quinta-feira, 30 de outubro de 2014

cinco passos como investir em ações


Como investir em ações em cinco passos

Fábio Gallo - O Estado de S. Paulo
01 Outubro 2014 | 07h 00

Investimento em bolsa possui mais riscos, mas os retornos podem compensar

Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons
Mesa de operações da BM&F Bovespa
O terceiro artigo da série "Como investir", sobre os primeiros passos para quem deseja começar a investir, é dedicado ao mercado de ações, um mecanismo que possui mais riscos, mas pode compensar pelo retorno.
Na segunda-feira, 29, o portal Economia & Negócios do Estado iniciou uma série de artigos sobre como começar a investir. O primeiro tema foi o investimento em renda fixa e o segundo, Tesouro Direto.
Diariamente, nas próximas três semanas, o internauta interessado a começar a guardar algum dinheiro para planejar o seu futuro terá informações sobre diferentes modalidades de investimentos. Os artigos foram preparados pelo consultor de finanças pessoais, colunista do Estado e da Rádio Estadão e professor de finanças da FGV, Fábio Gallo.
1º passo: Saber o que é uma ação
São títulos que representam o valor da fração em que é dividido o capital social de uma empresa. Por isso as empresas que emitem ações são denominadas Sociedade por Ações. O investidor em ações (acionista) é sócio da empresa e participa de todos os seus resultados, bons ou ruins.
Quais são os tipos de ação?
a) ordinárias: dão direito a voto nas decisões e participação nos lucros.
B) preferenciais: em geral, não dão direito a voto. O acionista tem prioridade no recebimento de dividendos, às vezes em porcentual maior que o recebido nas ordinárias.
Na Bolsa de Valores as ações também são conhecidas como:
A) Blue chips ou de 1ª linha: são as ações de grande liquidez, aquelas mais procuradas pelos investidores. São, em geral, as ações de grandes empresas, que têm excelente reputação no mercado.
B) 2ª linha: são as ações de menor liquidez, de empresas boas, mas com risco superior ao das blue chips.
C) 3ª linha: ações de pouca liquidez e grande nível de risco.
2º passo: Como ganhar dinheiro com ações?
Você pode ganhar de duas maneiras ao aplicar em ações:
a) Dividendos - Participação nos lucros obtidos pela empresa;
b) Ganho de Capital - A diferença entre o preço de compra e de venda.
3º Passo: Como investir em ações?
Muitos gurus de mercado sempre citam uma máxima quando o assunto é investimento em ações: "Comprar na baixa e vender na alta".
Mas não é simples saber quando é a baixa e quando é a alta. O momento exato de comprar ou vender uma ação é muito difícil de ser encontrado, mesmo para os especialistas.
Para decidir-se sobre quais ações comprar você deve analisar sua perspectiva sobre o investimento que está sendo realizado, ou seja, qual a sua intenção e horizonte de tempo com relação ao investimento em ações.
Se a sua perspectiva for de longo prazo e o seu interesse seja obter um fluxo constante de recebimentos, como dividendos, o mais indicado costuma ser a ação preferencial.
Por outro lado, a ação ordinária é mais indicada quando o objetivo do investimento é o de obtenção de ganhos de capital, ou seja, obter retorno advindo da valorização da ação para realizar ganhos na venda.
O mais importante é entender que quem compra uma ação vai ganhar ou perder conforme o desempenho futuro da empresa. Logo, está comprando “expectativas” e não o seu desempenho passado. O que a ação realizou de ganhos no passado pode não se repetir.
Uma pergunta muito importante que deve ser feita quando do investimento em ações é: devo investir o meu dinheiro em ações de forma direta ou fazê-lo por meio de um fundo de ações?
O investimento direto depende do nível de conhecimento, disponibilidade, grau de riqueza e até mesmo sorte do investidor.
Quando comprar: o mais adequado é estabelecer uma estratégia e comprar as ações dentro do estabelecido. Por exemplo: comprar ações de empresas com visão de longo prazo e não se deixar levar por momentos de euforia de mercado.
Quando vender: uma estratégia interessante para poder aproveitar bem as oportunidades é lançar mão da ordem do Stop. Este tipo de estratégia permite aproveitar os possíveis ganhos e estabelecer um patamar máximo de perda em determinada ação.
Por exemplo: uma ação comprada por R$ 100 pode ser estabelecido que o limite de perda seria de 5%. Assim, podemos dar a ordem de Stop ao seu corretor para que ele venda a ação, sem consultá-lo, quando o preço dela atingir R$ 95.
No caso de alta de preços, a ordem de Stop poderá ser alterada para um valor mais alto. Sendo que a ordem pode ser alterada para cima conforme os preços da ação forem subindo. Assim, a ação será vendida rapidamente quando o preço cair e os ganhos serão realizados enquanto seu preço estiver em alta. Este é o segredo para aumentar os ganhos e diminuir os prejuízos.
4º passo: Diversificar
Diversificação significa investir em ações de várias empresas de setores distintos de maneira a ser obtido o retorno médio ponderado com grau de risco relativamente menor.
Uma carteira para ser dita bem diversificada precisa ter um mínimo de ações. Alguns estudos mostram que devemos ter, no mínimo, 15 ações na carteira.
5º Passo: Quais os custos e tributos?
Quando se negocia ações, devem-se considerar alguns custos:
a) Corretagem
É a taxa cobrada pelas corretoras para realizar a compra ou venda de ações. Seu valor é livre. Vale a pena a pesquisa entre as corretoras, mas considere que na compra de ações através da internet esse valor tende a ser bem menor.
b) Custódia
O valor cobrado pelas instituições pelo serviço prestado para a guarda de títulos e de administração do exercício de direitos, tais como dividendos, bonificações, subscrições, etc.
c) Outros
São alguns valores cobrados pela BM&FBOVESPA para a realização de negócios em seu ambiente. As pessoas físicas e demais investidores tem como custos:
Emolumentos: 0,0050%
Liquidação: 0,0275%
Total: 0,0325%
d) Tributação do investimento em ações
Isenções: São isentos do imposto de renda os ganhos líquidos realizados por pessoa física em operações efetuadas com ações, no mercado à vista de bolsas de valores, se o total das alienações realizadas no mês não exceder a R$ 20.000,00.
Como calcular o imposto: é devido sobre o ganho líquido apurado mês a mês nas operações realizadas.

ciinco passos para investir em renda fixa


Como investir na renda fixa em cinco passos

Fábio Gallo - O Estado de S. Paulo
29 Setembro 2014 | 07h 42

Acompanhe a partir de hoje a série de artigos preparados pelo professor da FGV e colunista do Estadão, Fábio Gallo, sobre como começar a investir para garantir um futuro mais tranqüilo

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"Poupar é o melhor caminho para garantir um futuro mais tranquilo, com segurança para enfrentar eventualidades e maiores chances de realizar sonhos e ser feliz", diz o consultor Fábio Gallo
O portal de Economia & Negócios do Estadão inicia hoje uma série de artigos sobre como começar a investir. Diariamente, nas próximas três semanas, o leitor interessado a começar a guardar algum dinheiro para planejar o seu futuro terá informações sobre diferentes modalidades de investimentos. Os artigos foram preparados pelo consultor de finanças pessoais, colunista do Estadão e da Rádio Estadão e professor de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), Fábio Gallo.
Segundo ele, qualquer que seja a escolha, o importante é começar. "Poupar é o melhor caminho para garantir um futuro mais tranquilo, com segurança para enfrentar eventualidades e maiores chances de realizar sonhos e ser feliz". Acompanhe a série que começa hoje com a renda fixa, categoria de investimentos que inclui a caderneta de poupança, forma de aplicação financeira mais popular entre os brasileiros.
1º Passo: Saber o que é um título de renda fixa
É uma aplicação financeira que promete devolver o principal investido mais juros do período em que o dinheiro ficou depositado. Em outros termos, a aplicação de recursos poupados em renda fixa significa que o investidor tem o direito de receber de volta o dinheiro aplicado acrescido de juros, como forma de remuneração pelo capital emprestado.
Exemplos de títulos de renda fixa: Certificado de Depósito Bancário (CDB), caderneta de poupança, Tesouro Direto, Letras de Crédito Imobiliário, etc.
2º Passo: Saber que você pode aplicar com prazo fixo ou indeterminado
Os títulos podem ser de prazo fixo ou indeterminado quanto a seu tempo de duração e data para o resgate.
a) Prazo Fixo: CDBs ou letras de câmbio são exemplos de títulos que o dia de resgate é determinado, portanto há um prazo de vencimento. Podendo ser de: curto prazo (até 2 anos), médio prazo (de 2 a 5 anos) ou longo prazo (acima de 5 anos).
b) Prazo indeterminado: caderneta de poupança não tem prazo de vencimento. Enquanto você não resgatar a sua caderneta de poupança ela poderá continuar recebendo depósitos e rendendo juros.
3º Passo: Como é a correção do dinheiro aplicado em título de renda fixa
Os títulos podem ser do tipo prefixado ou pós-fixado. Um título prefixado é aquele que você logo de partida sabe quanto será o rendimento. Exemplo: um CDB que promete pagar 2% ao mês. Você sabe que investindo R$ 100 após um mês haverá o rendimento de R$ 2.
Por outro lado, um "papel" que promete, por exemplo, Taxa Referencial (TR) mais 0,5% - como a caderneta de poupança, é um título pós-fixado.
Os títulos de renda fixa podem ser subdivididos em dois grupos: os ativos financeiros de emissão pública e os de emissão privada. Veja a seguir quais são as características de cada um deles.
4º Passo: Títulos Públicos
Os títulos de renda fixa no geral seguem a tabela abaixo. Eles são tributados, ou seja, o investidor precisa pagar um imposto sobre o ganho. O imposto é cobrado quando é feito o resgate final ou quando ocorre uma liquidação antecipada.
Atenção: a Caderneta de Poupança, as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são isentas de Imposto de Renda para as pessoas físicas.
Nos investimentos de prazo inferior a 30 dias incide Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Prazo de aplicação e alíquota de Imposto de Renda:
Até 180 dias: 22,5%
De 181 dias até 360 dias: 20,0%
De 361 dias até 720 dias: 17,5%
Acima de 721 dias 15,0%
5º Passo: Principais títulos privados encontrados no mercado brasileiro
Há vários títulos de renda fixa de emissão privada, tanto prefixados quanto pós-fixados.
a) Caderneta de Poupança
Aplicação de prazo indeterminado que não tem custo algum e é isenta de Imposto de Renda. Oferece como rendimento ao investidor uma parte fixa de juros, mais a variação da Taxa Referencial de Juros (TR).
A regra de remuneração da Caderneta de Poupança desde maio de 2012 é a seguinte: depósitos feitos a partir do dia 4 de maio de 2012 rendem 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a Taxa Referencial (TR) quando a taxa Selic (a taxa básica de juros) for maior ou igual a 8,5% ao ano, como ocorre atualmente (hoje, a Selic está em 11%). Quando a Selic cai abaixo de 8,5%, o rendimento é igual a 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR).
A vantagem da poupança é que ela não tem custos de operação e nem tem incidência de Imposto de Renda. Além disso, recebe garantia de até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Isso significa que o banco pode quebrar e mesmo assim você receberá o seu dinheiro de volta. Ta,bém é muito fácil aplicar na poupança. Tão fácil como fazer um depósito comum na sua conta bancária.
b) Certificado de Depósito Bancário (CDB)
O CDB é uma espécie de depósito a prazo fixo em bancos que oferecem rendimento. É um título de renda fixa com prazo predeterminado cuja rentabilidade é definida no ato da negociação, podendo ser prefixada ou pós-fixada.
Não tem custos de operação, mas há incidência de Imposto de Renda conforme tabela da renda fixa. Tem garantia de até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Hoje a maioria das operações é pós-fixada, sendo feita com base no Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O negócio é fechado com base em certa porcentagem da variação do CDI do período de aplicação.
Exemplo: o banco promete 80% do CDI. Assim, o rendimento dependerá da variação do CDI desse período.
O CDB prefixado informa ao investidor, no ato da aplicação, quanto irá render no seu vencimento. Por outro lado, no CDB pós-fixado os rendimentos são formados por dois componentes: o primeiro é uma taxa de juros pactuada e o segundo componente um índice de preços ou de juros de mercado, temos como exemplo Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), Taxa Referencial (TR), etc.
A instituição financeira capta recursos por meio desses títulos para atender suas demandas de crédito. O CDB é um título endossável, o que significa que pode ser transferido para outro investidor. Deve ser emitido nominativo ao seu respectivo depositante e na forma escritural, deve ser custodiado na Cetip (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos).
A negociação antes do vencimento pode ocorrer e o preço de recompra é estabelecido pelas condições de mercado no momento da transação. Na aplicação em CDB há incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o ganho bruto, sendo o seu cálculo realizado com base em tabela regressiva. A identificação do detentor destes títulos é obrigatória quando o valor total em um mesmo banco seja superior a R$ 1 milhão.
Na hora de aplicar, procure o gerente de sua conta ou de outro banco e negocie.
d) Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) 
A LCA é um título de crédito nominativos, vinculado a direitos de crédito originários de negócios realizados no agronegócio. Sua emissão é exclusiva de instituições financeiras.
b) Letra de Crédito Imobiliário (LCI) 
A LCI é um título lastreado por créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de imóvel, conferindo aos seus tomadores direito de crédito pelo valor nominal, juros e, se for o caso, atualização monetária. Este título pode ser remunerado por taxa prefixada, flutuante, Taxa Referencial (TR), Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), etc. A LCI pode ser emitida por banco comercial, banco múltiplo com carteira de crédito imobiliário, sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo, companhias hipotecárias ou outras instituições que venham a ser expressamente autorizadas pelo Banco Central.
Tanto a LCI quanto a LCA são títulos garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o valor de R$ 250 mil. Há diversas ofertas no mercado, mas de maneira geral o valor mínimo de aplicação destes papéis ocorre na faixa de R$ 30 mil a R$ 50 mil e há regras de resgate, como exemplo com resgate mínimo de R$ 5 mil, em múltiplos de R$ 1 mil. O prazo de aplicação não poderá ter limite de vencimento superior ao prazo dos créditos imobiliários que servem de lastro. Uma das vantagens das LCI e LCA é que sua remuneração é isenta de Imposto de Renda para as pessoas físicas. Para aplicar, basta procurar bancos que tenham esse tipo de título e negociar o rendimento.

cinco passos para aplicar em fundos de investimento



Cinco passos para aplicar em fundos de investimento

FÁBIO GALLO - O Estado de S. Paulo
03 Outubro 2014 | 07h 37

Entenda as diferenças entre as modalidades vendidas no mercado

O quinto artigo da série "Como investir", sobre os primeiros passos para quem deseja começar a aplicar seu dinheiro, é dedicado aos fundos de investimento.
Diariamente, nas próximas três semanas, o leitor interessado a começar a guardar algum dinheiro para planejar o seu futuro terá informações sobre diferentes tipos de investimentos.
Os artigos foram preparados pelo consultor de finanças pessoais, colunista do Estado e da Rádio Estadão e professor de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), Fábio Gallo.
Ganho ou prejuízo do investidor se dá pela diferença entre a compra e venda das cotas
1º Passo: o que é um fundo de investimento?
De uma forma simples, um fundo de investimento é um condomínio de pessoas que se reúnem para investir juntos, com receitas e despesas divididas. O ganho ou prejuízo do investidor se dá pela diferença entre a compra e venda das cotas. São associações de investidores organizadas por uma instituição financeira ou por um administrador de recursos e geridas por profissionais de mercado para aplicação em títulos e valores mobiliários e quaisquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais.
Basicamente há dois tipos de fundos de investimentos em relação a forma de acesso. São eles:
1) Fundos abertos: As cotas não tem data de vencimento, assim os investidores podem solicitar aplicação e resgate de cotas durante a sua vigência.
2) Fundos fechados: Destacam-se pela existência de data de vencimento. O resgate somente será possível no término do prazo de duração do fundo, podem ocorrer amortizações esporádicas durante a vigência.
São fundos e planos de especialmente voltados para àqueles que pretendem investir, mas não tem tempo e/ou conhecimento suficiente para investir diretamente em títulos de renda fixa, ações ou outros ativos financeiros.
Saber realizar investimentos por meio de fundos traz algumas vantagens, principalmente para o pequeno investidor, como gestão profissional; ganhos de escala; diversificação de risco; redução de custos; acesso mais fácil; e flexibilidade.
2º Passo: Como escolher em qual fundo investir?                  
Quando da escolha de um fundo mútuo de investimento, você deve considerar certos  fatores importantes.
Desempenho: Lembre-se sempre de levar em consideração a relação risco/retorno, ou seja, a rentabilidade face ao risco. Portanto, tenha toda a cautela com ofertas de fundos que trazem informação somente de sua rentabilidade, sem mencionar o risco daquele investimento.
Uma das medidas de avaliação de fundos mais conhecidas é o índice Sharpe, que procura verificar o desempenho do fundo comparando a relação entre risco e retorno. Usualmente é estabelecida uma taxa mínima de referência, como exemplo a taxa do CDI. Quanto maior o índice Sharpe, maior será a eficiência desse fundo em relação ao risco assumido.
Outra maneira adequada para sua análise é consultar os dados dos rankings da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), revistas especializadas, entre outros.
Gestão da carteira: Você deve estar ciente de qual é a prática de administração de ativos do gestor do fundo analisado. Em outros termos, quais os ativos em que o fundo investe. Isto para que você fique ciente do o risco a que estará sujeito.
Alavancagem: Um fundo é considerado alavancado sempre que existir possibilidade de perda superior ao patrimônio do fundo. O regulamento do fundo determina qual o limite de alavancagem, ou seja, se o fundo pode assumir endividamento na busca de maior rentabilidade. Existem casos de alavancagem maior que o patrimônio do fundo, por exemplo, 300%. Isso significa que o investidor pode perder toda a aplicação e ainda ter de despender recursos equivalentes a duas vezes o montante aplicado inicialmente, para cobrir os prejuízos. Quanto mais alavancado estiver o fundo, maior será seu nível de risco.
Prospecto de venda: Documento explicativo do funcionamento do fundo.
Regulamento: O investidor tem o direito de receber o regulamento do fundo que contém as normas, os direitos e os deveres das partes.
3º Passo: Classificação dos fundos de Investimentos 
Curto Prazo: Fundos que buscam retorno através de investimentos em títulos indexados à CDI/Selic ou em papéis prefixados, de emissão do Tesouro Nacional (TN); e com prazo máximo a decorrer de 375 dias e prazo médio da carteira de, no máximo, 60 dias.
Referenciados: Fundos que objetivam investir, no mínimo, 95% do valor de sua carteira em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações do CDI ou Selic.
Renda Fixa: Investimentos em ativos de renda fixa, admitindo-se estratégias que impliquem risco de juros e de índice de preços do mercado doméstico.
Multimercados: Fundos que realizam operações em diversas classes de ativos (renda fixa, renda variável, câmbio etc.), definindo as estratégias de investimento baseadas em cenários macroeconômicos de médio e longo prazos, atuando de forma direcional.
Investimento no Exterior: Fundos que têm como objetivo investir preponderantemente em títulos representativos da dívida externa de responsabilidade da União.
Ações: Fundos que investem em ações à vista, bônus ou recibos de subscrição, certificados de depósito de ações, cotas de fundos de ações, cotas dos fundos de índice de ações, Brazilian Depositary Receipts (BDR), índices (Ibovespa IBrX) ou ações setoriais.
Cambial: Fundos que aplicam pelo menos 80% de sua carteira em ativos - de qualquer espectro de risco de crédito - relacionados à moeda norte-americana ou à europeia.
Previdência: Classificam-se nesta categoria os FAPIs e fundos exclusivos dedicados a receber recursos de reserva técnica dos planos de previdência aberta.
Imobiliário ? são fundos dedicados a investir em empreendimentos imobiliários, tais como shopping centers, edifícios comerciais, centros de distribuição. No entanto, este tipo de fundo é fechado, assim  o investidor que queira vender suas cotas deve negociá-las no mercado secundário. Em outros termos, vender as cotas para outros investidores ou em pregão da BM&FBovespa.
4º Passo: Risco do investimento em fundo
Os fundos apresentam basicamente os mesmos tipos de risco de qualquer outro tipo de investimento.
Risco de Mercado: É o risco de mudança de preços, mesmo no caso de renda fixa em virtude da mudança de taxa de juros.
Risco de Crédito: É a possibilidade do emissor do título pertencente a carteira não pagar.
Uma característica importante de ser conhecida é que cada fundo de investimento tem o seu próprio CNPJ. Dessa forma a instituição administradora por quebrar que o fundo continua pertencendo aos cotistas.
5º Passo: Quais os custos e tributos?
Quando se negocia ações, devem-se considerar alguns custos:
A) Taxas
Taxa de Administração: É a taxa cobrada a titulo de remuneração pelo trabalho executado pelo administrador do fundo. A taxa é para  cobrir os custos de gestão e todas as despesas operacionais do fundo de investimento.
O valor da taxa de administração varia muito de um fundo de investimento para o outro e é cobrada como um porcentual fixo anual sobre o valor total investido.
As taxas mais baixas usualmente são aquelas de fundos que tem valor inicial de aplicação mais altos.
É importante o investidor pesquisar as alternativas existentes nas diversas instituições. A informação sobre o valor a taxa de administração consta  do regulamento do fundo de investimento.
Taxa de Performance: Trata-se de um percentual fixo que é cobrado quando a rentabilidade do fundo ultrapasse um indicador que serve de referência do desempenho (benchmark).
O indicador é previamente estabelecido e cobrado periodicamente.
A cobrança dessa taxa é comum em fundos de investimento que investem em renda variável ou em outros ativos de maior risco.
Apesar de não haver comprovação de que os fundos de investimento que cobram taxa de performance sejam mais bem-sucedidos do que aqueles que não cobram, esta taxa acaba sendo um incentivo à busca de melhores resultados.
Taxa de Entrada e Taxa de Saída: Algumas entidades cobram ainda um terceiro ou quarto tipo de taxa: taxa de entrada (ingresso) e/ou taxa de saída (resgate) do investimento.
Esses fundos buscam "penalizar" o cotista que queira sair em curto prazo do fundo. Assim, incentivando o investidor a permanecer com o seu investimento por um prazo mais longo.
Exemplo de cobrança de taxa de performance: um fundo com taxa de performance de 20% quando a rentabilidade ultrapassar o CDI. Assim, 80% do excedentes fica com o investidor e o gestor com 20%.
Rendimento do fundo no ano: 14%.
Variação do CDI no ano: 10%.
Excedente que incidirá a performance: 4%.
Taxa de performance ou remuneração "extra" que será paga: 0,8%.
Pesquisar  e comparar entre as opções disponíveis é que exige tempo e disposição, mas é algo que o investidor deve fazer e a Anbima mantém estatísticas e um portal exclusivo, o Como Investir, que pode ajuda-lo nessa busca de uma melhor alternativa.
B) Imposto de Renda
A alíquota de imposto de renda varia de acordo com o tipo de fundo de investimento e incide sobre o total de rendimento das aplicações.
Fundos de Ações: Alíquota de IR é seguindo a tabela de ações de 15% incide sobre o total da rentabilidade.
Fundos de investimento em Renda Fixa: O imposto é retido na fonte, nos meses de maio e novembro.
Em vez do valor da cota ser reduzido o fundo diminui o número de cotas do investidor. Isto que é conhecido como "come cotas".
A tabela de IR segue a mesma tabela dos títulos de renda fixa:
A) 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias;
B) 20% para aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias;
C) 17,5% para aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias;
D) 15% para aplicações com prazo acima de 720 dias.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

contra o ódio e o preconceito



Eleições 2014

Contra o ódio e o preconceito

José Nêumanne - O Estado de S.Paulo
22 Outubro 2014 | 02h 05
Meu amigo Luiz Guimarães, engenheiro, financista, aposentado, sonha ter acesso a qualquer hora aos candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves, que disputam o segundo turno no domingo, para lhes sugerir um ritual: estender uma Bandeira Nacional defronte à cama para refletir todo dia, ao acordar, sobre seu dístico, Ordem e Progresso. Petistas, que se dizem socialistas, e tucanos, que se creem social-democratas, poderão pensar que é uma sugestão conservadora, de direita, neoliberal. Na verdade, é um lema positivista, adotado por influência dos seguidores de Auguste Comte entre os fundadores de nossa República. Para Luiz, a reflexão deve começar pela ordenação das palavras: "Sem ordem não há progresso". É, faz sentido!
A sugestão vale para todos os eleitores que irão às urnas em quatro dias. Ainda que se altere a sequência dos vocábulos, convém que o brasileiro se lembre do hino, da bandeira, do sentido de pátria e de comunidade antes que ódio e preconceito contaminem as relações entre amigos e parentes, separando pais e filhos, irmãos e primos, sócios e parceiros. Na segunda-feira, entre as lágrimas dos derrotados e os fogos dos vitoriosos, seria muito bem-vinda uma convocação à reconciliação de todos. Como escreveu Ana Maria Machado no Globo de domingo, "discordando, mas trocando ideias para vencer os problemas do país. Que não são poucos. Não precisamos acrescentar a eles a intolerância, o ressentimento, a baixaria que busca se vingar".
Papisa da literatura infantojuvenil no Brasil, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, ela sabe o que escreve. E poderá praticar a ideia em família: seu irmão, Franklin Martins, é o guerrilheiro que imaginou, planejou e comandou na rua o sequestro do embaixador americano no Brasil Charles Elbrick, na ditadura militar. Hoje ele é um dos assessores que ajustam a mira da metralhadora giratória da presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, do PT, primeiro contra Marina Silva, do PSB, e agora contra o tucano Aécio Neves.
Com a enxurrada de porcaria despejada no horário que nada tem de gratuito no rádio e na TV e no debate do SBT, Jovem Pan e UOL, seis dias atrás, ficou uma impressão de que aqui se pratica uma política de terra arrasada, na qual nada sobrará para os derrotados e tampouco para os vencedores. A estes talvez nem restem as batatas, troféus da guerra das tribos na fábula escrita por outro Machado, o de Assis. Vencedores e vencidos mostram-se dispostos a negar tudo uns aos outros, nada lhes restando, mesmo que o dilúvio universal desabe sobre as nascentes dos rios que formam as represas do sistema Cantareira, quase totalmente exaurido, no momento em que este texto é lido, sob sol forte e aridez.
Este jornal publicou domingo evidências de que há uma forte tendência política em crescimento no Brasil: o antipetismo. Caudatária dessa há outra, subterrânea e sub-reptícia: é a dos anti-Lula. Ela começou, sorrateira, nas manifestações de rua de junho de 2013, em que multidões reclamaram da péssima gestão pública em serviços públicos essenciais à sobrevivência e à dignidade do cidadão. Essa não é obra exclusiva do PT nem dos herdeiros de Lula, mas há indicações seguras no noticiário recente de que se agravou muito sob a égide de uma aristocracia socialista que se considera acima do bem e do mal e acha que pode tudo. Até mesmo reduzir pela metade o patrimônio da maior empresa estatal do País, a Petrobrás, sem que ninguém perceba, proteste ou cobre.
Sem organização política nem propostas concretas, as massas rebeladas refluíram ao impacto de pedradas e coquetéis molotov de anarquistas que deturparam as manifestações quebrando tudo, violando a lei e desafiando o Estado Democrático de Direito. O movimento desfigurou-se, mas abriu uma porta de saída para antigos enfants gatés do lulopetismo. Primeiro, Marina Silva. Depois, Eduardo Campos.
A queda do avião particular em que este viajava foi uma espécie de senha para permitir a ressurreição e, depois, a organização das forças políticas contra o lulopetismo na sociedade. A volta da disputa direta entre PSDB e PT, que pareciam, de início, fadados ao convívio forçado na luta contra a direita egressa do regime autoritário, permitiu definir em definitivo os contendores. De um lado, os trabalhadores de todas as rendas, que sustentam um Estado estroina, voraz, corrupto e ineficaz, resolveram votar a contragosto em Aécio, que passou a simbolizar a insatisfação generalizada contra "tudo o que está aí". A ele se juntaram lideranças que antes sempre se reuniram sob as asas do profeta, e agora magnata, do agreste, Lula da Silva: Campos, Marina, Eduardo Jorge, etc. Do outro, a ex-guerrilheira Dilma congrega os assistidos pelo Bolsa Família e os socialistas de conveniência, que trocaram as cobranças de moralidade pelo usufruto de propinas justificadas pela secular retórica antiburguesa, que não só permite e perdoa, mas até abençoa o furto como justa expropriação. Se as pesquisas desta vez estiverem certas, o Brasil está dividido ao meio entre duas bandas radicais e inconciliáveis.
A passeata de Aécio domingo em Copacabana, com bandeiras do Brasil substituindo cartazes partidários, lançou-o como herdeiro da reconciliação feita sob Dutra após o Estado Novo e por seu avô, Tancredo Neves, no fim do regime pós-1964. O PT de Lula investe em Dilma contra a composição com intransigência feroz. Como antes: três deputados foram expulsos do partido porque votaram em Tancredo no Colégio Eleitoral. E Luiza Erundina, que costurou a aliança do PSB com Marina, foi expelida dele porque aceitou dirigir a Secretaria de Administração Pública no governo de coalizão de Itamar Franco, do qual Fernando Henrique foi alçado à glória de dois mandatos ganhos em primeiro turno graças ao real. Esse grupo se candidata a substituir o Ordem e Progresso por Ódio e Preconceito na bandeira do Brasil. É isso aí.
*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor

sábado, 18 de outubro de 2014

um soco na onipotência

Um soco na onipotência

Roberto Damatta
Todo mundo deve saber que a onipotência é o poder infinito e esmagador de um deus ou de uma figura dotada de capacidades titânicas para o bem ou para o mal.
No Brasil, os onipotentes que chegam ao poder são idolatrados, porque nossa cultura tem como base e modelo a gradação e a hierarquia e ambas têm uma extraordinária afinidade com o puxa-saquismo, com a bajulação, com a hipocrisia e com o bater em cavalo morto. É fácil torcer para o Brasil quando ele é pentacampeão e é mais fácil ainda negá-lo mil vezes, como fez São Pedro com Cristo, quando o Brasil perde de 7 a 1 para a Alemanha. Essa Alemanha que voltou a ocupar o lugar de superior em tudo - disciplina, coerência, treinamento e - quem sabe - a velha pureza racial que nós ainda lamentamos em certas situações.
O passado não discutido com sinceridade volta. Ele é apenas eclipsado.
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Começo essa crônica numa bela manhã e domingo e estou irremediavelmente dividido. Um lado meu gostaria que o PT perdesse - que fosse, para ser arriscadamente franco e para entrar em mais algumas listas negras, defenestrado do poder (mas, note bem, jamais da política brasileira). Um outro, porém, está convencido que Aécio achou o seu papel e o seu tom e vai ganhar num segundo turno. Como essa coluna sai na quarta-feira e o segundo turno vai ocorrer no dia 26, estou sendo moído pela angústia. Angústia que hoje faz parte do meu modo de ser. Não saber o futuro e aceitar o sofrimento é um modo de admitir a minha fragilidade diante da vida. Eu aprendi esse segredo. Por isso, não fujo da minha angústia, mas deixo que ela se manifeste e a recebo no meu coração. Procuro saber o que quer e, quando é possível, tomo um Joãozinho Caminhador com ela o que nos envolve na felicidade dos apaziguados. Dos que têm consciência de que, na vida, é preciso ter a noção do suficiente para sermos relativamente menos infelizes.
Sempre soube que não sabia, mas hoje tenho a mais absoluta certeza disso. Mas o não saber não me eximiu de ter declarado meu voto e ter sido admoestado por algumas pessoas que, muito mais sábias, me alertavam do risco que corria.
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Pois bem. Aécio Neves, com sua tranquilidade batalhou, enfrentou e virou o jogo. Foi o único que, no famoso debate da Globo, falou que todos os candidatos a presidente e, por implicação, a qualquer cargo eletivo - cargos que implicam não em grana e poder, mas em servir ao Brasil - se somavam. Todos os presidenciáveis, disse ele, continuavam projetos e planos que foram inventados e instituídos por seus antecessores. O único partido que negou isso foi o PT, que realizou sistematicamente o discurso Lulista do "nunca antes neste país" - exceto com ele e com o PT e que, no governo Dilma, usa o onipotente "nós" como a chave em todos os seus confusos discursos. O lulo-petismo está convencido (como ocorre com todo radical) que o Brasil e o mundo começam com eles. Aécio foi o único que falou numa continuidade de projetos como os de distribuição de renda que, em vez de separar, juntam posições do PT com os do governo de PSDB.
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Estou seguro de que esta eleição será, com Aécio, a da descoberta da soma e da continuidade. O Brasil, amigos, é muito maior que nós. Ele é um palco que não escolhemos para atuar e viver. A língua que falamos e os lugares onde nascemos e adquirimos consciência de nós mesmos e do mundo não foram inventados por nós. Do mesmo modo e pela mesma lógica de uma implacável finitude que desmancha onipotências, um dia sairemos do Brasil por mais que tenhamos achado que fazíamos todas as diferenças. Alguém se lembra do ministro da saúde do governo Rodrigues Alves? Aliás, leitor culto e educado, você sabe quem foi Rodrigues Alves?
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Um mundo em rede exalta individualidades, mas tem um lado oculto. Ele nos obriga a ver como estamos presos uns aos outros e como o discurso orgulhoso e valente do grande, mas iludido século 19 tem que ser modificado. Não basta ser contra banqueiros ou contra o nosso sistema produtivo, colocando-se no velho modelo dos revolucionários. É preciso saber como a rede nos afeta quando um pedaço dela se modifica. Estar enredado não significa estar enjaulado, mas se conhecer como uma parte menor, embora significativa, de um país e de um planeta. Um todo que segue somente em parte planificado porque o inesperado existe e faz parte - como prova essa eleição - da vida e do cosmos.
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Acabo de saber que vai haver um segundo turno e que o Aécio lá chegou. Minha angústia diminui de um lado, mas aumentou do outro.
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Cabe finalizar que, com essas eleições, iremos controlar os personalismos lulistas de índole malandra e neofascista. Todos os resultados pedem mais honestidade e seriedade com o governo da coisa pública. Tenho a esperança de liquidar com esses donos espúrios de um Brasil que é de todos nós. Esse é o pleito que nocauteou a onipotência e, com ela, a demagogia, a roubalheira, o aparelhamento do estado pelo governo, a corrupção deslavada, os dois pesos duas medidas no plano jurídico e econômico e, por último, mas não por fim, a autoridade absoluta de um partido cujo objetivo era muito mais o de trabalhar para um projeto de poder do que para o poder do Brasil.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

the revolution in DNA science - and what to do about it

The Genetics Epidemic

The Revolution in DNA Science -- And What To Do About It

The revolution in genetic engineering that will make it possible for humans to actively manage our evolutionary process for the first time in our species’ history is already under way. In laboratories and clinics around the world, gene therapies are being successfully deployed to treat a range of diseases, including certain types of immune deficiency, retinal amaurosis, leukemia, myeloma, hemophilia, and Parkinson’s. This miraculous progress is only the beginning. The same already existing technologies that will soon eliminate many diseases that have victimized humans for thousands of years will almost certainly be used eventually to make our species smarter, stronger, and more robust.
The prospect of genetic engineering will be exciting to some, frightening to others, and challenging for all. If not adequately addressed, it will also likely lead to major conflict both within societies and globally. But although the science of human genetic engineering is charging forward at an exponential rate, the global policy framework for ensuring this scientific progress does not lead to destabilizing conflict barely exists at all. The time has come for a meaningful dialogue on the national security implications of the human genetic revolution that can lay the conceptual foundation for a future global policy structure seeking to prevent dangerous future conflict and abuse.
The rate of recent progress in human genetics has been astounding. It was only 61 short years ago that the DNA helix was uncovered and a mere 50 years later, in 2003, when the human genome was fully sequenced. The cost of sequencing a full human genome was roughly $100 million in 2001 and is under $10,000 today. If even a fraction of this rate of decrease is maintained, as is highly likely, the cost will approach negligibility in under a decade, ushering in a new era of personalized medicine where many treatments will be customized based on each person’s genetic predisposition. Processes like these will only widen and deepen in the future, just at an exponentially accelerated pace.
It is already possible, although not legal in all jurisdictions, to do a full genomic analysis of each of the fertilized eggs being considered for in vitro fertilization (IVF), before implantation into the mother, in order to select one with a specific gender or not carrying a given mutation. And we are learning more each day about what the massively, but not infinitely, complicated genome tells us. When it becomes clear that the genetic selection process can safely optimize the genetic inheritance of children, with far more informed parents choosing from among their “natural” embryos prior to implantation, more and more parents around the world will opt in. As this process becomes more affordable, governments and insurance companies will have strong incentives to promote its adoption as an alternative to paying the costs of what will then be seen as avoidable lifetime genetic disabilities.
And when embryonic stem cells are extracted and stored, or new processes for reprogramming mature cells into induced pluripotent stem (iPS) cells become mainstream, we will be able to transform any stem cell into an egg cell and finally into an egg. Because human eggs are a limited resource but stem cells (and eggs developed from them) are not, this will allow prospective parents to choose from among hundreds or thousands of their own embryos if they wish (and can afford to do so), instead of roughly five to 15 embryos as is currently the case. Some parents may opt out, but the offspring of those who opt in will likely have, on average, significant advantages over their peers not born through this process. It will then be only a matter of time until technology-assisted reproduction will become the method of choice for procreation among the world’s most advantaged, replacing what may then be seen as the relatively risky process of sex-for-procreation purposes, even if sex will, of course, live on for recreation, pair bonding, and other purposes.
In the medium term, it will likely be possible to go beyond genetic selection to genetic enhancement, designed to repair mutations, lengthen life spans, enhance brain function and senses, increase endurance, and protect ourselves from disease.
Recombinant DNA techniques, for example, which have already been used successfully in plants and animals, will be used to alter the genetics of human fetal cells. DNA fragments in a single cell could be spliced and replaced with genes from other humans, or from animals, or created synthetically. If, for example, two parents were carriers of harmful mutations that showed up in all of their preimplantation embryos, the gene for this mutation could be replaced by one taken from somebody else’s genome. It may then be only a matter of time before some people start adding extra capabilities to our genes from the animal world. Just as AquAdvantage salmon carry a small number of genetic constructs, transferred from other salmon breeds, that allow them to grow more quickly, some humans could acquire small genetic constructs that will give them extra capabilities. After that, synthetic, lab-generated gene constructs will accomplish the same purposes with greater predictability and scalability.
If the current debate around genetically modified (GM) crops is any indication, the idea of genetically modified people being cultured like salmon will send many among us to the barricades, even if the science eventually proves safe. Although, despite decades of testing, very little science suggests that genetically modified crops are any more dangerous than conventional crops, a massive global anti-GM movement has emerged (and made some important points on issues such as biodiversity and corporate ownership of seeds). Humans have been manipulating the genetics of crops for more than ten thousand years through domestication. But fast genetic manipulation through science is, at least on an emotional level, more unsettling for many people than the slow manipulation process that has created nearly all the fruits and vegetables we consume. And although GM crops have the ability to reduce pesticide use, introduce essential nutrients, protect the livelihoods of desperate, climate-stressed farmers, and make it possible to feed the estimated nine billion people expected to occupy our planet by 2050, the emotional charge of the anti-GM movement continues unabated.
In the far more complicated and higher-stakes debate on human genetic manipulation, opponents will raise critically important and very real issues of unintended consequences, eugenics, and societal divisions. Some will seek to maintain a distinction between acceptable somatic genetic manipulation for therapeutic reasons on the one hand and banned genetic enhancements or heritable, germ-line manipulations on the other. Others will call for measured restrictions. Still others, the so-called transhumanists among them, will see genetic engineering, including heritable mutations, as freeing humanity from the confines of our current biology and deserving to be free from any regulation. However this contentious debate evolves, the domain of what is socially acceptable and legally allowed will expand.
Despite our fetishization of Mother Nature, she has been a cruel mistress for our species. The moment humans started farming or began developing medicines, we were fighting back against the so-called natural processes that wanted us to have 40-year life spans spent foraging for food and hiding in caves. But if the application of human knowledge to improve our lot can be called natural -- because we ourselves are part of nature -- it’s hard to know where natural ends and unnatural begins. By the same token, as genetic technology develops, it will be increasingly difficult to determine where a treatment ends and an enhancement begins. As genetic therapies make it possible to address or eliminate genetic diseases, initially single-mutation ones like Down syndrome and Parkinson’s and then, over time, more polygenetic ones like multiple sclerosis and celiac disease, we will almost certainly not refuse. But what will be the difference between removing a genetic predisposition to diabetes, for example, and creating a stronger genetic disposition for more optimal insulin regulation?
Despite and because of differing views on questions such as these, competition within and among countries will drive this technology and its application forward. Within societies, parents will not want their children to be disadvantaged once the science is deemed safe. When a Colorado company, for example, announced that it could do a genetic test to determine which children had a special gene shared by top NFL quarterbacks, they were besieged by parents demanding the test for their children. Would parents line up, at least in some parts of the world, if genetic tests could loosely predict which of their preimplanted embryos would increase their chances of having a healthy and brilliant child, however defined? When asked if it was acceptable for scientists to change the makeup of human cells to prevent children from inheriting a genetic disease, a majority of Americans, Australians, Canadians, and Japanese polled said yes. Although the poll numbers are less favorable when people are asked about genetic modification to increase intelligence or foster other “special” attributes, even these numbers have shifted toward favorability over time and will likely continue to do so as gene therapies and other treatments become more mainstream.
The contentious debate on genetic enhancement within societies will be made all the more complicated by international differences. Even today, laws regarding human genetics vary greatly among countries. In Europe, Germany bans embryo selection, while the United Kingdom is moving toward allowing heritable genetic manipulation through mitochondrial transfer for some women undergoing IVF. India bans gender selection, but the United States allows it. The list goes on.
As the stakes increase, these types of differences will only be exacerbated. Although Christian-majority countries like the United States may join the Vatican and others in pushing for strong restrictions, and countries like Germany may have strong reservations for historical reasons, others, such as China and Korea, whose worldview is based less on the concept of a divine plan, will continue to be more comfortable moving forward with human genetic engineering, as polling data has shown.
To see an example of this global divergence today, one only has to visit China’s BGI Shenzhen, a company that has acquired the most genome sequencers in the world and is going full throttle on a cognitive genomics initiative. A recent articlein Wired described efforts by BGI Shenzhen to map the genetic footprint of intelligence as a foundation for spawning a next generation of Chinese geniuses. According to the article, the team at BGI believes it can boost the IQ of children through the IVF/genetic selection approach by up to 20 points per generation. Intelligence is a highly complicated and polygenetic train, so this effort has produced a lot of skepticism. But when big data tools become more widely applied in a future world where most people’s genomes will have been sequenced, it seems only a matter of time until this type of genetic selection and manipulation will be possible. And it doesn’t take a gene-ius to realize that if China started enhancing its population and the United States did not, there could be serious competitive repercussions. That doesn’t mean that international competitive pressures would force societies to take up genetic enhancement against their will, just that those who don’t enhance, like those who do, will need to face the consequences.
And even if all countries opt out (which is unlikely based on current behavior), motivated individuals and nonstate actors will have full access to this technology. The Raelian cult, which believes that genetic manipulation can be used to bring back people’s spirits from the dead and created a global stir when it announced in 2002 that it had secretly cloned a human baby, will mark only the tip of the iceberg. Around the world today, do-it-yourself biology labs are proliferating, creating opportunities for hobbyist biohackers to get into the genetic manipulation game. As the science becomes more accessible, more people, with different backgrounds and inclinations, will begin to experiment whether others like it or not.
With whatever mix of catalysts and first movers, it is almost impossible to believe that our species, which has embraced every new technology -- from explosives to nuclear energy to anabolic steroids and plastic surgery and beyond -- promising to improve our lives but also carrying potential downsides, would forgo chasing advances in a technology that has the potential to eradicate terrible diseases, improve our health, and increase our life spans. The very idea of altering our genetics calls for an enormous dose of humility, but we would be a different species if humility, not hubristic aspiration, had been our guiding principle.
Given the emotional charge of this issue, and the fact that heritable genetic manipulations will have the potential to spread across populations through reproduction, some people and countries will likely become hostile if others elsewhere are changing the human genetic code in a manner that will impact them. If last year’s violent attacks on rice fields at the International Rice Research Institute in the Philippines are an expression of some people’s fears of genetically modified crops, imagine how some would react if they felt the human genome was being compromised. Would countries banning heritable genetic manipulations screen people for such mutations at their border or make it a crime for their citizens to procreate with them?
And what would the United States do if it learned that China had an effective human genetic enhancement initiative that would give China an insurmountable competitive advantage in a few decades? Would the United States do nothing and accept a potential loss of competitiveness, try to stop China by individual or collective means, or match China by enhancing its own population? What would the world do if nonstate actors like the Raelians were changing the genetic code of their followers outside of national jurisdictions, perhaps on the high seas? There are many scenarios to imagine how unfettered, unregulated enhancements to the human genome could lead to global instability or worse.
While this issue may seem far off to some and there are still serious scientific hurdles to be overcome, it is approaching far faster than most people think. Maybe we have five years to get serious, maybe ten. But given the velocity of scientific progress, we don’t have 20.
Although now should be the time to begin laying out principles to guide a global response to this complicated issue, the process for doing so has thus far gone nowhere. UNESCO, the Council of Europe, and the United Nations General Assembly have put forward preliminary resolutions on genomics and human rights, some of which try to ban reproductive cloning and genetic modifications for nontherapeutic reasons, with little impact. The 1997 UNESCO Universal Declaration on the Human Genome and Human Rights, for example, seeks to prohibit “practices which are contrary to human dignity,” without fully articulating what that might mean. The nonbinding United Nations Declaration on Human Cloning, adopted in March 2005, calls on member states to “protect adequately human life in the application of life sciences” and, among other resolutions, to “prohibit the application of genetic engineering techniques that may be contrary to human dignity.” Not least because the concept of “human dignity” is extremely difficult to define in a world of diverse perspectives where significant national differences remain, none of the states at the forefront of life sciences research, including South Korea, Singapore, the United Kingdom, and China, chose to sign the declaration.
It is hardly surprising that there is so little international consensus on what should be done, but it is more shocking that there is so little global attention to this critically important topic.
What is now needed is a far more robust global dialogue on the ethical and national security implications of the genetics revolution. The dialogue must foster the kind of evidence-based debate that has been so sorely lacking in the conversation about genetically modified crops. At the outset, this dialogue should not drive specifically toward a global treaty but instead seek to foster conversations within and among governments, universities, media and civic organizations, and populations. The UN could begin this process by authorizing a global committee of experts to formulate key questions and prepare background materials for structured conversations and forums to be held around the world. It could also collect and make publicly available the deliberations of these forums.
Because the science is moving forward more quickly than our consciousness, it is also necessary to start thinking about what a preliminary global regulatory framework might look like. Opponents of genetic engineering will call for an outright ban on genetic enhancement and heritable human genetic modification. Such a ban would cut short critically important research on eliminating some of the most deadly diseases that have ravaged our species and wouldn’t be respected even if established. In an important sense, the train has already left the station. Critics will have to accept that the best they may be able to do is to internationally define and stigmatize what can be commonly accepted as abuses, including grotesque human-animal chimeras and excesses of cloning.
On the other end of the spectrum, many transhumanists and others who believe this science must progress unfettered can be expected to oppose any restrictions, not least because they fear they will be used as a sword by their opponents. But even those on this permissive end of the spectrum will need to accept that stories of human genetic engineering that shock the public conscience in large parts of the world will make the utilization of this technology to improve health and lives all the more challenging.
The preliminary goal of a global framework must be to establish a regulatory regime that avoids both of these extremes by restricting some of the worst potential abuses while creating a permissive enough environment so that meaningful advances can continue. This Goldilocks approach may sound simple but will be anything but.
Although shorter-term issues such as terrorism and regional crises dominate today’s headlines, the ongoing revolution in human genetics will ultimately prove far more significant to our future. It deserves much more attention than we are affording it currently and a global process that can, over time, help us avoid dangerous conflict and guide us in a positive direction.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

como investir em títulos do governo em cinco passos

Como investir em títulos do governo em cinco passos

Fábio Gallo - O Estado de S. Paulo
30 Setembro 2014 | 08h 06

Veja o passo a passo de como aplicar em títulos públicos do Tesouro Direto e o que você deve saber antes de tomar a decisão de investimento

Free Images
Títulos podem ser comprados por meio do site do Tesouro ou do agente de custódia, como um banco ou corretora
O segundo artigo da série "Como investir", sobre os primeiros passos para quem deseja começar a investir, é dedicado aos títulos públicos, um mecanismo fácil, seguro e rentável de guardar uma reserva financeira para o futuro.
Nesta segunda-feira, 29, o portal de Economia & Negócios do Estadão iniciou uma série de artigos sobre como começar a investir. Diariamente, nas próximas três semanas, o internauta interessado a começar a guardar algum dinheiro para planejar o seu futuro terá informações sobre diferentes modalidades de investimentos. Os artigos foram preparados pelo consultor de finanças pessoais, colunista do Estadão e da Rádio Estadão e professor de finanças da FGV, Fábio Gallo. Hoje o tema é o Tesouro Direto.
1º Passo: Saber o que é um título público
Os títulos públicos são emitidos pelo Tesouro Nacional e negociados pelo Banco Central no mercado primário, por meio de leilões, para instituições financeiras que, por sua vez, podem negociar esses papeis no mercado secundário para outros agentes.
Pessoas físicas podem também adquirir títulos públicos federais diretamente do Tesouro Nacional por meio do Tesouro Direto, um programa criado em parceria com a BM&FBovespa. Por esse sistema, qualquer pessoa pode montar a sua própria carteira de investimentos de acordo com os seus objetivos, podendo casar prazos e tipos de títulos (pré-fixado ou pós-fixado) de acordo com as suas necessidades. Há títulos públicos federais de curto, médio e longo prazo; prefixados ou pós-fixados, indexados a índices de inflação ou à taxa básica de juros (Selic).
As pessoas físicas podem investir no Tesouro Direto de maneira simples por meio da internet e sem precisar de muito dinheiro para começar. É possível investir a partir de R$ 30. Dessa forma o investidor administra a sua própria carteira podendo escolher prazos e tipos de rendimento que mais sejam adequados aos seus objetivos. Pode inclusive agendar suas aplicações com antecedência e regularidade.
Os títulos do Tesouro Direto permitem que sejam recebidos os rendimentos como estabelecido em cada tipo, sendo que os juros são pagos regularmente em conta corrente até o vencimento. Caso seja necessário, esses títulos podem ser negociados antes do vencimento todas as quartas-feiras, diretamente no site do Tesouro Direto, pelo valor de mercado do dia.
Esse tipo de investimento não oferece risco, pois quem garante os títulos é o Tesouro Nacional. O único risco de perda ocorre quando o investidor precisa vender o título antes do vencimento. Se os juros subirem, o investidor perde o rendimento.
Exemplo: Você comprou um título como a Nota do Tesouro Nacional Série B (NTN-B) por R$ 683,99 quando a taxa básica de juros Selic estava em 7,25% ao ano. No meio do caminho você precisa vender esse título, mas a taxa Selic subiu para 11% ao ano. Significa que o preço de revenda será de R$ 459,97. Portanto, você deixa de ganhar R$ 224,02, ou 32,75%. Ao longo do período você recebe os juros combinados normalmente e com correção monetária pelo IPCA.
2º Passo: Conhecer os principais títulos públicos em circulação
Os títulos atualmente negociados são:
A)   LTN - Letra do Tesouro Nacional
+  O investidor sabe exatamente a rentabilidade a ser recebida até a data de vencimento.
+  Mesmo tratando-se de renda fixa, o investidor que decidir negociar o título antes do vencimento, podendo ter perdas, pois o valor dos títulos dependerá das condições de mercado na data de liquidação. Por outro lado, o investidor que esperar até a data de vencimento receberá o total da rentabilidade bruta definida no ato da compra.
+  O título apresenta rendimento nominal (taxa fixa), portanto, caso a inflação do período seja maior haverá perda de poder aquisitivo.
B)   LFT - Letra Financeira do Tesouro
+  A LFT é um título pós-fixado, cuja rentabilidade segue a variação da taxa Selic. Sua remuneração é dada pela variação da Selic diária registrada entre a data de liquidação da compra e a data de vencimento do título, acrescida, se houver, de ágio (vendida acima do valor nominal) ou deságio (vendida abaixo do valor nominal) no momento da compra.
+  A LFT possui fluxo de pagamento simples, ou seja, o investidor faz a compra e recebe o rendimento apenas uma vez, na data de vencimento do título, junto com o valor do principal.
+ Na ocorrência de deságio, o investidor recebe a Selic mais o valor do deságio. Na hipótese de ágio, o investidor recebe a Selic menos o ágio. Esta informação pode ser encontrada na tabela de preços e taxas dos títulos.
C)   NTN - Nota do Tesouro Nacional
+  O rendimento com taxa de juros é definido no momento da compra, mais a variação do IPCA e o pagamento de juros é feito semestralmente se for a Nota do Tesouro Nacional Série B, ou NTN-B. Os prazos de vencimento variam. Hoje há ofertas para resgate entre 2015 e 2050.
+  Outra opção é o pagamento de juros acumulados somente no vencimento. Nente caso, trata-se da NTN-B Principal. Os prazos são variáveis. Hoje há ofertas para resgate entre 2015 e 2050.
+ A NTN-C oferece rentabilidade com juros mais variação do IGP-M. A diferença em relação à NTN-B é somente em relação ao indexador da inflação.
+ A NTN-F é um título com rentabilidade prefixada, acrescida de juros definidos no momento da compra. O pagamento dos juros é semestral e o principal é recebido no vencimento. O investidor sabe exatamente a rentabilidade a ser recebida até a data de vencimento.
Nessa aplicação, é possível saber o retorno no momento do investimento. Basta olhar na tabela. Por exemplo: uma NTN-B com vencimento em 2035 oferece a rentabilidade de 6,07% ao ano mais variação do IPCA. Isto significa que, caso o investidor resgate esse título em maio de 2035, na data de vencimento, ele terá tido de retorno anual 6,07% (bruto), mais a variação do IPCA do período.
3º Passo: Como começar a investir no Tesouro Direto
Basta fazer o cadastro. Para isso, o investidor deve ter CPF e uma conta corrente em alguma instituição financeira. O interessado precisa também se cadastrar em um agente de custódia, que são instituições financeiras habilitadas a operar com o Tesouro Direto. A relação completa pode ser encontrada no site do Tesouro Direto. Após esse cadastro você receberá, via e-mail, a senha de acesso à área restrita do Tesouro Direto. Na área restrita do investidor poderão ser realizadas as operações de compra e venda, consulta de saldos e extratos.
4º Passo: Como comprar e vender títulos públicos?
Existem duas modalidades de aplicação no Tesouro Direto:
A) Investimento Tradicional: São as operações de compras e vendas que podem ser realizadas a qualquer momento do dia, dentro do período de funcionamento do programa. O investidor deve acessar o sistema pelo site do Tesouro Direto ou da sua instituição financeira e escolher entre os títulos disponíveis para compra aquele que melhor se encaixa na sua carteira para obtenção dos seus objetivos financeiros. O valor da compra poderá ser ajustado pela quantidade de títulos desejada ou pelo montante total a ser investido. A operação de venda é realizada da mesma maneira. Nos dias de recompra, às quartas-feiras, basta acessar a área restrita do site e escolher a quantidade desejada de títulos que deseja vender.
B) Investimento Programado: Permite que o investidor agende de compras e vendas e a reaplicação automática dos juros semestrais dos títulos (cupons) e do valor a ser resgatado nas datas de vencimento. No caso de novas compras, pode ser agendada a compra de um título ou de uma composição de títulos durante o período que determinar. A programação será feita sempre pelo valor financeiro. No agendamento das vendas, é possível programar antecipadamente o dia de venda de seus títulos, sempre às quartas-feiras, pela quantidade de títulos. Observe que até um dia antes da data agendada para a realização da operação, todos os agendamentos feitos poderão ser consultados, cancelados ou alterados. Caso um determinado título envolvido na programação deixe de ser ofertado, você será avisado por correio eletrônico e poderá refazer sua programação. Se não alterar seu agendamento, este será cancelado automaticamente.
Canais para Aplicação
São três os canais para aplicação no Tesouro Direto, tanto para as compras tradicionais quanto para o investimento programado:
+ Diretamente no site do Tesouro Direto: com a sua senha, você acessa a área restrita do site e realiza a compra e venda de títulos públicos ou sua programação de investimentos.
+ Diretamente no site da instituição financeira: algumas instituições habilitadas integraram seus sites ao do Tesouro Direto, tornando-se um agente integrado. Isso significa que você pode comprar e vender títulos públicos no site da própria instituição financeira, a qualquer momento, com os mesmos preços e taxas do site do Tesouro Direto.
+ Por meio de sua instituição financeira: você autoriza sua instituição a negociar títulos públicos em seu nome.
 Prazo para Repasse dos Recursos
Após a confirmação da compra do título, via investimento tradicional ou programado, o sistema do Tesouro Direto informará a data limite para que os recursos necessários referentes a esta aquisição estejam disponíveis na conta da instituição financeira. Você deverá entrar em contato com a instituição para saber os dados da conta onde irá depositar o dinheiro. Caso você seja cadastrado em uma instituição integrada ao sistema do Tesouro Direto e realize a compra no site do próprio agente, consulte-o para se informar sobre a data de depósito dos recursos.
Quando ocorrer o vencimento de um título ou o pagamento de cupom de juros, os recursos estarão disponíveis no seu agente a partir de 13 horas do mesmo dia do pagamento. Já os recursos financeiros resultantes da venda antecipada de títulos estarão disponíveis na instituição a partir de 13 horas do dia seguinte da venda. No entanto, nos dois casos, a data e o horário de depósito em sua conta dependerão dos procedimentos operacionais da instituição.
5º Passo: Quais os custos e tributos?
Nas aplicações no Tesouro Direto há a incidência de Imposto de Renda com a mesma tabela dos outros títulos de renda fixa:
+ 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias;
+ 20% para aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias;
+ 17,5% para aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias;
+ 15% para aplicações com prazo acima de 720 dias.
Os impostos são incidentes sobre os rendimentos financeiros em caso de venda antecipada, no pagamento de cupom de juros (O IOF não incide sobre os cupons de juros; somente o IR) e no vencimento dos títulos.
Além do custo do IR, há duas taxas cobradas no Tesouro Direto:
+ Taxa cobrada pela BM&FBovespa
+ Taxa de custódia de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos, referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos.
+ Taxa cobrada pela instituição financeira, que depende de acordo com a casa. O ranking com as taxas cobradas por cada instituição pode ser encontrado no site do Tesouro Direto.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Novo Conceito de Cultura

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,novo-conceito-de-cultura-imp-,1568311O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,novo-conceito-de-cultura-imp-,1568311O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,novo-conceito-de-cultura-imp-,1568311O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,novo-conceito-de-cultura-imp-,1568311O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,novo-conceito-de-cultura-imp-,1568311O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,novo-conceito-de-cultura-imp-,1568311

Novo conceito de cultura

Affonso Romano de Sant'Anna - O Estado de S.Paulo
30 Setembro 2014 | 02h 05
Os Estados Unidos não têm ministério da cultura. E a cultura americana está entre as maiores exportações daquele país. Lá a cultura está vinculada ao comércio, aos produtos. Da Coca-Cola ao pintor Rauschenberg, seus símbolos estão em todo o mundo. Iludem-se aqueles que pensam que, numa sociedade mercantilista, livros, filmes, discos, etc., têm circulação graças (apenas) ao seu valor artístico. Vejam os livros How America Stole the Idea of Modernism (Serge Guilbaut), explicando como os Estados Unidos tomaram o lugar da França culturalmente depois da 2.ª Guerra, e Quem Pagou a Conta? (Frances Saunders), no qual se analisa a intervenção do Departamento de Estado e da CIA na Bienal de Veneza e a criação de uma "Otan cultural" durante a guerra fria. Assim acabam com nossa ingenuidade neste assunto.
Portanto, a menos que se tenha uma ideia de cultura que extrapole o nicho do Ministério da Cultura, não se entenderá histórica, antropológica e sociologicamente o que a cultura pode significar num país. No Brasil, estima-se que pelo menos 10 milhões de pessoas trabalhem na área da cultura. São formadores de opinião. É um contingente capaz de mudar qualquer eleição. Isso equivale à população da Suécia. Perto desse número a quantidade de operários em nossa indústria automobilística é ridícula. E, no entanto, não só aqueles 10 milhões produzem cultura. Os 202 milhões de brasileiros são produtores (inconscientes) de cultura.
É disso que se trata quando se pensa num plano cultural para o País e quando se fala de "um novo conceito de cultura". Consumidores e produtores se confundem. E mais: "cultura" não é só o que sabidamente se chama de cultura. Temos de redefinir essa palavra. Recentemente, descobriu-se que a "periferia" tem uma cultura própria. Descobriu-se que "centro" e "periferia" têm de ser redefinidos. Cultura é tanto a "dança do passinho" quanto um concerto sinfônico. E mais: o "tráfico" e as "milícias" são uma maneira de nossa cultura se manifestar. Em outros termos: nossos hábitos alimentares são cultura - e temos de estudar isso. Apoderar-se de papel higiênico e das tramelas nos banheiros dos aeroportos, assaltar e depredar as residências do programa Minha Casa, Minha Vida são também gestos culturais. Deixar as casas e os apartamentos no reboco e cuidar apenas da parte interna da residência, isso é algo que encontramos tanto aqui quanto no Egito, e é igualmente um sintoma cultural. Ultrapassar pela pista de acostamento é um gesto cultural tanto quando clonar placas de automóveis.
Conhece-se um país pelo lixo que produz. Lixo é cultura. Ler o lixo, interpretar o lixo, compreender o desperdício e os que vivem nos lixões. Por que o dinheiro do governo não chega ao ponto extremo destinado? Entender isso é entender nossa cultura. Por que somos incapazes de follow up, de continuidade? Por que não completamos as jogadas? Por que destruímos a arquitetura colonial e enfeamos nossas cidades com monstrengos arquitetônicos? Igualmente, a noção de que aquilo que é "público" é algo que não tem dono e pode ser surrupiado é um danoso dado cultural.
Setorialmente, será preciso integrar mais o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Cultura (MinC). Se fosse uma secretaria do MEC, o MinC teria hoje uns R$ 10 bilhões de orçamento. No entanto, tem só cerca de R$ 2 bilhões, aproximadamente 0,128% do Orçamento da União. E há dez anos arrasta-se no Congresso Nacional um projeto medíocre (e revolucionário) que prevê 2% para o MinC, mas em quatro anos.
A solução, então, é acabar com o MinC? Nunca. A melhor solução é, para começar, quadruplicar o orçamento do MinC - 90% do problemas, do patrimônio histórico à política do livro, seriam resolvidos com essa medida. A Lei Rouanet tem de ser melhorada e os empresários têm de botar dinheiro - o dinheiro deles, e não o do governo - na cultura. Como disse alguém, se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância.
Além de uma associação permanente com o MEC, é urgente entender que a cultura atravessa todos os ministérios e as ações culturais devem ser desencadeadas tanto nos quartéis, com o apoio da Forças Armadas, quanto nas cadeias, com participação do Ministério da Justiça. Igualmente os "agentes de saúde" do Ministério da Saúde seriam convertidos em "agentes da cultura" - assim saúde e cultura se dariam as mãos e o Plano Nacional do Livro e da Leitura seria mais impactante.
O Brasil, além de descobrir um novo conceito de cultura, precisa descobrir o mundo. Só o provinciano olha o mundo a partir de seu umbigo. É sintomático que digamos "lá fora" quando nos referimos ao exterior. Estamos "por fora". Por isso o livreiro de La Hune, em Paris, quando lhe cobrei a ausência de autores brasileiros nas estantes, me disse, seguro: "Vocês não têm autores suficientes para uma estante". Enfim, qual o nosso projeto internacional?
Nessa linha, nunca demos a devida importância à Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa (CPLP), apesar de sermos a quinta língua mais falada no mundo. Por que não temos uma televisão multilíngue que sirva como exportação de nossa cultura? Por que deixamos desamparados os "leitorados" no exterior? Por que não modificamos a lei de depósito legal e não mandamos para os carentes países africanos da CPLP cópia dos 50 mil livros que publicamos anualmente.
Termino com uma parábola verdadeira: o marechal Rondon saiu colocando postes de telégrafo com fio pelo País. Quando fincou o último poste na fronteira da Bolívia, recebeu a notícia de que Marconi havia acabado de descobrir o telégrafo sem fio.
O que isso tem que ver com os iPhones e iPads - verdadeiras bibliotecas virtuais que poderiam suprir o que não fizemos em 500 anos?
Há países que têm petróleo e são pobres. Há países que não têm petróleo e são ricos. A cultura é o nosso pré-sal. E ela não está a milhares de metros abaixo do solo, basta abrir os olhos, ver. E fazer.
*Affonso Romano de Sant'Anna é escritor