caso de ter apenas ideias esparsas. Texto bom é antes de tudo texto informativo sobre o assunto proposto. Isso também vale para o texto ficcional. Descrições de ambiente, divagações e outros recursos que antes chamávamos de “encher linguiça”, mostram um escritor vazio. Quando um tema geral lhe é desconhecido, e cai sobre sua cabeça como imposição, então você pode pensar sobre ele e encontrar em seu interior o modo de abordá-lo que lhe é conhecido, familiar. Pegue por aí.
Dica 9. Não faça do esquema “introdução-desenvolvimento-conclusão” uma camisa de força. Tal esquema é pobre, é realmente para quem não tem nenhuma experiência com a leitura e a escrita. Serve para quem realmente é um iniciante. Mas, logo que possa saia disso.
Dica 10. Saiba distinguir gêneros narrativos. Um ensaio tem semelhança com um artigo, mas não é um artigo. Uma tese é uma tese. Um aforismo é um aforismo. E por aí vai. Cuidado com isso. Muitos jovens só leem textos científicos, os de sua área de estudo, e não conseguem construir uma narrativa própria para “contar algo”. Aprenda a “contar uma história”, a “contar algo”. Lembre-se que pode sim escrever na primeira pessoa, alternando com a primeira do plural quando quiser engajar o leitor. Não é necessário escrever no impessoal, mesmo que seja filosofia!
Convite: terça feira, dia 29, na Livraria Martins Fontes da Av. Paulista (metrô Brigadeiro), a partir das 19 horas, venha para o lançamento do meu A nova filosofia da educação (Manole), escrito em parceria com a filósofa Susana de Castro (UFRJ).
Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Achados e perdidos 23102013

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Roberto Damatta
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Achados e perdidos


Roberto Damatta - O Estado de S.Paulo
Às vezes, eu sinto a angústia de um menino perdido numa multidão. Vivemos hoje no Brasil um período inusitado de estabilidade política permeada pelas superimposições promovidas pelo casamento entre hierarquias aristocráticas - que em todas as sociedades (e sobretudo na escravidão, como percebeu o seu teórico mais sensível, Joaquim Nabuco) têm como base a amizade e a simpatia pessoal; e o individualismo moderno relativamente igualitário que demanda burocracia e, com ela, uma impecável, abrangente e inatingível impessoalidade.
O hibridismo resultante pode ser negativo ou positivo. Pelo que capturo, o hibridismo - ou o mulatismo ético - é sempre mal visto porque ele não cabe no modo ocidental de pensar. Provam isso as Cruzadas, a Inquisição, o Puritanismo, as Guerras Mundiais, o Holocausto e a exagerada ênfase na purificação e na eugenia - na coerência absoluta entre gente, terra, língua e costumes, típicas do eurocentrismo. A mistura corre do lado errado e tende a derrapar como um carro dirigido por jovens bêbados quando saem da balada; ou da esquerda carismática-populista, burocrática e patrimonialista no poder.
Desconfio que continuamos divididos entre tipos de dominação weberiana e suas instituições. Fazer a lei e, sobretudo, preparar a sociedade para a lei, ou simplesmente prender? Chamar a polícia (que é, salvo as honrosas exceções, intensamente ligada aos bandidos e chefes do crime paradoxalmente presos) ou resolver pela "política"? Mas como fazê-lo se os "políticos" (com as exceções de praxe) estão interessados no desequilíbrio porque a estabilidade impede e dificulta a chegada ao "poder"? Poder que significa, além da sacralização pessoal, um imoral enriquecimento pelo povo e com o povo. Ademais, somente uma minoria acredita na política representada por instituições igualitárias e niveladoras.
Para ser mais preciso ou confuso, amamos a dominação racional-legal estilo germano-romana, mas não deixamos de lado nosso apreço infinito pela dominação carismática em todas as esferas sociais, inclusive na "cultura", como revela esse disparate de censurar biografias. Temos irrestrita admiração por todos os que usaram e abusaram da liberdade individualista nesse nosso mundinho relacional quando os perdoamos e não os criticamos, o que conduz a uma confusão trágica entre o uso da liberdade e o seu abuso irresponsável. Esses mimados pela vida e exaltados pelos amigos - os nossos maluquinhos - legitimam a ambiguidade que se consolida pelo pessoalismo do herói a ser lido pelo lado do direito ou do avesso. Esse avesso que, no Brasil, é confundido com a causa dos oprimidos num esquerdismo que tem tudo a ver com uma "ética da caridade" do catolicismo balizador e historicamente oficial. Com isso, ficamos sempre - como dizia aquele general-ditador - a um passo do abismo. Andar para trás é condescendência, para a frente, suicídio.
Como gostamos de brincar com fogo, estamos sempre a um passo da legitimação da violência justificada como a voz dos oprimidos que ainda não aprenderam a se manifestar corretamente. E como fazê-lo se jamais tivemos um ensino efetivamente igualitário ou instrumental para o igualitarismo numa sociedade cunhada pelo escravismo e por uma ética de condescendência pelos amigos e conhecidos?
Pressinto uma enorme violência no nosso sistema de vida. Temo que ela venha a ocupar um território ainda mais denso e seja usada para legitimar outras violências tanto ou mais brutais do que o "quebra-quebra" hoje redefinido como "manifestações". Protestos que começam como demandas legitimas e, infiltrados, tornam-se "quebra-quebras". Qual é o lado a ser tomado se ambos são legítimos e, como é óbvio, dizem alguma coisa como tudo o que é humano?
Estou, pois, um tanto perdido e um tanto achado nessa encruzilhada entre demandas legais e prestígios pessoais. Entre patrimonialismo carismático e burocracia, os quais sustentam o "Você sabe com quem está falando?" - esse padrinho do "comigo é diferente", "cada caso é um caso", "ele é meu amigo", "você está errado mas eu continuo te amando"... E por aí vai numa sequência que o leitor pode inferir, deferir ou embargar.
Embargar, aliás, é o verbo e a figura jurídica do momento em que vivemos e dos sistemas que se constroem pela lei, mas confundindo a regra com o curso torto, podre e vaidoso da humanidade, tem as suas cláusulas de desconstrução. Com isso, condenamos com a mão direita e embargamos com a esquerda; ou criamos os heróis com a esquerda e os embargamos com a direita. Construímos pela metade. O ponto que já foi ressaltado por mim algumas vezes é o simples: se conseguirmos assumir e controlar abertamente a ambiguidade, há a esperança de controlá-la. E isso pode ser uma enorme vantagem num planeta cujo futuro é um inevitável "abrasileiramento".
Assim, entre o ser obrigado a calvinisticamente condenar, como fazem os nossos brothers americanos que todo dia atiram nos próprios pés, podemos assumir em definitivo que todos têm razão. Afinal de contas, o Brasil é um vasto programa de auditório com pitadas de missa solene e jogo de futebol.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

sobre o glútem








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Glúten. Este é o novo vilão que deve ser banido do cardápio em nome da saúde e da boa forma. Há tempos que médicos e nutricionistas sabem que o glúten, uma substância encontrada no trigo, no centeio, na cevada e na aveia , transforma-se numa espécie de cola ao chegar no intestino e gruda nas paredes intestinais, provocando, aos poucos, saturação do aparelho digestivo, o aumento da gordura visceral (na região do abdômen), dores articulares, alergias cutâneas, enxaqueca e depressão.

O perigo se agravou devido ao consumo excessivo de pães, biscoitos, macarrão, bolos. Até alguns queijos e embutidos contêm o agora maldito glúten. Os resultados já aparecem nos consultórios de nutrólogos, alergistas e nu­tricionistas: obesidade, síndrome de resistência à insulina, deficiência de cálcio (o trigo vem sempre adicionado de açúcar), alergias, diarréias, doenças auto-imunes. O nutrólogo João Curvo diz que, para os chineses, o excesso de glúten no organismo é sinal de má higiene interna: o metabolismo emperra, favorecendo bactérias que gostam de calor e estagnação. A pediatra e nutróloga Clara Brandão, do Mi­nistério da Saúde, premiada por suas alter­nativas para a mesa brasileira, defende o que chama de nossa "soberania alimentar": mandioca, milho e arroz no lugar do trigo im­portado, que faz tanto mal. E, se abolir o glúten ajuda a emagrecer, a "dieta sem glúten" virou febre nas academias. Agora, pães de aipim e de milho, macarrão de arroz e cookies de soja são as novas "delícias" dos supermercados.

GRAÇAS AO SÚBITO DESEJO DA FILHA LOUISE DE EMAGRECER,

a família de César Hasky, dono do restaurante japonês Ten Kai, em Ipanema, descobriu as maravilhas da vida sem glúten. A mãe, Rina, ao levar a filha ao nutricionista Leonardo Haus também adotou a reeducação alimentar que consiste em evitar saturação do metabolismo provocada pelo excesso de glúten no intestino. A surpresa veio quando mãe e filha começaram facilmente a emagrecer e até César, que não estava de dieta, adotou os pães de aipim, de abóbora e de cenoura, encomendados na rede Mundo Verde ou no restaurante Celeiro:

- A barriga vai sumindo, você fica mais leve. Eu não imaginava que o glúten fizesse tanto mal. E você vive muito bem sem o trigo. Pode comer pães e bolos gostosos sem glúten de manhã ou à tarde, sem sofrimento algum - diz Rina.

O nutricionista Leonardo Haus recomenda um período de três meses de dessensibilização ao glúten, no qual não se pode comer trigo, centeio, cevada ou aveia, os quatro cereais que contêm a substância. Depois, segundo ele, é possível comer esporadicamente sem risco de danos:

- Essa é a idéia da reeducação alimentar. Você pode comer um pãozinho, mas o excesso pode alterar todo o seu metabolismo, baixar a imunidade do organismo e levar a doenças. Mas é bom lembrar que nem todo obeso tem essa intolerância alimentar.

Intestino sem glúten produz serotonina e gera alegria

A guerra contra o pão e o macarrão já começou também na escolinha de vôlei das jogadoras Sandra e Elaine, no Leblon. Atletas do ranking brasileiro de vôlei de praia, elas proíbem as alunas que querem emagrecer de comer pão depois das 17h. As atletas aprenderam com seus médicos que, no entardecer, o metabolismo vai ficando na­turalmente mais lento e a digestão daquele trigo ficará ainda mais difícil.

O pãozinho terá muito mais chances de virar gordura - e abdominal!

- Não proibimos o pão, mas, se puderem evitar, principalmente à noite, é melhor. Isso não significa que não podemos comer um macarrão depois de um treino. Pode, mas não toda hora. O excesso não é metabolizado e vira gordura - explica Sandra.

- Eu, às vezes, não resisto. Vou à padaria Rio-Lisboa e como três pães franceses quentinhos de uma vez. E com muita manteiga! Mas só de vez em quando e escondido de meu técnico. No dia a dia, evito o pão e me sinto mais leve e bem disposta. O ideal é comer sempre frutas e saladas - diz Elaine.

Se banir o pão foi secando a barriga das mulheres, a nova onda chegou instantaneamente às academias de ginástica. A academia Velox, por exemplo, oferece saladas que há muito tempo fazem parte dos lanches dos atletas. Leves, nutritivas e de baixa caloria. As redes Body Tech e Pró-Forma também seguem o exemplo. É um incontrolável efeito dominó. Se uma mulher seca abolindo o glúten, centenas de outras vão fazer o mesmo para secar também. E não faltam receitas sem glúten. A quituteira anúglúten gaúcha Paula Santos oferece dezenas no site
www.riosemgluten.com.

Um dos segredos da nova dieta é não desanimar diante de um pão de aipim com a consistência de uma pedra portuguesa. Há bons fabricantes de produtos sem glúten e outros nem tanto. Leonardo Haus indica os pães sem glúten produzidos em Santa Catarina, vendidos na rede Mundo Verde e no restaurante Fontes, em Ipanema, ou ainda os de fabricação própria do restaurante Celeiro, no Leblon. Os novos alimentos sem glúten já estão nas prateleiras dos supermercados: macarrão de arroz, cookies de soja, bolos de cenoura.

Para a clínica Eliana Correa, com pós-graduação em medicina ortomolecular, depois do período de dessensibilização, pode-se até comer glúten de vez em quando, mas, segundo ela, a pessoa se sente tão bem que passar a evitar o alimento, como ela própria e suas três filhas:

- Quem sofreu a vida inteira com enxaqueca por causa de intolerância ao glúten não vai querer mais comer o alimento porque sabe que voltará a se sentir mal. Aí vem a pergunta clássica: Mas eu vou comer o quê? Eu, por exemplo, como batata-doce no café da manhã. Iode-se comer aipim, tapioca, pães sem glúten. A variedade é imensa e os benefícios, ainda maiores. Eu, que brigava tanto com o leite e seus efeitos alérgicos, descobri que o glúten é muito pior.

Eliana faz em seus pacientes exames de sangue que detectam alergias que não causam efeito imediato, mas vão minando o metabolismo e são chamadas por isso de alergias retardadas. O sangue colhido dos pacientes é enviado para laboratórios nos Estados Unidos, que dosam intolerância a 96 alimentos. O exame custa R$ 900. No Brasil, os só há exames para 37 alimentos que causam apenas alergias imediatas (quando o paciente passa mal imediatamente).

Outra maneira de acelerar a vida sem glúten é a colonterapia. Trata-se de uma lavagem do intestino grosso, feita por um aparelho que, durante 40 a 50 minutos, faz circular de 40 a 50 litros de água no intestino, provocando uma limpeza geral. Segundo o endocrinologista homeopata José Geraldo Rosa Gonçalves, o glúten que fica grudado nas paredes intestinais, estagnando o metabolismo, baixando a imunidade e promovendo a absorção de toxinas pode sair totalmente em quatro a seis sessões de R$ 220 cada, que incluem uma oxigenação do intestino depois da limpeza. Para pessoas com constipação crônica, ele recomenda em média dez sessões, duas vezes por semana:

- Um alimento normal leva 18 horas da mastigação até ser eliminado pelo reto. O glúten leva 26 horas. O excesso vai retendo cada vez mais toxinas no organismo e promovendo a disbiose, que é a alteração da flora normal, com fermentação, retenção de líquidos. É o começo de uma série de doenças articulares, auto-imunes e até depressão.

Depois da colonterapia, o intestino volta a produzir serotonina, o neurotransmissor que garante a alegria.

- A pessoa se sente tão feliz que passa naturalmente a rejeitar o glúten como antes - diz.

GOSTOSO E IRRESISTÍVEL, O PÃO FRANCÊS QUENTINHO

Com a manteiga derretendo pode ser maldito para quem não quer engordar. Mas proibido mesmo, só para portadores da doença celíaca, uma intolerância de origem genética ao glúten que provoca distúrbios gastrintestinais, diarréias violentas e até morte. No Brasil, em estimativas imprecisas, a doença atinge um em cada 300 brasileiros. Uma delas é Ane Benati, de 39 anos, que, entre os sete irmãos, tem outros três e uma sobrinha celíacos. Ela viu suas irmãs gêmeas definharem por 20 anos em busca de um diagnóstico e, há dez anos, uma delas, Raquel Benati, quase morreu com 39 quilos para o seu 1,70m, quando enfim descobriu que era celíaca.

- Foi só tirar o glúten e minha irmã parecia que tinha tomado fermento. Engordou e ficou boa rapidamente. Pensei que ela ia morrer. Fiz logo o exame e vi que eu também era celíaca, embora não tivesse ainda sintomas graves. Porque antes de acabar com o intestino, a doença pode provocar baixa metabólica, diabetes, hipertireoidismo e até epilepsia - diz ela, que, por conta da doença, sugere pratos deliciosos sem glúten para o cardápio do restaurante Cais do Oriente, do namorado Markos Resende, no Centro.

- Ultimamente como lá uma lasanha de vegetais feita com folhas e palmitos naturais no lugar da massa e atum grelhado - diz Ane.

Hoje "curada" ao banir o glúten da dieta, Raquel é presidente da seção Rio da Associação dos Celíacos do Brasil e diz que o diagnóstico ainda é um problema:

-A medicina ainda desconhece essa doença. Estima-se hoje que no Rio haja 35 mil celíacos, mas só mil com diagnóstico. Os outros 25 mil estão passando mal pelos hospitais, nas filas das gastrites, das diarréias crônicas, das enxaquecas, das dores articulares sem cura. Eu penei 20 anos até descobrir a doença, mas o médico da Associação de Celíacos, o gastropediatra José César Junqueira, alerta que uma simples gastrite já é indicação para os exames que detectam a doença.

Excesso de glúten gera intolerância também em pessoas normais

Os exames de sangue de detectam a doença celíaca são os de antitransglutaminase e antiendomísio, mas, segundo Raquel, ainda não estão incluídos no Sistema único de Saúde (SUS), tampouco são aceitos por alguns planos de saúde. Na Europa, onde a doença celíaca tem uma incidência maior devido ao alto consumo de trigo, há uma infinidade de alimentos sem glúten, mas no Brasil os produtos sem glúten só agora começam a aparecer.

- O mercado está crescendo porque as pessoas normais também estão com intolerância devido ao excesso do consumo de trigo.

Se o glúten é proibido para os celíacos, os normais não precisam ser tão ortodoxos. É possível comer um pãozinho, duas ou três vezes por mês e não sentir mal-estar algum, segundo o nutrólogo João Curvo:

- Os leigos que se observam percebem a relação entre o excesso de trigo e o aumento do volume abdominal, excesso de gases, dores articulares, dores de cabeça e peso nos pés. Quando ocorre a saturação de glúten no intestino, a absorção dos nutrientes piora e a pessoa começa a apresentar queixas. Essa intolerância vai minando o sistema imunológico e vão surgindo as alergias cutâneas, a psoríase e as artrites. Tudo depende da quantidade do consumo.

Teresa Sá, por exemplo, mulher do estilista Tufi Duek, da Fórum, não é celíaca, mas teve um problema vascular, que, depois de muitos exames, descobriu que era intolerância ao trigo:

- Eu como massa, mas tenho consciência que depois tenho que fazer um processo de desintoxicação, sem comer glúten durante quatro ou cinco dias.

Para a pediatra e nutróloga Clara Brandão, do Ministério da Saúde, a mudança dos hábitos alimentares dos brasileiros nos últimos anos, com a troca de alimentos saudáveis e orgânicos nacionais como a mandioca, o milho e o inhame pela farinha de trigo refinada importada, porém, já começa a causar doenças também em pessoas não celíacas. Ela lembra que 80% dos brasileiros vivem nas periferias urbanas comendo pão com margarina e macarrão. Os de maior poder aquisitivo adicionam o queijo, o salame e o presunto, que, segundo ela, contêm aditivos químicos que comprometem a saúde:

- Nós temos que reforçar nossa soberania alimentar. Nós comíamos o fubá, a tapioca, o milho, muito mais nutritivos que o trigo, importado e nocivo. Temos estoques reguladores de arroz lotados, mas a merenda escolar leva trigo todos os dias. Está havendo uma saturação do metabolismo da população em geral devido a uma alimentação equivocada.

Esta tendência à intolerância alimentar e às doenças subseqüentes, segundo Clara Brandão, começam no primeiro ano de vida, quando a criança começa a comer pão, biscoito e macarrão:

- Uma criança de 7 ou 8 anos já sabe fazer sozinha o miojo, que já vem com um veneno no saquinho para o molho. Aquilo tem glutamato de soja, que altera a química cerebral e é uma substância tóxica. Fora isso, hoje ninguém mais janta, come um sanduíche. Se temos um alimento orgânico, como a mandioca, muito mais nutritivo e mais barato que o trigo, e que fixa o produtor na terra, o que estamos esperando para mudar essa situação?

O profissional de marketing Fábio Quinei, de 26 anos, já começou há um mês a banir o glúten, cortando o pão e o macarrão para ganhar mais disposição e malhar mais. Ele e Larissa Munck, ambos alunos da academia Velox, no Humaitá, trocaram o pão pela salada e pelas frutas:

-O glúten prejudica a absorção dos nutrientes e, em um mês de dieta, dá
para notar uma boa secada. Há também um corte no açúcar porque os doces contêm glúten. Isso é o pior, porque adoro doces. Mas troquei doces por frutas.

Por Márcia Cezimbra


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Re: Glúten
« Resposta #1 : Outubro 30, 2006, 09:22:14 »


Boas,

A alergia ao gluten tem relação com o tipo sanguíneo O, de acordo com "A Dieta do Tipo Sanguíneo", desenvolvida pelo Dr. Peter J. D. Adamo. É o tipo sanguíneo que determina certas susceptibilidade a certos alimentos e doenças.

Qual a vossa opinião a respeito deste estudo do Dr. Peter Adamo?


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Re: Glúten
« Resposta #2 : Outubro 31, 2006, 01:17:19 »


Embora minha experiencia com a dieta do tipo sanguíneo seja (ainda) limitada, a intolerância do tipo "o" ao trigo é indiscutível. Todos os meus pacientes com esse tipo sanguíneo que fizeram restrição a ele, tiveram uma considerável melhoria nas condições de saúde, com diminuição de sensibilidades alérgicas, perda de peso, diminuição de edema e da circunferência abdominal. Aliás, não apenas os do tipo "o", mas todas as pessoas deveriam experimentar suspender o trigo e alimentos com gluten durante cerca de 4 semanas e observarem como se sentem. Após esse período reintroduzir um deles por vez e observar suas reações, pois a sensibilidade ao gluten é muito mais frequente do que imaginamos.
J.Roberto


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