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Glúten
« : Outubro 17, 2006, 12:48:36 »
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Glúten.
Este é o novo vilão que deve ser banido do cardápio em nome da saúde e
da boa forma. Há tempos que médicos e nutricionistas sabem que o
glúten, uma substância encontrada no trigo, no centeio, na cevada e na
aveia , transforma-se numa espécie de cola ao chegar no intestino e
gruda nas paredes intestinais, provocando, aos poucos, saturação do
aparelho digestivo, o aumento da gordura visceral (na região do
abdômen), dores articulares, alergias cutâneas, enxaqueca e depressão.
O perigo se agravou devido ao consumo excessivo de pães, biscoitos,
macarrão, bolos. Até alguns queijos e embutidos contêm o agora maldito
glúten. Os resultados já aparecem nos consultórios de nutrólogos,
alergistas e nutricionistas: obesidade, síndrome de resistência à
insulina, deficiência de cálcio (o trigo vem sempre adicionado de
açúcar), alergias, diarréias, doenças auto-imunes. O nutrólogo João
Curvo diz que, para os chineses, o excesso de glúten no organismo é
sinal de má higiene interna: o metabolismo emperra, favorecendo
bactérias que gostam de calor e estagnação. A pediatra e nutróloga
Clara Brandão, do Ministério da Saúde, premiada por suas alternativas
para a mesa brasileira, defende o que chama de nossa "soberania
alimentar": mandioca, milho e arroz no lugar do trigo importado,
que faz tanto mal. E, se abolir o glúten ajuda a emagrecer, a
"dieta sem glúten" virou febre nas academias. Agora, pães de
aipim e de milho, macarrão de arroz e cookies de soja são as novas
"delícias" dos supermercados.
GRAÇAS AO SÚBITO DESEJO DA FILHA LOUISE DE EMAGRECER,
a família de César Hasky, dono do restaurante japonês Ten Kai, em
Ipanema, descobriu as maravilhas da vida sem glúten. A mãe, Rina, ao
levar a filha ao nutricionista Leonardo Haus também adotou a reeducação
alimentar que consiste em evitar saturação do metabolismo provocada
pelo excesso de glúten no intestino. A surpresa veio quando mãe e filha
começaram facilmente a emagrecer e até César, que não estava de dieta,
adotou os pães de aipim, de abóbora e de cenoura, encomendados na rede
Mundo Verde ou no restaurante Celeiro:
- A barriga vai sumindo, você fica mais leve. Eu não imaginava que o
glúten fizesse tanto mal. E você vive muito bem sem o trigo. Pode comer
pães e bolos gostosos sem glúten de manhã ou à tarde, sem sofrimento
algum - diz Rina.
O nutricionista Leonardo Haus recomenda um período de três meses de
dessensibilização ao glúten, no qual não se pode comer trigo, centeio,
cevada ou aveia, os quatro cereais que contêm a substância. Depois,
segundo ele, é possível comer esporadicamente sem risco de danos:
- Essa é a idéia da reeducação alimentar. Você pode comer um pãozinho,
mas o excesso pode alterar todo o seu metabolismo, baixar a imunidade
do organismo e levar a doenças. Mas é bom lembrar que nem todo obeso
tem essa intolerância alimentar.
Intestino sem glúten produz serotonina e gera alegria
A guerra contra o pão e o macarrão já começou também na escolinha de
vôlei das jogadoras Sandra e Elaine, no Leblon. Atletas do ranking
brasileiro de vôlei de praia, elas proíbem as alunas que querem
emagrecer de comer pão depois das 17h. As atletas aprenderam com seus
médicos que, no entardecer, o metabolismo vai ficando naturalmente
mais lento e a digestão daquele trigo ficará ainda mais difícil.
O pãozinho terá muito mais chances de virar gordura - e abdominal!
- Não proibimos o pão, mas, se puderem evitar, principalmente à noite,
é melhor. Isso não significa que não podemos comer um macarrão depois
de um treino. Pode, mas não toda hora. O excesso não é metabolizado e
vira gordura - explica Sandra.
- Eu, às vezes, não resisto. Vou à padaria Rio-Lisboa e como três pães
franceses quentinhos de uma vez. E com muita manteiga! Mas só de vez em
quando e escondido de meu técnico. No dia a dia, evito o pão e me sinto
mais leve e bem disposta. O ideal é comer sempre frutas e saladas - diz
Elaine.
Se banir o pão foi secando a barriga das mulheres, a nova onda chegou
instantaneamente às academias de ginástica. A academia Velox, por
exemplo, oferece saladas que há muito tempo fazem parte dos lanches dos
atletas. Leves, nutritivas e de baixa caloria. As redes Body Tech e
Pró-Forma também seguem o exemplo. É um incontrolável efeito dominó. Se
uma mulher seca abolindo o glúten, centenas de outras vão fazer o mesmo
para secar também. E não faltam receitas sem glúten. A quituteira
anúglúten gaúcha Paula Santos oferece dezenas no site www.riosemgluten.com.
Um dos segredos da nova dieta é não desanimar diante de um pão de aipim
com a consistência de uma pedra portuguesa. Há bons fabricantes de
produtos sem glúten e outros nem tanto. Leonardo Haus indica os pães
sem glúten produzidos em Santa Catarina, vendidos na rede Mundo Verde e
no restaurante Fontes, em Ipanema, ou ainda os de fabricação própria do
restaurante Celeiro, no Leblon. Os novos alimentos sem glúten já estão
nas prateleiras dos supermercados: macarrão de arroz, cookies de soja,
bolos de cenoura.
Para a clínica Eliana Correa, com pós-graduação em medicina
ortomolecular, depois do período de dessensibilização, pode-se até
comer glúten de vez em quando, mas, segundo ela, a pessoa se sente tão
bem que passar a evitar o alimento, como ela própria e suas três
filhas:
- Quem sofreu a vida inteira com enxaqueca por causa de intolerância ao
glúten não vai querer mais comer o alimento porque sabe que voltará a
se sentir mal. Aí vem a pergunta clássica: Mas eu vou comer o quê? Eu,
por exemplo, como batata-doce no café da manhã. Iode-se comer aipim,
tapioca, pães sem glúten. A variedade é imensa e os benefícios, ainda
maiores. Eu, que brigava tanto com o leite e seus efeitos alérgicos,
descobri que o glúten é muito pior.
Eliana faz em seus pacientes exames de sangue que detectam alergias que
não causam efeito imediato, mas vão minando o metabolismo e são
chamadas por isso de alergias retardadas. O sangue colhido dos
pacientes é enviado para laboratórios nos Estados Unidos, que dosam
intolerância a 96 alimentos. O exame custa R$ 900. No Brasil, os só há
exames para 37 alimentos que causam apenas alergias imediatas (quando o
paciente passa mal imediatamente).
Outra maneira de acelerar a vida sem glúten é a colonterapia. Trata-se
de uma lavagem do intestino grosso, feita por um aparelho que, durante
40 a 50 minutos, faz circular de 40 a 50 litros de água no intestino,
provocando uma limpeza geral. Segundo o endocrinologista homeopata José
Geraldo Rosa Gonçalves, o glúten que fica grudado nas paredes intestinais,
estagnando o metabolismo, baixando a imunidade e promovendo a absorção
de toxinas pode sair totalmente em quatro a seis sessões de R$ 220
cada, que incluem uma oxigenação do intestino depois da limpeza. Para
pessoas com constipação crônica, ele recomenda em média dez sessões,
duas vezes por semana:
- Um alimento normal leva 18 horas da mastigação até ser eliminado pelo
reto. O glúten leva 26 horas. O excesso vai retendo cada vez mais
toxinas no organismo e promovendo a disbiose, que é a alteração da flora
normal, com fermentação, retenção de líquidos. É o começo de uma série
de doenças articulares, auto-imunes e até depressão.
Depois da colonterapia, o intestino volta a produzir serotonina, o
neurotransmissor que garante a alegria.
- A pessoa se sente tão feliz que passa naturalmente a rejeitar o
glúten como antes - diz.
GOSTOSO E IRRESISTÍVEL, O PÃO FRANCÊS QUENTINHO
Com a manteiga derretendo pode ser maldito para quem não quer engordar.
Mas proibido mesmo, só para portadores da doença celíaca, uma
intolerância de origem genética ao glúten que provoca distúrbios
gastrintestinais, diarréias violentas e até morte. No Brasil, em
estimativas imprecisas, a doença atinge um em cada 300 brasileiros. Uma
delas é Ane Benati, de 39 anos, que, entre os sete irmãos, tem outros
três e uma sobrinha celíacos. Ela viu suas irmãs gêmeas definharem por
20 anos em busca de um diagnóstico e, há dez anos, uma delas, Raquel
Benati, quase morreu com 39 quilos para o seu 1,70m, quando enfim
descobriu que era celíaca.
- Foi só tirar o glúten e minha irmã parecia que tinha tomado fermento.
Engordou e ficou boa rapidamente. Pensei que ela ia morrer. Fiz logo o
exame e vi que eu também era celíaca, embora não tivesse ainda sintomas
graves. Porque antes de acabar com o intestino, a doença pode provocar
baixa metabólica, diabetes, hipertireoidismo e até epilepsia - diz ela,
que, por conta da doença, sugere pratos deliciosos sem glúten para o
cardápio do restaurante Cais do Oriente, do namorado Markos Resende, no
Centro.
- Ultimamente como lá uma lasanha de vegetais feita com folhas e
palmitos naturais no lugar da massa e atum grelhado - diz Ane.
Hoje "curada" ao banir o glúten da dieta, Raquel é presidente
da seção Rio da Associação dos Celíacos do Brasil e diz que o diagnóstico
ainda é um problema:
-A medicina ainda desconhece essa doença. Estima-se hoje que no Rio
haja 35 mil celíacos, mas só mil com diagnóstico. Os outros 25 mil
estão passando mal pelos hospitais, nas filas das gastrites, das
diarréias crônicas, das enxaquecas, das dores articulares sem cura. Eu
penei 20 anos até descobrir a doença, mas o médico da Associação de
Celíacos, o gastropediatra José César Junqueira, alerta que uma simples
gastrite já é indicação para os exames que detectam a doença.
Excesso de glúten gera intolerância também em pessoas normais
Os exames de sangue de detectam a doença celíaca são os de
antitransglutaminase e antiendomísio, mas, segundo Raquel, ainda não
estão incluídos no Sistema único de Saúde (SUS), tampouco são aceitos por
alguns planos de saúde. Na Europa, onde a doença celíaca tem uma
incidência maior devido ao alto consumo de trigo, há uma infinidade de
alimentos sem glúten, mas no Brasil os produtos sem glúten só agora
começam a aparecer.
- O mercado está crescendo porque as pessoas normais também estão com
intolerância devido ao excesso do consumo de trigo.
Se o glúten é proibido para os celíacos, os normais não precisam ser
tão ortodoxos. É possível comer um pãozinho, duas ou três vezes por mês
e não sentir mal-estar algum, segundo o nutrólogo João Curvo:
- Os leigos que se observam percebem a relação entre o excesso de trigo
e o aumento do volume abdominal, excesso de gases, dores articulares,
dores de cabeça e peso nos pés. Quando ocorre a saturação de glúten no
intestino, a absorção dos nutrientes piora e a pessoa começa a
apresentar queixas. Essa intolerância vai minando o sistema imunológico
e vão surgindo as alergias cutâneas, a psoríase e as artrites. Tudo
depende da quantidade do consumo.
Teresa Sá, por exemplo, mulher do estilista Tufi Duek, da Fórum, não é
celíaca, mas teve um problema vascular, que, depois de muitos exames,
descobriu que era intolerância ao trigo:
- Eu como massa, mas tenho consciência que depois tenho que fazer um
processo de desintoxicação, sem comer glúten durante quatro ou cinco
dias.
Para a pediatra e nutróloga Clara Brandão, do Ministério da Saúde, a
mudança dos hábitos alimentares dos brasileiros nos últimos anos, com a
troca de alimentos saudáveis e orgânicos nacionais como a mandioca, o
milho e o inhame pela farinha de trigo refinada importada, porém, já
começa a causar doenças também em pessoas não celíacas. Ela lembra que
80% dos brasileiros vivem nas periferias urbanas comendo pão com
margarina e macarrão. Os de maior poder aquisitivo adicionam o queijo,
o salame e o presunto, que, segundo ela, contêm aditivos químicos que
comprometem a saúde:
- Nós temos que reforçar nossa soberania alimentar. Nós comíamos o
fubá, a tapioca, o milho, muito mais nutritivos que o trigo, importado
e nocivo. Temos estoques reguladores de arroz lotados, mas a merenda
escolar leva trigo todos os dias. Está havendo uma saturação do
metabolismo da população em geral devido a uma alimentação equivocada.
Esta tendência à intolerância alimentar e às doenças subseqüentes,
segundo Clara Brandão, começam no primeiro ano de vida, quando a
criança começa a comer pão, biscoito e macarrão:
- Uma criança de 7 ou 8 anos já sabe fazer sozinha o miojo, que já vem
com um veneno no saquinho para o molho. Aquilo tem glutamato de soja,
que altera a química cerebral e é uma substância tóxica. Fora isso,
hoje ninguém mais janta, come um sanduíche. Se temos um alimento
orgânico, como a mandioca, muito mais nutritivo e mais barato que o
trigo, e que fixa o produtor na terra, o que estamos esperando para
mudar essa situação?
O profissional de marketing Fábio Quinei, de 26 anos, já começou há um
mês a banir o glúten, cortando o pão e o macarrão para ganhar mais
disposição e malhar mais. Ele e Larissa Munck, ambos alunos da academia
Velox, no Humaitá, trocaram o pão pela salada e pelas frutas:
-O glúten prejudica a absorção dos nutrientes e, em um mês de dieta, dá
para notar uma boa secada. Há também um corte no açúcar porque os doces
contêm glúten. Isso é o pior, porque adoro doces. Mas troquei doces por
frutas.
Por
Márcia Cezimbra
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Dr.
José Roberto C. Souza
Médico Clínico-Geral
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Fabio
Curioso

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Re: Glúten
« Resposta #1 : Outubro 30, 2006, 09:22:14 »
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Boas,
A alergia ao gluten tem relação com o tipo sanguíneo O, de acordo com
"A Dieta do Tipo Sanguíneo", desenvolvida pelo Dr. Peter J.
D. Adamo. É o tipo sanguíneo que determina certas susceptibilidade a
certos alimentos e doenças.
Qual a vossa opinião a respeito deste estudo do Dr. Peter Adamo?
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José
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Re: Glúten
« Resposta #2 : Outubro 31, 2006, 01:17:19 »
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Embora
minha experiencia com a dieta do tipo sanguíneo seja (ainda) limitada,
a intolerância do tipo "o" ao trigo é indiscutível. Todos os
meus pacientes com esse tipo sanguíneo que fizeram restrição a ele,
tiveram uma considerável melhoria nas condições de saúde, com
diminuição de sensibilidades alérgicas, perda de peso, diminuição de
edema e da circunferência abdominal. Aliás, não apenas os do tipo
"o", mas todas as pessoas deveriam experimentar suspender o
trigo e alimentos com gluten durante cerca de 4 semanas e observarem
como se sentem. Após esse período reintroduzir um deles por vez e
observar suas reações, pois a sensibilidade ao gluten é muito mais
frequente do que imaginamos.
J.Roberto
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José Roberto C. Souza
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