Sim, o corpo fala. Quanto mais eu estudo a Medicina Chinesa, mais essas coisas fazem sentido.
A dor na "alma" gera a dor física, a doença... Por isso oriento tanto meus amados pacientes a cuidarem de suas emoções...
Não trate apenas dos sintomas, tentando eliminá-los sem que a causa da enfermidade seja também extinta.
A cura real somente acontece do interior para o exterior...
Sim, diga a seu médico que você tem *dor no peito*, mas diga também que sua dor é dor de tristeza, é dor de angústia.
Conte a seu médico que você tem *azia*, mas descubra o motivo pelo qual você, com seu gênio, aumenta a produção de ácidos no estômago.
Relate que você tem *diabetes*. No entanto, não se esqueça de dizer também que não está encontrando mais doçura em sua vida e que está muito difícil suportar o peso de suas frustrações.
Mencione que você sofre de *enxaqueca*, todavia confesse que padece com seu perfeccionismo, com a autocrítica, que é muito sensível à crítica alheia e demasiadamente ansioso.
*Muitos querem se curar, mas poucos estão dispostos a neutralizar em si o ácido da calúnia, o veneno da inveja, o bacilo do pessimismo e o câncer do egoísmo.*
*Não querem mudar de vida* .... Procuram a cura de um *câncer*, mas se recusam a abrir mão de uma simples mágoa. Pretendem a *desobstrução das artérias coronárias*, mas querem continuar com o peito fechado pelo rancor e pela agressividade.
Almejam a cura de *problemas oculares*, todavia não retiram dos olhos a venda do criticismo e da maledicência.
Pedem a solução para a *depressão*, entretanto, não abrem mão do orgulho ferido e do forte sentimento de decepção em relação a perdas experimentadas. Suplicam auxílio para os *problemas de tireoide*, mas não cuidam de suas frustrações e ressentimentos, não levantam a voz para expressarem suas legítimas necessidades.
Imploram a cura de um *nódulo de mama*, todavia, insistem em manter bloqueada a ternura e a afetividade por conta das feridas emocionais do passado.
*Clamam pela intercessão divina, porém permanecem surdos aos gritos de socorro que partem de pessoas muito próximas de si mesmos*.
*Deus nos fala através de mil modos; a enfermidade é um deles e, por certo, o principal recado que lhe chega da sabedoria divina é que está faltando mais amor e harmonia em sua vida.*
*Toda cura é sempre uma autocura e o Evangelho de Jesus é a farmácia onde encontraremos os remédios que nos curam por dentro. Há dois mil anos esses remédios estão à nossa disposição. Quando nos decidiremos?*
DE LUCCA, José Carlos - Do Livro - O Médico Jesus.wh
segunda-feira, 26 de junho de 2017
whatsapp enviado por madalena
sábado, 24 de junho de 2017
Eros de revisão
Sérgio Augusto,
O Estado de S.Paulo
24 Junho 2017 | 02h00
Foi de propósito. Digitei “eros”, mesmo, mas é bastante
provável que você, na pressa ou na distração, tenha entendido “erros de
revisão”. Acertadamente. São desprezíveis as falhas tipográficas que os
próprios leitores podem corrigir, fazendo uso da lógica ou induzidos por
locuções consagradas, como, por exemplo, “erro de revisão”. A bem
dizer, todo erro de revisão é, antes de tudo, um erro de digitação - ou
de datilografia, como antigamente se dizia e cometia - que o revisor
encarregado de reconhecê-lo e eliminá-lo deixou passar.24 Junho 2017 | 02h00
Os gringos têm um vocábulo enxuto e consanguíneo para identificar lapsos tipográficos: typos. Os franceses empregam “coquille” (literalmente, concha) e nós, gralha, gato e pastel. Até por ser o mais antigo, gralha afinal venceu a concorrência.
No mais recente Bloomsday, semana passada, ao reavivar na memória um episódio ocorrido com James Joyce, ocorreu-me inventar um calemburgo que só tem graça em inglês: “This is not a typo, but a word in progress”. (Literalmente: “Isto não é um erro tipográfico, mas um neologismo em andamento”.) Pois, acredite, há gralhas que vêm para o bem. Como prova o aludido episódio envolvendo Joyce.
Estava o escritor irlandês a ditar Finnegans Wake ao conterrâneo Samuel Beckett, que então o secretariava, quando alguém bateu à porta e Joyce ordenou “come in” (entre). Concentrado em seu afazer, Beckett incluiu o “come in”, automaticamente, no texto que anotava. Embora não fizesse, nele, o menor sentido, Joyce tanto apreciou o erro que o manteve na edição final de sua “obra em andamento”.
Mas quase sempre a gralha é um transtorno, uma calamidade. “É o único erro humano que, a meu ver, merece pena de morte”, prescrevia Otto Lara Resende, desavindo com revisores desatentos desde que na edição portuguesa de O Retrato na Gaveta flagrara um “ânus” onde originalmente sobrevoava um anu, o pássaro, pouco importa se cuculiforme.
Segundo Eduardo Frieiro, que há 76 anos coletou uma série de gralhas históricas, não existe livro que não tenha sido vitimado por vacilos de tipógrafos e revisores. Claro que existem, mas são cada vez mais raros. Em outros tempos, com outro espírito, outra economia e mais leitores, as editoras investiam forte na contratação de editores, supervisores de textos e técnicos em checagem. Para abater custos e queimar etapas na produção de um livro, vários desses intermediários entre o, por assim dizer, manuscrito e o texto final foram sendo eliminados e precariamente substituídos por corretores automáticos e similares prodígios da era digital, exímios na troca de um erro por outros.
O computador ajudou menos do que se pensa. “O uso do processador de texto resultou num declínio substancial na disciplina e atenção do autor”, constatou o editor chefe da Little, Brown and Company, Geoff Shandler. “Os manuscritos ficaram mais longos e mais desleixados, apesar de bem impressos.” Ou seja, os autores não são apenas vítimas daqueles a quem Otto Lara ameaçava com a pena capital. F. Scott Fitzgerald cometia erros primários de ortografia em seus originais. Nesse e em outros exemplos de grandes escritores, tais tropeços são irrelevantes porque corrigíveis. Escrever bem e escrever corretamente são departamentos distintos.
Nem as Sagradas Escrituras, cuidadas com devoto desvelo por escribas e tipógrafos, escaparam da maldição. Pelo menos cinco de suas versões, impressas entre meados do século 16 e começo do século 19, chegaram às mãos dos fiéis com intrusos cochilos, alguns constrangedores, como a ausência de um não no Sétimo Mandamento (liberando a roubalheira) e a falta de outro naquela epístola aos coríntios que veda aos perversos a entrada no Reino dos Céus.
Segundo consta, a primeira grande vítima de uma gralha, entre nós, foi o poeta Cláudio Manuel da Costa, cuja obra introdutória do Arcadismo no Brasil saiu, em 1768, com um vistoso typo (“Orbas” em vez de “Obras”) na folha de rosto: Estampada na capa, chamaria ainda mais atenção, como aconteceu com a tradução dos Quatro Quartetos, de T. S. Eliot, editada pela Artenova, nos anos 1960, com um ele a mais no sobrenome do poeta.
Em alguns exemplares do primeiro romance da série Harry Potter, J.K. Rowling virou J.A. Rowling, e foram prontamente recolhidos pela editora. Não eram tantos quanto os 80.000 exemplares do romance Liberdade, de Jonathan Franzen, que chegaram a ser impressos a partir de uma versão sem as alterações e correções do autor, e postos à venda em livrarias. Franzen descobriu a mancada enquanto lia um trecho do livro, durante um programa de entrevistas na TV britânica. Imagine a cena. Imagine o choque do autor. Imagine o prejuízo da editora.
Sorte teve a editora Garnier, cuja negligência no controle de qualidade da segunda edição das Poesias Completas de Machado de Assis, em 1902, beneficiou-se de uma brigada de corretores amigos do autor, que a nanquim emendaram, em mutirão, cada “cagara” que usurpara o pretérito mais-que-perfeito do verbo cegar numa estrofe do poema Advertência. Por outra versão da mesma história, Machado teria corrigido tudo sozinho. É possível. As tiragens de livros de poesia já eram bem módicas naquela época.
Dia desses repassei os olhos numa rara e autografada primeira edição de Angústia, de Graciliano Ramos, que herdei de Lúcio Rangel, amicíssimo do Velho Graça. Publicado em 1936 pela José Olympio, com o escritor encarcerado pelo Estado Novo e outra ortografia em vigor no País, tamanha era a quantidade de gralhas no texto que Graciliano, depois de posto em liberdade, pegou de volta o exemplar presenteado a Lúcio, entulhou suas margens de correções a caneta e, com nova dedicatória, devolveu-o ao amigo.
Não sei quanto vale tal preciosidade no mercado bibliográfico. Um dos exemplares das poesias de Machado corrigidas a nanquim estava sendo oferecido, pouco tempo atrás, por R$ 900 na Estante Virtual. Café-pequeno se comparado aos livros coalhados de typos disputados em leilões lá fora. Em 15 de junho, a citada primeira edição de Harry Potter e a Pedra Filosofal, com o nome da autora grafado errado, foi arrematada por £ 10.000. Ano passado, um exemplar do mesmo livro com a palavra “philosopher” sem uma das letras na contracapa foi comprado por um empresário londrino por £ 43.750.
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Retorno ao Livro 3
Mário Sérgio Conti
03.06/2017
Não é de hoje que o empreendedorismo chama atenção. Num livro publicado há 123 anos, são feitas três afirmações sobre pessoas que tomam dinheiro emprestado para montar seus negócios.
Ele diz de início: "O fato que um homem sem fortuna, mas com energia, seriedade, capacidade e conhecimento dos negócios, possa tornar-se um capitalista é bastante admirado pelos economistas apologéticos".
Mas logo na sequência ele nega os economistas, constatando que o incremento do empreendedorismo "produz um número indesejado de novos cavaleiros da fortuna, que entram em competição com os diversos capitalistas individuais já existentes".
A sentença é encerrada com a negação da negativa anterior: o acréscimo de empreendedores "reforça a dominação do próprio capital, ampliando a sua base e permitindo-o recrutar sem interrupção forças novas no substrato da sociedade".
Está-se, como se vê, no âmbito da dialética, com tese, antítese e síntese concentradas numa frase. Está-se na página 660 da nova tradução do Livro 3 d'"O Capital", recém-lançada pela Boitempo. Marx não para aí, e faz um paralelo entre catolicismo e capitalismo:
"Do mesmo modo, o fato que na Idade Média a Igreja Católica formasse sua hierarquia com os melhores cérebros do povo, sem levar em conta estamento, nascimento ou patrimônio, foi um dos principais meios de consolidação do domínio eclesiástico."
Chega assim a uma generalização: "O domínio de uma classe é tanto mais sólido e perigoso quanto maior é a capacidade de essa classe dominante assimilar os homens mais importantes das classes dominadas".
Passe-se esse pensamento para a América Latina do século 21. Chega-se à conclusão –contraintuitiva– que Chávez, Morales e Lula, catapultados do substrato do povo para o topo do Estado, atestam a vitalidade do capitalismo. Mostram sua capacidade em cooptar os melhores entre os dominados, para por seu intermédio manter a dominação.
O Livro 3, contudo, não trata de política. Depois de estudar a produção e a circulação do capital nos volumes anteriores, Marx investiga a economia como um todo. O tema do Livro 3, pois, é o processo global de transformação do trabalho vivo no seu fantasma –o capital financeiro.
É um tema atual. Na crise de 2008, por exemplo, estourou uma bolha imobiliária nos EUA. Ela fora inflada por um sistema de crédito que, de um lado, financiava a construção civil, e, de outro, emprestava a empreendedores e pequenos poupadores.
Com a insolvência geral, aqueles que pegaram empréstimo para comprar casas e abrir negócios perderam os imóveis e o que investiram. Esse mecanismo de prejuízo total foi antevisto no Livro 3:
"A expropriação completa do trabalhador não é um resultado que o modo de produção capitalista procura alcançar, mas uma premissa da qual parte".
"O Capital" não é para ser lido na praia. Ele demanda empenho e paciência (sobretudo nos volumes 2 e 3, aos quais Marx não deu forma final), de tão intricada que é a economia capitalista.
Ele por certo pode ser estudado como outros clássicos da ciência do século 19, caso de "A Origem das Espécies" e "A Interpretação dos Sonhos", livros que qualquer pessoa razoavelmente educada leu. Mas é uma abordagem menos proveitosa porque tende a tratar "O Capital" como um mausoléu.
Foi o que fez o stalinismo. Já a derrocada da URSS, contraditoriamente,
tanto marginalizou Marx como o livrou das amarras doutrinárias. O que o
colapso da perspectiva socialista não conseguiu foi humanizar o
capitalismo, estancar suas crises, impedir que devaste.
Melhor então voltar a "O Capital" pelo o que ele foi e ainda é: crítica do modo de produção que explora, corrompe e empesteia, transformado o planeta num mercado no qual somos todos mercadorias. Para mudar este mundo é preciso antes entendê-lo.
03.06/2017
Não é de hoje que o empreendedorismo chama atenção. Num livro publicado há 123 anos, são feitas três afirmações sobre pessoas que tomam dinheiro emprestado para montar seus negócios.
Ele diz de início: "O fato que um homem sem fortuna, mas com energia, seriedade, capacidade e conhecimento dos negócios, possa tornar-se um capitalista é bastante admirado pelos economistas apologéticos".
Mas logo na sequência ele nega os economistas, constatando que o incremento do empreendedorismo "produz um número indesejado de novos cavaleiros da fortuna, que entram em competição com os diversos capitalistas individuais já existentes".
A sentença é encerrada com a negação da negativa anterior: o acréscimo de empreendedores "reforça a dominação do próprio capital, ampliando a sua base e permitindo-o recrutar sem interrupção forças novas no substrato da sociedade".
Está-se, como se vê, no âmbito da dialética, com tese, antítese e síntese concentradas numa frase. Está-se na página 660 da nova tradução do Livro 3 d'"O Capital", recém-lançada pela Boitempo. Marx não para aí, e faz um paralelo entre catolicismo e capitalismo:
"Do mesmo modo, o fato que na Idade Média a Igreja Católica formasse sua hierarquia com os melhores cérebros do povo, sem levar em conta estamento, nascimento ou patrimônio, foi um dos principais meios de consolidação do domínio eclesiástico."
Chega assim a uma generalização: "O domínio de uma classe é tanto mais sólido e perigoso quanto maior é a capacidade de essa classe dominante assimilar os homens mais importantes das classes dominadas".
Passe-se esse pensamento para a América Latina do século 21. Chega-se à conclusão –contraintuitiva– que Chávez, Morales e Lula, catapultados do substrato do povo para o topo do Estado, atestam a vitalidade do capitalismo. Mostram sua capacidade em cooptar os melhores entre os dominados, para por seu intermédio manter a dominação.
O Livro 3, contudo, não trata de política. Depois de estudar a produção e a circulação do capital nos volumes anteriores, Marx investiga a economia como um todo. O tema do Livro 3, pois, é o processo global de transformação do trabalho vivo no seu fantasma –o capital financeiro.
É um tema atual. Na crise de 2008, por exemplo, estourou uma bolha imobiliária nos EUA. Ela fora inflada por um sistema de crédito que, de um lado, financiava a construção civil, e, de outro, emprestava a empreendedores e pequenos poupadores.
Com a insolvência geral, aqueles que pegaram empréstimo para comprar casas e abrir negócios perderam os imóveis e o que investiram. Esse mecanismo de prejuízo total foi antevisto no Livro 3:
"A expropriação completa do trabalhador não é um resultado que o modo de produção capitalista procura alcançar, mas uma premissa da qual parte".
"O Capital" não é para ser lido na praia. Ele demanda empenho e paciência (sobretudo nos volumes 2 e 3, aos quais Marx não deu forma final), de tão intricada que é a economia capitalista.
Ele por certo pode ser estudado como outros clássicos da ciência do século 19, caso de "A Origem das Espécies" e "A Interpretação dos Sonhos", livros que qualquer pessoa razoavelmente educada leu. Mas é uma abordagem menos proveitosa porque tende a tratar "O Capital" como um mausoléu.
| O Capital - Livro III |
| Karl Marx |
Melhor então voltar a "O Capital" pelo o que ele foi e ainda é: crítica do modo de produção que explora, corrompe e empesteia, transformado o planeta num mercado no qual somos todos mercadorias. Para mudar este mundo é preciso antes entendê-lo.
sábado, 17 de junho de 2017
Atitudes e valores que circulam no Brasil de hoje
Atitudes e valores que circulam no Brasil de hoje
Há atitudes e valores que devem mudar desde o início, para que reformas possam ser introduzidas e sustentadas
Luiz Hanns,
Impresso
PSICOLÓGO E ANALISTA DE COMPORTAMENTO
17 Junho 2017 | 05h00
Talvez você já tenha ouvido frases como “o Brasil nunca irá
para a frente, somos imediatistas, corruptos e individualistas”. Ou que,
aqui, não se acredita na autonomia do indivíduo, nem na
livre-concorrência e tampouco na meritocracia, cidadãos e empresas
preferem um Estado protetor.
PSICOLÓGO E ANALISTA DE COMPORTAMENTO
17 Junho 2017 | 05h00
Será que essas generalizações descrevem de modo adequado como valores e atitudes circulam no Brasil e afetam nosso desenvolvimento?
Para discutir esta questão, sugiro um artifício: dividir, ainda que simplificadamente, a população em três níveis de tomadores de decisão e examinar sua adesão a valores cruciais ao desenvolvimento.
No topo estariam os tomadores de grandes decisões estratégicas: presidentes, ministros, líderes federais, municipais e de grupos privados. Mais abaixo os tomadores de decisões intermediárias: diretores, gerentes e supervisores, que coordenam o sistema público e empresas; e na base os tomadores de pequenas decisões individuais: pedreiros, médicos, taxistas, todos nós que operamos no cotidiano.
Embora na vida real haja mais de três níveis e cada cidadão possa atuar em vários deles, facilita considerarmos só três patamares.Para cada um dos níveis decisórios acima, diferentes conjuntos de atitudes são cruciais.
Por exemplo, para a atuação dos tomadores de pequenas decisões, há condutas especialmente relevantes, tais como levar prazos, horários e normas técnicas a sério; ou pensar no impacto de suas ações sobre o coletivo (evitar espalhar sujeira, furar filas, fazer ruídos). As pessoas que você observa no seu cotidiano adotam tais atitudes? Nunca, às vezes, em que contextos?
E no patamar intermediário, diretores e gerentes em órgãos públicos e empresas privadas? Planejam meticulosamente, envolvem todas as partes (consumidores, fornecedores, vizinhança) ou planejam superficialmente? Diante de problemas, buscam se informar das melhores práticas de gestão, ou ignoram soluções já bem-sucedidas e constroem soluções precárias?
E no topo, os líderes brasileiros que você conhece, independente de combaterem, ou não, a corrupção. Propõem um claro projeto de nação e sabem expô-lo? Preocupam-se com gastos e produtividade, ou preferem aumentar impostos e rolar dívidas?
Ainda que você tenha algumas respostas, só uma pesquisa nacional nos daria um mapa de como estas e outras atitudes se distribuem por regiões, setores econômicos e contextos. Embora, não seja difícil realizá-la, seria onerosa - quem sabe alguma entidade ainda a faça. Veríamos que não existe uma mentalidade nacional, mas um mosaico de valores e atitudes que se distribuem pelos três patamares, conforme o contexto.
De sua qualidade depende o fracasso ou sucesso em ações como vacinação em massa, desenvolvimento de tecnologias ou competir no futebol.
Nos casos de sucesso, como escolas públicas campeãs no Enem, Embraer ou agronegócio, os três patamares decisórios se articulam. Formam um fluxo virtuoso, cada um adotando um bloco de atitudes necessárias para seu nível de atuação (estratégico, coordenação ou operação).
*
E como favorecer a formação destes ecossistemas de excelência? Teóricos do desenvolvimento econômico sabem que o caminho depende da resposta a outra pergunta: atitudes podem ser mudadas? A prescrição tradicional sugere que se realize reformas econômicas, institucionais e se invista em educação. Em conjunto, criariam um ambiente favorável à emergência de atitudes de ética e eficiência coletiva.
O problema é que há atitudes e valores que precisam mudar desde o início, para que tais reformas possam ser introduzidas e sustentadas. Ou os melhores projetos serão minados pela resistência às mudanças. No caso do Brasil, as décadas de reformas que avançam e regridem apontam para esta dificuldade.
Daí pode ser necessário, desde o começo, em paralelo às reformas, discernir com precisão os valores e atitudes deficitários em cada patamar e abordá-los com ações direcionadas a certas posturas da população em geral, a determinadas condutas dos gestores intermediários e a focos e valores dos líderes.
Isto é feito em grandes organizações, em setores econômicos e parcialmente em países inteiros, com planejamento, determinação e estratégia. Mas como fazê-lo democraticamente por aqui é um tema para outro artigo
sexta-feira, 9 de junho de 2017
O homem mais feliz do mundo dá 5 receitas de felicidade
23/05/2017
Felicidade por inteiro
O monge budista Matthieu Ricard foi aclamado como a "pessoa mais feliz do mundo" por neurocientistas da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, que estudaram seu cérebro e o compararam com o cérebro de milhares de outros voluntários.
Eles descobriram que Ricard produz um nível de ondas cerebrais gama sem precedentes na literatura científica.
Essas ondas estão ligadas à capacidade de atenção, consciência, aprendizado e memória.
Além disso, Ricard manifesta um nível de atividade no seu córtex pré-frontal esquerdo bem acima do direito, o que reduz sua propensão à negatividade, explicaram os pesquisadores.
"Felicidade não é a busca infinita por uma série de experiências prazerosas. Isso é uma receita para a exaustão," diz o monge, nascido na França, mas hoje radicado no Monastério Shechen Tennyi Dargyeling, no Nepal.
Então qual é, na visão dele, o segredo para tanta felicidade? Aos 70 anos, Ricard dá cinco conselhos.
1. Defina o que é felicidade
"Felicidade é um jeito de ser. É um estado mental ótimo, excepcionalmente saudável, que dá a você os recursos para lidar com os altos e baixos da vida."
2. Seja paciente
"Não seja como uma criança que faz pirraça. 'Eu quero ser feliz agora', isso não funciona. A fruta amadurece com paciência e vira uma fruta e uma geleia deliciosas. Você não pode fazer isso com uma fruta verde. Leva tempo cultivar todas aquelas qualidades humanas fundamentais que geram bem-estar."
3. Saiba que você pode treinar sua mente
"O que você fizer vai mudar seu cérebro. Se você aprender malabarismo, a mergulhar ou a esquiar, seu cérebro vai mudar. Da mesma forma, se você treinar sua concentração, se você treinar para ter mais compaixão, se você treinar para ser mais altruísta, seu cérebro vai mudar, você será uma pessoa diferente. Todas essas habilidades podem ser aprendidas, assim como tocar piano ou jogar xadrez."
4. Pratique meditação - pouco e com frequência
"É como quando você rega as plantas no seu apartamento. Você precisa regar um pouco todos os dias. Se você derramar um balde uma vez por mês, a planta vai morrer. É melhor fazer sessões curtas de meditação com frequência do que uma muito longa de tempos em tempos, porque o processo de neuroplasticidade não será ativado ou mantido."
5. Não deixe o tédio desencorajá-lo
"Devemos perseverar, porque, às vezes, quando está chato é que uma mudança de verdade ocorre. A regularidade é uma das grandes dicas de meditação e treinamento mental para se tornar uma pessoa melhor, mais feliz e mais altruísta."
Homem mais feliz do mundo dá 5 receitas de felicidade
Com informações da BBC
Neurocientistas afirmam não ter encontrado ninguém que apresente o cérebro tão "sereno" quanto Matthieu Ricard.
O monge budista Matthieu Ricard foi aclamado como a "pessoa mais feliz do mundo" por neurocientistas da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, que estudaram seu cérebro e o compararam com o cérebro de milhares de outros voluntários.
Eles descobriram que Ricard produz um nível de ondas cerebrais gama sem precedentes na literatura científica.
Essas ondas estão ligadas à capacidade de atenção, consciência, aprendizado e memória.
Além disso, Ricard manifesta um nível de atividade no seu córtex pré-frontal esquerdo bem acima do direito, o que reduz sua propensão à negatividade, explicaram os pesquisadores.
"Felicidade não é a busca infinita por uma série de experiências prazerosas. Isso é uma receita para a exaustão," diz o monge, nascido na França, mas hoje radicado no Monastério Shechen Tennyi Dargyeling, no Nepal.
Então qual é, na visão dele, o segredo para tanta felicidade? Aos 70 anos, Ricard dá cinco conselhos.
1. Defina o que é felicidade
"Felicidade é um jeito de ser. É um estado mental ótimo, excepcionalmente saudável, que dá a você os recursos para lidar com os altos e baixos da vida."
2. Seja paciente
"Não seja como uma criança que faz pirraça. 'Eu quero ser feliz agora', isso não funciona. A fruta amadurece com paciência e vira uma fruta e uma geleia deliciosas. Você não pode fazer isso com uma fruta verde. Leva tempo cultivar todas aquelas qualidades humanas fundamentais que geram bem-estar."
3. Saiba que você pode treinar sua mente
"O que você fizer vai mudar seu cérebro. Se você aprender malabarismo, a mergulhar ou a esquiar, seu cérebro vai mudar. Da mesma forma, se você treinar sua concentração, se você treinar para ter mais compaixão, se você treinar para ser mais altruísta, seu cérebro vai mudar, você será uma pessoa diferente. Todas essas habilidades podem ser aprendidas, assim como tocar piano ou jogar xadrez."
4. Pratique meditação - pouco e com frequência
"É como quando você rega as plantas no seu apartamento. Você precisa regar um pouco todos os dias. Se você derramar um balde uma vez por mês, a planta vai morrer. É melhor fazer sessões curtas de meditação com frequência do que uma muito longa de tempos em tempos, porque o processo de neuroplasticidade não será ativado ou mantido."
5. Não deixe o tédio desencorajá-lo
"Devemos perseverar, porque, às vezes, quando está chato é que uma mudança de verdade ocorre. A regularidade é uma das grandes dicas de meditação e treinamento mental para se tornar uma pessoa melhor, mais feliz e mais altruísta."
quinta-feira, 8 de junho de 2017
KARNAL - Estratégia para a crise
Estratégia para a crise
São essenciais o preparo intelectual, a administração do tempo e o cuidado do corpo
Leandro Karnal,
O Estado de S.Paulo
07 Junho 2017 | 02h00
Estamos em crise. A frase já foi dita tantas vezes que ficou
inaudível. Funciona como o Pour Elise de Beethoven: a melodia está tão
difundida que provocou surdez seletiva. Um dos problemas da repetição de
avisos de perigo é que ficam como mensagens de aeroporto: muito
significa nada.07 Junho 2017 | 02h00
A estratégia implica, entre outras coisas, selecionar recursos, energia e priorizar tarefas. Estratégia é usar recursos limitados, tempo limitado e pessoal reduzido para atingir um objetivo. Se tivéssemos tudo em abundância infinita, não necessitaríamos de estratégia. A crise aumenta a necessidade dela.
A palavra estratégia tem raiz militar e grega. O estratego dirige a infantaria ou os arqueiros para onde serão mais necessários. Ele deve antecipar, criar o recurso disponível antes de ele ser necessário, especialmente no desenrolar de uma batalha rápida. Da China antiga, faz sucesso o tratado de Sun Tzu, A Arte da Guerra. Hoje, o livro é usado em treinamentos de vendedores ou de equipes de empresas. A linguagem militar é adaptada ao mercado.
Pensamento estratégico trabalha com o real e projeta o ainda não ocorrido como uma possibilidade. Quanto mais eu consigo antecipar o tempo e adaptar a resposta às hipóteses, mais estratégico serei.
Estamos em crise. Há menos dinheiro, menos emprego, mais instabilidade política. Faltam horizontes e os mercados estão tensos. A estratégia deixou de ser um deleite estético para ser chave de sobrevivência.
Entenda a crise como uma paisagem difícil e árida. Você precisa de água e proteção contra o sol , evitando os riscos da desidratação e da insolação. O pensamento imediato é: como sobreviver? Preservar recursos, apostar em algumas coisas conhecidas e tentar algumas novas. Porém, há uma perspectiva distinta dessa. Tão importante como atravessar o deserto é saber o que fará após ele. Que produtos sua caravana leva que possam interessar aos povos do outro lado? Toda crise passa, sempre. Não basta sobreviver, você precisa pensar na vida pós-crise.
Vamos a um exemplo. O mercado brasileiro dava tímidos sinais de que o pior da tempestade econômica estava sendo superado. Indícios mínimos, porém reais. A turbulência política atropelou tudo e deu um fôlego extra ao problema. Há a possibilidade de o alvoroto diminuir após 2018 (bata três vezes na madeira). Acalmado o campo da política, a economia volta a sair da UTI.
O que levar? Preparo, conhecimento, habilidades e atitudes pessoais. Exemplo concreto: estudo de línguas faz toda a diferença. Mundo cada vez mais globalizado e demandando habilidades de comunicação fora da zona de conforto da língua materna. Habilidades: você é um usuário do computador, todavia precisa aprender linguagens e programas novos. Todo novo conhecimento constitui uma ponte neuronial com o futuro. Ele leva para além do deserto.
Atitudes pessoais contam. Administração do tempo é uma das mais importantes. Tempo é um valor medido de forma objetiva, porém seu aproveitamento é a coisa mais subjetiva já surgida nas culturas. Carpe Diem: a máxima de Horácio pode ser lida de muitas maneiras. Para alguns, quer dizer aproveite a vida, divirta-se. Para outros, envolve a noção capitalista e empreendedora de fazer o máximo de coisas em pouco tempo. Para mim, é tornar-se senhor do seu tempo e produzir ou descansar de acordo com seus objetivos. O ócio criativo de Domenico de Masi é um bom exemplo de Carpe Diem.
Seu corpo deve ser funcional. Isso significa que deve corresponder, grosso modo, ao que você demanda dele. Cuidar dele implica alimentação equilibrada e alguma atividade física. Pensar no corpo é uma boa maneira de evitar ou adiar o dia em que ele vai pensar por você e impedi-lo de fazer coisas. Todos morreremos. Dar atenção ao corpo é evitar que isso ocorra muito antes do que deveria ocorrer. Não se esqueça de fazer as vacinas devidas. Corpo é estratégia.
Preparo intelectual, administração do tempo e cuidado do corpo. Nada mais estratégico do que esse tripé. Acrescentarei mais um elemento. Parte do sucesso ou fracasso em qualquer atividade é a administração da nossa personalidade. Tipos coléricos, excesso de reação a coisas pequenas e impulsos podem ser os mais poderosos obstáculos para seus objetivos. Não incorpore a Gabriela de Jorge Amado: eu nasci assim! Personalidades podem ser trabalhadas como corpos. Você não supera a natureza, no entanto deixa de ser escravo dela.
Todas as questões identificadas podem significar um profissional: um médico, um psicólogo, um nutricionista, um fonoaudiólogo. Essencial conhecer-se e observar onde algum ponto pode ser melhorado.
Nada antecipa o futuro. Nunca saberemos qual tigre pode pular na próxima esquina. Viver implica adaptação permanente a novidades positivas e negativas. Os tigres são surpreendentes. Como canta Fantine (musical Os Miseráveis, música I Dreamed a Dream): the tigers come at night... Haverá tigres, muitos, especialmente à noite. Estratégia é levar comida para eles, talvez uma arma ou fortalecer as pernas para correr. Tigres são terríveis, mas são gatos grandes. A crise vem para todos como ventania, estratégia torce os ventos para que sua vela se enfune. Boa semana para todos!
terça-feira, 6 de junho de 2017
Para desagradar a todos (sobre crack e outros vícios)
Para desagradar a todos
Por Daniel Martins de Barros
04/06/2017, 07h08
por um lado, a internação em massa não
se justifica como política para as drogas; por outro, não se pode negar
que há pessoas ali que não têm autonomia.
Estão faltando três informações fundamentais no debate sobre a Cracolândia.O cérebro faz o que pode para nos manter vivos e reproduzindo enquanto conseguir. Dedica-se a tal ponto a essa tarefa que, tudo o que contribui para nossa sobrevivência e reprodução, ele marca como relevante e nos induz a fazer de novo. A dopamina, erroneamente chamada de hormônio do amor, é o neurotransmissor utilizado para isso: ela é liberada em determinadas regiões cerebrais, conhecidas como centros de recompensa, nos levando a querer repetir coisas como comer e fazer sexo. Tudo o que sentimos ser recompensador de alguma forma pode ser marcado. E repetido.
Nos anos 1950, cientistas desenvolveram técnicas para estimular diretamente essas áreas cerebrais com eletrodos implantados em ratos. Descobriram assim que, quando as próprias cobaias eram capazes de acionar esses eletrodos, elas abandonavam tudo o que estavam fazendo para ficar apertando as alavancas que estimulavam aquelas áreas. Tudo mesmo: deixavam de comer, de tomar água. Machos ignoravam fêmeas no cio. Estas negligenciavam crias recém-nascidas. Os bichos chegaram a apertar a alavanca 7 mil vezes por hora. Não havia recompensas naturais que se comparassem à descarga artificialmente alta de dopamina, tornando o comportamento compulsivo. Efeito similar ao obtido com a cocaína e seus derivados.
Primeira informação: o crack é como uma dessas alavancas.
Duas décadas depois, contudo, outro experimento questionou os aspectos biológicos das dependências, ressaltando a importância dos fatores psicossociais. O estudo da adição era feito engaiolando e isolando cobaias a quem eram oferecidas diferentes drogas, testando quais levavam ao uso compulsivo. Um psicólogo canadense imaginou, então, que se ele fosse confinado em uma gaiola, sozinho e sem nada para fazer também, usaria todos os psicotrópicos que lhe oferecessem. Criou então um ambiente espaçoso para os ratos, agradável, com comida, água, labirintos, obstáculos, onde machos e fêmeas conviviam livremente. Viu que, nesse ambiente, os bichos não usavam drogas quando elas eram oferecidas, e muitos deixavam de usá-las ao serem transferidos de gaiolas para esse parque. Embora os seus resultados até hoje não sejam unânimes, ele mostrou que em grande medida condições hostis, sociais e psicológicas estão por trás das dependências.
Segunda informação: as cracolândias são como as gaiolas.
São informações fundamentais para compreender porque algumas pessoas chegam ao ponto de abandonar tudo o que têm – família, filhos, emprego –, chegando a situações desumanas. A descarga de dopamina da cocaína não tem paralelo natural, criando uma recompensa artificialmente alta e levando a uma compulsão quase impossível de resistir. Perde-se o controle progressivamente, gastando cada vez mais tempo com a droga e cada vez menos com o restante da vida. E quando, por razões diversas, alguns acabam numa cracolândia, cercados de privações, correm o risco de ficar absolutamente incapazes de reagir. Mesmo que não estejam psicóticas, fora da realidade, podem chegar a não ver sentido em sair daquela situação.
Um levantamento de 2013 mostrou que só nas capitais do País quase 400 mil pessoas vinham fazendo uso regular da droga. Levando em consideração que mais de 100 mil delas se concentravam nas quatro capitais do Sudeste, deve haver, por baixo, uns 50 mil usuários de crack na cidade de São Paulo. Dados publicados recentemente pelo Estado mostram que cerca de 800 frequentavam a maior Cracolândia do País. Ou seja, 98% dos usuários estão em suas casas, tentando seguir a vida, tropeçando e levantando, sem sucumbir totalmente ao vício.
A terceira informação, portanto, é que poucos chegam a isso.
Juntando essas três informações, chego à seguinte conclusão. Se, por um lado, a internação em massa nas cracolândias não se justifica como política para as drogas, nem arranham o problema, por outro, não se pode negar que há pessoas ali que não têm autonomia, e não interná-las é que configura violação dos direitos humanos.
Ou seja, uma opinião para desagradar todo mundo.
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