segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Como investir de forma inteligente em 2017



Como investir de forma inteligente em 2017

Ano de 2016 mostrou como somos ruins em previsões, mas investidor ainda terá porto seguro na renda fixa e títulos prefixados


Fábio Gallo
26 Dezembro 2016 | 06h56
O ano novo está pedindo passagem e o Brasil está passando, ressentido com tudo que vivemos em 2016. Ano marcado por acontecimentos de alto impacto na política, na economia e no nosso cotidiano, com vidas perdidas sem necessidade. Mas, se pensarmos um pouco, veremos uma linha comum nesses episódios: a ganância humana em todos os seus aspectos.
Eu gostaria de ter acesso ao Oráculo de Delfos para saber o que ainda vem pela frente. Sei que o ano de 2017 vai exigir muita perspicácia de todos nós. A inflação aponta para o centro da meta de 4,5% e, se tudo der certo, teremos o PIB crescendo, abaixo de 1%, nada brilhante. A trava de crédito ainda está muito forte. O devedor terá mais um ano difícil, mas com taxas de juros menores do que neste ano. Se o desemprego, que atingiu 12%, der uma folga, alguns bolsos ficarão muito agradecidos.
No entanto, mesmo tendo algumas indicações sobre o nosso futuro próximo, o ano de 2016 mostrou o quanto somos ruins em nossas previsões. Os “cisnes negros” estiveram à solta. Como Nassim Taleb (famoso financista que ganhou dinheiro apostando na crise global de 2008) nos apresenta, estes são eventos inesperados, de impacto extremo e que parecem óbvios após terem acontecido. Isso explica o surgimento de diversos cavaleiros do apocalipse, que fizeram previsões equivocadas para este ano e que agora aparecem na mídia dizendo que acertaram as evidências – mas não sobrevivem a teste algum. Erramos e ainda vamos errar mais.
O mundo está mais imprevisível, não sabemos o que acontecerá após a posse do republicano Donald Trump, com o crescimento chinês e suas consequências. No horizonte nacional, a Operação Lava Jato ainda deverá provocar muita turbulência política e econômica. 
Mas podemos visualizar alguns caminhos. O investidor ainda terá em 2017 um porto seguro na renda fixa, e títulos prefixados estarão entre as boas oportunidades.
Contudo, devemos colocar na ponta do lápis o rendimento das alternativas. Poderemos ter alguma surpresa no campo tributário. De qualquer forma, no próximo ano devemos estar atentos às ofertas das fintechs – start-ups que oferecem serviços ou produtos financeiros.
Por outro lado, os investidores deverão buscar mais diversificação de suas carteiras, voltando seu olhar também para a renda variável. Fundos multimercado ou mesmo fundos de ações também poderão ser buscados, mas é preciso considerar muito bem os custos. 
Outras opções que devem entrar no cardápio são os fundos de crédito e os fundos imobiliários. 
Algumas boas alternativas em ações de empresas com boas perspectivas estão surgindo. Empresas de setores tradicionais e as instituições financeiras estão se mostrando com potencial de bons resultados. Caso ocorra a esperada redução da inadimplência, os bancos devem apresentar maiores lucros.
Qualquer que seja o perfil do investidor, em um ambiente de maior imprevisibilidade é essencial estabelecer uma estratégia para sua carteira de acordo com os objetivos de sua vida financeira, estabelecendo qual o grau de risco suportável e os limites de perdas em ativos de renda variável. 
Isso tudo para que o aspecto comportamental, a emoção, não atrapalhe fortemente as decisões de investimento. Planeje, dedique-se e busque conhecer mais sobre o mercado financeiro. Um ano sem muita previsibilidade pode trazer muitas oportunidades. Esteja atento.

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sábado, 24 de dezembro de 2016

Crescimento jà - Roberto Luís Troster e José A. Giannotti



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Crescimento já!

O País tem todos os sintomas de uma crise de crédito, e a saída dela pode ser rápida
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*Roberto Luis Troster
23 Dezembro 2016 | 03h01
Há uma visão dominante em todo o território nacional de que a origem da crise é fiscal e de que o crescimento virá devagar. Esse entendimento está equivocado, o Brasil tem todas as condições de voltar a crescer mais celeremente do que as projeções atuais. Basta mudar o entendimento da situação. Há outra forma de analisar a realidade e existe uma estratégia de superação que complementa a atual. É questão de analisar as especificidades da atual conjuntura.
Leon Tolstoi escreveu que todas as famílias felizes se parecem entre si e as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. O mesmo vale para crises: são todas diferentes, têm características únicas de intensidade, de duração, de situação e de origem, que pode ser fiscal, mas também cambial, de choques de oferta e de algumas variantes financeiras. E podem ser resolvidas com mais de uma estratégia, que pode ser a austeridade – que está sendo adotada no Brasil e é a mais comum e demorada – ou outras combinações de políticas, que em determinadas situações apresentaram resultados surpreendentes, como foi o que Getúlio Vargas fez na década de 1930.
O ponto é que cada caso é um caso e o debate sobre a crise no Brasil está desfocado. As atenções estão nos gastos do governo, com descaso para com o setor privado, que é quem paga a conta e faz a economia crescer.
Embora o desequilíbrio das contas públicas seja importante e deva ser enfrentado, ele começou a piorar perigosamente após o início da crise, e não antes. O governo federal ainda está solvente, pagando suas contas em dia e o risco país está em queda, não em alta. Não é o lado fiscal que está parando a economia, mas, sim, a economia em recessão que está piorando o fiscal.
O País tem todos os sintomas de uma crise de crédito: inadimplência em alta, concessões caindo, juros e margens (spreads) subindo, redução de estoques e saldo total de crédito encolhendo.
Com a retirada de dinheiro do sistema pela intermediação, produtores não têm capital de giro, fornecedores querem receber antecipadamente, instituições financeiras estão conservadoras ao extremo e as empresas têm de diminuir estoques, cortar custos, parar de financiar clientes, atrasar tributos e fornecedores e, em alguns casos, desempregar e até fechar as portas.
O País caiu num redemoinho destruidor de juros cada vez mais altos, uma oferta de créditos bancários e comerciais encolhendo e morosidade sistêmica em alta. Atualmente, mais de 4 milhões de empresas e cerca de 60 milhões de cidadãos têm anotações de atraso no Serasa – e a maioria é do setor não financeiro.
A origem dos problemas está em 2010, quando, apesar do crescimento de 7,5% do PIB, a inadimplência dos créditos bancário e comercial começou a subir rapidamente, secando o canal de financiamentos e colocando a economia num redemoinho em que todos – governo, cidadãos, empresas e setor financeiro – estão perdendo cada vez mais.
Note-se que é o setor privado que está encolhendo e não é por causa do governo federal, que está solvente. E, apesar da aprovação da PEC 241 e do pacote de medidas anunciado, as expectativas de crescimento estão caindo, não subindo.
As medidas anunciadas há pouco pela Fazenda e pelo Banco Central do Brasil também não vão mudar este quadro significativamente. Note-se que as margens (spreads) estão subindo não por causa da ineficiência da intermediação, mas, sim, pela sua dinâmica defeituosa.
Lembro, aqui, que o mercado de crédito é uma criação social que depende de regras adequadas para cada situação, para promoverem a eficiência. Ilustrando o ponto: no Chile, há uma relação crédito/PIB maior que a brasileira e a rentabilidade bancária é do mesmo nível que a daqui, mas as taxas de juros cobradas lá são sete vezes menores.
O fato mais relevante é que o mercado financeiro brasileiro caiu numa armadilha de juros mais altos, prazos mais curtos e inadimplência subindo, que se propagou por todo o País.
A causa é o comportamento de alguns combinado com uma regulação inadequada, que levaram a uma dinâmica destruidora, em que lucros econômicos imediatos de poucos limitam resultados sustentáveis de toda a sociedade.
Fazendo uma analogia, a pesca predatória é um exemplo: nela, os próprios pescadores são os mais prejudicados. Ações imediatistas levam a perdas maiores ao longo do tempo. A solução é proteger os pescadores dos próprios pescadores, e, paradoxalmente, os banqueiros dos próprios banqueiros. Nos dois casos, adotando medidas sustentáveis. Note-se que e a origem dos problemas é o crédito, portanto a solução é corrigir suas distorções.
A saída (ver detalhadamente em www.simpi.org.br) consiste em cinco medidas: três rápidas, que dependem só do Poder Executivo; e duas estruturais. Se adotadas, farão uma grande diferença em pouco tempo. Com isso, o redemoinho se tornará um círculo virtuoso e o crédito deixará de ser a causa principal dos problemas para ser a solução potente.
As mudanças rápidas alteram alíquotas de tributos e de compulsórios, prazos de captação e uma renegociação sistêmica. São complementadas com a estruturação de um novo paradigma da intermediação e do modelo econômico.
As de curto prazo são para que o País saia do atoleiro celeremente e as de longo para que ele não volte a cair na mesma armadilha no futuro, melhorando as contas públicas, promovendo a justiça social, corrigindo distorções históricas e dando mais legitimidade ao governo.
O Brasil tem capital humano, capacidade empresarial, recursos disponíveis, inflação em queda, fábricas paradas, comércios com prateleiras vazias, equilíbrio externo e um governo central solvente. Enfim, tem tudo para começar a crescer rapidamente. É questão de adotar as medidas propostas, que podem fazer a “mágica” de gerar confiança e induzir ao crescimento econômico já.
*Doutor em economia, foi economista-chefe da Febraban e professor da USP e da PUC-SP. e-mail: robertotroster@uol.com.br

O instante político

Salta aos olhos a crise de representação, mas mal se consegue descrevê-la, muito menos pensá-la
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José Arthur Gianotti*
24 Dezembro 2016 | 05h00
Instituições e atores políticos se dissolvem no ar; não vejo como observar esta situação a não ser fotografando o momento. E, se o faço, é em vista dos deveres de minha profissão de professor, que se espanta diante de uma crise que nunca vi igual. Antigamente, antes de chegar o caos, os militares intervinham, forçavam na marra o País a tomar uma direção sempre antidemocrática e tudo se passava como se tivéssemos entrado nos eixos. Agora simplesmente nosso espaço econômico e político perdeu seu senso. Os agentes não conseguem agir antes de tudo como representantes das funções que lhes competem. A crise de representação salta aos olhos. No entanto, mal se consegue descrevê-la, muito menos pensá-la. Costuma-se dizer que os políticos voltaram suas costas para o povo, tratando apenas de seus interesses pessoais. Mas esse diagnóstico confunde a sociedade com o povo, cuja identidade é costurada pelo próprio exercício da política. Primeiro, distinguindo claramente companheiros e adversários, porque somente assim qualquer meta proposta pode revelar suas particularidades e divergências, veladas pelo esfacelamento tanto do discurso oficial como da “esquerda” oficializada. Segundo, porque o povo, na democracia, existe exprimindo-se e atuando mediante representantes que não o unificam como se fosse um conceito, isto é, algo comum a todos os seus casos. Um povo morre quando perde sua diversidade, costurada por semelhanças de família, cujos membros não têm o mesmo retrato.
No instante da crise, palavras-chave perdem seus significados. Todos são favoráveis a uma melhoria substancial nos procedimentos de nossa economia, mas não conseguem se agrupar e agrupar representantes que implementem seus pontos de vista. Dilma Rousseff caiu porque criou em volta de si um vácuo de poder ao tentar corrigir os malfeitos de uma política econômica desastrada. Michel Temer caminha na mesma direção, esboçando programas com rumos, mas sem meios propriamente definidos. A política gira para todos os lados sem sair do lugar, enquanto a economia e a vida pessoal se deterioram gradualmente.
Os governos petistas têm grande responsabilidade nessa crise da representação. Por certo sua origem é anterior, mas, ao construir castelos na areia, transformaram o Estado numa casca, numa biruta ao sabor dos ventos. Se tomaram medidas keynesianas corretas diante da crise, deixaram de levar em conta a rapidez do endividamento do Estado e apostaram numa saída sem considerar a baixíssima produtividade de nossa mão de obra e o novo perfil do capital internacional. Este se renova apoiando-se numa inaudita revolução tecnológica dos processos de produção e consumo. Sem esta nova base, continuaremos sendo um país do século 20. A nova globalização do capital cria riqueza assombrosa, mas igualmente particularismos abissais. Como nosso sistema representativo pode desenhar o perfil de nosso povo sendo incapaz de apontar as contradições em que se vão posicionar os relativos ganhadores e os relativos perdedores? Não há dúvida de que todo cidadão é igual perante a lei, mas é por caminhos mais ou menos pedregosos e esburacados que ele chega a ela ou ela a ele. A igualdade de direitos se baseia numa luta constante por esses direitos. Nada, porém, mais frustrante e irresponsável do que incentivar reivindicações de direitos que não têm condições de se efetivarem.
Não é o nosso pensar que mergulhou numa crise profunda? Por certo a escuridão aumenta o brilho de alguns faróis isolados, mas, no geral, nossa consciência intelectual – técnica, científica e filosófica – é morna e repetitiva. Já se sabia que a inovação técnica e científica fugia das universidades para se refugiar em institutos de pesquisa menores e mais flexíveis. Já se sabia que as universidades haveriam de se abrir para as massas. Esse processo legitimamente democrático, entretanto, somente obteria bons resultados se fosse acompanhado de um programa muito preciso de fomento e valorização da pesquisa. O contrário aconteceu, a pesquisa foi desvalorizada, às vezes sob a pecha de ser uma atividade elitista. Com honrosas exceções, as instituições universitárias formam mal seus alunos e exercem pouquíssima influência na transformação dos mercados de trabalho. E não tocamos no desastre do ensino fundamental, porque já está na ordem do dia sem que se saiba para onde vai caminhar.
Nasce uma esperança quando instituições se tornam representativas fora dos caminhos eleitorais. Não é o que está acontecendo com a Lava Jato? Na medida em que a corrupção entranhou o aparelho estatal, em que, por exemplo, empreiteiras puderam participar da construção legal do espaço em que haveriam de operar, a corrupção ganhou novo sentido político. E também os órgãos destinados a combatê-la. Não mais se trata de criminalizar um cidadão acima de qualquer suspeita, mas aquele que informalmente faz parte de um Estado corrompido. Assistindo ao esvaziamento de suas próprias atividades funcionais, jovens policiais, promotores públicos e juízes passam a agir politicamente: de um lado, fatiando o lado adversário, evitando assim que formassem uma única frente oposicionista; de outro, utilizando cuidadosamente a mídia a seu favor. Estudaram a Operação Mãos Limpas, na Itália, e aprenderam que talvez seja possível evitar que os políticos visados legislem em causa própria. Inspiraram uma reforma das leis contra a corrupção que já se encontra no Congresso Nacional, apoiada por mais de 2 milhões de assinantes. Os operadores da Lava Jato se transformam, assim, em representantes do povo, unificando os adversários da corrupção e pondo em xeque o velho adágio “rouba, mas faz”. Este não seria um exemplo de que uma nova democracia representativa poderá nascer pelos poros de uma tecnologia social mais avançada sem passar diretamente por eleições?
*É professor emérito de Filosofia e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap)

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