Como investir de forma inteligente em 2017
Ano de 2016 mostrou como somos ruins em previsões, mas investidor ainda terá porto seguro na renda fixa e títulos prefixados
Fábio Gallo
26 Dezembro 2016 | 06h56
O ano novo está pedindo passagem e o Brasil está passando, ressentido com tudo que vivemos em 2016. Ano marcado por acontecimentos de alto impacto na política, na economia e no nosso cotidiano, com vidas perdidas sem necessidade. Mas, se pensarmos um pouco, veremos uma linha comum nesses episódios: a ganância humana em todos os seus aspectos.
Eu gostaria de ter acesso ao Oráculo de Delfos para saber o que ainda vem pela frente. Sei que o ano de 2017 vai exigir muita perspicácia de todos nós. A inflação aponta para o centro da meta de 4,5% e, se tudo der certo, teremos o PIB crescendo, abaixo de 1%, nada brilhante. A trava de crédito ainda está muito forte. O devedor terá mais um ano difícil, mas com taxas de juros menores do que neste ano. Se o desemprego, que atingiu 12%, der uma folga, alguns bolsos ficarão muito agradecidos.
No entanto, mesmo tendo algumas indicações sobre o nosso futuro próximo, o ano de 2016 mostrou o quanto somos ruins em nossas previsões. Os “cisnes negros” estiveram à solta. Como Nassim Taleb (famoso financista que ganhou dinheiro apostando na crise global de 2008) nos apresenta, estes são eventos inesperados, de impacto extremo e que parecem óbvios após terem acontecido. Isso explica o surgimento de diversos cavaleiros do apocalipse, que fizeram previsões equivocadas para este ano e que agora aparecem na mídia dizendo que acertaram as evidências – mas não sobrevivem a teste algum. Erramos e ainda vamos errar mais.
O mundo está mais imprevisível, não sabemos o que acontecerá após a posse do republicano Donald Trump, com o crescimento chinês e suas consequências. No horizonte nacional, a Operação Lava Jato ainda deverá provocar muita turbulência política e econômica.
Mas podemos visualizar alguns caminhos. O investidor ainda terá em 2017 um porto seguro na renda fixa, e títulos prefixados estarão entre as boas oportunidades.
Contudo, devemos colocar na ponta do lápis o rendimento das alternativas. Poderemos ter alguma surpresa no campo tributário. De qualquer forma, no próximo ano devemos estar atentos às ofertas das fintechs – start-ups que oferecem serviços ou produtos financeiros.
Por outro lado, os investidores deverão buscar mais diversificação de suas carteiras, voltando seu olhar também para a renda variável. Fundos multimercado ou mesmo fundos de ações também poderão ser buscados, mas é preciso considerar muito bem os custos.
Outras opções que devem entrar no cardápio são os fundos de crédito e os fundos imobiliários.
Algumas boas alternativas em ações de empresas com boas perspectivas estão surgindo. Empresas de setores tradicionais e as instituições financeiras estão se mostrando com potencial de bons resultados. Caso ocorra a esperada redução da inadimplência, os bancos devem apresentar maiores lucros.
Qualquer que seja o perfil do investidor, em um ambiente de maior imprevisibilidade é essencial estabelecer uma estratégia para sua carteira de acordo com os objetivos de sua vida financeira, estabelecendo qual o grau de risco suportável e os limites de perdas em ativos de renda variável.
Isso tudo para que o aspecto comportamental, a emoção, não atrapalhe fortemente as decisões de investimento. Planeje, dedique-se e busque conhecer mais sobre o mercado financeiro. Um ano sem muita previsibilidade pode trazer muitas oportunidades. Esteja atento.
