sábado, 23 de junho de 2012

Guiraldelli sobre Pondé


Pondé ideólogo, Pondé vítima
22/06/2012
“Temos de descobrir qual a ideologia que está por trás”. Eis aí uma frase daquelas que antes confundem que ajudam. Não há nenhuma ideologia que possa estar “por trás” de alguma coisa. O que pode estar por trás são a doutrina e a filosofia. A ideologia é a doutrina transformada em quase propaganda ou então o que Engels chamou de “falsa consciência”, e é o vem na frente, não atrás.
Não gosto dessa metáfora de “frente e atrás”, mas se é o que se usa, então, que usemos corretamente. Quando trabalhamos com ideários, o que chega primeiro não é a doutrina e, muito menos a filosofia, e sim a ideologia. A ideologia é a doutrina sem seus resguardos filosóficos, porque estes são legitimadores da doutrina e, no entanto, mostra-a também com propostas hipotéticas e pressupostos pouco discutidos tanto quanto a doutrina eleita adversária. A filosofia nunca deixa de ser inteligente. Então, se é doutrina – um “o que fazer” – aparece calçada pela filosofia, mostra sua força exatamente na capacidade de não esconder sua suposta fraqueza. A filosofia é sempre ingênua: ela revela os pontos fracos da doutrina que sustenta quer queira quer não. A ideologia faz diferente. Ela não entende a fraqueza da legitimidade da doutrina, não pode entender, toma a doutrina dogmaticamente e, então, sai na frente dizendo ser não uma boa solução, mas a solução verdadeira. O ideólogo não é filósofo.
Um exemplo. Li o professor Pondé (1), da PUC-SP, em que ele diz que a democratização da cultura é sempre uma maneira de tornar os apetrechos culturais capazes de serem oferecidos a mais gente e assim fazê-los necessariamente passar por uma transformação que deve piorá-los. Isso é uma filosofia conservadora ou uma ideologia conservadora? Não é uma filosofia. É uma ideologia, e vem na frente. Vem como propaganda impactante. É uma ideologia porque se mostra dogmaticamente como verdade sem qualquer garantia, a não ser a duvidosa garantia de observações históricas adrede preparadas. Caso fosse verdade, então os livros em que Pondé escreve coisas desse tipo deveriam ser tomados como ruins, pois eles vendem bem e são feitos para isso, para a popularização extremada, não só pela linguagem utilizada, mas também porque há neles uma conversa muito ao gosto do senso comum conservador (contra o politicamente correto, contra direitos de minorias, contra o feminismo etc.). Ora, mas eu não diria que os livros do professor Pondé são um lixo porque são para a multidão. Eu diria apenas que não são do meu gosto porque são de um conservadorismo que já se fez presente entre minhas leituras no passado e já se fez presente no passado de outros bem mais antigos do que eu.
Agora, há filosofia nessa tese de Pondé, contra a democracia?
Bem, sabemos da existência da filosofia conservadora. Sabemos bem que ela está visível na história da filosofia, e a vemos correr séculos dizendo que tudo que é para “os muitos”, sejam eles quem for, será sempre algo banal. Essa filosofia é anterior mesmo à democracia. Ela, a filosofia conservadora, foi posta à prova – e ficou reprovada – quando houve a educação escolar básica popular, entre os séculos XIX e XX, e, então, muitos produtos culturais que pareciam só poderem ser bem apreciados pelos “poucos” foram excelentemente apreciados pelos “muitos”. Vários países da Europa seguiram o caminho americano e se espantaram em ver o resultado, ou seja, de que não necessariamente tudo que se amplia perde qualidade. Até então, as pessoas que advogavam a democracia e tinham apreço pela cultura achavam que uma sociedade democrática só podia ter bens culturais apreciáveis se a democracia fosse bem hierarquizada e, principalmente, fosse algo diminuto, mais ou menos como o modelo de Atenas. Ora, a filosofia sempre trouxe um germe de questionamento quanto a esse modelo, mesmo quando era adepto dele. Isso sempre foi visível em Platão.
A obra de Platão faz um elogio às elites, mostra sua raiva da democracia que assassinou Sócrates e, no entanto, não deixa de escrever a “Carta Sete”, onde mostra a dificuldades maiores que teve com as elites. Também não deixa de elogiar Sócrates, filósofo da rua e, de certo modo, da plebe, e não das elites. E mais: mostra o quanto Sócrates, apostando em Alcibíades, uma pessoa da alta elite, deu com os burros n’água. Assim, em Platão, não há um comprometimento cego com a não-democracia. Sua filosofia tem uma doutrina elitista e, ao mesmo tempo, mostra o quanto o elitismo pode ter pés de barro. Mas, quando o platonismo escapa das mãos de Platão e se transforma em uma doutrina isolada, ele realmente tem tudo para dar origem rápida a uma possível ideologia elitista, a de veneração do Rei-filósofo e coisas do gênero. E isso aconteceu nas melhores casas! Transformada em ideologia, e que passou a ir à frente, o platonismo assim feito conquistou os conservadores. Não à toa os conservadores foram responsáveis por uma historiografia que tentou aposentar Sócrates, tomando-o como um mero personagem de um Platão aprendiz, inicialmente, e depois como um personagem descartável de um Platão já platônico e conservador. Nunca admitiram o Platão com dúvida sobre o platonismo, o que é algo notável para os que efetivamente leram Platão.
Pondé apresenta, então, uma ideologia conservadora – algo que tem a ver com fantasmas platônicos transformados por séculos de medievalismo e por reacionários mais próximos de nós. Mas Pondé não apresenta filosofia. Caso apresentasse a filosofia que sustenta seu conservadorismo, ela mesma, a filosofia, daria uma série de dicas para ele desconfiar sobre se valeria a pena ele não ter dúvidas quanto ao modo como adota o seu conservadorismo. Mas se tem uma coisa que Pondé não sabe o que é, é a dúvida. Ele diz frases ideológicas conservadoras com a máxima convicção. Às vezes soa religioso na doutrina e, assim, mais ideológico ainda. Sua citação aqui e ali de alguns filósofos não é filosofia ou, digamos, não é suficientemente algo da filosofia de modo capaz a fazer aquilo que a filosofia faz até com os mais renitentes, a de jogá-los para a coceira cerebral, aquela vontade de dizer coisas como “acho que estou errado”. Ele está inebriado com a sua ideologia. Ela, vindo na frente, às vezes mostra que acabou antes ganhando ele próprio, destruindo sua capacidade crítica, deixando em plano até secundário os que deveriam ser atingidos pelos seus textos.
Ora, mas o que faz Pondé ser vítima de sua ideologia? Todos nós estamos à mercê dessa situação. Para cairmos nela, basta tomarmos o lugar que vivemos como sendo o mundo. Pondé toma a PUC como sendo o Planeta. Ele vê no marxista dogmático e na feminista chata não o marxista dogmático e a feminista chata, mas o homem do iluminismo ou do romantismo que tem pendores à esquerda e a mulher moderna sexy e com vocação intelectual. Ele faz de pequenas caricaturas de seu meio ambiente acadêmico os tipos que ele imagina quase universais. E se horroriza com eles – quem não se horrorizaria, já nos anos oitenta? Nisso, ele pensa estar fazendo filosofia, mas está apenas caindo de joelhos diante de sua ideologia. Esta, de tanto ir à frente, funciona como um ectoplasma que ao se lançar no espaço puxa-o pela boca, por um anzol espectral, e o expõe em livros em que ele se lamenta de não ter tido uma infância feliz e, ao mesmo tempo, esbraveja contra mulheres que são intelectuais, que tem tesão, mas que parece que ele não consegue ganhar.
De frase conservadora em frase conservadora, seus livros mais populares o jogam no arrastão de sua própria ideologia. Ao fim e ao cabo, ele começa a pedir desculpas ao leitor, a cada capítulo. Começa a ficar cismado que seu amargor, que seu pessimismo e o que ele chama de “trágico”, não esteja ao gosto de todos os conservadores que compraram seu livro. Cisma que exagerou na dose e, então, pensa que pode perder seus leitores. Nesse instante, em que poderia se enxergar como ideólogo, ainda não se vê, e faz o que o criminoso nazista Rudolf Höss fez em seu livro autobiográfico, escrito na prisão em que esperava a morte (The Commandant): declara-se como uma pessoa não má, como uma pessoa que, afinal, tem ainda uma ética. O livro de Pondé sobre a filosofia politicamente incorreta tem um tom patético quando ele começa, aqui e ali, a se desculpar com o leitor.
A ideologia faz exatamente esse serviço. A filosofia dá condições de autocrítica e, então, abre portas para a mudança, mas a ideologia não. Quando quem está nela é enredado por algum tipo de dúvida, ainda assim não muda, mas passa a se desculpar. Fica com medo de perder possíveis amigos que havia conseguido ganhar por ter formado um público. Tendo um público, passa a gostar das pessoas, a ter sua carência de escritor suprida e, então, age quase igual ao marxista e a feminista que ele denuncia como medíocres e “bregas” por quererem “um mundo melhor”. De lobo mau que se imaginava trágico vira uma vovozinha cambaleante que, ao final, parece que quase irá acender uma vela e iniciar uma oração pela própria alma.
A ideologia está na frente. Se há algo atrás, é o ideólogo – antes arrastado pela ideologia que como o seu produtor.
(1) Li dele dois livros de sucesso editorial: Contra um mundo melhor e Guia politicamente incorreto da filosofia, ambos da editora Leya.
© 2012 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

escrivá - amar o mundo apaixonadamente



114 Tenho-o ensinado constantemente com palavras da Escritura Santa: o mundo não é ruim, porque saiu das mão de Deus, porque é criatura dEle, porque Javé olhou para ele e viu que era bom. Nós, os homens, é que o fazemos ruim e feio, com nossos pecados e nossas infidelidades. Não duvidem, meus filhos; qualquer modo de evasão das honestas realidades diárias é para os homens e mulheres do mundo coisa oposta à vontade de Deus.

Pelo contrário, devem compreende agora — com uma nova clareza — que Deus os chama a servi-Lo em e a partir das tarefas civis, materiais, seculares da vida humana. Deus nos espera cada dia: no laboratório, na sala de operações de um hospital, no quartel, na cátedra universitária, na fábrica, na oficina, no campo, no seio do lar e em todo o imenso panorama do trabalho. Não esqueçamos nunca: há algo de santo, de divino, escondido nas situações mais comuns, algo que a cada um de nós compete descobrir.

Eu costumava dizer àqueles universitários e àqueles operários que me procuravam lá pela década de 30, que tinham de saber materializar a vida espiritual. Queria afastá-los, assim, da tentação, tão freqüente nessa época e agora, de levar uma vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas.

Não, meus filhos! Não pode haver uma vida dupla, não podemos ser como esquizofrênicos, se queremos ser cristãos. Há uma única vida, feita de carne e espírito, e essa é que tem de ser — na alma e no corpo — santa e plena de Deus, desse Deus invisível, que nós encontraremos nas coisas mais visíveis e materiais.

Não há outro caminho, meus filhos: ou sabemos encontrar o Senhor em nossa vida de todos os dias, ou não O encontraremos nunca. Por isso, posso afirmar que nossa época precisa devolver à matéria e às situações aparentemente mais vulgares seu nobre e original sentido: pondo-as ao serviço do Reino de Deus, espiritualizando-as, fazendo delas meio e ocasião para o nosso encontro contínuo com Jesus Cristo.
115 O autêntico sentido cristão que professa a ressurreição de toda a carne — sempre combateu, como é lógico, a desencarnação , sem medo de ser tachado de materialista. É lícito, portanto, falar de um materialismo cristão, que se opõe audazmente aos materialismos cerrados ao espírito.

O que são os sacramentos — vestígios da Encarnação do Verbo, como afirmaram os antigos — senão a mais clara manifestação deste caminho escolhido por Deus para nos santificar e levar ao Céu? Não vêem que cada sacramento é o amor de Deus, com toda a sua força criadora e redentora, dando-se a nós através de meios materiais? O que é a Eucaristia — já iminente — senão o Corpo e Sangue adoráveis do nosso Redentor, que se oferece a nós através da humilde matéria deste mundo — vinho e pão — , através dos elementos da natureza, cultivados pelo homem, como o quis recordar o último Concílio Ecumênico?

Assim se compreende, meus filhos, que o Apóstolo chegasse a escrever: Todas as coisas são vossas, vós sois de Cristo e Cristo é de Deus. Trata-se de um movimento ascendente que o Espírito Santo, difundido em nossos corações, quer provocar no mundo; da terra até à glória do Senhor. E para ficar bem claro que — nesse movimento — se incluía também o que parece mais prosaico, São Paulo escreveu ainda: quer comais, quer bebais, fazei tudo para a glória de Deus.
116 Esta doutrina da Sagrada Escritura, que se encontra — como sabem — no próprio cerne do espírito do Opus Dei, deve levar-nos a realizar o trabalho com perfeição, a amar a Deus e aos homens pondo amor nas pequenas coisas da jornada habitual, descobrindo esse algo divino que se encerra nos detalhes. Que bem ficam aqui aqueles versos do poeta de Castela!: Despacito, y buena letra: el hacer las cosas bien importa más que el hacerlas* .

Eu lhes asseguro, meus filhos, que quando um cristão desempenha com amor a mais intranscendente das ações diárias, está desempenhando algo donde transborda a transcendência de Deus. Por isso tenho repetido, com insistente martelar, que a vocação cristã consiste em transformar em poesia heróica a prosa de cada dia. Na linha do horizonte, meus filhos, parecem unir-se o céu e a terra. Mas não: onde de verdade se juntam é no coração, quando se vive santamente a vida diária...

Viver santamente a vida diária, como acabo de dizer. E com estas palavras me refiro a todo o programa dos afazeres cristãos. Portanto, deixem-se de sonhos, de falsos idealismos, de fantasias, disso que costumo chamar de mística do oxalá: oxalá não me tivesse casado, oxalá não tivesse esta profissão, oxalá tivesse mais saúde, oxalá fosse jovem, oxalá fosse velho...; e atenham-se, pelo contrário, sobriamente, à realidade mais material e imediata, que é onde o Senhor está: olhai minhas mãos e meus pés — disse Jesus ressuscitado — , sou eu mesmo. Apalpai e vede que um espírito não tem carne e ossos, como vedes que eu tenho.

São muitos os aspectos do ambiente secular que se iluminam a partir destas verdades. Pensem, por exemplo, na atuação que têm como cidadãos na vida civil. Um homem ciente de que o mundo — e não só o templo — é o lugar do seu encontro com Cristo, ama este mundo, procura adquirir um bom preparo intelectual e profissional, vai formando — com plena liberdade — seus próprios critérios sobre os problemas do meio em que se desenvolve; e, por conseqüência, toma suas próprias decisões, as quais, por serem decisões de um cristão, procedem além disso de uma reflexão pessoal, que tenta humildemente captar a vontade de Deus nesses detalhes pequenos e grandes da vida.

(*)Devagarinho,, e boa letra; que fazer as coisas bem, importa mais que fazê-las. A. Machado, Poesias Completas, CLXI. — Proverbios y cantares, XXIV. Espasa Calpe, Madrid, 1940. (N. do T.)
117 Mas jamais esse cristão se lembra de pensar ou dizer que desce do templo ao mundo para representar a Igreja, e que suas soluções são as soluções católicas para aqueles problemas. Isso não pode ser, meus filhos! Isso seria clericalismo, catolicismo oficial, ou como queiram chamá-lo. Em qualquer caso, é violentar a natureza das coisas. Há que difundir por toda a parte uma verdadeira mentalidade laical, que deve levar a três conclusões:

— temos que ser suficientemente honrados, para arcar com a nossa própria responsabilidade pessoal;

— temos que ser suficientemente cristãos, para respeitar os irmãos na fé, que propõem — em matérias de livre opinião — soluções diversas da que cada um sustenta;

— e temos que ser suficientemente católicos, para não nos servirmos de nossa Mãe a Igreja, misturando-a em partidarismos humanos.

Já se vê claramente que, neste terreno como em todos, não poderíamos realizar esse programa de viver santamente a vida diária, se não gozássemos de toda a liberdade que nos reconhecem simultaneamente, a Igreja e a nossa dignidade de homens e mulheres criados à imagem de Deus. Contudo, não esqueçam, meus filhos, que falo sempre de uma liberdade responsável.

Interpretem, portanto, minhas palavras, como elas são realmente: um chamado para que exerçam — diariamente!, não apenas em situações de emergência — os direitos que têm; e para que cumpram nobremente as obrigações que têm como cidadãos — na vida pública, na vida econômica, na vida universitária, na vida profissional — assumindo com valentia todas as conseqüências das suas livres decisões, e arcando com o peso da correspondente independência pessoal. E essa cristã mentalidade laical permitirá fugir de toda e qualquer intolerância, de todo fanatismo; vou dizê-lo de um modo positivo: fará que todos convivam em paz com todos os concidadãos, e fomentará também a convivência nas diversas ordens da vida social.
118 Sei que não tenho necessidade de recordar o que, ao longo de tantos anos, venho repetindo. Esta doutrina de liberdade de cidadãos, de convivência e de compreensão, constitui parte importante da mensagem que o Opus Dei difunde. Será que ainda tenho de voltar a afirmar que os homens e mulheres que querem servir a Jesus Cristo na Obra de Deus são simplesmente cidadãos iguais aos outros, que se esforçam por viver com séria responsabilidade — até as últimas conclusões — sua vocação cristã?

Nada distingue meus filhos de seus concidadãos. Em contrapartida , além da fé, nada têm de comum com os membros das congregações religiosas. Amo os religiosos, e venero e admito suas clausuras, seus apostolados, seu afastamento do mundo — seu contemptus mundi — , que são outros sinais de santidade na igreja. Mas o Senhor não me deu vocação religiosa, e desejá-la para mim seria uma desordem. Nenhuma autoridade na terra poderá me obrigar a ser religioso, assim como nenhuma autoridade pode forçar-me a contrair matrimônio. Sou sacerdote secular: sacerdote de Jesus Cristo, que ama o mundo apaixonadamente.
119 Os que seguiram a Jesus Cristo comigo, pobre pecador, são: uma pequena percentagem de sacerdotes, que anteriormente exerciam uma profissão ou um ofício laical; um grande número de sacerdotes seculares de muitas dioceses do mundo — que assim confirmaram sua obediência aos respectivos Bispos e seu amor à diocese e a eficácia de seu trabalho diocesano — , sempre com os braços abertos em cruz para todas as almas lhes caberem no coração, e que estão como eu no meio da rua, no mundo, e o amam; e a grande multidão formada por homens e por mulheres — de diversas nações, de diversas línguas, de diversas raças — que vivem de seu trabalho profissional, casados a maior parte deles, solteiros muitos outros, e que, ao lado de seus concidadãos , tomam parte na grave tarefa de tornar mais humana e mais justa a sociedade temporal: na nobre lide dos afãs diários, com responsabilidade pessoal — repito — , experimentando com os outros homens, lado a lado, êxitos e malogros, tratando de cumprir seus deveres e de exercer seus direitos sociais e cívicos. E tudo com naturalidade, como qualquer cristão consciente , sem mentalidade de gente seleta, fundidos na massa de seus colegas, enquanto procuram descobrir os fulgores divinos que reverberam nas realidades mais vulgares.

Também as obras promovidas pelo Opus Dei, como associação, têm essas características eminentemente seculares: não são obras eclesiásticas. Não gozam de nenhuma representação oficial da Sagrada Hierarquia da Igreja. São obras de promoção humana, cultural, social, realizadas por cidadãos, que procuram iluminá-las com as luzes do Evangelho e caldeá-las com o amor de Cristo. Um dado que pode exprimir isto com mais clareza: O Opus Dei, por exemplo, não tem nem terá jamais como missão dirigir Seminários diocesanos, onde os Bispos, instituídos pelo Espírito Santo, preparam seus futuros sacerdotes.
120 Em contrapartida, o Opus Dei fomenta centros de formação operária, de habilitação agrícola, de educação primária, secundária e universitária, e tantas e tão variadas atividades mais, no mundo inteiro, porque seus anseios apostólicos — como escrevi faz muitos anos — são um mar sem fundo.

Mas, para que me hei de alongar nesta matéria, se a presença dos que me escutam é de per si mais eloqüente do que um longo discurso? Os Amigos da Universidade de Navarra que me escutam, são parte de um povo que sabe estar comprometido no progresso da sociedade a que pertence. Seu alento cordial, sua oração, seu sacrifício e suas contribuições não se inserem nos quadros de um confessionalismo católico: prestando a sua colaboração, eles são claro testemunho de uma reta consciência de cidadãos, preocupada com o bem-comum temporal; testemunham que uma Universidade pode nascer das energias do povo e ser sustentada pelo povo.

Quero aproveitar a ocasião para agradecer uma vez mais a colaboração prestada à nossa Universidade por esta minha nobilíssima cidade de Pamplona, a grande e forte região navarra; e pelos Amigos procedentes de toda a geografia espanhola e — digo-o com especial emoção — pelos não espanhóis, e ainda pelos não católicos e os não cristãos, que compreenderam, mostrando-o com fatos, aliás, a intenção e o espírito deste empreendimento.

A todos se deve que a Universidade seja um foco, cada vez mais vivo, de liberdade cívica, de preparação intelectual, de emulação profissional, e um estimulo para o

ensino universitário. O sacrifício generoso de todos está na base do labor universal que visa o incremento das ciências humanas, a promoção social, a pedagogia da fé.

O que acabo de enunciar foi visto com clareza pelo povo navarro, que reconhece também em sua Universidade um fator de promoção econômica da região, e especialmente de promoção social, havendo possibilitado a tantos de seus filhos um acesso às profissões intelectuais que — de outro modo — seria árduo e, em certos casos, impossível conseguir. O discernimento do papel que a Universidade haveria de desempenhar em sua vida, decerto motivou o apoio a ela dispensado por Navarra desde o início: apoio que, sem dúvida, terá de ser de dia para dia mais amplo e entusiasta.
121 Continuo mantendo a esperança — porque corresponde a um critério justo e à realidade vigente em muitos países — de que um dia o Estado Espanhol contribua, por sua parte, para aliviar os ônus de uma tarefa que não tem em vista proveito privado algum, pois — muito pelo contrário — , por estar totalmente votada ao serviço da sociedade, procura trabalhar com eficácia em prol da prosperidade presente e futura da nação.

E agora, filhos e filhas, permitam que me detenha em outro aspecto — particularmente entranhável — da vida ordinária. Refiro-me ao amor humano, ao amor limpo entre um homem e uma mulher, ao noivado, ao matrimônio. Devo dizer uma vez mais que esse santo amor humano não é algo permitido, tolerado, ao lado das verdadeiras atividades do espírito, como poderiam insinuar os falsos espiritualismos a que antes aludia. Faz quarenta anos que venho pregando, de palavra e por escrito, exatamente o contrário; e já o vão entendendo os que não o compreendiam.

O amor que conduz ao matrimônio e à família pode ser também um caminho divino, vocacional, maravilhoso, por onde corra, como um rio em seu leito, uma completa dedicação ao nosso Deus. Já o lembrei: realizem as coisas com perfeição, ponham amor nas pequenas atividades da jornada; Descubram — insisto — esse algo divino que nos detalhes se encerra: toda esta doutrina encontra lugar especial no espaço vital em que se enquadra o amor humano.

Já o sabem os professores, os alunos e todos os que dedicam seu trabalho à Universidade de Navarra: eu encomendei os amores de todos a Santa Maria, Mãe do Amor Formoso. E ai está a ermida que construímos com devoção, no campus universitário, para receber de todos as orações e a oblação desse maravilhoso e limpo amor, que Ela abençoa.

Não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, recebido de Deus e que não vos pertenceis? Quantas vezes responderão, diante da imagem da Virgem Maria, da mãe do Amor Formoso, com uma afirmação cheia de júbilo à pergunta do Apóstolo: sim, nós o sabemos e queremos vivê-lo com tua ajuda poderosa, ó Virgem Mãe de Deus!

A oração contemplativa surgirá em todos sempre que meditarem nesta realidade impressionante: alago tão material como meu corpo foi escolhido pelo Espírito Santo para estabelecer sua morada..., não pertenço mais a mim..., meu corpo e minha alma — todo o meu ser — são de Deus... E essa oração será rica em resultados práticos, derivados da grande conseqüência que o próprio Apóstolo propõe: glorificai a Deus em vosso corpo.
122 Por outro lado, como não podem deixar de reconhecer, só entre os que compreendem e avaliam em toda a sua profundidade o que acabamos de considerar acerca do amor humano, pode surgir essa outra compreensão inefável de que falou Jesus, que é puro dom de Deus e que impele a entregar o corpo e a alma ao Senhor, a oferecer-Lhe o coração indiviso, sem a mediação do amor terreno.
123 Tenho que terminar, meus filhos. Disse no começo que minhas palavras pretendiam anunciar alguma coisa da grandeza e da misericórdia de Deus. Penso tê-lo feito, falando de viver santamente a vida ordinária: porque uma vida santa em meio da realidade secular — sem ruído, com simplicidade, com veracidade — , não será, porventura a manifestação mais comovente das magnalia Dei, dessas portentosas misericórdias que Deus sempre exerceu, e não deixa de exercer, para salvar o mundo?

Agora peço que se unam com o salmista à minha oração e ao meu louvor: magnificate Dominum mecum, et extollamus nomen eius simul; engrandecei o Senhor comigo, e enalteçamos seu nome todos juntos. Quer dizer, meus filhos: vivamos de fé.

Tomemos o escudo da fé, o elmo da salvação e a espada do espírito, que é a Palavra de Deus. Assim nos anima o Apóstolo São Paulo na Epístola aos de Éfeso, que faz um instante se proclamava liturgicamente.

Fé, virtude que nós, os cristãos, tanto necessitamos, de modo especial neste ano da Fé promulgado por nosso amadíssimo Santo Padre o Papa Paulo VI: porque, sem a fé, falta o próprio fundamento para a santificação da vida ordinária.

Fé viva neste momento, porque nos abeiramos do mysterium fidei, da Sagrada Eucaristia; porque vamos tomar parte nesta Páscoa do Senhor, que resume e realiza as misericórdias de Deus para com os homens.

Fé, meus filhos, para confessar que, dentro de uns instantes, sobre esta ara, vai-se renovar a obra de nossa Redenção. Fé para saborear o Credo e experimentar, em torno deste altar e desta Assembléia, a presença de Cristo, que nos faz cor unum et anima una, um só coração e uma só alma; e nos converte em família, em igreja, una, santa, católica, apostólica e romana, que para nós é o mesmo que universal.

Fé, finalmente, filhas e filhos queridíssimos, para demonstrar ao mundo que tudo isso não são cerimônias e palavras, mas uma realidade divina, apresentando aos homens o testemunho de uma vida ordinária santificada, em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e de Santa Maria.
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carlos alberto di franco


O atrevimento da santidade
11 de junho de 2012 | 3h 07
Carlos Alberto Di Franco
Paul Johnson é um dos grandes historiadores e intelectuais contemporâneos. Autor do extraordinário Tempos Modernos: o Mundo dos Anos 20 aos 80, seus textos são sempre provocadores. Dono de cultura invejável e sinceridade afiada, Johnson não sucumbe aos clichês vazios. Em seu livro Os Heróis, ele destaca a importância das lideranças morais.
"Os heróis", diz Paul Johnson, "inspiram, motivam. (...) Eles nos ajudam a distinguir o certo do errado e a compreender os méritos morais da nossa causa." Os comentários de Johnson trazem à minha memória um texto que exerceu forte influência no rumo da minha vida: Amar o Mundo Apaixonadamente, homilia proferida por São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei e primeiro grão-chanceler da Universidade de Navarra, durante missa celebrada no câmpus daquela prestigiosa instituição. São Josemaría - cuja festa a Igreja celebra no dia 26 de junho - foi um mestre na busca da santidade no trabalho profissional e nas atividades cotidianas.
Propunha, naquela homilia vibrante e carregada de atrevimento, "materializar a vida espiritual". Queria afastar os cristãos da tentação "de levar uma espécie de vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e, por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas". O cristianismo encarnado nas realidades cotidianas, eis o miolo da proposta de São Josemaría. "Não pode haver uma vida dupla, não podemos ser esquizofrênicos, se queremos ser cristãos", sublinha. E, numa advertência contra todas as manifestações de espiritualismo mal entendido e de beatice, afirma de modo taxativo: "Ou sabemos encontrar o Senhor na nossa vida de todos os dias ou não o encontraremos nunca".
"A vocação cristã consiste em transformar em poesia heroica a prosa de cada dia". A vida, o trabalho, as relações sociais, tudo o que compõe o mosaico da nossa vida é matéria para ser santificada. São Josemaría, um santo alegre e otimista, olha a vida com uma lente extremamente positiva: "O mundo não é ruim, porque saiu das mãos de Deus". O autêntico cristão não vive de costas para o mundo nem encara o seu tempo com inquietação ou nostalgias do passado. O verdadeiro cristão não vive focado no retrovisor. "Qualquer modo de evasão das honestas realidades diárias é para os homens e mulheres do mundo coisa oposta à vontade de Deus". A luta do nosso tempo, com suas luzes e suas sombras, é sempre o desafio mais fascinante.
O pensamento de São Josemaría Escrivá, apoiado numa visão transcendente da vida e, ao mesmo tempo, com os pés bem fincados na realidade material e cotidiana, consegue, de fato, captar plenamente a contextura humana e ética dos acontecimentos. Ele tem, no fundo, a terceira dimensão: a religiosa e ética - e somente com esse foco é possível entender plenamente o mundo em que vivemos. Na verdade, o esgotamento do materialismo histórico e a crescente frustração do consumismo hedonista prenunciam uma mudança comportamental: o mundo está sedento de liberdade, mas nostálgico de certezas.
Articular verdade e liberdade é, talvez, um dos mais interessantes recados de São Josemaría. Insurge-se, vigorosamente, contra o clericalismo que se oculta na mentalidade de discurso único, na injusta dogmatização das coisas que são legitimamente opináveis. São Josemaría afirma que um cristão não deve "pensar ou dizer que desce do templo ao mundo para representar a Igreja", nem que "as suas soluções são as soluções católicas para aqueles problemas". Por defender esse pluralismo, sofreu incompreensões, até mesmo de algumas pessoas da Cúria Romana, que entendiam, por exemplo, que na Itália os católicos tinham o dever de votar no Partido da Democracia Cristã.
São Josemaría não deixa de enfatizar o valor insubstituível da liberdade - particularmente a liberdade de expressão e de pensamento - contra todas as formas de intolerância e sectarismo. Para ele, o pluralismo nas questões humanas não é algo que deva ser tolerado, mas, sim, amado e procurado.
A sua defesa da liberdade, no entanto, não fica num conceito descomprometido, ele mergulha na raiz existencial da liberdade: o amor - amor a Deus, amor aos homens, amor à verdade. E sua defesa da fé e da verdade não é, de fato, "antinada", mas a favor de uma concepção da vida que não pretende dominar. Ao contrário, é, sim, uma proposta que convida a uma livre resposta de cada ser humano.
Seus ensinamentos se contrapõem a uma tendência cultural do nosso tempo: o empenho em confrontar verdade e liberdade. Frequentemente, as convicções, mesmo quando livremente assumidas, recebem o estigma de fundamentalismo. Tenta-se impor, em nome da liberdade, o que poderíamos chamar de dogma do relativismo. Essa relativização da verdade não se manifesta apenas no campo das ideias. De fato, tem inúmeras consequências no conteúdo ético da informação.
A tese, por exemplo, de que é necessário ouvir os dois lados de uma mesma questão é irrepreensível, não há como discuti-la sem destruir os próprios fundamentos do jornalismo. Só que passou a ser usada para evitar a busca da verdade. A tendência a reduzir o jornalismo a um trabalho de simples transmissão de diversas versões oculta a falácia de que a captação da verdade dos fatos é uma quimera. E não é. O bom jornalismo é a busca apaixonada da verdade.
A figura de São Josemaría Escrivá, o seu amor à verdade e a sua paixão pela liberdade tiveram grande influência em minha vida pessoal e profissional. Amar o Mundo Apaixonadamente não é apenas um texto moderno e forte. Sua mensagem, devidamente refletida, serve de poderosa alavanca para o exercício da nossa atividade profissional.
* DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO
E-MAIL: FRANCO@IICS.ORG.BR



quarta-feira, 6 de junho de 2012

Causas do colesterol alto

What Causes High Blood Cholesterol?

Many factors can affect the cholesterol levels in your blood. You can control some factors, but not others.

Factors You Can Control

Diet

Cholesterol is found in foods that come from animal sources, such as egg yolks, meat, and cheese. Some foods have fats that raise your cholesterol level.
For example, saturated fat raises your low-density lipoprotein (LDL) cholesterol level more than anything else in your diet. Saturated fat is found in some meats, dairy products, chocolate, baked goods, and deep-fried and processed foods.
Trans fatty acids (trans fats) raise your LDL cholesterol and lower your high-density lipoprotein (HDL) cholesterol. Trans fats are made when hydrogen is added to vegetable oil to harden it. Trans fats are found in some fried and processed foods.
Limiting foods with cholesterol, saturated fat, and trans fats can help you control your cholesterol levels.

Physical Activity and Weight

Lack of physical activity can lead to weight gain. Being overweight tends to raise your LDL level, lower your HDL level, and increase your total cholesterol level. (Total cholesterol is a measure of the total amount of cholesterol in your blood, including LDL and HDL).
Routine physical activity can help you lose weight and lower your LDL cholesterol. Being physically active also can help you raise your HDL cholesterol level.

Factors You Can’t Control

Heredity

High blood cholesterol can run in families. An inherited condition called familial hypercholesterolemiaexternal link icon causes very high LDL cholesterol. (“Inherited” means the condition is passed from parents to children through genes.) This condition begins at birth, and it may cause a heart attack at an early age.

Age and Sex

Starting at puberty, men often have lower levels of HDL cholesterol than women. As women and men age, their LDL cholesterol levels often rise. Before age 55, women usually have lower LDL cholesterol levels than men. However, after
age 55, women can have higher LDL levels than men.

Diagnóstico de colesterol alto

How Is High Blood Cholesterol Diagnosed?

Your doctor will diagnose high blood cholesterol by checking the cholesterol levels in your blood. A blood test called a lipoprotein panel can measure your cholesterol levels. Before the test, you’ll need to fast (not eat or drink anything but water) for 9 to 12 hours.
The lipoprotein panel will give your doctor information about your:
  • Total cholesterol. Total cholesterol is a measure of the total amount of cholesterol in your blood, including low-density lipoprotein (LDL) cholesterol and high-density lipoprotein (HDL) cholesterol.
  • LDL cholesterol. LDL, or “bad,” cholesterol is the main source of cholesterol buildup and blockages in the arteries.
  • HDL cholesterol. HDL, or “good,” cholesterol helps remove cholesterol from your arteries.
  • Triglycerides (tri-GLIH-seh-rides). Triglycerides are a type of fat found in your blood. Some studies suggest that a high level of triglycerides in the blood may raise the risk of coronary heart disease, especially in women.
If it’s not possible to have a lipoprotein panel, knowing your total cholesterol and HDL cholesterol can give you a general idea about your cholesterol levels.
Testing for total and HDL cholesterol does not require fasting. If your total cholesterol is 200 mg/dL or more, or if your HDL cholesterol is less than 40 mg/dL, your doctor will likely recommend that you have a lipoprotein panel. (Cholesterol is measured as milligrams (mg) of cholesterol per deciliter (dL) of blood.)
The tables below show total, LDL, and HDL cholesterol levels and their corresponding categories. See how your cholesterol numbers compare to the numbers in the tables below.
Total Cholesterol LevelTotal Cholesterol Category
Less than 200 mg/dLDesirable
200–239 mg/dLBorderline high
240 mg/dL and higherHigh

LDL Cholesterol LevelLDL Cholesterol Category
Less than 100 mg/dLOptimal
100–129 mg/dLNear optimal/above optimal
130–159 mg/dLBorderline high
160–189 mg/dLHigh
190 mg/dL and higherVery high

HDL Cholesterol LevelHDL Cholesterol Category
Less than 40 mg/dLA major risk factor for heart disease
40–59 mg/dLThe higher, the better
60 mg/dL and higherConsidered protective against heart disease
Triglycerides also can raise your risk for heart disease. If your triglyceride level is borderline high (150–199 mg/dL) or high (200 mg/dL or higher), you may need treatment.
Factors that can raise your triglyceride level include:
  • Overweight and obesity
  • Lack of physical activity
  • Cigarette smoking
  • Excessive alcohol use
  • A very high carbohydrate diet
  • Certain diseases and medicines
  • Some genetic disorders

DIETA TLC

How Is High Blood Cholesterol Treated?

High blood cholesterol is treated with lifestyle changes and medicines. The main goal of treatment is to lower your low-density lipoprotein (LDL) cholesterol level enough to reduce your risk for coronary heart disease, heart attack, and other related health problems.
Your risk for heart disease and heart attack goes up as your LDL cholesterol level rises and your number of heart disease risk factors increases.
Some people are at high risk for heart attacks because they already have heart disease. Other people are at high risk for heart disease because they have diabetesexternal link icon or more than one heart disease risk factor.
Talk with your doctor about lowering your cholesterol and your risk for heart disease. Also, check the list to find out whether you have risk factors that affect your LDL cholesterol goal:
  • Cigarette smoking
  • High blood pressure (140/90 mmHg or higher), or you’re on medicine to treat high blood pressure
  • Low high-density lipoprotein (HDL) cholesterol (less than 40 mg/dL)
  • Family history of early heart disease (heart disease in father or brother before age 55; heart disease in mother or sister before age 65)
  • Age (men 45 years or older; women 55 years or older)
You can use the NHLBI 10-Year Risk Calculatorexternal link icon to find your risk score. The score, given as a percentage, refers to your chance of having a heart attack in the next 10 years.
Based on your medical history, number of risk factors, and risk score, figure out your risk of getting heart disease or having a heart attack using the table below.
If You HaveYou Are in CategoryYour LDL Goal Is
Heart disease, diabetes, or a risk score higher than 20%I. High risk*Less than 100 mg/dL
Two or more risk factors and a risk score of 10–20%II. Moderately high riskLess than 130 mg/dL
Two or more risk factors and a risk score lower than 10%III. Moderate riskLess than 130 mg/dL
One or no risk factorsIV. Low to moderate riskLess than 160 mg/dL
 *Some people in this category are at very high risk because they’ve just had a heart attack or they have diabetes and heart disease, severe risk factors, or metabolic syndrome. If you’re at very high risk, your doctor may set your LDL goal even lower, to less than 70 mg/dL. Your doctor also may set your LDL goal at this lower level if you have heart disease alone.
After following the above steps, you should have an idea about your risk for heart disease and heart attack. The two main ways to lower your cholesterol (and, thus, your heart disease risk) include:
  • Therapeutic Lifestyle Changes (TLC). TLC is a three-part program that includes a healthy diet, weight management, and physical activity. TLC is for anyone whose LDL cholesterol level is above goal.
  • Medicines. If cholesterol-lowering medicines are needed, they’re used with the TLC program to help lower your LDL cholesterol level.
Your doctor will set your LDL goal. The higher your risk for heart disease, the lower he or she will set your LDL goal. Using the following guide, you and your doctor can create a plan for treating your high blood cholesterol.
Category I, high risk, your LDL goal is less than 100 mg/dL.*
Your LDL LevelTreatment
If your LDL level is 100 or higherYou will need to begin the TLC diet and take medicines as prescribed.
Even if your LDL level is below 100You should follow the TLC diet to keep your LDL level as low as possible.
* Your LDL goal may be set even lower, to less than 70 mg/dL, if you’re at very high risk or if you have heart disease. If you have this lower goal and your LDL is 70 mg/dL or higher, you’ll need to begin the TLC diet and take medicines as prescribed.
Category II, moderately high risk, your LDL goal is less than 130 mg/dL.
Your LDL LevelTreatment
If your LDL level is 130 mg/dL or higherYou will need to begin the TLC diet.
If your LDL level is 130 mg/dL or higher after 3 months on the TLC dietYou may need medicines along with the TLC diet.
If your LDL level is less than 130 mg/dLYou will need to follow a heart healthy diet.
Category III, moderate risk, your LDL goal is less than 130 mg/dL.
Your LDL LevelTreatment
If your LDL level is 130 mg/dL or higherYou will need to begin the TLC diet.
If your LDL level is 160 mg/dL or higher after 3 months on the TLC dietYou may need medicines along with the TLC diet.
If your LDL level is less than 130 mg/dLYou will need to follow a heart healthy diet.
Category IV, low to moderate risk, your LDL goal is less than 160 mg/dL.
Your LDL LevelTreatment
If your LDL level is 160 mg/dL or higherYou will need to begin the TLC diet.
If your LDL level is 160 mg/dL or higher after 3 months on the TLC dietYou may need medicines along with the TLC diet.
If your LDL level is less than 160 mg/dLYou will need to follow a heart healthy diet.

Lowering Cholesterol Using Therapeutic Lifestyle Changes

TLC is a set of lifestyle changes that can help you lower your LDL cholesterol. The main parts of the TLC program are a healthy diet, weight management, and physical activity.

The TLC Diet

With the TLC diet, less than 7 percent of your daily calories should come from saturated fat. This kind of fat is found in some meats, dairy products, chocolate, baked goods, and deep-fried and processed foods.
No more than 25 to 35 percent of your daily calories should come from all fats, including saturated, trans, monounsaturated, and polyunsaturated fats.
You also should have less than 200 mg a day of cholesterol. The amounts of cholesterol and the types of fat in prepared foods can be found on the foods' Nutrition Facts labels.
Foods high in soluble fiber also are part of the TLC diet. They help prevent the digestive tract from absorbing cholesterol. These foods include:
  • Whole-grain cereals such as oatmeal and oat bran
  • Fruits such as apples, bananas, oranges, pears, and prunes
  • Legumes such as kidney beans, lentils, chick peas, black-eyed peas, and lima beans
A diet rich in fruits and vegetables can increase important cholesterol-lowering compounds in your diet. These compounds, called plant stanols or sterols, work like soluble fiber.
A healthy diet also includes some types of fish, such as salmon, tuna (canned or fresh), and mackerel. These fish are a good source of omega-3 fatty acids. These acids may help protect the heart from blood clots and inflammation and reduce the risk of heart attack. Try to have about two fish meals every week.
You also should try to limit the amount of sodium (salt) that you eat. This means choosing low-salt and "no added salt" foods and seasonings at the table or while cooking. The Nutrition Facts label on food packaging shows the amount of sodium in the item.
Try to limit drinks with alcohol. Too much alcohol will raise your blood pressure and triglyceride level. (Triglycerides are a type of fat found in the blood.) Alcohol also adds extra calories, which will cause weight gain.
Men should have no more than two drinks containing alcohol a day. Women should have no more than one drink containing alcohol a day. One drink is a glass of wine, beer, or a small amount of hard liquor.
For more information about TLC, go to the National Heart, Lung, and Blood Institute’s (NHLBI’s) "Your Guide to Lowering Your Cholesterol With TLC."

Weight Management

If you’re overweight or obese, losing weight can help lower LDL cholesterol. Maintaining a healthy weight is especially important if you have a condition called metabolic syndrome.
Metabolic syndrome is the name for a group of risk factors that raise your risk for heart disease and other health problems, such as diabetes and stroke.
The five metabolic risk factors are a large waistline (abdominal obesity), a high triglyceride level, a low HDL cholesterol level, high blood pressure, and high blood sugar. Metabolic syndrome is diagnosed if you have at least three of these metabolic risk factors.

Physical Activity

Routine physical activity can lower LDL cholesterol and triglycerides and raise your HDL cholesterol level.
People gain health benefits from as little as 60 minutes of moderate-intensity aerobic activity per week. The more active you are, the more you will benefit.
For more information about physical activity, go to the U.S. Department of Health and Human Services' "2008 Physical Activity Guidelines for Americans,"external link icon the Health Topics Physical Activity and Your Heart article, and the NHLBI's "Your Guide to Physical Activity and Your Heart."

Cholesterol-Lowering Medicines

In addition to lifestyle changes, your doctor may prescribe medicines to help lower your cholesterol. Even with medicines, you should continue the TLC program.
Medicines can help control high blood cholesterol, but they don’t cure it. Thus, you must continue taking your medicine to keep your cholesterol level in the recommended range.
The five major types of cholesterol-lowering medicines are statins, bile acid sequestrants (seh-KWES-trants), nicotinic (nick-o-TIN-ick) acid, fibrates, and ezetimibe.
  • Statins work well at lowering LDL cholesterol. These medicines are safe for most people. Rare side effects include muscle and liver problems.
  • Bile acid sequestrants also help lower LDL cholesterol. These medicines usually aren’t prescribed as the only medicine to lower cholesterol. Sometimes they’re prescribed with statins.
  • Nicotinic acid lowers LDL cholesterol and triglycerides and raises HDL cholesterol. You should only use this type of medicine with a doctor’s supervision.
  • Fibrates lower triglycerides, and they may raise HDL cholesterol. When used with statins, fibrates may increase the risk of muscle problems.
  • Ezetimibe lowers LDL cholesterol. This medicine works by blocking the intestine from absorbing cholesterol.
While you’re being treated for high blood cholesterol, you’ll need ongoing care. Your doctor will want to make sure your cholesterol levels are controlled. He or she also will want to check for other health problems.
If needed, your doctor may prescribe medicines for other health problems. Take all medicines exactly as your doctor prescribes. The combination of medicines may lower your risk for heart disease and heart attack.
While trying to manage your cholesterol, take steps to manage other heart disease risk factors too. For example, if you have high blood pressure, work with your doctor to lower it.
If you smoke, quit. Talk with your doctor about programs and products that can help you quit smoking. Also, try to avoid secondhand smoke. If you’re over